quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - PERIGOSAS PERUAS



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos apresenta mais um episódio da participação de RC em produtos de teledramaturgia do país. A novela mostrada hoje foi sucessora de Vamp no horário das 19h.



Escrita por Carlos Lombardi, com supervisão de texto feita por Lauro César Muniz, Perigosas peruas estreou em 10 de fevereiro de 1992. A novela foi dirigida por Roberto Talma - há alguns anos é diretor dos especiais de Roberto Carlos na emissora.

A trama conta a história de Cidinha (interpretada por Vera Fischer) e Lêda (vivida por Silvia Pfeifer), amigas desde a infância e que nasceram no mesmo dia, na mesma hora e no mesmo hospital. Anos mais tarde, as duas acabariam brigando pelo amor de Belo (papel de Mário Gomes), que engravidou as duas - e suas filhas nasceriam no mesmo dia, na mesma hora e no mesmo hospital.



No entanto, a filha de Cidinha nascia morta, e Belo (já casado com ela) trocava a filha pela de Lêda. Depois da morte de seu filho, Lêda então decidia se dedicar à carreira de jornalista internacional. Anos mais tarde, a menina Tuca (atuação de destaque da então garota Natália Lage) descobria que havia sido trocada na maternidade, o que fazia com que Cidinha e Lêda voltassem a entrar em conflito.



Belo também estava envolvido em outra trama: ele trabalhava para os poderosos Franco e Branco Torremolinos (respectivamente, Cassiano Gabus Mendes - sim, o autor da citada nesta série Meu bem, meu mal trabalhou como ator na novela de Carlos Lombardi - e José Lewgoy). O delegado corrupto Venâncio (vivido por Flávio Migliaccio) e sua equipe de policiais - Paulinho Pamonha (papel de Tato Gabus), Téio (vivido por Rômulo Arantes), Johann (interpretado por Irving São Paulo) e Joana (feito por Fabiana Scaranzi, que hoje é jornalista) - tinham o desafio de desbaratar a máfia dos Torremolinos.

Com seu humor ágil e as muitas cenas de ação que consagraram seu estilo de fazer novela, Carlos Lombardi tornou Perigosas peruas um sucesso para o horário. O mérito de sua escrita é saber o que espera e o que cada ator sabe fazer.

Com isto, Mário Gomes (que já havia feito Vereda tropical, dele com Silvio de Abreu) conseguiu tanta popularidade que o personagem Belo, previsto para morrer dois meses antes da novela acabar, ficou vivo até o fim, exibido em 29 de agosto de 1992. Nair Bello, a italiana Gema (mão de Belo), foi outro destaque. O casal Téio e Téia, feito por Rômulo Arantes e Bianca Byington, também agradou e muito os espectadores.

Duas músicas de Roberto Carlos estiveram presentes na trilha de Perigosas peruas. Em uma delas, RC trabalhou como versionista, fazendo sua única versão para música de John Lennon e Paul McCartney. A canção, que recebeu, segundo Roberto, um título com uma frase "que Lennon disse muito em sua vida". Lançada originalmente em 1984, ela recebeu leitura da dupla Zezé Di Camargo e Luciano.



A outra é de autoria dele com Erasmo. Um clássico do repertório da dupla, que os dois interpretam constantemente em especiais da TV Globo. Para o tema de Paulinho Pamonha, ótima atuação de Tato Gabus, ficou na voz apenas de Erasmo, numa gravação feita na época de lançamento da novela.




Seguem as letras! Na foto, Belo entre suas mulheres Cidinha e Lêda.

Abraços a todos, Vinícius.

EU TE AMO (And I love her) - John Lennon e Paul McCartney (versão de Roberto Carlos)

Foi tanto o que eu te amei
E não sabia
Que pouco a pouco eu, eu te perdia
Eu te amo

E aquele louco amor
Inesquecível
Tirar do coração, é impossível
Eu te amo

Te amei demais
Enlouqueci
Brigas banais
Te perdi

O tempo já passou
E eu não consigo
Calar meu coração e às vezes digo
Que te amo

Eu te amo...
Eu te amo...

*****

SENTADO À BEIRA DO CAMINHO - Roberto e Erasmo

Eu não posso mais ficar aqui a esperar
Que um dia de repente você volte para mim
Vejo caminhões e carros apressados a passar por mim
Estou sentado à beira de um caminho que não tem mais fim

Meu olhar se perde na poeira desta estrada triste
Onde a tristeza e a saudade de você ainda existe
Esse sol que queima no meu rosto um resto de esperança
De ao menos ver de perto seu olhar que eu trago na lembrança

Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo
Que eu existo, que eu existo ....

Vem a chuva molha o meu rosto e então eu choro tanto
Minhas lágrimas e os pingos dessa chuva se confundem com meu pranto
Olho pra mim mesmo, me procuro e não encontro nada
Sou um pobre resto de esperança na beira de uma estrada

Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo
Que eu existo, que eu existo

Carros, caminhões, poeira, estrada, tudo tudo se confunde em minha mente
Minha sombra me acompanha e vê que eu estou morrendo lentamente
Só você não vê que eu não posso mais ficar aqui sozinho
Esperando a vida inteira por você sentado à beira de um caminho

Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo
Que eu existo, que eu existo...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - PEDRA SOBRE PEDRA



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos apresenta mais um episódio da participação de RC na teledramaturgia brasileira. Como cantor ou como compositor, Roberto escreveu bons capítulos com as novelas brasileiras.

É o caso da volta dele como intérprete no horário nobre, entre 6 de janeiro e 31 de julho de 1992. PEDRA SOBRE PEDRA apresentou ao país a pequena cidade de Resplendor, às 20h30.



Nela, os Pontes e os Batista tinham brigas políticas, desde que Pilar (interpretada por Renata Sorrah) abandonou Murilo (papel de Lima Duarte) no altar. 25 anos depois do abandono, Murilo Pontes retorna à cidade para fazer a candidatura do filho Leonardo à prefeitura, e descobre que Pilar quer fazer campanha pra filha Marina. Ainda por cima, Leonardo e Marina se apaixonam.



A novela agradou o público e ainda teve grandes destaques, como o núcleo de ciganos, o personagem Cândido Alegria, último grande trabalho de Armando Bogus e Sérgio Cabeleira, papel de Osmar Prado, um homem que sentia forte atração pela lua cheia. Em Pedra sobre pedra também teria destaque o fotógrafo Jorge Tadeu, papel de Fábio Júnior, um sedutor em vida, e que, após a morte, continuava vivendo graças a uma árvore (que cresceu "regada" por sua urina) que dava flores e enlouquecia as mulheres que a comiam - a "Árvore do Espanto". Era o realismo fantástico imperando na novela de Aguinaldo Silva.



Roberto Carlos esteve presente na trilha desta novela. Ele cantou o tema do romance proibido entre Marina e Leonardo, vividos respectivamente por Adriana Esteves e Maurício Mattar. Uma canção bonita, feita pela incansável dupla Michael Sullivan e Paulo Massadas, presente no disco de 1991.

Segue a letra!

Abraços a todos, Vinícius

PERGUNTE PRO SEU CORAÇÃO - Michael Sullivan e Paulo Massadas

Meu amor
Você não tem motivos pra não ser feliz
Ninguém vai te querer do jeito que eu te quis
Você já está cansada de saber

Meu amor
Se entregue pra deixar meu coração em paz
Promete bem baixinho, não me deixe mais
Senão como é que eu faço pra viver

Pense em mim
E em tudo que eu sentir se você me deixar
Eu faço qualquer coisa pra você ficar
Do jeito que eu sempre imaginei

Pense em mim
Como é que eu vou viver de novo a solidão
Você conhece bem esse meu coração
Mas nunca vai saber como eu te amei

Pergunte pro seu coração
Você vai ver que ainda me ama
Dentro do peito ele chora e diz:
Nessa vida é com você que eu quero ser feliz...

sábado, 25 de setembro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - VAMP




Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos apresenta mais um capítulo da ligação de RC com a teledramaturgia brasileira. A novela apresentada hoje ocupou o horário das 19h, em substituição à Lua cheia de amor.

E todo o insucesso de sua antecessora foi embora a partir de 15 de julho de 1991. Neste dia, estreou na faixa de horário a novela VAMP, trazendo as sobrenaturais histórias de vampiros para o litoral do Rio de Janeiro.



A novela de Antônio Calmon foi ambientada na cidade litorânea de Armação dos Anjos, onde o Capitão Rocha (papel de Reginaldo Faria), viúvo e pai de seis filhos, se casava com a historiadora Carmem Maura (interpretada por Joana Fomm), também viúva e com seis filhos.

