quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Tin-tin!



Olá, amigos.

Olhando para trás, podemos ver que este foi um ano muito abençoado na obra de Roberto Carlos. Ao público que sentiu sua ausência no ano passado (por conta da "quebra de tradição" de lançar um disco todo fim de ano), RC respondeu com grandes trabalhos este 2008.

Em junho, chegou nas lojas Roberto Carlos en vivo, primeiro registro de um show dele no exterior. Gravado no Opera House, em Miami, e disponibilizado em disco e em DVD, o trabalho trouxe som e imagem de ótima qualidade, além de interpretações para grandes canções de sua safra versionadas para o castelhano - Desahogo (Desabafo), Cama y mesa (Cama e mesa) e La distancia (À distância), sem contar nas músicas que ele interpreta somente no exterior, casos de El día que me quieras e Un gato en la oscuridad (Un gatto nel blu).

Em agosto, RC abriu espaço em sua turnê para se dedicar a um trabalho especialíssimo no ano em que a Bossa Nova completava 50 anos do seu surgimento. Roberto recordou seu início de carreira na boate Plaza, em Copacabana, e seus primeiros compactos (ainda aos 18 anos) e interpretou canções do repertório de Tom Jobim - e o melhor: na mais fina companhia de Caetano Veloso. Os três shows (um no Rio de Janeiro e dois em São Paulo) foram extremamente bem sucedidos de público, a ponto de renderem um especial em setembro na TV Globo. RC ainda se deu ao luxo de seu trabalho anual chegar ao final deste 2008 com uma inovação. Pela primeira vez, ele divide um disco e um DVD com outro artista, e justamente com o tropicalista que por várias vezes fez reverências musicais a ele (Como dois e dois, Muito romântico e Força estranha são canções de Caetano que Roberto gravou em disco).

Naturalmente, Roberto mantém algumas tradições, mas são graças a ela que podemos contar sempre com a grata presença de RC. Além de shows nos palcos do Brasil, o cantor percorreu vários palcos da América Latina, levando las emociones para a língua espanhola. RC continua trazendo emoções em alto mar, nos seus cruzeiros de início de ano, e dezembro prossegue tendo na sua programação o especial de fim de ano - com Roberto Carlos chamando amigos de profissão para cantarem com ele e alegrarem a noite natalina (sim, o Roberto Carlos Especial deste ano novamente veio ao ar em 25 de dezembro - a tradição parece ter retornado, depois de tanto tempo no qual seu show ia ao ar alguns dias ou até uma semana antes do dia de Natal).

Chegamos ao final de 2008 com perspectivas para o prestes a nascer ano de 2009. No ano que vem, é a vez de Roberto Carlos completar seus 50 anos de carreira e, além de exposições e eventos temáticos sobre sua vida musical, está previsto um show a ser realizado no estádio do Maracanã. O maior do mundo abrindo seu espaço para um craque que fez dos palcos o seu gramado favorito.

A um dia de 2009, este que vos escreve deseja a todos um Feliz Ano Novo, e que o novo ano traga toda a felicidade possível ao coração de todos vocês. Obrigado a todos pelo prestígio que o Emoções de Roberto Carlos vem recebendo desde sua criação. Um brinde, ao ano que se encerra e ao novo ciclo que começa no calendário. TIN-TIN.

Abraços a todos, Vinícius.

É PRECISO SABER VIVER - Roberto e Erasmo

Quem espera que a vida
Seja feita de ilusão
Pode até ficar maluco
Ou morrer na solidão

É preciso ter cuidado
Pra mais tarde não sofrer
É preciso saber viver

Toda pedra do caminho
Você deve retirar
Numa flor que tem espinhos
Você pode se arranhar

Se o bem e o mal existem
Você pode escolher
É preciso saber viver

É preciso saber viver
É preciso saber viver
É preciso saber viver
Saber viver, saber viver...

P.S.: este blogue tira férias, e volta a ser atualizado em 10 de janeiro de 2009.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Feliz Natal!



Olá, amigos.

Sim, é hoje... Chegou o grande dia, no qual, em meio à celebração do (re)nascimento de Jesus, o público pára diante da telinha para viver as novas emoções que Roberto Carlos tem para mostrar em seu Roberto Carlos Especial.

"Que prazer rever vocês!". Com esta frase, Roberto novamente agradece a oportunidade de estar com os milhões de amigos que ganhou durante sua longa trajetória por todas as partes da Música Popular Brasileira - alguns deles colegas de profissão, e que irão participar desta festa de arromba que virou seu tradicional programa de fim de ano. Como foi apresentado nos posts anteriores, o especial tem tudo para ser belíssimo aos olhos da população.

Hoje, logo depois de A favorita, todos nós estaremos com os corações unidos, em paz com a vida e o que ela nos trouxe em 2008, e otimistas demais para, entre família e entre amigos, nossas emoções se repetirem. Mas, em meio aos festejos do dia de hoje, este que vos escreve pede licença para dizer poucas palavras (gostaria de dizer mais, mas alguns sentimentos com palavras não sei dizer...).

A todos os que lêem este Emoções de Roberto Carlos, os meus sinceros votos de um Feliz Natal, com muita saúde, paz, harmonia e, principalmente, muito, muito amor. E Roberto Carlos no som...

Abraços a todos, Vinícius.

JESUS CRISTO - Roberto e Erasmo

Jesus Cristo, Jesus Cristo
Jesus Cristo, eu estou aqui...

Olho pro céu e vejo
Uma nuvem branca que vai passando
Olho na terra e vejo
Uma multidão que vai caminhando

Como essa nuvem branca
Essa gente não sabe aonde vai
Quem poderá dizer o caminho certo
É Você meu Pai

Jesus Cristo, Jesus Cristo
Jesus Cristo, eu estou aqui...

Jesus Cristo, Jesus Cristo
Jesus Cristo, eu estou aqui...

Toda essa multidão
Tem no peito amor e procura a paz
E apesar de tudo
A esperança não se desfaz

Olhando a flor que nasce
No chão daquele que tem amor
Olho pro céu e sinto
Crescer a fé no meu Salvador

Jesus Cristo, Jesus Cristo
Jesus Cristo, eu estou aqui...

Jesus Cristo, Jesus Cristo
Jesus Cristo, eu estou aqui...

Em cada esquina eu vejo
O olhar perdido de um irmão
Em busca do mesmo bem
Nessa direção caminhando vem

É meu desejo ver
Aumentando sempre essa procissão
Para que todos cantem
Na mesma voz essa oração

Jesus Cristo, Jesus Cristo
Jesus Cristo, eu estou aqui...

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Roberto e Caetano em DVD



Olá, amigos.

Após no início do mês Roberto Carlos e Caetano Veloso nos brindarem com o lançamento do disco Roberto Carlos e Caetano Veloso - E a música de Tom Jobim, agora vem para o Natal também o registro em DVD dos shows que eles gravaram em homenagem aos 50 anos da Bossa Nova. Numa seleção primorosa dos vários tons que Antônio Carlos Jobim tocou para o cinqüentenário movimento musical brasileiro, os dois fazem com que este show histórico fique imortalizado em boa imagem e bom som.

Eis o repertório do DVD:

1 - Garota de Ipanema - ROBERTO E CAETANO
2 - Wave - ROBERTO E CAETANO
3 - Águas de março - DANIEL JOBIM
4 - Por toda a minha vida - CAETANO VELOSO
5 - Ela é carioca - CAETANO VELOSO
6 - Inútil paisagem - CAETANO VELOSO
7 - Meditação - CAETANO VELOSO
8 - Caminho de pedra - CAETANO VELOSO
9 - O que tinha de ser - CAETANO VELOSO
10 - Surfboard - Arranjo e regência de JACQUES MORELEMBAUM
11 - Insensatez - ROBERTO CARLOS
12 - Por causa de você - ROBERTO CARLOS
13 - Lígia - ROBERTO CARLOS (com participação em vídeo de TOM JOBIM)
14 - Corcovado - ROBERTO CARLOS
15 - Samba do avião - ROBERTO CARLOS
16 - Eu sei que vou te amar (e o poema Soneto da fidelidade) - ROBERTO CARLOS
17 - Tereza da praia - ROBERTO E CAETANO
18 - Chega de saudade - ROBERTO E CAETANO

As canções Caminho de pedra e Surfboard fazem parte somente do DVD, e trazem dados curiosos. Como ele mesmo conta antes de cantá-la, Caetano ouviu Caminho de pedra no final da adolescência, no LP Canção do amor demais (considerado por muitos o pioneiro disco de Bossa Nova) gravado por Elizeth Cardoso. Já Surfboard é a única faixa do DVD dedicada ao momento instrumental brasileiro de Tom Jobim - um maestro que tanta contribuição deu à música instrumental de todo o mundo.

Ficaram de fora da edição final do DVD as interpretações de Roberto e Caetano para as músicas A felicidade e Se todos fossem iguais a você (ambas de Tom Jobim e Vinícius de Moraes). Mas este registro audiovisual mostra um momento de descontração musical criado por Tom e Billy Blanco em 1972.

