sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Roberto Carlos, um estilo de música - FORRÓ



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos, um estilo de música chega a seu último post hoje. E trazendo um estilo bem corriqueiro no cenário musical brasileiro.

O FORRÓ é uma dança tipicamente nordestina, e também é conhecido como forrobodó, arrasta-pé, baião, xaxado e quadrilha. Todos eles definem uma dança levemente sensual, conhecida por sua festa constante.

Curiosamente, há duas versões para o surgimento desta expressão. A mais comum é do estudioso Câmara Cascudo, de que ela é uma redução do termo "forrobodó". A segunda é de que ela seria um aportuguesamento de "for all", expressão muito usada por engenheiros pernambucanos quando faziam bailes abertos a todo o público.

Segundo pesquisadores da Música Popular Brasileiro, o primeiro forró veio em 1912, quando Chiquinha Gonzaga escreveu Forrobodó. Mas ele ficaria difundido com o passar do século XX, desde os grandes João do Vale, Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga até os consagrados Elba Ramalho, Alceu Valença, Genival Lacerda e Dominguinhos.

E Dominguinhos ajudou Roberto Carlos a passear pela praia do forró. Em 1998, ele participou com sua sanfona no baile da fazenda proposto por RC. O bailado foi tanto que em 2005 o cantor regravou a canção - desta vez num ritmo mais puxado para o country.

Segue a letra! Na foto, Roberto em 1998.

Abraços a todos, Vinícius.

O BAILE DA FAZENDA - Roberto e Erasmo

O baile vai correndo solto a noite inteira
Começa cedo e não tem hora pra acabar
Gente dançando só pelo prazer da dança
E outros só pelo prazer de se abraçar
O povo todo se diverte nessa festa
Que vai até o outro dia clarear
Quem já chegou acerta o passo nessa dança
Quem não chegou aperta o passo pra chegar

Casais dão passos soltos no salão inteiro
E um casalzinho quase não sai do lugar
Que tal o baile?
Alguém pergunta, eles respondem
O baile é bom, mas bom também é namorar

Quanta alegria está no rosto dessa gente
Que esquece tudo e não vê o tempo passar
Na madrugada o sanfoneiro toca forte
O baile esquenta e o povo começa a cantar

Ai, ai, ai,
Ai, ai, ai,
A madrugada que passou não volta mais
Ai, ai, ai,
Ai, ai, ai,
A madrugada que passou não volta mais

Tem sempre alguém de longe olhando alguém que ama
Há muito tempo e nunca pode lhe falar
Tira pra dança e par constante a noite inteira
Depois do baile estão falando em se casar

O sol nascendo e o sanfoneiro continua
O baile acaba e ele não pára de tocar
Sai pela porta e todo mundo vai seguindo
E pela estrada o povo todo a cantar

Ai, ai, ai,
Ai, ai, ai,
A madrugada que passou não volta mais
Ai, ai, ai,
Ai, ai, ai,
A madrugada que passou não volta mais...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Roberto Carlos, um estilo de música - RAP



Olá, amigos.

No penúltimo post de sua série, Roberto Carlos, um estilo de música traz mais um ritmo que passou pela obra de RC. E, depois do soul e do gospel, este blogue fala sobre outro gênero musical internacional.

O RAP é a sigla de Rhytm and Poetry, um estilo que mistura música e rimas (em geral, de maneira improvisadas) difundido na cultura Hip Hop. Criado originalmente na Jamaica, ele passou a fazer sucesso na década de 1970.

Mas, das ruas o rap foi para o comércio musical, e apresentou artistas como Kanye West, Ice Cub e os mais recentes Eminem e 50 Cent. No Brasil, os rappers surgiram através de bandas como Racionais MC'S e artistas como Sabotage, BNegão, Negra Li, Marcelo D2 e Gabriel, O Pensador.

Diante de tanta movimentação neste cenário, Roberto Carlos resolveu participar desta "festa da música tupiniquim". Feito originalmente para o disco Pra sempre, seu rap acabou saindo em 2002, como bônus inédito do disco que reuniu números do show do Aterro do Flamengo. Mais de 40 anos depois de Susie, Roberto voltava ao estilo musical, com uma música reflexiva sobre nós, os Seres Humanos.

Segue a letra! Na foto, Roberto Carlos em 2002.

Abraços a todos, Vinícius.