A cidade começava a enfrentar a chegada de vampiros, que vinham para Armação por conta da cantora famosa Natasha (vivida por Cláudia Ohana). Natasha havia se transformado em vampira depois de vender sua alma ao terrível Conde Vladmir Polanski (magistral interpretação de Ney Latorraca).

Vlad descobria que, em encarnações anteriores, Natasha havia sido Eugênia Queiroz, sua amada, e ela havia preterido para ficar com o amor de Felipe Rocha - a outra vida do Capitão Jonas. Por isto, tentava destruir Jonas para se vingar do amor perdido.

Tentando se livrar da maldição imposta por Vlad, Natasha estava atrás da Cruz de São Sebastião, escondida em algum lugar de Armação dos Anjos e única arma capaz de acabar com o chefe dos vampiros. Um enredo com vampiros, rock, suspense e muita comédia que consagrou o autor Antônio Calmon - anteriormente responsável pelo seriado Armação ilimitada - novamente entre o público jovem.

Vamp, que teve seu último capítulo em 8 de fevereiro de 1992, se destacou por uma linguagem inovadora - muitas cenas eram desenvolvidas no formato de videoclipe (sem palavras, apenas ações e sucessões de planos), e a última cena de cada capítulo era transformada em desenho de história em quadrinhos. A trama foi responsável por cenas antológicas, como a em que o Conde Vlad dançava a música Thriller, de Michael Jackson, tendo como dançarinos mortos no cemitério.



No núcleo dos vampiros se destacou o casal Matoso e Mary Matoso (respectivamente, Otávio Augusto e Patrícia Travassos). Ele, um vampiro que tinha um dente só, já que o outro canino era na verdade um pivô. Ela, uma ex-atriz pornô. O produtor musical Gerald Lamas também se destacou, na ótima interpretação de Guilherme Leme. A dupla de caçadores de vampiros feita por Vera Holtz e Marcos Frota (respectivamente, Alyce Penn Taylor e seu ajudante, Augusto Sérgio) também rendeu boas gargalhadas.

O Padre Garotão (vivido por Nuno Leal Maia), bandido que se disfarçava de padre para fugir da quadrilha de Cachorrão (papel de Paulo Gracindo) também foi um destaque à parte. Na reta final, o clima de comédia foi tanto que, em uma cena em que o caçador de vampiros Augustinho Fernando (vivido por Jorge Fernando) lutava contra ele, o Conde Vlad parava, olhava para a câmera e dizia: "Ah, não, aí é demais! Até o diretor da novela contra mim?!".

Em Vamp, a música de Roberto e Erasmo não foi usada meramente como trilha sonora. Ela era um dos sucessos da personagem Natasha (o outro foi "Sympathy for the devil", ou seja, Rolling Stones e Roberto & Erasmo na voz da roqueira da ficção), que a interpretava em seus shows.

A gravação, feita por Cláudia Ohana, foi lançada num dos LPs de Vamp - Rádio Corsário - o som da galera Vamp. No final de 1991, a atriz Cláudia Ohana se apresentou no Roberto Carlos Especial (naquele ano, o programa foi exibido em duas partes, e ela foi na parte da tarde), e cantou o sucesso da personagem Natasha.



Segue a letra! Na foto, Cláudia Ohana e Ney Latorraca, como Natasha e Conde Vlad.

Abraços a todos, Vinícius.

QUERO QUE VÁ TUDO PRO INFERNO - Roberto e Erasmo

De que vale o céu azul e o sol sempre a brilhar
Se você não vem e eu estou a lhe esperar
Só tenho você no meu pensamento
E a sua ausência é todo o meu tormento
Quero que você me aqueça nesse inverno
E que tudo mais vá pro inferno

De que vale a minha boa vida de playboy
Se entro no meu carro e a solidão me dói
Onde quer que eu ande tudo é tão triste
Não me interessa

O que de mais existe
Quero que você me aqueça nesse inverno
E que tudo mais vá pro inferno

Não suporto mais você longe de mim
Quero até morrer do que viver assim
Só quero que você me aqueça nesse inverno
E que tudo mais vá pro inferno
Oh, oh,
E que tudo mais vá pro inferno

Oh, oh, e que tudo mais vá pro inferno
Oh, oh, e que tudo mais vá pro inferno

Oh, oh, oh,
Só quero que você me aqueça
Nesse inverno
Oh, oh, oh,
E que tudo mais vá pro inferno...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - O DONO DO MUNDO



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos apresenta hoje o primeiro grande privilégio de uma obra de teledramaturgia brasileira. Trata-se da primeira vez que uma trilha de novela teve uma música escrita e interpretada por Roberto Carlos.

O privilégio coube à novela O DONO DO MUNDO, a novela mais polêmica e talvez a mais problemática assinada por Gilberto Braga. Exibida no horário das 20h30 a partir de 20 de maio de 1991, ela seguiu uma linha de pensamento do autor iniciada em Vale tudo sobre valer a pena ser honesto no Brasil. Em especial num país que, àquela época, convivia com a corrupção da Era Collor.



A trama começa quando o cirurgião plástico Felipe Barreto (vivido por Antônio Fagundes) aposta com seu sócio Júlio (vivido por Daniel Dantas) que vai possuir a noiva dele, Márcia (papel de Malu Mader) antes do noivo. Ele vence a aposta, Walter (interpretado por Tadeu Aguiar) comete suicídio, e depois de ser abandonada por Felipe, a mocinha começa um plano para destruí-lo, com a ajuda da cafetina Olga Portela (a cargo de Fernanda Montenegro).

Uma trama pautada pela vingança, num cenário de alta sociedade, com vilões muito bem construídos pelo talento de Gilberto Braga seria sinônimo de sucesso. Entretanto, o dramaturgo não imaginava que, mesmo no início da década de 1990, a virgindade ainda era um tabu.

A audiência despencou sensivelmente, a ponto de ser ultrapassada pelo SBT. A emissora de Silvio Santos exibia no mesmo horário a novela mexicana Carrossel, ambientada numa escola primária.



Em vez do público se solidarizar e torcer por Márcia, ela foi rejeitada por ter se deixado levar facilmente pela lábia de um homem. Do outro lado, Felipe Barreto não era antipatizado por um simples motivo: o charme de Antônio Fagundes, que fazia seu primeiro vilão depois de muitos bonzinhos.

Gilberto Braga se espantou na época, e disse que o público era contraditório: "Gostava de Thaís [vivida por Letícia Sabatella], uma prostituta, e adorava Olga, uma cafetina. No entanto, odiava a heroína. Passei oito meses tentando fazer com que gostassem dela!".

Com o auxílio do escritor Sílvio de Abreu, Gilberto reescreveu algumas cenas e reformulou o perfil de alguns personagens. Um deles foi Beija-Flor (papel de estreia de Ângelo Antônio na TV Globo), que antes era um "surfista de trem", prática comum no Rio de Janeiro, e se tornou símbolo de honestidade. Seu romance com a prostituta Thaís era embalado pela música Codinome Beija-Flor, que deu nome ao personagem de Ângelo Antônio.

Uma recomendação que Silvio deu a Gilberto foi: "Amarre Márcia no tronco e a faça levar uma surra, até que o público fique com pena dela". Assim, a personagem de Malu Mader vai para a cadeia e começa seu calvário. Além de Herculano (papel de Stênio Garcia), outro homem aparece para disputar o amor dela - Otávio. O personagem foi criado para colocar no ar o grande trunfo que a TV Globo conseguira na luta pela audiência: após seu grande sucesso em Pantanal, Paulo Gorgulho foi contratado, e surgiu para tentar salvar a trama.

Como Felipe Barreto não recebia antipatia do público, ele deixou de ser vilão para se tornar um malvado arrependido. Mas, na última semana (a novela terminou em 4 de janeiro de 1992, com a audiência já consolidada no horário, Gilberto Braga realizou sua vingança particular: Felipe nunca tinha se arrependido de nada, apenas enganou a todos, até o público.

Ele terminava a trama num altar, se casando com uma mocinha filha de um rico fazendeiro, e seu padrinho de casamento era o amigo Júlio, Triunfalmente, Felipe encerrava sua participação dizendo: "é virgem!". E, num close , o personagem piscava o olho e dava um sorriso cínico para milhões de espectadores.

A voz de Roberto Carlos era tema de Rodolfo, vivido por Kadu Moliterno. Um dos raros privilegiados por ter música de Roberto e Erasmo cantada por RC como tema dele em uma novela.



Segue a letra! Na foto, a capa do LP O dono do mundo, com Glória Pires - ela fazia o papel de Stella, mulher de Felipe Barreto. Na época, Gilberto Braga foi criticado por não dar um personagem de maior destaque à atriz na trama.

Abraços a todos, Vinícius.