Feita originalmente para as vozes de Dick Farney e Lúcio Alves, a história de uma das musas de Tom Jobim foi revivida no palco do Auditório Ibirapuera, através da irreverência de Caetano e Roberto. Os dois "disputaram" uma mulher praiana, mas acabaram tomando a mesma decisão de Dick e Lúcio na gravação original.

Segue a letra! Na foto, um registro deste que vos escreve no show de Bossa Nova apresentado em 22 de agosto no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Abraços a todos, Vinícius.

TEREZA DA PRAIA - Tom Jobim e Billy Blanco

(ROBERTO)
Caetano, arranjei novo amor no Leblon
Que corpo bonito, que pele morena
Que amor de pequena
Amar é tão bom...

(CAETANO)
Tão bom...
Roberto, ela tem um nariz levantado
Os olhos verdinhos, bastante puxados
Cabelo castanho...

(ROBERTO)
E uma pinta do lado...

(CAETANO)
Ela é minha Tereza da praia

(ROBERTO)
Se ela é tua, ela é minha também

(CAETANO)
O verão passou todo comigo

(ROBERTO)
Mas o inverno, pergunta com quem

(OS DOIS)
Então vamos a Tereza da praia deixar
Aos beijos do sol
E abraços do mar
Tereza da praia, não é de ninguém

(ROBERTO)
Não pode ser tua...

(CAETANO)
Nem tua também...

(OS DOIS)
Tereza da praia
Não é de ninguém...

domingo, 21 de dezembro de 2008

Roberto Carlos Especial 2008 - NELSON MOTTA



Olá, amigos.

Encerrando a lista de encontros do Roberto Carlos Especial que irá ao ar daqui a quatro dias, este blogue abre espaço para a parte jornalística do programa. Afinal, não pode passar batido o nome que tem a responsabilidade de "mediar" o encontro em estúdio de RC e Caetano Veloso.

Trata-se de NELSON MOTTA - jornalista, biógrafo, crítico musical, romancista, compositor e o sujeito de cabelos brancos que está na foto aí do lado abraçado a este que vos escreve. Nelson já teceu vários elogios ao longo da carreira do Roberto, expostos em momentos como quando ele recordou a vitória de RC no Festival de San Remo (com Canzone per te, há exatos 40 anos), ou nas recordações da Jovem Guarda e de uma viagem do cantor para se apresentar no Espírito Santo na década de 1980, contados no livro Noites tropicais. Também foi ele que apresentou o show de Roberto Carlos e Caetano Veloso no dia 22 de agosto, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

E é de Nelson uma das frases mais bonitas e mais sinceras sobre o que significa Roberto Carlos. No release sobre o disco e o DVD Duetos, ele disse: "Cantar com Roberto é como jogar bola com Pelé, como namorar com Gisele Bündchen, como compor com Chico Buarque,. Talvez por isso, em todas as vozes famosas e idolatradas que se juntam à dele, se sente um coração btasileiro batendo mais forte".

Nelson Motta nunca cantou COM Roberto Carlos. Entretanto, tem uma gratíssima curiosidade: ele já gravou canção de Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Em 1972, a dupla foi responsável pela trilha musical da novela O bofe, assinada por Bráulio Pedroso para o horário das 22h da TV Globo. Coube ao Nelsinho cantar uma das faixas deste disco.

Segue a letra! Na foto, Nelson Motta entre Roberto e Caetano. Como antecipamos no post anterior, este "papo" terá a luxuosíssima participação de Eduardo Lages e Jacques Morelembaum - os maestros responsáveis pelos arranjos do encontro que virou o disco e o DVD Roberto Carlos e Caetano Veloso - E a música de Tom Jobim.

Abraços a todos, Vinícius.

MADAME SABE TUDO - Roberto e Erasmo

Vai, madame sabe tudo
Vai, madame sabe tudo
Quem não vai sou eu

Vai, madame sabe tudo
Vai, madame sabe tudo
Que esse mundo é seu

Vai, madame sabe tudo
Vai, madame sabe tudo
Quem não vai sou eu

Vai, madame sabe tudo
Vai, madame sabe tudo
Que esse mundo é seu

Nos subúrbios e bastidores
Destilava seus amores
E madame em mais de cem
Sempre desfilava bem

Seu conselho interessa
Pra quem quer subir de pressa
Só precisa algum estudo
Tá com ela, tá com tudo

Vai, madame sabe tudo
Vai, madame sabe tudo...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Roberto Carlos Especial 2008 - CAETANO VELOSO



Olá, amigos.

Com o post de hoje, este blogue apresenta o último encontro mostrado no palco da HSBC Arena Multiuso em 11 de dezembro. Parte deste show irá ao ar no Roberto Carlos Especial, que irá ao ar daqui a alguns dias, trazendo as muitas emoções vividas por RC em seu ano de 2008.

Para a reta final do espetáculo, Roberto Carlos deixou a presença mais constante de seu ano artístico. Em agosto de 2008, CAETANO VELOSO se apresentou ao lado de Roberto em três shows especiais para homenagear os 50 anos da Bossa Nova - o encontro rendeu um especial para a TV Globo e também o CD e o DVD Roberto Carlos e Caetano Veloso - E a música de Tom Jobim.

O "mano Caetano" terá uma participação a mais do que a apresentada no show do dia 11. No dia primeiro deste mês, ele e Roberto fizeram um bate-papo regado a muitas boas músicas, mediado por Nelson Motta. Trechos deste encontro irão ao ar no Roberto Carlos Especial.

Para divulgar o disco feito em dupla - o primeiro no qual Roberto Carlos divide a autoria com outro cantor (Caetano Veloso já fez outros trabalhos em estúdio ou em show, com artistas como Maria Bethânia, Chico Buarque, Gilberto Gil, Gal Costa, Milton Nascimento e Jorge Mautner, além dos Doces Bárbaros, nome do grupo que nos anos 70 reuniu Bethânia, Caetano, Gal e Gil) - os dois repousaram sua voz sobre o universo da Bossa Nova, cantando Chega de saudade (música de Tom Jobim e Vinícius de Moraes e nome do LP lançado por João Gilberto em 1959), com direito a Daniel Jobim, neto de Tom, participar ao piano.

Caetano Veloso cantou sozinho a música Você é linda, de sua autoria. Segundo ele, a pedido de Roberto, que adora esta música. Pena que não foi com os dois, certamente estes versos ficariam lindos na voz de RC. Mas fica pra uma próxima, pois o destaque deste encontro foi das reverências musicais de Roberto e Caetano.

RC interpretou Debaixo dos caracóis dos seus cabelos e, enquanto o público cantava o refrão da canção, ele disse: "com este coral, nós recebemos este grande artista, Caetano Veloso!". Esta é a terceira vez que Caetano é convidado para um especial anual de Roberto Carlos. Na primeira, em 1975, Caê apresentou Qualquer coisa e, em dueto com RC, os dois cantaram Como dois e dois (entremeada por uma conversa em estúdio). No Roberto Carlos Especial de 1992, o baiano regressaria ao palco de fim de ano da TV Globo - cantando Debaixo dos caracóis dos seus cabelos para, em seguida, os dois relerem Alegria, alegria, emblemática música do universo tropicalista de Caetano que estava em evidência novamente na época por ser tema de abertura da minissérie Anos rebeldes, de Gilberto Braga (este encontro é um dos números do disco e do DVD Duetos, lançados por RC ao final de 2006).

Este final de 2008 reservou espaço para os dois cantarem a canção que fortalece a amizade entre os dois e também como ambos estão já há tanto tempo nos caminhos da boa Música Popular Brasileira - e, mesmo por caminhos às vezes diferentes, sempre dão um jeito de ter um reencontro musical. A canção gravada por RC em 1978 e definida por ele como "um retrato falado, pintado com amor pela luminosa cabeça do poeta", e como o presente que o deixou emocionado como uma criança ao ver sua primeira árvore de Natal - com toda a força estranha que continua no ar e que na HSBC Arena Multiuso foi interpretada pelos dois.

Segue a letra! Na foto, Roberto e Caetano no show do dia 11.

Abraços a todos, Vinícius.

FORÇA ESTRANHA - Caetano Veloso

Eu vi um menino correndo
Eu vi o tempo
Brincando ao redor do caminho daquele menino
Eu pus os meus pés no riacho
E acho que nunca os tirei
O sol ainda brilha na estrada
E eu nunca passei

Eu vi a mulher preparando
Outra pessoa
O tempo parou pra eu olhar para aquela barriga
A vida é amiga da arte
É a parte que o sol me ensinou
O sol que atravessa essa estrada
Que nunca passou

Por isso uma força me leva a cantar
Por isso essa força estranha no ar
Por isso é que eu canto, não posso parar
Por isso essa voz tamanha

Eu vi muitos cabelos brancos
Na fronte do artista
O tempo não pára, e no entanto ele nunca envelhece
Aquele que conhece o jogo
Do fogo das coisas que são
É o sol, é o tempo, é a estrada
É o pé e é o chão

Eu vi muitos homens brigando
Ouvi seus gritos
Estive no fundo de cada vontade encoberta
E a coisa mais certa de todas as coisas
Não vale um caminho sob o sol
É o sol sobre a estrada
É o sol sobre a estrada, é o sol

Por isso uma força me leva a cantar
Por isso essa força estranha no ar
Por isso é que eu canto, não posso parar
Por isso essa voz, essa voz tamanha...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Roberto Carlos Especial 2008 - RITA LEE



Olá, amigos.