SERES HUMANOS - Roberto e Erasmo

Que negócio é esse de que somos culpados
De tudo que há de errado sobre a face da terra
Que negócio é esse de que nós não temos
Os devidos cuidados com o mundo em que vivemos
Fazemos quase tudo por necessidade
Vivemos em busca da felicidade
Somos Seres Humanos
Só queremos a vida mais linda
Não somos perfeitos
Ainda

Afinal nem sabemos porque aqui estamos
E mesmo sem saber seguindo em frente vamos
Vencemos obstáculos todos os dias
Em busca do pão e de alguma alegria
Não podemos ser julgados pela minoria
Nós somos do bem e o bem é a maioria

Somos Seres Humanos
Só queremos a vida mais linda
Não somos perfeitos
Ainda


Só quero a verdade
Nada mais que a verdade
Não adianta me dizer
Coisas que não fazem sentido
Que tal olhar as coisas que a gente tem conseguido
E o mundo hoje é bem melhor
Do que há muito tempo atrás
E as mudanças desse mundo
O Ser Humano é que faz

Estamos sempre em busca de uma solução
Queríamos voar, fizemos o avião
O telefone, o rádio, a luz elétrica
A televisão, o computador, progressos na engenharia genética
Maravilhas da ciência prolongando a vida
Nós temos amor, ninguém duvida

Somos Seres Humanos
Só queremos a vida mais linda
Não somos perfeitos
Ainda

Mas que negócio é esse de que somos culpados
De tudo que há de errado sobre a face da terra
Buscamos apoio nas religiões
E procuramos verdades em suposições
Católicos, judeus, espíritas e ateus
Somos maravilhosos
Afinal somos filhos de Deus

Somos Seres Humanos
Só queremos a vida mais linda
Não somos perfeitos
Ainda

Só quero a verdade
Nada mais que a verdade...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Roberto Carlos, um estilo de música - VALSA



Olá, amigos.

Em seus últimos posts, a série Roberto Carlos, um estilo de música traz uma incursão num estilo mais clássico da safra da música popular. Trata-se da VALSA.

A valsa começou a fazer parte dos salões no século XIX, e se caracterizou por ser o primeiro a dançar com pares enlaçados. A canção mais conhecida deste gênero musical, sem dúvida, é Danúbio azul, tocada em 11 em cada 10 festas de 15 anos no mundo todo.

No Brasil, a valsa mais conhecida é Rosa, assinada por Pixinguinha. Mas Roberto Carlos e Erasmo Carlos também passearam por este ritmo em dois momentos. No primeiro, em 1969, com Oh, meu imenso amor. E a segunda abriu o LP de 1974. Curiosamente, RC começava seu disco cantando uma despedida.

Segue a letra! Na foto, Roberto Carlos na década de 1970.

Abraços a todos, Vinícius.

DESPEDIDA - Roberto e Erasmo

Já está chegando a hora de ir
Venho aqui me despedir e dizer
Em qualquer lugar por onde eu andar
Vou lembrar de você

Só me resta agora dizer adeus
E depois o meu caminho seguir
O meu coração aqui vou deixar
Não ligue se acaso eu chorar
Mas agora adeus...

sábado, 14 de novembro de 2009

Roberto Carlos, um estilo de música - TANGO



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos, um estilo de música, continua a passear por ritmos musicais internacionais. E agora é a vez de mais um acervo da América Latina.

Influenciado pela milonga, pela habanera e por melodias populares na Europa, o TANGO passou a ter destaque no subúrbio de Buenos Aires nos últimos anos do século XIX. Mas foi no início do século XX que o tango ganhou maiores dimensões no universo musical, através do nome de CARLOS GARDEL.

Em seus primeiros momentos artísticos, Gardel se apresentava com o nome de El Morocho, nos prostíbulos e nos subúrbios da capital argentina. Somente a partir de 1917 suas canções ganhariam destaque, a partir do registro fonográfico Mi noche triste.

Começava a ascensão de um artista que apresentou vários clássicos deste estilo - casos de Por una cabeza, Amores de estudiante e Mi Buenos Aires querido. Um dado curioso: embora seja associado à Argentina, Gardel não é argentino de nascimento. Biógrafos também não sabem dizer ao certo o local onde o cantor nasceu - alguns documentos afirmam que ele tenha nascido no Uruguai, na região de Tacuarembó, enquanto outros registros apontam que foi em Toulouse, na França. Sempre que questionado sobre sua origem, ele dizia: "Nasci em Buenos Aires, aos dois anos e meio de idade".

Lançada por Gardel originalmente em 1935 (ano em que um desastre de avião em Medellín, na Colômbia, encerrou bruscamente a carreira de um dos maiores expoentes do tango), esta canção foi escrita em parceria com o brasileiro Alfredo Le Pera. Ela também foi a primeira música em castelhano incluída num LP brasileiro de Roberto Carlos.

Segue a letra! Na foto, Roberto em show na década de 1970.

Abraços a todos, Vinícius.