SUPER HERÓI
- Roberto e Erasmo

Quando você precisar
Alguma coisa de mim
É só me telefonar
Que eu irei correndo

Meu telefone eu deixei
Na cabeceira da cama
Não importa a hora que for
Me chama

Já não sou mais seu amor
Mas me preocupo contigo
Saiba que sou
Seu melhor amigo

Eu sou um super herói
Esqueço a dor que me dói
Pra te tirar
De qualquer perigo

Não se culpe, eu aprendi
Que o sentimento ninguém domina
Te agradeço, eu fui feliz
Mas o meu sonho de amor termina

Se acaso você chorar
E precisar do meu ombro
Estou nos restos do amor
Que ficou nos escombros

Mesmo ferido demais
Eu te direi sempre sim
Chame quando
Precisar de mim

Não se culpe, eu aprendi
Que o sentimento ninguém domina
Te agradeço, eu fui feliz
Mas o meu sonho de amor termina

Chame quando
Precisar de mim

Chame quando
Precisar de mim...

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - LUA CHEIA DE AMOR



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos chega pela a um momento lindo da teledramaturgia brasileira. Na novela de hoje, a voz de RC apareceu como intérprete para embalar uma protagonista.

Exibida às 19h LUA CHEIA DE AMOR tem como protagonista a feirante Genu (vivida por Marília Pêra), mulher que anos antes foi abandonada por seu marido Diego Miranda (papel de Francisco Cuoco) e que batalhou muito na criação de seus filhos Mercedes e Rodrigo (vividos por Isabela Garcia e Roberto Battaglin, respectivamente). Anos depois, ela sofre, pois eles têm vergonha da mãe ser simplória.



Rodrigo faz faculdade de cinema, mas sonha em morar no exterior, o que faz com que ele namore Flávia (papel de Renata Laviola) mas não queira se casar para perder a liberdade. Entretanto, ele se apaixona por Rutinha (vivida por Sylvia Bandeira), uma mulher mais velha e rica que é sua vizinha.



Mercedes se envolve com Douglas (interpretado por Rodolfo Bottino) por achar que ele é rico, mas na verdade ele faz parte de uma família rica, e é filho do empresário Jordão e da socialite Kica Jordão (Carlos Zara e Arlete Salles, respectivamente). O sonho de consumo de Kica é se tornar amiga da socialite Laís Souto Maia (papel de Suzana Vieira), esposa de Conrado Souto Maia (vivido por Cláudio Cavalcanti) e incentiva a amizade de sua filha Olívia (interpretada por Carol Machado) com Patrícia Souto Maia (papel de Maria Mariana).

Na família Souto Maia ainda existem Augusto e Isabela (vividos, respectivamente, por Maurício Mattar e Drica Moraes). Ele é um rapaz que nunca passou por dificuldades financeiras na vida, mas se recusa a ser herdeiro das empresas do pai, e por isso vive às turras com sua paixão, Mercedes. Isabela é apaixonada por Lourenço (papel de Felipe Martins), amigo de Rodrigo, mas, além de sofrer com cleptomania, sofre com as armações de Wagner (interpretado por Mário Gomes), homem que quer dar o golpe do baú e lhe roubar toda fortuna.

Um dado curioso traz os bastidores de Lua cheia de amor: inicialmente, para o papel de Genu, inicialmente estava escalada a atriz Joana Fomm. Mas, devido ao sucesso internacional que tem Marília Pêra, esta foi escalada. A novela era coproduzida com duas emissoras estrangeiras - RTVE, da Espanha, e RTSI, da Suíça.

No entanto, nem mesmo a boa atuação de Marília Pêra foi capaz de ter o mesmo sucesso da novela que havia inspirado o trio de autores Ricardo Linhares, Ana Maria Morehtzon e Maria Carmem Barbosa - Dona Xepa, adaptação de Gilberto Braga para peça homônima de Pedro Bloch, exibida em 1977 na TV Globo. O único grande destaque foi a atuação de Arlette Salles como puxa-saco da socialite Laís.

Joana Fomm acabou entrando na novela sucessora. Mas isto é um assunto para um dos próximos posts.



Roberto Carlos deu voz aos sonhos de Genu voltar a estar com seu marido, preterindo o amor do vizinho Túlio (papel de Geraldo Del Rey). E ela ainda viu sua vida mudar depois do retorno de Diego, com outra identidade - Esteban Garcia.


Segue a letra! Na foto, Marília Pêra em cena da novela.

Abraços a todos, Vinícius.

MUJER - Roberto Livi e Salako

Mujer
No he dejado de amarte
Y al querer olvidarte
Fue dificil vivir
Mujer
Cuanto me he equivocado
A tu amor Io he negado
No he querido decir

Mujer
Que eres todo em mi vida
Que mi amor no te olvida
No me puedo engañar

Mujer
Que no existe el olvido
Y has estado conmigo
Aunque se que no estás

Mujer
Se que ahora es muy tarde
Tanto amor para darte
Y no estás junto a mi

Mujer
Lo ha querido el destino
Seguiré mi camino
Y tendré que decir

Mujer
Que eres todo em mi vida
Que mi amor no te olvida
No me puedo engañar

Mujer
Que no existe el olvido
Y has estado conmigo
Aunque se que no estás

Mujer...
Mujer...

domingo, 19 de setembro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - MEU BEM, MEU MAL


Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos chega à década de 1990, recordando os momentos em que a obra de RC esteve na teledramaturgia nacional. E hoje, é a vez de falarmos na última novela de Cassiano Gabus Mendes para o horário nobre (ele ainda escreveria O mapa da mina, na faixa das 19h).



MEU BEM, MEU MAL estreou em 29 de outubro de 1990, num período crítico para a TV Globo (e já na época em que as novelas das 20h começavam às 20:30). A emissora ainda convivia com a grande concorrência de Pantanal na TV Manchete, e desde Rainha da sucata, de Silvio de Abreu, a faixa estava com sua audiência abalada pelo grande sucesso da concorrente.

Escalado para esta inglória batalha com o sucesso pantaneiro, Cassiano Gabus Mendes anunciou que não ia fazer nenhuma trama muito inventiva para o horário (provavelmente "recomendado" pela cúpula global, que não apostaria numa "novela de risco", uma nova Que rei sou eu?, em plena luta pela audiência). E para isto começou a contar a história de Dom Lázaro Venturini (ótima atuação de Lima Duarte), sócio majoritário da empresa Venturini Designers.



Ele é obrigado a conviver com Ricardo Miranda (vivido por José Mayer), que, além de representar 30 por cento das ações da empresa, foi amante de sua falecida esposa. Atualmente, Ricardo tem um caso secreto com Isadora Venturini (atuação extremamente criticada de Silvia Pfeifer, que se afastou das novelas por alguns anos depois dela), viúva do filho de Dom Lázaro e acionista da empresa.

Alguns anos antes, Ricardo arruinou a vida de Felipe (interpretado por Armando Bogus). A filha dele, Patrícia (vivida por Adriana Esteves), se envolve com Ricardo, mas acaba se apaixonando por ele. Mas outras pessoas também têm raiva de Ricardo e Isadora.

Berenice (papel de Nívea Maria), que quer vingar a filha Fernanda (feita pela atriz Lídia Brondi, afastada da TV há muitos anos), humilhada por Isadora quando namorava com o filho Marco Antônio (primeiro papel de Fábio Assunção). Para se vingar, entra em cena Doca (vivido por Cassiano Gabus Mendes), um rapaz pobre que se disfarça do nobre Eduardo Costabrava e se envolve com Vitória Venturini (feita por outra atriz atualmente afastada da TV, Lizandra Souto).

Mesmo com a trama tão intrigante, Cassiano conseguiu dar destaque para outros personagens. Guilherme Karam fez história com o mordomo Porfírio e suas declarações de amor à "Divina Magda", feita por Vera Zimmermann. A atriz Zilda Cardoso também teve momentos engraçadíssimos como Elza, a enfermeira de Dom Lázaro, em especial quando contracenava com Jorge Dória, que vivia Emílio.

O fogo da concorrência foi abrandado enquanto Meu bem, meu mal esteve no ar - durou até 18 de maio de 1991. Entretanto, sua sucessora daria muitas dores de cabeça à cúpula global. Detalhes a serem revelados nos próximos capítulos.

Roberto e Erasmo embalaram as cenas do "núcleo jovem" da novela. Através da voz de Léo Jaime, uma canção lançada por RC originalmente no LP de 1976, foi tema da personagem Jéssica, filha de Ricardo Miranda, que foi interpretada pela então iniciante atriz Mylla Christie.



Segue a letra! Na foto, Mylla e Françoise Fourton (que viveu Marcela), que disputavam o amor do personagem André (papel de Marcos Paulo).

Abraços a todos, Vinícius.