Na série que fala um pouco dos encontros musicais que serão apresentados no Roberto Carlos Especial deste ano (que será exibido no dia 25 de dezembro, após a novela A favorita), este blogue apresenta hoje a marca da zorra cravada no show apresentado na HSBC Arena Multiuso no último dia 11. Afinal, Roberto Carlos abriu espaço para uma grande família de excelentes serviços à música e ao rock do Brasil.

Com suas roupas extravagantes e os tons fortes de suas canções, RITA LEE deixou a Arena mais colorida ainda diante de seu fantástico encontro musical com Roberto Carlos - tendo a companhia de Roberto de Carvalho e de Beto Lee, para deixar tudo em família. Em um pout-pourri no qual ela cantava músicas de seu repertório e RC rebatia com canções de sua safra, o encontro musical comprovou que as estradas destes grandes nomes da Música Popular Brasileira têm muita semelhança.

O primeiro tema em comum veio nas rodas da velocidade: Rita Lee pediu uma ajudinha ao pai, nos versos de Papai, me empresta o carro, e Roberto voou em seu carro na canção Parei na contramão. Depois disto, o repertório foi para o escurinho do cinema, de onde vieram Flagra e Splish splash. A sensualidade também apareceu quando ela apresentou Mania de você, e ele trouxe os versos de Cama e mesa.

Num encontro que Roberto Carlos disse que "há muito tempo gostaria de ter, quase deu uma vez, mas a Rita não podia gravar", Rita Lee disse que estava muito feliz por participar daquela farra. E sua felicidade botou todo mundo para dançar. Ou melhor, para "bailar" com ela, como canta o refrão da música que encerrou o encontro.

Segue a letra (da íntegra da canção, no especial foi cantado apenas o refrão)! Na foto, Rita Lee e Roberto - o Roberto Carlos, o Roberto de Carvalho estava na guitarra.

Abraços a todos, Vinícius.

BAILA COMIGO - Rita Lee

Se Deus quiser,
Um dia eu quero ser índio
Viver pelado pintado de verde
Num eterno domingo
Ser um bicho-preguiça,
Espantar turista
E tomar banho de sol, banho de sol,
Banho de sol, sol

Se Deus quiser,
Um dia acabo voando
Tão banal assim como um pardal
Meio de contrabando
Desviar do estilingue
Deixar que me xinguem
E tomar banho de sol, banho de sol,
Banho de sol, banho de sol

Baila comigo, como se baila na tribo
Baila comigo, lá no meu esconderijo

Se Deus quiser,
Um dia eu viro semente
E quando a chuva molhar o jardim
Ah, eu fico contente
E na primavera vou brotar na terra
E tomar banho de sol, banho de sol,
Banho de sol, sol

Se Deus quiser,
Um dia eu morro bem velha
Na hora H quando a bomba estourar
Quero ver da janela
E entrar no pacote de de camarote
E tomar banho de sol, banho de sol,
Banho de sol, banho de sol

Baila comigo, como se baila na tribo
Baila comigo, lá no meu esconderijo...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Roberto Carlos Especial 2008 - NEGUINHO DA BEIJA-FLOR



Olá, amigos.

Prosseguindo a série de encontros do Roberto Carlos Especial deste ano, hoje este blogue mostra um RC carnavalesco, frente a frente com a escola de samba do Rio de Janeiro que ele tanto admira. É bem verdade que Roberto já deu samba na Marquês de Sapucaí, quando, no ano de 1987, a Unidos do Cabuçu (tão azul e branca quanto a Beija-Flor) levou para a avenida o enredo Roberto Carlos no reino da fantasia. Entretanto, ainda faltava abrir espaço para o universo nilopolitano desfilar no palco de seu tradicional espetáculo de fim de ano.

E na HSBC Arena Multiuso, a Beija-Flor de Nilópolis desfilou na avenida do Roberto Carlos Especial, trazendo os maiores representantes da escola que vem ganhando o título do carnaval carioca. A noite teve início com NEGUINHO DA BEIJA-FLOR, o intérprete dos sambas lançados anualmente no carnaval do Rio de Janeiro.

Ele, que vem lutando contra um câncer, disse que foi uma das notícias mais bonitas saber que dividiria o palco com Roberto Carlos. "Tão bonito quanto o nascimento da minha filha", afirmou Neguinho, referindo-se à sua filha Luísa Flor, com dois meses de idade.

Os dois cantaram Ângela, música de Serginho Meriti e Alexandre e um grande sucesso romântico de Neguinho, e emendaram com a doce Eu e ela, canção de Mauro Motta, Robson Jorge e Lincoln Olivetti gravada por RC pra seu LP de 1984. Mas isto foi apenas para esquentar os pandeiros...

Logo em seguida, entrou em cena a BATERIA DA BEIJA-FLOR, nas mãos de MESTRE PAULINHO (que há alguns anos já dedica os prêmios da escola a Roberto). Paulinho presenteou Roberto com a batuta de mestre de bateria da escola de samba. Em seguida, num momento inédito na sua carreira, RC cantou um samba-exaltação à Beija-Flor de Nilópolis. Aquele a quem muitos chamam de "Rei" pedia passagem para homenagear a "deusa da passarela", cantada em letra e música na companhia de Neguinho e da bateria e das passistas da Beija-Flor de Nilópolis.

Segue a letra! Na foto, Neguinho, Roberto e a passarela em azul e branco. Como disse Roberto Carlos: "chora, cavaco!".

Abraços a todos, Vinícius.

A DEUSA DA PASSARELA - Flor, Neguinho da Beija e Neguinho da Beija-Flor

É ela,
Maravilhosa e soberana,
De fato nilopolitana.
Enamorada deste meu país

É ela,
A deusa da passarela
Razão do meu cantar feliz.

É ela,
Um festival de prata em plena pista,
É o sorriso alegre do sambista,
Ao ecoar do som de um tambor...ôô

Beija-Flor, minha escola
Minha vida, meu amor...
Beija-Flor, minha escola
Minha vida, meu amor...

sábado, 13 de dezembro de 2008

Roberto Carlos Especial 2008 - ZEZÉ DI CAMARGO E LUCIANO



Olá, amigos.

Com este post, o blogue começa a falar sobre o que virá por aí nos encontros do Roberto Carlos Especial de 2008. O programa vai ao ar no dia 25 de dezembro, dia de Natal, logo depois da novela A favorita.

Numa noite magistral, Roberto Carlos apresentou uma de suas maiores virtudes como intérprete, passeando pelos vários estilos da Música Popular Brasileira e, principalmente, comprovando que seu palco é democrático para todas as vertentes musicais. No ano de 2008, RC apresentará convidados da música sertaneja (Zezé di Camargo & Luciano), do samba que consagra o carnaval carioca (Neguinho da Beija-Flor e a bateria da escola de samba), do rock (Rita Lee) e do tropicalismo (Caetano Veloso), em encontros que prometem ser memoráveis.

O primeiro encontro da noite veio de lá dos lados de Goiás. Nascidos em Pirinópolis, a dupla de irmãos Mirosmar e Welson ficaram conhecidos a partir do início da década passada, quando estourou nas rádios a música É o amor. "Eu nem sabia que eles tinham esse nome, só fui saber depois do filme...", contou RC, antes de anunciar os primeiros convidados da noite: ZEZÉ DI CAMARGO E LUCIANO!

É a terceira vez que os dois participam do programa anual de Roberto Carlos na TV Globo. A primeira data de 1991, ano em que RC esteve no ar em 25 de dezembro à tarde (em um programa ao vivo, voltado não só para atrações musicais como para campanhas beneficentes, num evento intitulado Viva Luz) e à noite (com um show gravado no ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro). Os sertanejos estiveram no horário vespertino de RC, cantando seu eterno sucesso É o amor.

Três anos depois, a dupla retornou ao Roberto Carlos Especial. No ano de 1994, Zezé di Camargo & Luciano apresentaram sua canção Você vai ver e, num encontro com Roberto Carlos, o trio interpretou Sentado à beira do caminho.

E agora em 2008, o encontro torna a acontecer para trazer duas canções da safra de Roberto e Erasmo Carlos. A primeira é À distância, canção originalmente lançada no LP de 1972, e recentemente relida pela dupla.