EL DÍA QUE ME QUIERAS - Carlos Gardel e Alfredo Le Pera

Acaricia mi ensueño
El suave murmullo de tu suspirar
Como rie la vida
Si tus ojos negros me quierem mirar

Y si es mio el amparo
De tu risa leve, es como un cantar
Ella aquieta mi herida
Todo, todo se olvida

El día que me quieras
La rosa que engalana
Se vestirá de fiesta
Con su mejor color

Al viento las campanas
Dirán que ya eres mia
Y locas las fontanas
Se contarán tu amor

La noche que me quieras
Desde el azul del cielo
Las estrellas celosas
Nos mirarán pasar

Y un rayo misterioso
Hará nido en tu pelo
Luciérnaga curiosa
Que verá que eres mi consuelo...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Roberto Carlos, um estilo de música - SALSA



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos, um estilo de música prossegue a contar todos os estilos musicais que fazem parte da safra de RC. E hoje, mostramos mais um ritmo internacional que passou por aqui.

Surgida em Cuba durante a década de 1960, a SALSA foi influenciada pelo ritmo do mambo (muito popular na década anterior), mas adicionando características de ritmos afro-caribenhos. Além do mambo, tem traços da rumba e do son motuno de Cuba, do calipso de Trinidad e Tobago, do merengue da República Dominicana e da cumbia colombiana. Há também influências do rock americano e do reggae da Jamaica.

Tudo temperado para formar boa música e uma sonoridade que colocasse uma mistura de ritmos com sabor "latino-americano". Daí decidiram colocar este nome, que, na língua castelhana, significa "tempero". A salsa teve seus primeiros passos em Nova Iorque e seguiu para países de língua espanhola - seus expoentes são Frankie Ruiz, Celia Cruz e, em especial, Tito Puente.

Com o decorrer das décadas, a salsa foi se tornando mais popular, o que para muitos foi definido como uma traição ao movimento - o ritmo, que era das ruas, foi reduzido a características meramente comerciais. Também ganhou destaque a "salsa erótica", vista por críticos musicais como machistas. Atualmente, destacam-se como artistas do gênero a orquestra Guayacán, o grupo Niche e o cantor Joe Arroyo, todos da Colômbia, além do surgimento do estilo "salsa y merengue" - popularizado na década de 1990, num fenômeno que chegou até o Brasil graças à novela Salsa e merengue, de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa, que a TV Globo exibiu em 1997 no horário das 19h. Nesta época, o ex-Menudo Ricky Martin era o grande expoente.

Roberto Carlos navegou no estilo da salsa numa canção muito peculiar. Para seu LP de 1992, RC decidiu escrever com Erasmo uma homenagem às mulheres de baixa estatura. Em seu especial daquele ano, Roberto confessou que achava que ia escrever para uma minoria, mas uma pesquisa comprovou que na época havia "mais de 20 milhões de mulheres abaixo de 1,60m" no Brasil.

Segue a letra! Na foto, Roberto Carlos apresentando a canção, que vem fazendo parte de seus shows atualmente.

Abraços a todos, Vinícius.

MULHER PEQUENA - Roberto e Erasmo

Quando uma mulher pequena
Vem falar no meu ouvido
O meu coração dispara
Chega até a fazer ruído

Fica na ponta dos pés
Se pendura como louca
Olha o céu e fecha os olhos
Pra ganhar beijo na boca

Depois do beijo na boca
Sua mão leve desliza
Pelos pelos do meu peito
Dentro da minha camisa

Quando a coisa fica quente
Ai, essa mulher me usa
Quero só que se arrebente
Algum botão da sua blusa

Não há roupa que se aguente
E nenhum botão que dure
Esse amor que a gente sente
Não há nada que segure

Gosto de você, pequena
Esse beijo me alucina
Coisa de mulher gostosa
Com um jeito de menina

Ai, ai, ai...
Ai, essa voz doce e serena
Essa coisa delicada
Coisa de mulher pequena

Ai, ai, ai...
Ai, essa voz doce e serena
O meu coração dispara
Por você, mulher pequena...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Roberto Carlos, um estilo de música - CARNAVALITO


Olá, amigos.

A série Roberto Carlos, um estilo de música continua a mostrar estilos musicais que fazem parte do repertório dele. E, hoje, mais uma vez trazemos uma peculiaridade do exterior.

Na cidade de Quebrada, localizada na região sul da Argentina, o mês de janeiro é destinado a "el Humauaca", o carnaval argentino - EL CARNAVALITO. Nesta festa "quebradeña", tocam-se instrumentos típicos, como "erke, charango y bombo", e o desfile das "cholitas", camponesas que usam saia e chapéu tradicionais.