ILEGAL, IMORAL OU ENGORDA - Roberto e Erasmo

Vivo condenado a fazer o que não quero
De tão bem comportado às vezes eu me desespero
Se faço alguma coisa sempre alguém vem me dizer
Que isso ou aquilo não se deve fazer
Restam meus botões, já não sei mais o que é certo

E como vou saber o que devo fazer
Que culpa tenho eu, me diga amigo meu
Será que tudo o que eu gosto
É ilegal, é imoral ou engorda

Há muito me perdi entre mil filosofias
Virei homem calado e até desconfiado
Procuro andar direito e ter os pés no chão
Mas certas coisas sempre me chamam a atenção
Cá com meus botões, bolas eu não sou de ferro

Paro pra pensar mas não posso mudar
Que culpa tenho eu me diga amigo meu
Será que tudo que eu gosto
É ilegal, é imoral ou engorda

Se eu conheço alguém num encontro casual
E tudo anda bem num bate-papo informal
Uma noite quente sugere desfrutar
No meu terraço a vista de frente pro mar
Mas a noite é uma criança, delícias no café da manhã

Então o que fazer, já não quero mais saber
Se como alguma coisa que não devo comer
Se tudo que eu gosto
É ilegal, é imoral ou engorda

Se tudo que eu gosto
É ilegal, é imoral ou engorda

Será que tudo que eu gosto
É ilegal, é imoral ou engorda...

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - SASSARICANDO



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos apresenta mais um episódio desta sequência musical que recorda momentos da obra de RC na teledramaturgia brasileira. E hoje, é o primeiro momento em que uma canção apresentada anteriormente aparece mais uma vez numa obra dramatúrgica.

Seu corpo esteve na trilha do seriado Malu Mulher em 1979, mas oito anos depois voltou à tela da TV Globo, no horário das 19h. A partir de 9 de novembro de 1987, ocupou esta faixa de programação a novela SASSARICANDO, de Silvio de Abreu.

Autor de Passione, atual novela das 21h, Silvio começou a ter destaque na dramaturgia por suas tramas para as 19h. A espinha dorsal de suas novelas era de situações que davam margem para um humor rasgado, como havia sido Guerra dos sexos, na qual ele fez Paulo Autran e Fernanda Montenegro terem um confronto numa mesa de café, se atirando comes e bebes o tempo todo.



E a sátira prosseguiu com Sassaricando. Nela, o pobretão Aparício Varella (vivido por Paulo Autran) deu o golpe do baú em Teodora (interpretada por Jandira Martini) e entrou na família Abdalla, dona de uma tecelagem. Do clã Abdalla de onde também são as irmãs Lucrécia e Fabíola (Maria Alice Vergueiro e Ileana Kwealskin, respectivamente), todas megeras e detestadas.

Depois de ficar viúva, Fabíola passou a controlar os passos de seu filho, Tavinho (papel de Alexandre Lippiani). De seu casamento com Aprígio (interpretado por Laerte Morrone), irmão de Aparício, Lucrécia teve Camila (vivida por Maitê Proença). Teodora se tornou presidente das tecelagens, e de seu casamento com Aparício nasceu Fedora (papel de Cristina Pereira).

Aprígio faz negociatas com uma legião de fanáticos de um líder, conhecido como "Ela", e consegue que o bandido Leonardo Raposo (vivido por Diogo Vilella) se case com Fedora, com a única intenção de matá-la e tornar-se herdeiro dos Abdalla. Mas, ao colocar explosivos num jatinho, Raposo acaba matando Teodora.



Aparício então fica viúvo, e passa a querer aproveitar sua idade para "sassaricar". E acaba reencontrando Rebeca (papel de Tônia Carreiro), amor da juventude que ele trocou por Teodora. Também viúva, mas sem dinheiro nenhum, Rebeca retornou do exterior e, com o auxílio das amigas Penélope Bacellar e Leonora Lammar (Eva Wilma e Irene Ravache, respectivamente), tenta achar um marido milionário, o que faz com que Aparício se disfarce de faxineiro. Mas, na sua vontade de fazer sassarico, ele se envolve também com Penélope e Leonora, e para ambas finge ser um lorde inglês.

A divertida trama tornou-se um sucesso não só por Aparício passar o restante da novela (que teve fim em 11 de junho de 1988) sassaricando, mas também por outros personagens que marcaram época. O casal Fedora e Leonardo, conhecidos como Fefê e Leozinho, com direito a fantasias eróticas como banhos de leite de cabra e tâmaras, a feirante Tancinha (grande atuação de Cláudia Raia) e sua dúvida entre Beto e Apolo (Marcos Frota e Alexandre Frota, respectivamente) simbolizada no bordão "me tô divididinha" e o principal casal romântico - Camila e Guel (papel de Edson Celulari), o irmão de Tancinha que morava num cortiço com as três irmãs e a mãe Aldonza (vivida por Lolita Rodrigues) e trabalhava pelo sustento da casa desde que o pai Ricardo de Pádua (interpretado por Carlos Zara) saiu para comprar cigarros e nunca mais voltou.

Também teve grande destaque a parte de suspense na busca de Guel, agente secreto da Interpol, por capturar "Ela" - na verdade, abreviação de "El A", o milionário Achid Callux (vivido por Lourival Pariz), falsa identidade de Boris Aidan. Ele perdeu Teodora para Aparício, e agora planejava eliminá-lo. Mais um fruto do "sassarico" insistente do ex-pobretão, que ainda por cima sofre com o retorno de Teodora do "além" apenas para assombrá-lo.



A música Seu corpo foi tema da Penélope de Eva Wilma. A personagem se envolvia com o jovem Tadeu (vivido por Roberto Battaglin), e os dois tinham um caso de amor.

Segue a letra! Na foto, Tônia Carrero, Eva Wilma e Irene Ravache em Sassaricando.

Abraços a todos, Vinícius.

SEU CORPO - Roberto e Erasmo

No seu corpo é que eu encontro
Depois do amor o descanso e essa paz infinita
No seu corpo minhas mãos
Se deslizam e se firmam numa curva mais bonita

No seu corpo o meu momento é mais perfeito
E eu sinto no seu peito o meu coração bater
E no meio desse abraço é que eu me amasso
E me entrego pra você

E continua a viagem no meio dessa paisagem
Onde tudo me fascina
E me deixo ser levado por um caminho encantado
Que a natureza me ensina

E embora eu já conheça bem os seus caminhos
Me envolvo e sou tragado pelos seus carinhos
E só me encontro
Se me perco no seu corpo...

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - AMOR COM AMOR SE PAGA



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos continua a mostrar participações de RC como cantor e compositor em obras da teledramaturgia. E, assim como na postagem anterior, mais uma vez sua música aparece numa novela das 18h.

Entretanto, o panorama do horário era diferente agora, quatro anos depois de Marina. A novela das seis deixou de ficar restrita a adaptações de obras literárias, mas manteve o tom açucarado de suas histórias. E entre 19 de março e 15 de setembro de 1984, a faixa de horário ficou ocupada por AMOR COM AMOR SE PAGA.



Na cidade de Monte Santo, o avarento Nonô Corrêa (vivido por Ary Fontoura) mora com seus filhos Elisa e Tomaz (respectivamente, Bia Nunnes e Edson Celulari), e faz de tudo para que não haja desperdício em sua casa. Geladeiras são trancadas a cadeado, não se usa luz em alguns dias da semana e, inclusive, os filhos não podem repetir pratos nas refeições. Em sua casa, também vive a empregada Frosina (papel de Berta Loran), que trabalha há 20 anos e convive com a mesquinhez do patrão.

Mas, mesmo com os filhos passando necessidades, Nonô na verdade é dono de diversos imóveis e tem uma fortuna escondida em casa. Este segredo é compartilhado apenas com seu amigo Anselmo (interpretado por Carlos Kroeber), que tem um amor platônico pela filha de Nonô, Elisa.

À cidade chega o misterioso Tio Romão (papel de Fernando Torres), que é gentil, amigo e oferece chazinhos para todos. No entanto, seus chás de "camomila e bem-me-quer" fazem também as pessoas revelarem algumas verdades, que fazem pairar a ideia de que ele se trata de um feiticeiro.

Monte Santo também traz personagens interessantes, como Maria das Graças (interpretada por Yoná Magalhães), mulher apaixonada por cinema americano que só admite ser chamada de Grace. O doutor Vinícius (papel de Adriano Reys), médico que coloca o bem-estar de seus pacientes acima até da parte financeira da profissão. O demagogo prefeito Barreto (vivido por Milton Moraes), viúvo que se envolve com Silvia (papel de Arlete Sales) e, por este envolvimento, acaba fazendo com que ela sofra nas mãos da caçula Camilinha (vivida por Giovanna Pieck).