A segunda foi precedida por uma história contada por Zezé. "A gente tava no programa da tarde de 1991 e tava previsto pra gente cantar duas músicas. Só que aí os goianinhos se f... e a gente só cantou a É o amor. Essa aqui você soprou pra gente num show que queria que a gente cantasse junto, nós três. Aí agora a gente tá aqui pra cobrar a dívida".

Terceira faixa do lado A do LP lançado por Roberto Carlos em 1974, a canção que representa o primeiro encontro da noite traz a volta de RC à interpretação da safra neo-sertaneja. Afinal, lá também é um de seus lugares na Música Popular Brasileira.

Segue a letra! Na foto, Roberto Carlos e os "dois filhos de Francisco".

Abraços a todos, Vinícius.

O PORTÃO - Roberto e Erasmo

Eu cheguei em frente ao portão
Meu cachorro me sorriu latindo
Minhas malas coloquei no chão
Eu voltei

Tudo estava igual como era antes
Quase nada se modificou
Acho que só eu mesmo mudei
E voltei

Eu voltei agora pra ficar
Porque aqui, aqui é meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei
Eu voltei

Fui abrindo a porta devagar
Mas deixei a luz entrar primeiro
Todo o meu passado iluminei
E entrei

Meu retrato ainda na parede
Meio amarelado pelo tempo
Como a perguntar por onde andei
E eu falei:

Onde andei não deu para ficar
Porque aqui, aqui é meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei
Eu voltei

Sem saber depois de tanto tempo
Se havia alguém à minha espera
Passos indecisos caminhei
E parei

Quando vi que dois braços abertos
Me abraçaram como antigamente
Tanto quis dizer e não falei
E chorei

Eu voltei agora pra ficar
Porque aqui, aqui é meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei
Eu voltei...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Roberto Carlos e Caetano Veloso - E a música de Tom Jobim



Olá, amigos.

A algumas horas da gravação de parte do Roberto Carlos Especial que a TV Globo exibirá no dia 25 de dezembro de 2008, este blogue volta suas atenções para um histórico momento que RC nos proporcionou no ano que vai chegando ao fim. Na semana passada, chegou às lojas o disco Roberto Carlos e Caetano Veloso - E a música de Tom Jobim.

Trata-se do registro histórico de um baiano e de um capixaba interpretando o repertório carioquíssimo do maestro Antônio Carlos Jobim, artista que tornou o Rio de Janeiro e a música brasileira universais aos olhos do mundo. O encontro foi promovido pelo Itaú Brasil, como parte das homenagens aos 50 anos do surgimento da Bossa Nova, e resultou em três shows. O disco traz registros dos dois shows realizados no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, nos dias 25 e 26 de agosto (no Rio, o show aconteceu no dia 22, no Theatro Municipal).

Outros detalhes sobre o encontro estão nos seguintes posts deste Emoções de Roberto Carlos:

http://emocoesrc.blogspot.com/2008/08/roberto-carlos-e-caetano-veloso-rio-22.html

http://emocoesrc.blogspot.com/2008/08/uma-bossa-mora.html

Pela primeira vez em quase meio século de carreira, Roberto divide seu trabalho de fim de ano com outro artista - e ninguém menos do que Caetano Veloso, homem que outrora proclamou que "teve coragem de entrar em todas as estruturas e sair de todas elas". O baiano responsável pela revolução musical chamada Tropicália se uniu ao símbolo do movimento de nome Jovem Guarda para ambos cantarem a Bossa Nova, aquele movimento que fez o Brasil "ser desafinado".

Com muita afinação, chegou às lojas de disco este encontro das três trajetórias da Música Popular Brasileira, que comprovam que pra se trazer boa música "é impossível ser feliz sozinho". Pra fazer feliz a quem se ama, nada melhor do que Roberto Carlos e Caetano Veloso - E a música de Tom Jobim". A análise deste trabalho virá de maneira mais completa em breve, logo depois da saída do DVD - este sim, terá o show na íntegra, com suas 20 canções.

Caetano Veloso é um dos convidados do show a ser gravado na HSBC Arena Multiuso, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Mas, ao contrário dos demais convidados (Zezé di Camargo & Luciano, Rita Lee, Neguinho da Beija-Flor e a banda da Beija-Flor de Nilópolis), Caetano aparecerá um pouco mais no programa do dia 25. Foi gravada uma conversa reunindo Roberto e Caetano, mediada pelo múltiplo Nelson Motta - o sujeito simpático que está na foto comigo, mas, infelizmente, ainda não deu notícias se lê o Emoções de Roberto Carlos.

Com tamanha participação no programa, este que vos escreve acredita que ninguém vai dizer "chega de saudade" ao ver o encontro de Roberto Carlos e Caetano Veloso. Mas, certamente, o público vai querer que eles cantem a canção de Tom Jobim e Vinícius de Moraes que encerra o disco-tributo à obra de Tom Jobim.

Segue a letra! Na foto, a capa do disco e do DVD.

Abraços a todos, Vinícius.

CHEGA DE SAUDADE - Tom e Vinícius

Vai, minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer

Chega de saudade, a realidade é que
Sem ela não há paz
Não há beleza, é só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai

Mas se ela voltar, se ela voltar
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que darei na sua boca

Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim

Que é pra acabar com esse negócio de você viver sem mim
Não quero mais esse negócio de você longe de mim
Vamos deixar esse negócio de você viver sem mim...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 18



Olá, amigos.

Com este post, encerramos a série Roberto Carlos e o cinema. Como apresentamos em todos estes posts, RC tem uma larga contribuição para o cinema nacional (e também para filmes estrangeiros), e estas são apenas algumas produções que conseguimos destacar. Roberto participou como figurante de dois filmes em seu início de carreira: Agüenta o rojão e Minha sogra é da polícia, além de participar dos documentários Som alucinante e Saravá, Brasil dos mil espíritos.

E hoje apresentamos um filme no qual Roberto Carlos não só aparece na trilha como no final o cineasta Vicente Amorim faz questão de escrever: "Este filme é dedicado a Roberto Carlos". Lançado em 2003, O caminho das nuvens conta a trajetória de uma família que sai do Nordeste do país em busca de um lugar onde tenham melhores condições financeiras e de trabalho pra viverem.

Romão (vivido por Wagner Moura) faz com que a esposa Rose (interpretada por Cláudia Abreu) e seus filhos partirem pela estrada, sonhando que o último paradeiro deles será num lugar onde ele possa arranjar "um emprego de mil real". Nesta estrada, eles passam por várias situações, confusões e encontram tipos muito curiosos - como a dançarina Sereia (papel de Carol Castro) e o explorador de mulheres Panamá (interpretado por Sidney Magal).

Roberto Carlos segue nessa estrada junto com a família, acompanhando durante todo o filme as venturas e desventuras de Romão, Rose e seus filhos. Ele aparece na voz dos personagens (com Se você pensa, Eu sou terrível e Nossa Senhora), aparece também nas trilhas incidentais em cena (Detalhes e Jesus Cristo) e também no rádio - numa cena emocionante, a família inteira cantarola Amor sem limite junto com a gravação do Roberto.

Em certa altura do filme, RC aparece também. Mas na televisão. Um dos personagens vê na TV Roberto Carlos interpretando As curvas da Estrada de Santos em um número de seu Roberto Carlos Especial.

Mas, certamente, o momento mais bonito de O caminho das nuvens é quando a música de Roberto Carlos sai da boca da personagem Rose, com sotaque forte nordestino. Na época do lançamento do filme, a atriz Cláudia Abreu foi ao programa Altas horas, da TV Globo, e o apresentador Serginho Groisman pediu para que ela cantasse esta música. Cláudia só conseguiu interpretá-la ao vivo quando usou o sotaque nordestino de sua personagem. O que tornou ainda mais delicado o momento musical em que ela, como Rose, cantou a segunda canção do lado A de Roberto Carlos em ritmo de aventura, de 1967, em O caminho das nuvens.

Segue a letra! Na foto, o cartaz de O caminho das nuvens, filme com o qual encerramos a série Roberto Carlos e o cinema.

Abraços a todos, Vinícius.

COMO É GRANDE O MEU AMOR POR VOCÊ - Roberto Carlos

Eu tenho tanto pra lhe falar
Mas com palavras não sei dizer
Como é grande o meu amor por você

E não ha nada pra comparar
Para poder lhe explicar
Como é grande o meu amor por você

Nem mesmo o céu, nem as estrelas
Nem mesmo o mar e o infinito
Não é maior que o meu amor, nem mais bonito

Me desespero a procurar
Alguma forma de lhe falar
Como é grande o meu amor por você

Nunca se esqueça nem um segundo
Que eu tenho o amor maior do mundo
Como é grande o meu amor por você

Nunca se esqueça nem um segundo
Que eu tenho o amor maior do mundo
Como é grande o meu amor por você

Mas como é grande o meu amor por você...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 17



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos e o cinema chega ao seu penúltimo post, trazendo uma inédita ligação entre RC e sua terra natal nas telas cinematográficas. Embora haja festivais de destaque em cidades fora do eixo Rio-São Paulo - como os de Brasília, Recife, Ouro Preto e Gramado (o evento mais "cobiçado" no cinema nacional) - infelizmente os outros locais do país ainda não se caracterizam por terem uma produção constante de longas-metragens (exceção ao Rio Grande do Sul, que apresenta ótimos filmes como Cão sem dono e o recente Ainda orangotangos).