Em seu LP de 1975, Roberto Carlos expôs suas veias abertas para a América Latina, e celebrou o "carnavalito" argentino com uma gravação primorosa. A faixa foi gravada na Argentina, e contou com a participação de músicos do folclore de lá. No especial de 1977 ele interpretaria a canção novamente, numa parte em que ele falou sobre a América do Sul e também cantou El día que me quieras e América, América.

A latinidade na obra de Roberto Carlos mostra como seu estilo de música ultrapassa fronteiras. O próximo trabalho voltado para a América Latina renderia o Grammy Latino. Mas isso é um assunto pra um dos próximos posts.

Segue a letra! Na foto, Roberto cantando esta música em seu especial de 1977.

Abraços a todos, Vinícius.

EL HUMAUAQUEÑO - Zaldivar

Llegando está el carnaval
Quebradeño, mi cholitay
Llegando está el carnaval
Quebradeño, mi cholitay

Fiesta de la Quebrada
Humauaqueña para cantar
Erke, charango y bombo
Carnavalito para bailar

Quebradeño
Humauaqueñito
Quebradeño
Humauaqueñito

Fiesta de la Quebrada
Humauaqueña para cantar
Erke, charango y bombo
Carnavalito para bailar

Quebradeño
Humauaqueñito
Quebradeño
Humauaqueñito

Fiesta de la Quebrada
Humauaqueña para cantar
Erke, charango y bombo
Carnavalito para bailar

domingo, 8 de novembro de 2009

Roberto Carlos, um estilo de música - FADO


Olá, amigos.

A série Roberto Carlos, um estilo de música começa hoje a peregrinar por ritmos de outros países. O primeiro lugar mostrado é Portugal.

O cantor, ó pá, também colocou em seu repertório um estilo português. Trata-se do FADO. Muito ainda se especula sobre o surgimento deste tipo de música em Portugal. O mais provável é que, no início do século XIX tenham surgido a partir do cântico dos mouros que moravam no bairro Mouraria, em Lisboa após a reconquista cristã. A melancolia das cantigas se assemelha com o fado.

A palavra fado vem do latim "fadum" e significa destino. Seus temas recorrentes são a saudade, a nostalgia, o ciúme, ou histórias do dia-a-dia. Em Coimbra, o estilo é exclusivamente cantado por homens, e é ligado às tradições acadêmicas da Universidade de Coimbra. No ano de 1965, no LP Jovem Guarda, Roberto interpretaria Coimbra, que louva a cidade e a faculdade de lá.

Em Lisboa, o fado é cantado tanto por homens quanto por mulheres, em casas de fado da Alfama, Mouraria, Bairro Alto e Mandragoa. As canções revelam tristezas, mágoas e ironia. Além de ter representantes como Alfredo Marceneiro, Nuno da Câmara Pereira e, atualmente, Dulce Pontes, o expoente do fado foi Amália Rodrigues.

No ano de 1989, Roberto Carlos incluiria em seu repertório um fado conhecidíssimo em Portugal, consagrado pela voz de Amália Rodrigues. No Brasil, Nelson Gonçalves e Leila Pinheiro também fizeram gravações desta música. No especial daquele ano, Roberto afirmou que "gosta de tudo de Portugal, em especial do carinho português". E do que mais ele gosta, nem às paredes confessa.

Segue a letra! Na foto, uma montagem feita pelo blogue Rey Roberto Carlos, do meu amigo Felipe Moura, em homenagem a Portugal.

Abraços a todos, Vinícius.

NEM ÀS PAREDES CONFESSO - Maximiano de Souza, Francisco Trindade e Artur Ribeiro

Não queiras gostar de mim
Sem que eu te peça
Nem me dês nada que ao fim
Eu não mereça
Vê se me deitas depois
Culpas no rosto
Isto é sincero porque não quero
Dar-te um desgosto

De quem eu gosto
Nem às paredes confesso
E nem aposto
Que não gosto de ninguém

Podes rogar, podes chorar
Podes sorrir também
De quem eu gosto
Nem às paredes confesso

Quem sabe se te esqueci
Ou se te quero
Quem sabe até se é por ti
Por quem espero

Se eu gosto ou não, afinal
Isso é comigo
Mesmo que penses que me convences
Nada te digo

De quem eu gosto
Nem às paredes confesso
E nem aposto
Que não gosto de ninguém

Podes rogar, podes chorar
Podes sorrir também
De quem eu gosto
Nem às paredes confesso

De quem eu gosto
Nem às paredes confesso
E nem aposto
Que não gosto de ninguém

Podes rogar, podes chorar
Podes sorrir também
De quem eu gosto
Nem às paredes confesso

De quem eu gosto
Nem às paredes confesso