O grande conflito amoroso de Amor com amor se paga acontece quando Nonô começa a cortejar a jovem Mariana (vivida por Cláudia Ohana), que aceita em troca do perdão à dívida de seus pais. Mas Tomaz também disputa o amor dela com seu pai.



Para fazer esta novela das 18h da TV Globo, Ivani Ribeiro utilizou as tramas de um sucesso de audiência que ela escrevera em 1972 - Camomila e Bem-Me-Quer (exibida no horário das 18h30 da TV Tupi). E, graças ao personagem Nonô Corrêa, com o qual até hoje Ary Fontoura é lembrado, e às cenas hilárias dele com a empregada Frosina, Amor com amor se paga tornou-se um grande sucesso da emissora.




A obra de Roberto e Erasmo esteve presente num momento marcante para a atriz Cláudia Ohana. Na voz de Fafá de Belém, a dupla de compositores embalou sua primeira personagem numa novela.

Segue a letra! Na foto, Cláudia Ohana e Edson Celulari, em cena final da novela.

Abraços a todos, Vinícius.

VOCÊ EM MINHA VIDA - Roberto e Erasmo

Você foi a melhor coisa que eu tive
Mas o pior também em minha vida
Você foi o amanhecer cheio de luz e de calor
Em compensação o anoitecer, a tempestade e a dor
Você foi o meu sorriso de chegada
E a minha lágrima de adeus

Aquele grande amor que nós tivemos,
E todas as loucuras que fizemos,
Foi o sonho mais bonito que um dia alguém sonhou
E a realidade triste quando tudo se acabou
Você foi o meu sorriso de chegada
Tudo e nada e adeus

Você me mostrou o amanhecer de um lindo dia
Me fez feliz, me fez viver
Num mundo cheio de amor e de alegria
E me deixou no anoitecer

E agora todas as coisas do passado
Não passam de recordações presentes
De momentos que por muito tempo ainda vão estar
Na alegria ou na tristeza
Toda vez que eu me lembrar
Que você foi o meu sorriso de chegada
E a minha lágrima de adeus

Você me mostrou o amanhecer de um lindo dia
Me fez feliz, me fez viver
Num mundo cheio de amor e de alegria
E me deixou no anoitecer

Você me mostrou o amanhecer de um lindo dia
Me fez feliz, me fez viver
Num mundo cheio de amor e de alegria
E me deixou no anoitecer

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - MARINA



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos chega à década de 1980, contando cada capítulo da ligação de RC com as obras da teledramaturgia brasileira. Desta vez, embalando uma novela baseada em obra literária - nos primeiros anos em que dedicou sua faixa das 18h à dramaturgia, a TV Globo dedicava o horário a adaptações da literatura.

Assim, o romance Marina, Marina, de Carlos Heitor Cony e Sulema Mendes, se tornou MARINA, e foi ao ar entre 26 de maio de e 8 de novembro de 1980. A personagem-título da novela, vivida por Denise Dummont, que mora numa ilha com seu pai, o famoso escritor Estevão (papel de Carlos Zara). Desde que começaram suposições de que a causa da morte de sua mulher, Rosa, não tinha sido evidenciada corretamente, Estevão levou a filha para ficar distante do mundo.



Lá, ela passou a infância em contato com a natureza e criada com liberdade. Mas, depois de Marina chegar à adolescência, ele percebe que não há mais nada de interessante que ela possa aprender, e a manda estudar no Rio de Janeiro, na casa dos padrinhos Otávio e Anita (respectivamente, Antônio Patiño e Beatriz Lyra).

No Rio, ela sente saudades da ilha e ainda sofre com as adaptações à cidade grande, tanto em relação aos filhos de seus padrinhos, Adriana, Luís e Soninha (na ordem, Tetê Pritzl, Haroldo Blotta e Monique Curi) quanto na escola em que estuda. Além de se tornar amiga de Lelena (papel de Íris Nascimento), uma menina negra e pobre em uma escola de ricos, ela se aproxima do mimado Marcelo (vivido por Lauro Corona) e é perseguida pela ex-namorada dele, Vera (interpretada por Élida L'Astorina).

Com a novela escrita por Wilson Aguiar Filho, a TV Globo tentou aproveitar o sucesso que Água viva (trama de Gilberto Braga que ia ao ar no horário das 20h) e ambientou sua trama das seis também nas praias do Rio de Janeiro. Entretanto, a ideia não foi bem aceita, em especial porque, por mais que estivesse travestida de moderna, Marina trazia personagens confrontados de maneira maniqueísta - ricos e esnobes contra pobres e sofredores. Além disto, a emissora ainda não tinha a noção de que os públicos das 18h e das 20h têm perfis diferentes.



Roberto Carlos e Erasmo Carlos apareciam como compositores lançando uma estrela no mercado musical. Na voz de Kátia, afilhada musical de RC, a personagem Marlene (primeiro papel de Glauce Graieb na TV Globo), guardava suas lembranças.

Segue a letra! Na foto, Denise Dummont e Lauro Corona em Marina.

Abraços a todos, Vinícius.

LEMBRANÇAS - Roberto e Erasmo

Já faz tanto tempo que eu deixei
De ser importante pra você
Já faz tanto tempo que eu não sou
O que na verdade eu nem cheguei a ser

E quando parti, deixei ficar
Meus sonhos jogados pelo chão
Palavras perdidas pelo ar
Lembranças contidas nesta solidão

Eu já nem me lembro quanto tempo faz
Mas eu não me esqueço que te amei demais
Pois nem mesmo o tempo conseguiu fazer esquecer
Você

Não...

Fomos tudo aquilo que se pode ser
Meu amor foi mais do que se pode crer
E nem mesmo o tempo conseguiu fazer esquecer
Você

Tentei ser feliz ao lado seu
Fiz tudo que pude mas não deu
E aqueles momentos que guardei
Me fazem lembrar o muito que eu te amei

E hoje o silêncio que ficou
Eu sinto a tristeza que restou
Há sempre um vazio em minha vida
Quando relembro nossa despedida

Eu já nem me lembro quanto tempo faz
Mas eu não me esqueço que te amei demais
Pois nem mesmo o tempo conseguiu fazer esquecer
Você

Não...

Fomos tudo aquilo que se pode ser
Meu amor foi mais do que se pode crer
E nem mesmo o tempo conseguiu fazer esquecer
Você...

*****

ELENCO DE MARINA

Denise Dummont, Carlos Zara, Lauro Corona, Norma Blum, Oswaldo Loureiro, Glauce Graieb, Beth Goulart, Élida L'Astorina, Antônio Patiño, Beatriz Lyra, Milton Moraes, Suely Franco, Edson Celulari, Fábio Junqueira, Zaira Zambelli, Castro Gonzaga, Maria Pompeu, Monique Cury, Tetê Pritzl, Fábio Massimo, Haroldo Blotta, Íris Nascimento, Léa Garcia, Roberto de Cleto, Célia Biar, Mônica Torres, Ísis Koshdoski, Élcio Romar, Lúcia Veríssimo, Lourdes Mayer, Germano Filho, Rosana Penna, Luca de Castro, Fernando José, Ankito e Paulo Pinheiro.

sábado, 11 de setembro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - MALU MULHER



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos hoje abre uma exceção. A sequência de novelas hoje é interrompida para falar de um seriado que marcou época na TV Globo no final da década de 1970.

Em 24 de março de 1979, estreou MALU MULHER, criação de Daniel Filho, Armando Costa, Euclydes Marinho, Renata Pallotini e Letícia Plonczynska. Regina Duarte foi a atriz que protagonizou a personagem-título da série.



A história de Malu tem início quando ela descobre que o marido Pedro Henrique (vivido por Dennis Carvalho) tem relacionamentos extraconjugais. Ela decide então se separar, atitude muito polêmica na época. Com Acabou-se o que era doce, tinha início uma sequência de episódios pioneiros em relação ao papel da mulher na sociedade.

Os episódios abordaram os problemas de uma mulher madura, divorciada e mãe de adolescente (Elisa, personagem de Narjara Turetta), diante da sociedade e da família. No elenco fixo do programa ainda estavam Antônio Petrin, Natália do Valle, Sônia Guedes e Ricardo Petraglia, mas tiveram participações de outros atores, como Lucélia Santos, Ney Latorraca, Fábio Júnior e Ângela Leal.

O seriado ficou no ar até 22 de dezembro de 1980, e foi vendido para 55 países. Foram 43 episódios, muitos deles polêmicos e que tiveram problemas com a censura - casos de A amiga, em que uma amiga de Malu se apaixonava por ela, Até sangrar, que abordava perda de virgindade, e Ainda não é hora, que teve como tema o aborto. No fim de 2006, foi lançado um DVD trazendo alguns episódios do seriado.