Em 1997, o Espírito Santo finalmente conseguiu furar este bloqueio dos pólos de cinema, e apresentou ao grande público o filme O amor está no ar. A trama tem início nos bastidores do programa sentimental de rádio feito por Lora Berger (interpretada por Eliane Giardini). Um dos rapazes que escrevem para o programa em busca de uma pretendente - Carlos Henrique (papel de Marcos Palmeira) - acaba se envolvendo amorosamente com Lora, e desencadeia uma série de temas abordados no filme.

O que salta primeiro aos olhos é a diferença de idade deste casal que se forma (ela, já na casa dos 40, e ele por volta dos 25 anos). Em seguida, vem a diferença de classes e a tentativa dela em transformar a vida do sujeito simples e atrasado trazendo uma série de regalias - que ele utiliza num primeiro momento, mas depois deixa de lado para se entregar a diversões baratas.

O filme leva também ao público um pouco das belezas de terras capixabas, como o Convento da Penha, e dá destaque à dança folclórica do Espírito Santo - numa das cenas, o personagem de Marcos Palmeira participa de uma festa típica do estado na região conhecida como Barra do Jucu. O elenco ainda traz Suzana Faini, Rosi Campos, Ênio Gonçalves, André Barros, Margareth Galvão e as participações especiais de Ernani Moraes e Paulo Betti (na época, casado com Eliane Giardini). E também tem a memorável atuação de Jacyra Silva, como empregada de Lora - Jacyra faleceria pouco tempo depois do início das filmagens, que tiveram início em 1994.

Assim como Jacyra, o diretor Amylton de Almeida não viu O amor está no ar estrear nos cinemas. Infelizmente, sua saúde foi superada pela burocracia do cinema nacional - e do descaso do resto do país com produções que não sejam do eixo Rio-São Paulo. Descaso que continuou quando o filme passou por estes centros, já que a repercussão foi mínima (e negativa). Nem mesmo o prêmio de Melhor Atriz para Eliane Giardini no Festival de Gramado fez com que o público prestasse atenção nesta, até o momento, única manifestação bem sucedida de longa-metragem feita totalmente no Espírito Santo.

E nada melhor para um filme capixaba do que ter em sua trilha a presença de um dos filhos mais ilustres de sua terra. Roberto Carlos aparece em O amor está no ar com uma música presente no LP de 1972 e que ilustra bem a situação de Lora no filme.

Segue a letra! Na foto, Eliane Giardini e Marcos Palmeira em O amor está no ar.

Abraços a todos, Vinícius.

POR AMOR - Roberto e Erasmo

Eu ouvi dizer que você falou
Que está pensando em voltar pra mim
E se entristece ao saber como eu estou

Mas você precisa saber que eu
Ainda tenho um pouco de orgulho em mim
E embora quase morto eu tenho aquele amor
Mas eu não vou deixar você me ver assim

Minha vida se modificou
Do que eu era nada mais eu sou
Eu me perdi

E no submundo onde estou
Sobrevivo sem saber se vou
Ainda crer no amor
Mesmo sem ter você

Mas se um dia
Se um dia você voltar
Então eu vou ter chance de me levantar

Pois só você me pode
Estender a mão
Mas se não for por amor
Me deixe aqui no chão

Me deixe aqui no chão
Me deixe aqui no chão...

domingo, 7 de dezembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 16


Olá, amigos.

Em seu antpenúltimo post, a série Roberto Carlos e o cinema apresenta mais uma produção cinematográfica estrangeira que teve RC participando de sua trilha musical. E eis que a dupla Roberto Carlos e Erasmo Carlos aportou no cinema de Hollywood!

Com direção de Steven Soderbergh, Doze homens e outro segredo foi lançado em 2004, como continuação do bem sucedido filme Onze homens e um segredo, que fora para as telas do cinema dois anos antes. O filme tem em seu elenco os nomes de Brad Pitt, George Clooney, Catherine Zetha-Jones, Andy Garcia, Matt Damon e Julia Roberts num enredo no qual um grupo de bandidos decide praticar um assalto. Em meio aos desencontros do bando, eles acabam indo parar na Itália, onde vão arriscar um roubo muito mais ousado.

Roberto Carlos aparece em uma das cenas rodadas em terras italianas para Doze homens e outro segredo. Ele aparece através da voz de Ornella Vannoni (cantora que não só gravou várias canções de RC como já interpretou músicas de Toquinho e Vinícius neste idioma), que interpreta a versão italiana de um grande sucesso de Roberto e Erasmo - lançado originalmente por Erasmo em seu LP Erasmo Carlos e Os Tremendões e depois gravado pelos autores da canção no disco Erasmo Carlos convida..., de 1980.

Segue a letra! Na foto, o cartaz de Doze homens e outro segredo.

Abraços a todos, Vinícius.

L'APPUNTAMENTO (Sentado à beira do caminho) - Roberto e Erasmo (versão de Fiorello)

Ho sbagliato tante volte ormai che lo so già
Che oggi quasi certamente
Sto sbagliando su di te ma una volta in più
Che cosa può cambiare nella vita mia...

Accettare questo strano appuntamento
È stata una pazzia!
Sono triste tra la gente
che mi sta passando accanto

ma la nostalgia di rivedere te
È forte più del pianto:
Questo sole accende sul mio volto
Un segno di speranza...

Sto aspettando quando ad un tratto
Ti vedrò spuntare in lontananza!
Amore, fai presto, io non resisto...
Se tu non arrivi non esisto
Non esisto, non esisto...

E cambiato il tempo e sta piovendo
Ma resto ad aspettare
Non m'importa cosa il mondo può pensare
Io non me ne voglio andare.

Io mi guardo dentro e mi domando
Ma non sento niente
Sono solo un resto di speranza
Perduta tra la gente

Amore è già tardi e non resisto...
Se tu non arrivi non esisto
Non esisto, non esisto...

Luci, macchine, vetrine, strade
Tutto quanto si confonde nella mente
La mia ombra si è stancata di seguirmi
Il giorno muore lentamente

Non mi resta che tornare a casa mia
Alla mia triste vita
Questa vita che volevo dare a te
L' hai sbriciolata tra le dita.
Amore perdono ma non resisto...

Adesso per sempre non esisto
Non esisto, non esisto...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 15


Olá, amigos.

A série Roberto Carlos e o cinema traz neste e no próximo post produções estrangeiras que tiveram a participação de Roberto e Erasmo em suas trilhas. Hoje é a vez de mostrarmos uma canção da dupla presente em uma co-produção entre Itália e França.

Datado de 1974, Violência e paixão (título em português para Gruppo di famiglia in un interno, na foto) é o penúltimo filme do cineasta Luchino Visconti, considerado um dos maiores realizadores do cinema italiano. Diretor de Morte em Veneza, Visconti se caracterizava por seu perfeccionismo, em filmes que propunham amplas discussões.

É o caso de Violência e paixão, na qual um professor de ciências (papel de Burt Lancaster) solitário e recluso vê sua tranqüilidade ser abalada com a chegada de um inquilino misterioso para morar no andar de cima. O vizinho rebelde tem um grupo de amigos, que incluem uma marquesa e sua filha (e ambas têm envolvimento sexual com ele) e um rapaz ligado ao marxismo.

Estas pessoas vivem sob o mesmo teto, embora se odeiem mutuamente, e os constantes atritos cada vez mais invadem a privacidade do professor. Através deste enredo, Luchino Visconti coloca na tela conflitos sociais e morais, como os choques entre o tradicional e o novo, a tecnologia em oposição à modernidade, embate entre esquerda e direita. O filme também mostra a dificuldade dos homens se relacionarem pacificamente, frivolidades da aristocracia, solidão e relações familiares.

O filme também impressiona pela delicadez de sua trilha, toda assinada por Franco Mannino. E é um privilégio ter uma canção de Roberto e Erasmo Carlos na música desta produção.

Testarda io, versão em italiano para a canção À distância, lançada no LP de Roberto Carlos no ano de 1972, é interpretada pela cantora Iva Zanicchi. Ela embala uma cena bonita e ousada, na qual o professor observa por uma porta entreaberta um casal trocando carícias.

Segue a letra!

Abraços a todos, Vinícius.