A trilha de Malu mulher tem uma peculiaridade: todas as faixas são interpretadas por CANTORAS. Na capa do disco, Regina Duarte posou ao lado de todas as intérpretes do disco - Gal Costa, Elis Regina, Marina, Zezé Motta, Quarteto em Cy, dentre outras. A trilha do seriado foi relançada em CD em 2006, na série Som Livre Masters. O disco também rendeu o especial Mulher 80, lançado em DVD três anos atrás.

Ficou a cargo de Joanna uma música assinada por Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Presente originalmente no LP de RC em 1975, esta canção faria parte anos depois de outro produto de teledramaturgia da TV Globo. Mas isto é um assunto para um dos próximos posts.

Segue a letra! Na foto, uma cena de Malu mulher com Regina Duarte e Narjara Turetta.

Abraços a todos, Vinícius.

SEU CORPO - Roberto e Erasmo

No seu corpo é que eu encontro
Depois do amor o descanso e essa paz infinita
No seu corpo minhas mãos
Se deslizam e se firmam numa curva mais bonita

No seu corpo o meu momento é mais perfeito
E eu sinto no seu peito o meu coração bater
E no meio desse abraço é que eu me amasso
E me entrego pra você

E continua a viagem no meio dessa paisagem
Onde tudo me fascina
E me deixo ser levado por um caminho encantado
Que a natureza me ensina

E embora eu já conheça bem os seus caminhos
Me envolvo e sou tragado pelos seus carinhos
E só me encontro
Se me perco no seu corpo...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - OS GIGANTES



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos apresenta hoje mais um momento no qual a obra de RC fez parte da trilha de um produto da teledramaturgia brasileira. Com a postagem de hoje, nossa sequência de músicas encerra a década de 1970, em mais um momento traumático da TV Globo.

A ambição da TV Globo no horário das 20h ficou explícita até no nome da novela que estreou em 20 de agosto de 1979. Com OS GIGANTES, de Lauro César Muniz, a emissora celebrava o encontro de seus maiores atores em uma obra só - Dina Sfat, Francisco Cuoco, Tarcísio Meira, Suzana Vieira e Vera Fischer.



Dina Sfat interpretou Paloma Gurgel, uma jornalista que voltava do exterior (onde trabalhava como correspondente internacional) à sua cidade natal, Pilar, por causa de problemas familiares. Seu irmão gêmeo Fred (a cargo de Roberto de Cleto) estava em coma profundo depois de uma cirurgia no cérebro.

Não conseguindo suportar ver o irmão respirando com a ajuda de aparelhos, Paloma desligava um dos aparelhos, ocasionando sua morte. Sua cunhada, Veridiana (vivida por Suzana Vieira), entrava na justiça, acusando a jornalista de ter feito eutanásia.

Neste retorno à cidade, Paloma reencontrou dois ex-namorados: o fazendeiro Fernando Lucas (papel de Tarcísio Meira), em crise no seu casamento com Vânia (interpretada por Joana Fomm), e Francisco Rubião (papel de Francisco Cuoco), que tinha acabado de romper seu noivado com Helena (vivida por Vera Fischer).



Assim como sua novela anterior (Espelho mágico, exibida em 1977 na TV Globo, que mostrou os bastidores do teatro e da televisão), Lauro César Muniz escreveu mais uma vez uma página polêmica para a telenovela brasileira. Além de abordar a eutanásia (com direito a muitas cenas de hospital), a novela promoveu um ataque direto às empresas multinacionais - o que causou uma rejeição dentro da própria emissora. A insinuação ao homossexualismo entre Paloma e Renata (papel de Lídia Brondi) também foi polêmica diante do público.

Dor, doença, tensão, hospital. O clima excessivamente passional logo nos primeiros capítulos afastou o público e, nos últimos meses, fez com que o autor fosse afastado por estresse. Maria Adelaide Amaral conduziu a trama, que, segundo ela, foram os 18 capítulos mais difíceis que escreveu em sua carreira: "A trama não era boa e eu não acreditava na história".

Em 2004, Lauro César Muniz,numa palestra sobre teledramaturgia no CCBB, contou uma situação tragicômica de bastidores. Por várias vezes a atriz Dina Sfat pisava nos scripts da novela, dizendo que não agüentava mais gravar. O dramaturgo Walter George Durst escreveu o último capítulo (e manteve o clima pesado - com direito a caixão indo para o cemitério), exibido em 2 de fevereiro de 1980.

A vertente de Roberto Carlos também apareceu nesta trilha sonora. No ano seguinte à sua gravação de Força estranha, apareceu uma releitura da música de Caetano Veloso, feita por Gal Costa.



A gravação da música de Roberto Carlos e Erasmo Carlos que esteve na trilha de Os gigantes tem um dado inusitado. Cerca de dez anos depois de RC ter dado a ele o prêmio do Festival de San Remo com a interpretação de sua canção Canzone per te, Sergio Endrigo retribuiu ao gravar uma canção presente no LP lançado por Roberto Carlos em 1978.

Segue a letra! Na foto, Dina Sfat e Francisco Cuoco em cena da novela.

CAFÉ DA MANHÃ - Roberto e Erasmo

Amanhã de manhã
Vou pedir o café pra nós dois
Te fazer um carinho e depois
Te envolver em meus braços

E em meus abraços
Na desordem do quarto esperar
Lentamente você despertar
E te amar na manhã

Amanhã de manhã
Nossa chama outra vez tão acesa
E o café esfriando na mesa
Esquecemos de tudo

Sem me importar
Com o tempo correndo lá fora
Amanhã nosso amor não tem hora
Vou ficar por aqui

Pensando bem
Amanhã eu nem vou trabalhar
Além do mais
Temos tantas razões pra ficar

Amanhã de amanhã
Eu não quero nenhum compromisso
Tanto tempo esperamos por isso
Desfrutemos de tudo

Quando mais tarde
Nos lembrarmos de abrir a cortina
Já é noite e o dia termina
Vou pedir o jantar...

*****

ELENCO DA NOVELA OS GIGANTES

Dina Sfat, Francisco Cuoco, Tarcísio Meira, Suzana Vieira, Vera Fischer, Joana Fomm, Mário Lago, Lídia Brondi, Lauro Corona, Jonas Mello, Rogério Fróes, Castro Gonzaga, Flora Geny, Myriam Pires, Norah Fontes, Cleyde Blota, Perry Sales, Mayara Norbin, Lúcia Alves, Nofran Fernandes, Denny Perrier, Carlos Gregório, Ênio Santos, Solange Teodoro, Átila Iório, Esther Mellinger, Juciléia Telles, Marcos Weinberg, Milton Villar, Ivan de Almeida, Borges de Barros, Lilian Fernandes, Aguinaldo Rocha, Gilda Sarmento, Ana Maria Sagres, Nardel Ramos, Francisco Monteiro, Otávio Augusto, Waldir Santana, Hemílcio Fróes, Luís Orione, João Batista Vieira, Monique Cury, Maurício M. Quintas, Luís Felipe de Lima e Roberto Cleto.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - SINAL DE ALERTA



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos apresenta mais um episódio desta sequência de canções de RC que fizeram parte da teledramaturgia brasileira. Após a postagem anterior falarmos de Janete Clair, hoje é a vez de uma obra escrita por seu marido.

É de Dias Gomes a novela SINAL DE ALERTA, que estreou em 31 de julho de 1978 e ficou emblemática por ser a última novela exibida no horário das 22h da TV Globo. Ao final dela, exibido em 26 de janeiro de 1979, a emissora passou a deixar esta faixa à disposição de filmes, seriados e transmissões de jogos de futebol. Somente por duas vezes a Globo tentaria usar novamente o espaço para novelas - em 1983, com Eu prometo, de Janete Clair com a colaboração de Glória Perez, e em 1991, com Araponga, de Dias Gomes, Lauro César Muniz e Ferreira Gullar.



Em Sinal de alerta, Dias Gomes abordou um assunto muito presente na obra de Roberto Carlos e Erasmo Carlos - a ecologia. A trama central girou em torno do empresário Tião Borges (interpretado por Paulo Gracindo), que queria se casar com a jovem Sulamita Montenegro (vivida por Vera Fischer), mas era impedido pela jornalista Talita (papel de Yoná Magalhães), de quem estava separado há cinco anos, mas que não aceitava conceder o divórcio.

Proprietária do jornal "Folha do Rio", Talita fez uma campanha forte contra a Fertilit, empresa de Tião produtora de fertilizantes e inseticidas, alertando que ela era a causadora da poluição do bairro em que estava localizada. Liderados por Consuelo (papel de Isabel Ribeiro) e Nilo (papel de estréia de Eduardo Conde), os operários se reuniam em passeatas contra a fábrica. Casado com Vera (papel de Bete Mendes), uma química da Fertilit, Nilo se envolvia com Selma (vivida por Renata Sorrah), uma mulher da burguesia que resolveu abraçar a causa dos operários.