TESTARDA IO (À distância) - Roberto e Erasmo (versão de C. Malgioglio)

Non so mai perchè ti dico sempre si
Testarda Io che ti sento più de così
E intanto porto i segni dentro me
Per le tue strane follie
Per la mia gelosia
La mia solitudine sei tu
La mia rabbia vera sei sempre tu
Ora non mi chiedere perchè
Se a testa bassa vado via
Per ripicca senza te

Io per orgoglio Io no ti salverei
E dei tuoi miti cosa ne farei
E intanto porto i segni dentro me
Di un amore che oramai
Vive solo dentro me

La mia solitudine sei tu
La mia rabbia vera sei sempre tu
Ora non mi chiedere perchè
Se a testa bassa vado via
Per ripicca senza te

Ti manderei all'inferno questo si
Testarda Io che ti sento più di così
E intanto porto i segni dentro me
Per le tue efedità
Per la mia fatalità

La mia solitudine sei tu
La mia rabbia vera sei sempre tu
Ora non mi chiedere perchè
Se a testa bassa vado via
Per ripicca senza te

La mia solitudine sei tu
La tu l'unico mio appiglio sei sempre tu
Ora non mi chiedere perchè
Se a testa bassa vado Io
Per ripicca senza te...

P.S.: JÁ CHEGOU! No Rio de Janeiro chegou o disco de Roberto Carlos e Caetano Veloso interpretando a música de Tom Jobim. Um show fantástico, em homenagem aos 50 anos de Bossa Nova através da safra do maestro soberano.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 14


Olá, amigos.

Hoje, este blogue mostra mais um momento em que a obra de Roberto Carlos e Erasmo Carlos tem seu elo com o cinema. Em especial, porque este filme foi o escolhido como representante do Brasil na disputa pelo Oscar, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, no ano de 2007.

Lançado em 2006, O ano em que meus pais saíram de férias tem direção de Cao Hamburguer (em seu segundo longa-metragem), e usa o título inocente para "camuflar" as condições nas quais algumas pessoas tiravam férias durante os lamentáveis "anos de chumbo". Só que, ao contrário dos muitos e excelentes filmes anteriores sobre recortes do período militar (Pra frente, Brasil, de Roberto Farias, e O que é isso, companheiro?, de Bruno Barreto), este filme é visto sob a ótica de uma criança.

O menino Mauro (papel de Michael Joelsas) se vê aos 12 anos distante dos pais, perseguidos pela repressão militar, e tendo de se acostumar a uma nova vida, trocando Belo Horizonte por São Paulo. Apesar do universo cinza na política brasileira, é o universo verde e amarelo que passa diante do olhar de Mauro - os jogos da Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo de 1970, e a vontade do garoto em crescer e se tornar um goleiro. E também durante o torneio de futebol, o menino anseia pela volta dos pais que "saíram de férias".

Conhecido por ser durante anos diretor do programa infantil Castelo Rá-Tim-Bum (e diretor do longa-metragem baseado no programa), exibido na TV Cultura, Cao Hamburguer transpõe com sensibilidade para a tela o recorte de uma criança sendo inserida num universo de adultos. No elenco do filme ainda estão Caio Blat, Liliana Castro, Simone Spoladore, Paulo Autran (em uma participação especial) e Germano Haiut - no papel do judeu Shlomo, um judeu que ensina muita coisa a Mauro.

O ano em que meus pais saíram de férias tem em sua trilha musical - assinada por Beto Villares - a participação de Roberto Carlos como cantor. De acordo com Hamburguer, o filme foi exibido ao próprio Roberto que, sensibilizado com a temática e com a história contada no longa-metragem, aceitou liberá-la.

Embora o título do filme seja parecido com uma canção que RC gravou em seu LP de 1972 - Quando as crianças saírem de férias - a música de seu repertório escolhida é a que abre o disco Roberto Carlos em ritmo de aventura, de 1967. E contribui para que a cena seja pontual no longa dirigido por Cao Hamburguer.

Segue a letra! Na foto, o cartaz do filme, que tentou levar RC rumo ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Abraços a todos, Vinícius.

EU SOU TERRÍVEL - Roberto e Erasmo

Eu sou terrível
E é bom parar
De desse jeito
Me provocar

Você não sabe
De onde eu venho
O que eu sou
E o que tenho

Eu sou terrível
Vou lhe dizer
Que ponho mesmo
Pra derreter

Estou com a razão no que digo
Não tenho medo nem do perigo
Minha caranga é máquina quente

Eu sou terrível
E é bom parar
Porque agora
Vou decolar

Não é preciso
Nem avião
Eu vôo mesmo
Aqui do chão

Eu sou terrível
Vou lhe contar
Não vai ser mole
Me acompanhar

Garota que andar do meu lado
Vai ver que eu ando mesmo apressado
Minha caranga é máquina quente
Eu sou terrível, eu sou terrível

Eu sou terrível...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 13



Olá, amigos.

Este blogue prestigia hoje o encontro de Roberto Carlos com um grande seriado da televisão brasileira, que ocorreu graças à magia do cinema. No ano passado estreou A grande família - o filme, versão cinematográfica envolvendo a família Silva presente todas as quintas-feiras na TV Globo. A história acontece quando Lineu (papel de Marco Nanini) está prestes a saber se tem um problema de saúde que pode levá-lo à morte, e começa a refletir sobre como viveu e como cuidou de sua família - a esposa Nenê, os filhos Tuco e Bebel e o genro Agostinho (respectivamente, Marieta Severo, Lúcio Mauro Filho, Guta Stresser e Pedro Cardoso).

Além de ter também a participação dos personagens fixos no seriado - a cabelereira Marilda (interpretada por Andréa Beltrão), o chefe da repartição de Lineu, Mendonça (a cargo de Tonico Pereira) e o dono de pastelaria Beiçola (vivido por Marcos Oliveira) - o filme tem Paulo Betti como Carlinhos e Dira Paes como Marina. Uma homenagem a um programa de televisão que, depois de 35 anos de sua primeira vez na TV, chegou ao cinema.

Criado por Oduvaldo Vianna Filho e Armando Costa, A grande família estreou em 26 de outubro de 1972, tendo no elenco Jorge Dória (Lineu), Eloísa Mafalda (dona Nenê), Brandão Filho (seu Flor), Luiz Armando Queiroz (Tuco), Djenane Machado (Bebel), Paulo Araújo (Agostinho) e Osmar Prado (Júnior). Inicialmente, o seriado era uma adaptação do humorístico americano Tudo em família, mas a rejeição do público fez com que os autores reformulassem para "abrasileirar" a 'grande família'.

Em época de Ditadura Militar, Vianinha colocou o personagem Júnior para fazer críticas sociais e políticas. Quase sempre suas falas eram censuradas, assim como alguns episódios. No segundo ano da série, a atriz Djenane Machado pediu para sair, alegando ter "receio de ficar marcada pela personagem". Maria Cristina Nunes entrou em seu lugar no papel de Bebel.

Depois de 112 episódios, A grande família foi ao ar pela última vez em 27 de março de 1975. Alguns meses antes, Vianinha tinha falecido em função de um câncer no pulmão. Paulo Pontes chegou a substituí-lo como redator principal, mas desistiu por não se sentir em condições psicológicas.

Quase três décadas depois, A grande família voltou, tendo dentre seus redatores Cláudio Paiva, Adriana Falcão e Bernardo Guilherme. O personagem Júnior não voltou nesta reedição, e os personagens foram inseridos na atualidade pós-século XXI. Originalmente, ela ia ao ar no horário das 23h das quintas-feiras, depois do policial Linha direta. Só mesmo quando, em função dos horários da Copa do Mundo de 2002, o seriado foi exibido na primeira linha da TV Globo (termo designado para o horário de depois da novela das 21h) às quartas-feiras, a emissora decidiu inverter o horário de quinta: primeiro, A grande família e depois, Linha direta.

A grande família sofreu um outro baque. Em 24 de julho de 2003, o ator Rogério Cardoso, que interpretava seu Flor, o pai de Nenê, faleceu aos 66 anos. No primeiro episódio sem o ator, a cena inicial trouxe Nenê colocando os pratos na mesa chamando os nomes da família e, ao final, ela suspirava dizendo não se acostumar a ficar sem o pai. Felizmente, o seriado manteve o bom nível, graças ao ótimo elenco e à qualidade do texto. E agora em 2007 chegou aos cinemas, e só na primeira semana chegou a 300 mil espectadores.

Roberto Carlos está presente em A grande família - o filme com três músicas. Uma como autor, com Gatinha manhosa, interpretada pelo outro autor da canção - Erasmo Carlos, e nas outras duas como intérprete. Uma delas é Esqueça, gravação de seu LP de 1966. A outra tem o privilégio de ser o tema de dona Nenê em seus encontros e desencontros na "grande família". A faixa fez parte do LP de RC no ano de 1977.

Seguem as letras! Na foto, o pôster de A grande família - o filme.

Abraços a todos, Vinícius.

GATINHA MANHOSA - Roberto e Erasmo

Meu bem
Já não precisa
Falar comigo
Dengosa assim...

Briga, para depois
Ganhar mil carinhos de mim
Se eu aumento a voz
Você faz beicinho
E chora baixinho
E diz que a emoção
Dói seu coração...

Já, não acredito
Se você chora
Dizendo me amar
Eu sei que na verdade
Carinhos você quer ganhar...

Um dia gatinha manhosa
Eu prendo você
No meu coração
Quero ver você
Fazer manha então
Presa no meu coração
Quero ver você..

*****

ESQUEÇA - Mark Anthony (versão de Roberto Côrte Real)

Esqueça, se ele não te ama
Esqueça, se ele não te quer
Não chore mais, não sofra assim
Porque posso te dar amor sem fim

Ele não pensa em querer-te
Te faz sofrer e até chorar, oh, oh,
Não chore mais, vem pra mim, vem
Não sofra, não pense, não chore mais, meu bem

Esqueça! Esqueça! Não chore mais, esqueça!

Ele não pensa em querer-te
Te faz sofrer e até chorar, oh, oh,
Não chore mais, vem pra mim, vem
Não sofra, não pense, não chore mais, meu bem

Não chore mais, meu bem...

*****

OUTRA VEZ - Isolda

Você foi o maior dos meus casos
De todos os abraços o que eu nunca esqueci
Você foi dos amores que eu tive
O mais complicado e o mais simples pra mim

Você foi o melhor dos meus erros
A mais estranha história que alguém já escreveu
E é por essas e outras
Que a minha saudade faz lembrar de tudo outra vez

Você foi a mentira sincera
Brincadeira mais séria que me aconteceu
Você foi o caso mais antigo
O amor mais amigo que me apareceu

Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim
Outra vez

Esqueci de tentar te esquecer
Resolvi te querer por querer
Decidi te lembrar quantas vezes
Eu tenha vontade sem nada perder

Ah... você foi toda a felicidade
Você foi a maldade que só me fez bem
Você foi o melhor dos meus planos
E o maior dos enganos que eu pude fazer

Das lembranças que trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim
Outra vez...

sábado, 29 de novembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 12


Olá, amigos.

No post de hoje, o blogue Emoções de Roberto Carlos orgulhosamente apresenta na série Roberto Carlos e o cinema uma participação de RC em outra vertente do cinema nacional. Trata-se da seção "infanto-juvenil" presente nas telas do cinema tupiniquim.

Depois de espaço para os filmes de Renato Aragão (primeiro com o grupo Os Trapalhões e, nos anos mais recentes, em apresentações protagonizadas somente por ele) e de Xuxa, no final do século XXI foi a vez de outra apresentadora de TV ligada ao público infantil chegar às telonas. Em janeiro de 1999, Angélica protagonizou pela primeira vez uma produção do cinema nacional.

Rodado no ano anterior, o filme Zoando na TV começa quando Ulisses (vivido por Márcio Garcia), um rapaz viciado em televisão que, seduzido pela sensual Lana Love (interpretada por Danielle Winnits), entra pelo tubo de imagem da TV e lá fica preso. Angel (papel de Angélica) faz o mesmo caminho do noivo, para resgatá-lo de volta ao mundo real e, enfim, conseguir fazer com que os dois se casem como manda o figurino. Entretanto, eles vão passar por várias situações no universo da televisão, e conhecer figuras malucas, como o galã Rodolfo Augusto (boa atuação de Miguel Falabella), Bolão (feito pelo saudoso Bussunda) e Monique (vivida por Paloma Duarte). No elenco, ainda estão Nicette Bruno, Lupe Giglioti, Oscar Magrini, Sérgio Loroza e Maria Padilha.

Com este filme, a Globo Filmes realizou sua segunda produção cinematográfica (a primeira foi Simão, o fantasma trapalhão, no ano anterior), na época dirigida por Daniel Filho. A empresa criada pela Rede Globo de Televisão já está em seu décimo ano, e se caracteriza pelo grande investimento ao cinema brasileiro (em 2008, a Globo Filmes lançou Chega de saudade, Meu nome não é Johnny e A casa da Mãe Joana).

Zoando na TV passou perto do um milhão de telespectadores, pois, aliado ao nome de Angélica (na época apresentando o programa Angel Mix nas manhãs de segunda a sexta da TV Globo), o filme trouxe a participação musical do conjunto Jota Quest. Na época, o grupo musical estava em ascensão na mídia.

Roberto Carlos aparece neste filme infanto-juvenil através da voz da própria Angélica. Ao final de Zoando na TV, ela interpreta uma canção de Roberto e Erasmo que fala sobre a ligação de um fã com o universo televisivo. Primeira faixa do lado B do LP de Roberto lançado em 1982, a música fala sobre a confusão entre ficção e realidade causada pela TV. Um dado curioso: em sua gravação, Angélica trocou as citações "masculinas" da gravação original de Roberto Carlos (afinal, ela escreve "pro mocinho", e não "pra mocinha").

Segue a letra original! Na foto, o cartaz do filme Zoando na TV.

Abraços a todos, Vinícius.

MEUS AMORES DA TELEVISÃO - Roberto e Erasmo

Meus amores da televisão
Fantasias do meu coração
Minha mente sai da realidade eu posso ter

Em cada meia hora um sonho a cores pra viver
Elas me conduzem muito além
Da minha imaginação, que confusão

Uma delas diz: te quero sim
É na TV e eu penso que é pra mim
Num impulso esqueço a minha timidez de fã
Busco o meu talento e me transformo em seu galã
E quando me aproximo e me preparo para o beijo do final
Comercial!

Diferentes emoções todos os dias
Ilusões, fantasias
E até depois do meu adormecer
São estrelas dos programas
Que em meus sonhos posso ter

Quando me apaixono pra valer
Certas cenas eu nem quero ver
No dia de uma delas se casar quase morri
Felizmente faltou luz no bairro e eu não vi
Mas no outro dia a pedidos do meu bairro
Que não viu, se repetiu

Tem alguém que escreve pra mocinha
Cartas de amor iguais às minhas
E hoje na novela todo mundo vai saber
Quem é esse que ela ama e trata de esconder
Só falta ela dizer que o autor
Das cartas que ela recebeu, sou eu

Diferentes emoções todos os dias
Ilusões, fantasias
E até depois do meu adormecer
São estrelas dos programas
Que em meus sonhos posso ter

Meus amores da televisão
Fantasias do meu coração...

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 11


Olá, amigos.

Depois de mostrar nos últimos posts canções de Roberto e Erasmo Carlos presentes em filmes marcados pela violência e pelo drama (Pedro Diabo ama Rosa Meia-Noite, República dos assassinos, Eu matei Lúcio Flávio, O marginal), este blogue traz hoje uma comédia na qual a voz de RC esteve presente. E ainda mais ao lado de grandes comediantes brasileiros.

Jesus Cristo, eu estou aqui traz Costinha contracenando com nada menos que Zé Trindade, Colé, Sônia Mamede e Rodolfo Arena. Costinha vivia um padre que tentava se dar bem e armava várias presepadas numa cidade interiorana.

Lançado em 1971, Jesus Cristo, eu estou aqui surpreende pelo anacronismo. Trata-se de uma chanchada, na qual o elenco de humoristas e uma série de piadas e situações ingênuas pautam o filme. Isto duas décadas depois do gênero (que foi mais bem sucedido na Atlântida, com nomes como Oscarito e Grande Otelo) se desgastar, com a ascensão de um grupo que realizava filmes engajados que inspirariam o Cinema Novo, e numa época em que o cinema brasileiro caminhava para o apelo rasteiro das comédias eróticas - as célebres pornochanchadas.

O filme tem a direção de Mozael Silveira, que, mais tarde, também direcionou sua carreira como ator e diretor de cinema para as comédias eróticas (que são inocentes aos olhos da sociedade do século XXI). Ele assina a direção de "pérolas" como O erótico virgem, Sete mulheres para um homem só, Secas e molhadas e Seu Florindo e suas duas mulheres.

Bem, como vocês podem perceber, além de trazerem um repertório que passeia pelos vários estilos da música brasileira, Roberto e Erasmo Carlos também embalaram trilhas diferentes que o cinema do Brasil tomou. Não é necessário dar muitas explicações sobre a canção que fez parte deste filme - o título dele foi retirado do refrão da música lançada no LP de 1970.

Segue a letra! Na foto (infelizmente não há registro fotográfico do filme), o comediante Costinha.

Abraços a todos, Vinícius.

JESUS CRISTO - Roberto e Erasmo

Jesus Cristo, Jesus Cristo
Jesus Cristo, eu estou aqui...

Olho pro céu e vejo
Uma nuvem branca que vai passando
Olho na terra e vejo
Uma multidão que vai caminhando
Como essa nuvem branca
Essa gente não sabe aonde vai
Quem poderá dizer o caminho certo
É Você meu Pai

Jesus Cristo, Jesus Cristo
Jesus Cristo, eu estou aqui...

Toda essa multidão
Tem no peito amor e procura a paz
E apesar de tudo
A esperança não se desfaz
Olhando a flor que nasce
No chão daquele que tem amor
Olho pro céu e sinto
Crescer a fé no meu Salvador

Jesus Cristo, Jesus Cristo
Jesus Cristo, eu estou aqui...