Apesar do enredo tão engajado, a novela não teve destaque na programação. O grande inconveniente foi transmissão do Horário Eleitoral Gratuito, que fazia com que ela fosse ao ar apenas às 23h. A TV Globo ainda fez uma tentativa desesperada por audiência, ao exibir um compacto de 10 capítulos para sintetizar os 70 capítulos iniciais, mas não foi bem-sucedida.

Mesmo tendo recebido apoio público de personalidades como o arquiteto Oscar Niemeyer e Ruth Christie (então presidente da Campanha Popular em Defesa da Natureza) sobre a questão ecológica, Dias teve seu texto rejeitado por empresários que se identificaram com Tião Borges, dono da fábrica da novela. De acordo com o pesquisador de telenovelas Ismael Fernandes, outro erros de Sinal de alerta foi ambientar a fábrica Fertilit no Rio de Janeiro. Para ele, a história ficaria mais apropriada se acontecesse no ABC paulista.

A novela teve impacto também por sua abertura. Em vez de trazer uma canção, o tema trazia vários ruídos típicos das grandes cidades:



A música de Roberto e Erasmo presente na trilha de Sinal de alerta foi definida por Erasmo da seguinte maneira:

"Nos anos 70, Roberto Carlos e eu fizemos muitas músicas sobre ecologia - O progresso, As baleias, O ano passado... Bem antes do Sting se vestir de índio e do Juruna. Mas esta é definitiva...".

Interpretada por Erasmo, a canção mostra o panorama ecológico de um mundo que vivia em "sinal de alerta" já em 1978 (ano da novela e do lançamento da música, que abre o LP Pelas esquinas de Ipanema), mas que continua extremamente atual.

Segue a letra! Na foto, uma cena da passeata dos operários que faziam parte da fictícia fábrica Fertilit, criada por Dias Gomes em Sinal de alerta.

Abraços a todos, Vinícius.



PANORAMA ECOLÓGICO - Roberto e Erasmo

Lá vem a temporada de flores
Trazendo begônias aflitas
Petúnias cansadas
Rosas malditas

Prímulas despetaladas
Margaridas sem miolo
Sempre-vivas quase mortas
E cravinas tortas
Odoratas com defeitos
E homens perfeitos

Lá vem a temporada de pássaros
Trazendo águias rasteiras
Graúnas malvadas
Pombas guerreiras

Canários pelados
Andorinhas de rapina
Sanhaços morgados
E pardais viciados
Curiós desafinados
E homens imaculados

Lá vem a temporada de peixes
Trazendo garoupas suadas
Piranhas dormentes
Sardinhas inchadas

Trutas desiludidas
Tainhas abrutalhadas
Baleias entupidas
E lagostas afogadas
Barracudas deprimentes
E homens inteligentes...

*****

ELENCO DE SINAL DE ALERTA

Paulo Gracindo, Vera Fischer, Yoná Magalhães, Jardel Filho, Carlos Eduardo Dolabella, Renata Sorrah, Eduardo Conde, Bete Mendes, Isabel Ribeiro, Elza Gomes, José Augusto Branco, Milton Gonçalves, Ruy Rezende, Paulo Conçalves, Ana Ariel, Sônia Regina, Mara Rubem, Carmem Silva, Ruth de Souza, Dorinha Duval, Luiz Armando Queiroz, Nelson Caruso, Tony Ferreira, Dary Reis, Augusto Limpo, Leila Cravo, Tamara Taxman, Jorge Botelho, Antônio Ganzarolli, Clementino Kelê, Samir de Montemor, Betina Vianny, Roberto Silveira Filho, Dulce Conforto, Fernando Eiras, Nena Anhorem, Arthur Costa Filho, Roberto Murtinho, Germano Filho, Angelina Muniz, Manfredo Colassanti, Rofran Fernandes, Neila Tavares, Mário Petraglia, Léa Alves, Cecília Simões e Murilo Nery.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - O ASTRO



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos apresenta hoje mais um capítulo da ligação entre Roberto Carlos e a teledramaturgia. E hoje está em destaque uma das novelas mais marcantes da história da TV Globo.

Em 6 de dezembro de 1977, a novela O ASTRO estreou no horário das 20h. Janete Clair contou a história de Herculano Quintanilha (vivido por Francisco Cuoco), homem que foi preso quando descobriram que ele, ao lado de Neco (interpretado por Flávio Migliaccio), tinha dado o golpe numa paróquia de uma cidade do interior. Anos depois, ele sai da prisão e passa a trabalhar como vidente numa churrascaria. Lá, ele reencontra o ex-cúmplice, e começa a persegui-lo para tentar destruir a vida de Neco.

Herculano também conhece Márcio (papel de Tony Ramos), um dos herdeiros de Salomão Hayala (o saudoso Dionísio Azevedo). Após abdicar da fortuna de seu pai - numa cena impactante, na qual ele se desfaz até de suas roupas para viver como seu santo de devoção, São Francisco de Assis (cena considerada o "primeiro nu frontal da teledramaturgia brasileira") - Márcio é convencido por Herculano a voltar-se para os negócios da família, e ao assumir a empresa leva o ex-guru para trabalharem juntos.



Herculano apaixona-se por Amanda (vivida por Dina Sfat), jovem herdeira da família Mello Assunção, que vive em crise no seu casamento com Samir (papel de Rubens de Falco). Herculano e Amanda se apaixonam, e ela nem desconfia que ele deixou na cidade do interior a mulher Doralice (interpretada por Cleyde Blota) e o filho Alan (vivido na primeira fase pelo menino Luis Carlos Niño, e mais tarde por Stepan Nercessian). Enquanto isto, o personagem de Tony Ramos se envolve com a humilde Lili (papel de Elizabeth Savalla), irmã de Neco. O elenco ainda trouxe Eloísa Mafalda, Ida Gomes, Heloísa Helena, Paulo Gonçalves, dentre outros.

Com esta trama principal, O astro tornou-se uma das novelas mais envolventes de Janete Clair. O Brasil parava para acompanhar ascensão repentina de Herculano Quintanilha, a disputa pelos negócios da família Hayala, e, principalmente, para solucionar o mistério da trama: "Quem matou Salomão Hayala?".



O personagem de Dionísio Azevedo morria no capítulo 42, e a investigação do crime durou até o último capítulo, exibido em 8 de julho de 1978. O assassino era Felipe Cerqueira (vivido por Edwin Luisi), o amante de Clô (papel de Tereza Rachel), ex-mulher de Salmomão. Felipe era viciado em drogas, e tinha sido humilhado pelo patriarca da família Hayala. Com a ajuda do cabeleireiro Henri (vivido por José Luiz Rodi), ele matou Salomão com uma coronhada. Janete Clair inspirou-se no caso de Cláudia Lessin Rodrigues. A jovem foi encontrada morta no mar do Leblon, e havia indícios de drogas e de abuso sexual. Os acusados pelo crime eram um toxicômano e um cabeleireiro.

A comoção popular com O astro foi tanta que trouxe dados curiosos. A cantora Maria Bethânia, que fazia uma temporada no Canecão, exigiu que em seu camarim tivesse uma televisão. Numa recepção em Brasília, oferecida pelo então Ministro das Relações Exteriores, Azeredo da Silveira, ao ex-Secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger, durante a hora da novela o salão ficou vazio porque os convidados estavam assistindo a ela. E, no dia em que esteve na capital representando a classe artística, o diretor da novela, Daniel Filho, recebeu do presidente a pergunta "Quem matou Salomão Hayala?". Como resposta, Geisel ouviu: "Isso é segredo de Estado, e disso sei que vocês entendem".

A audiência da novela foi superior à das partidas da Seleção Brasileira na Copa do Mundo da Argentina - estima-se que teve média de 80% dos aparelhos ligados a cada capítulo. Dimensão que só mesmo a "Nossa Senhora das Oito" Janete Clair era capaz de trazer.

A trilha de O astro apresentou duas vertentes da obra de RC. De seu lado intérprete, a música Um jeito estúpido de te amar, na voz de Maria Bethânia. E de seu lado compositor, Marília Barbosa (que fazia o papel de Mara Célia na novela) fez sua leitura de uma canção lançada por Roberto Carlos três anos antes.

Segue a letra! Na foto, a capa do LP nacional de O astro.

Abraços a todos, Vinícius.

OLHA - Roberto e Erasmo

Olha, você tem todas as coisas
Que um dia eu sonhei pra mim
A cabeça cheia de problemas
Não me importo, eu gosto mesmo assim

Tem os olhos cheios de esperança
De uma cor que mais ninguém possui
Me traz meu passado e as lembranças
Coisas que eu quis ser e não fui

Olha, você vive tão distante
Muito além do que eu posso ter
Eu que sempre fui tão inconstante
Te juro, meu amor, agora é pra valer

Olha, vem comigo aonde eu for
Seja minha amante e meu amor
Vem seguir comigo o meu caminho
E viver a vida só de amor

Olha, você vive tão distante
Muito além do que eu posso ter
Eu que sempre fui tão inconstante
Te juro, meu amor, agora é pra valer

Olha, vem comigo aonde eu for
Seja minha amante e meu amor
Vem seguir comigo o meu caminho
E viver a vida só de amor

Olha, vem comigo, vem comigo aonde eu for
Seja minha amada, minha amante e meu amor

sábado, 4 de setembro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - EDITORA MAYO, BOM DIA



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos chega ao seu segundo capítulo, porque vale a pena ver de novo toda a colaboração da música de RC na história da teledramaturgia brasileira. E hoje é a vez de uma novela que foi ao ar numa emissora extremamente importante na carreira de Roberto Carlos.

Emissora que ficou marcada por seus números musicais, a TV Record se destacou também por seu núcleo de teledramaturgia. Na década de 1970, novelas como O espantalho, de Ivani Ribeiro, e Os deuses estão mortos, de Lauro César Muniz, foram alguns dos destaques da emissora.

Outro novelista de destaque que fez parte da teledramaturgia da TV Record foi o paulista Walter Negrão. Paulista de Avaré, Negrão se destacou nos últimos anos em tramas exibidas no horário das 18h da TV Globo, como Despedida de solteiro, Anjo de mim, Era uma vez... e Como uma onda.

No ano de 1971, Negrão foi o responsável pelo texto da novela que ocupou o horário das 19h da TV Record entre 12 de abril e 7 de agosto. Editora Mayo, bom dia mostrou o dia-a-dia no trabalho de uma editora, na qual muitos mistérios estavam no ar.

As tramas mais importantes envolviam o copeiro Chicão, papel de Fernando Baleroni, e sua filha Jô, interpretada por Débora Duarte, além da figura misteriosa de Ray, vivido por Luiz Gustavo. Apesar de sua larga cultura, ele também trabalhava também como copeiro. Dirigida por Carlos Manga, a novela teve em seu elenco outros grandes nomes, como Nathália Timberg, Rodolfo Mayer, Mauro Mendonça e Geraldo Del Rey.

No elenco de Editora Mayo, bom dia constou o nome de Silvio de Abreu, que anos mais tarde se tornaria um dos mais consagrados autores de novela - de sucessos como Guerra dos sexos, Rainha da sucata, Belíssima e da atual novela das 21h, Passione. Silvio, que iniciou sua carreira artística como ator, fazia o Subdelegado Damasceno, personagem que Negrão que já havia feito parte de outra trama de sua autoria - A próxima atração, citada no primeiro capítulo desta série.

Embora tenha passado despercebida, pois concorreu no horário com as tramas bem sucedidas de Minha doce namorada, assinada por Vicente Sesso na TV Globo, e A fábrica, de Geraldo Vietri na TV Tupi", Editora Mayo, bom dia tem um privilégio. O tema de abertura foi assinado por Roberto Carlos e Erasmo Carlos, feito especialmente para a novela de Walter Negrão.

Na interpretação de O Grupo, Roberto e Erasmo narraram os mistérios, a correria e os interesses presentes na Editora Mayo, uma editora que não foge dos padrões de ontem, hoje e sempre no jornalismo.

Segue a letra! Na foto, a logomarca da novela da TV Record.

Abraços a todos, Vinícius.

EDITORA MAYO, BOM DIA - Roberto e Erasmo

Honestidade, vai embora daqui
Nós não falamos com você nem a pau
Criamos fatos da imaginação
Onde a verdade não existe em geral

Mas agora roda que eu quero ver
A manchete da capa vai ser pra valer
Se alguém vai sofrer não queremos saber
O que interessa é a mentira que o povo vai ler

Esse é o nosso mundo cão
Festival de opinião

E a tiragem aumentando...

A vida amansa com problemas totais
E a conseqüência é a imensa falta do céu
No fim do dia, balanço geral
Não sobrou nada que não fosse papel

Mas agora roda que eu quero ver
A manchete da capa vai ser pra valer
Se alguém vai sofrer não queremos saber
O que interessa é a mentira que o povo vai ler

Esse é o nosso mundo cão
Festival de opinião

E a tiragem vai aumentando...

*****

ELENCO

Luiz Gustavo, Débora Duarte, Fernando Baleroni, Nathalia Timberg, Rodolfo Mayer, Geraldo Del Rey, Mauro Mendonça, Karin Rodrigues, Adriano Stuart, Ademir Rocha, Lídia Costa, Pepita Rodrigues, Flora Geny, Célia Coutinho, Célia Helena, Sílvio de Abreu, Edmundo Lopes, Heraldo Galvão, Perry Sales, Sebastião Campos, Wladimir Nikolaieff e Rubens Moral.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - A PRÓXIMA ATRAÇÃO



Olá, amigos.

Na série Roberto Carlos em capítulos, estamos apresentando alguns momentos em que a obra de Roberto Carlos ficou ligada à teledramaturgia. Neste segundo capítulo, vai ao ar uma de suas primeiras participações em trilha da TV Globo - a primeira, de fato, foi o instrumental Tema de Kiko, na novela Pigmaleão 70.

A primeira versão cantada assinada por Roberto e Erasmo veio ainda no mesmo ano. A próxima atração foi ao ar entre 26 de outubro de 1970 e 18 de abril de 1971, e teve como protagonista Rodrigo (interpretado por Sérgio Cardoso), um gaúcho solitário que vai para São Paulo.

Ele se instala em uma mansão no bairro de Jardim América, onde moram sete mulheres que querem se dar bem financeiramente: Regina (aeromoça vivida por Suzana Vieira), Ciça (papel de Betty Faria), Madalena (interpretada por Renata Sorrah), Dulce (vivida por Célia Biar), Suzete (papel de Jacyra Silva), Dinorá (interpretada por Eloísa Mafalda) e Cláudia (vivida por Irene Singery). No elenco ainda estavam Tônia Carrero, Paulo Goulart e Marcos Paulo.

Em sua estréia na Globo, Walter Negrão passou por um grave incidente. O dramaturgo Hélio Bloch o acusou de plágio, afirmando que uma das tramas de A próxima atração (a campanha que a agência de publicidade fazia para um papel higiênico, que era apresentada em história em quadrinhos) era semelhante à história de sua peça A úlcera de ouro.

A novela também recebeu rejeição dos publicitários, que acharam negativa a imagem passada pelo personagem Pardal, feito Armando Bogus. A composição de Sérgio Cardoso para o protagonista foi muito criticada pelos gaúchos.

Em meio aos insucessos da trama, em A próxima atração foi muito elogiada a atuação de Edney Giovenazzi para o japonês Yamashita. Como adiantamos no post anterior, o autor Silvio de Abreu participou desta novela como o Subdelegado Damasceno, personagem que faria parte da novela Editora Mayo, bom dia. Esta novela será assunto de um dos próximos posts.

Roberto Carlos e Erasmo Carlos estiveram presentes na trilha de A próxima atração cantando a história da personagem Ciça, chacrete vivida por Betty Faria. Interpretada por Erasmo Carlos, a canção presente originalmente no antológico LP Carlos, Erasmo.

Segue a letra! Na foto, Armando Bogus em cena de A próxima atração.

Abraços a todos, Vinícius.

CIÇA, CECÍLIA (Tema de Ciça) - Roberto e Erasmo

Se alguém soubesse nesse mundo
Pode ser um rei ou vagabundo
Que bem no coração do meu país
Namora e mora alguém que sabe e diz
Mesmo que não tenha o que falar

E a comunicação se faz presente
Em tudo que seu peito faz e sente
Procura demonstrar que não é triste
Procura um amor que não existe
E sabe que jamais vai encontrar

Ciça, Ciça, Cecília
Ciça, Ciça, Cecília...

Seu ídolo, seu mestre, seu santo padroeiro
Só pode, só pode ser o Velho Guerreiro
Seu sonho é ser um dia dica do Pasquim
Só ouve Caetano, Teixeirinha e Tim
É gente de verdade como deve ser

Ciça, Ciça, Cecília
Ciça, Ciça, Cecília...

E é mulher, criança insatisfeita
Que tem suas razões pra ser perfeita
O seu sorriso–riso é aberto
Seus olhos nos enxergam bem de perto
O mundo inteiro tem que conhecer

Ciça, Ciça, Cecília
Ciça, Ciça, Cecília...

Pode ser confusa, minha musa, que eu não ligo
Pode ser confusa, minha musa, que eu não ligo
Ciça, Ciça, Cecília...