Em cada esquina eu vejo
O olhar perdido de um irmão
Em busca do mesmo bem
Nessa direção caminhando vem

É meu desejo ver
Aumentando sempre essa procissão
Para que todos cantem
Na mesma voz essa oração

Jesus Cristo, Jesus Cristo
Jesus Cristo, eu estou aqui...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 10


Olá, amigos.

A série Roberto Carlos e o cinema apresenta mais uma vez uma ligação de RC com o cinema nacional - numa pesquisa que vem trazendo de volta até mesmo filmes que atualmente não são tão lembrados na cinemateca brasileira. É o caso do filme que mostramos hoje.

Com direção de Miguel Faria Jr. (mesmo diretor do filme que mostramos anteriormente aqui - República dos assassinos), Pedro Diabo ama Rosa Meia-Noite é mais uma trama de amor bandido retratada no cinema nacional. Pedro Diabo (interpretado por Paulo César Peréio) é um homem sem perspectivas financeiras ou sociais que se envolve com uma mulher misteriosa de nome Rosa Meia-Noite (vivida por Susana Moraes). Os dois então começam um amor bandido, num roteiro muito bem feito escrito por Miguel Faria Jr. em parceria com Armando Costa - conhecido do grande público por, ao lado de Oduvaldo Vianna Filho, ter criado a primeira versão do programa A grande família (este programa estará aqui na nossa série, num dos próximos posts). No elenco ainda estão os atores Roberto Bonfim, Mário Lago, Isabella e Wilson Grey.

Outro dado curioso: a atriz Susana Moraes é filha do "poetinha" Vinícius de Moraes e foi casada com o cineasta Miguel Faria Jr. Décadas mais tarde, os dois assinariam a direção do filme Vinícius, documentário sobre o pai de Susana.

Roberto Carlos embala o romance conturbado de Pedro Diabo e Rosa Meia-Noite - que traz também muitas cenas de ciúme. Ciúme como naquela canção que RC interpretou em seu LP O inimitável.

Segue a letra! Na foto, Paulo César Peréio (não temos registro do filme original).

Abraços a todos, Vinícius.

CIÚME DE VOCÊ - Luiz Ayrão

Se você demora mais um pouco
Eu fico louco esperando por você
E digo que não me preocupa
Procuro uma desculpa, mas que todo mundo vê
Que é ciúme, ciúme de você
Ciúme de você, ciúme de você

Se você põe aquele seu vestido
Lindo e alguém olha pra você
Eu digo que já não gosto dele
Que você não vê que ele está ficando “demodé”
Mas é ciúme, ciúme de você
Ciúme de você, ciúme de você

Esse telefone que não pára de tocar
Está sempre ocupado
Quando eu penso em lhe falar
Quero então saber logo quem lhe telefonou
Que disse, o que queria e o que você falou
Só de ciúme, ciúme de você
Ciúme de você, ciúme de você

Se você me diz que vai sair
Sozinha eu não deixo você ir
Entenda que o meu coração
Tem amor demais, meu bem, e essa é a razão
Do meu ciúme, ciúme de você
Ciúme de você, ciúme de você

Do meu ciúme, ciúme de você, ciúme de você
Do meu ciúme, ciúme de você...

domingo, 23 de novembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 9



Olá, amigos.

Dando prosseguimento à série Roberto Carlos e o cinema, hoje este blogue apresenta mais um momento do cinema nacional que teve trilha de RC. Através destes posts, o blogue Emoções de Roberto Carlos busca mostrar a ligação de Roberto Carlos com o cinema e também colocar em evidência filmes brasileiros que merecem ser assistidos.

É o caso do filme de hoje. Com direção de Miguel Faria Jr., República dos assassinos foi lançado em 1979, na versão cinematográfica do livro A república dos assassinos, de Aguinaldo Silva. O autor (mais conhecido por seu trabalho como escritor de telenovelas) ajudou Miguel Faria Jr. e Leopoldo Serran na adaptação de sua história para o cinema.

A "república dos assassinos" que aparece no título é a chamada "Os Homens de Aço", um bando de policiais corruptos liderados por Mateus Romeiro (papel de Tarcísio Meira), e que traz também Erasmo, Gringo, Alcino e Lacerda (respectivamente, Paulo Vilaça, Milton Moraes, Vinícius Salvatori e Ivan de Almeida). O travesti Eloína (ótima atuação de Anselmo Vasconcellos), que tem um envolvimento amoroso com o puxador de carros Carlinhos (vivido por Tonico Pereira), e a cantora Marlene Santos (papel de Sandra Bréa), ex-namorada de Mateus Romeiro, aparecem em alguns momentos recordando as ações deste esquadrão da morte, e contam também as histórias que ficaram ao redor dele: a imprensa corrupta de Gilberto Martins (feito por José Lewgoy), dono do jornal O Diário Carioca, e a filha dele, Regina (interpretada por Sylvia Bandeira).

Com um roteiro muito bem estruturado e atuações primorosas - em especial a de Anselmo Vasconcellos, que faz do travesti Eloína um dos grandes personagens do cinema brasileiro, República dos assassinos é, certamente, um registro fantástico do "cinema criminal" feito no Brasil. Corrupção, cinismo e marginalidade aparecem no filme de Miguel Faria Jr. sem preocupação com pudores ou com caricaturas.

Aliado a isto, o filme traz uma trilha sob medida - o compositor Chico Buarque fez especialmente para esta produção as canções Sob medida e Não sonho mais. E também trouxe Roberto Carlos em seu repertório musical.

RC "participa" de uma cena que causou polêmica na época. A penúltima faixa do lado B de seu LP de 1977 seria o fundo musical do beijo na boca entre os personagens Carlinhos e Eloína - a letra de Isolda ajudava o travesti a se lembrar da saudade que ela gostava de ter de seu amante puxador de carros.

Segue a letra! Na foto, Anselmo Vasconcellos e Tonico Pereira em República dos assassinos.

Abraços a todos, Vinícius.

OUTRA VEZ - Isolda

Você foi o maior dos meus casos
De todos os abraços o que eu nunca esqueci
Você foi dos amores que eu tive
O mais complicado e o mais simples pra mim

Você foi o melhor dos meus erros
A mais estranha história que alguém já escreveu
E é por essas e outras
Que a minha saudade faz lembrar de tudo outra vez

Você foi a mentira sincera
Brincadeira mais séria que me aconteceu
Você foi o caso mais antigo
O amor mais amigo que me apareceu

Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim
Outra vez

Esqueci de tentar te esquecer
Resolvi te querer por querer
Decidi te lembrar quantas vezes
Eu tenha vontade, sem nada perder

Ah... você foi toda a felicidade
Você foi a maldade que só me fez bem
Você foi o melhor dos meus planos
E o maior dos enganos que eu pude fazer

Das lembranças que trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim
Outra vez...

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 8


Olá, amigos.

A série Roberto Carlos e o cinema traz mais um filme no qual o repertório de RC apareceu em sua trilha musical. E desta vez, Roberto Carlos apareceu nas telas num contexto de submundo do crime - cenário que até hoje é fonte constante da cinematografia brasileira.

Dirigido por Antônio Calmon (que se tornou mais tarde um autor de novelas - atualmente escreve a novela da faixa das 19h da programação global, Três irmãs), Eu matei Lúcio Flávio entrou em circuito no ano de 1979 e se revelou uma grata surpresa para os cinéfilos nacionais. Em função do título, parecia que Calmon somente estaria se aproveitando de outro grande sucesso de bilheteria policial - Lúcio Flávio, passageiro da agonia, dirigido por Hector Babenco e lançado dois anos antes - para conseguir ser bem sucedido diante do público.

Entretanto, as semelhanças entre os filmes de Antônio Calmon e Hector Babenco ficam restritas a ter em seus respectivos títulos o nome de um dos criminosos mais famosos dos anos 70 - o carioca Lúcio Flávio, que aterrorizou o Rio de Janeiro com uma onda de crimes. Enquanto o filme de 1977 fala sobre o próprio criminoso (baseado no livro de José Louzeiro), Eu matei Lúcio Flávio tem como protagonista um policial que estava inserido num grupo da polícia famoso no Rio de Janeiro.

Baseado em fatos reais, o filme conta a história de Mariel Maryscott (vivido por Jece Valadão), um ex-salva vidas e ex-guarda-costas que passa a integrar o grupo de extermínio conhecido como "Esquadrão da Morte". A história deste "personagem da vida real" se divide entre sua ação no grupo dos "Homens de ouro" do esquadrão - e daí vem o título do filme, pois Lúcio Flávio (interpretado por Paulo Ramos) é o bandido que Mariel mais deseja capturar - e um relacionamento conturbado com a prostituta Margarida Maria (papel de Monique Lafond).

Eu matei Lúcio Flávio
é mais um dos muitos filmes da década de 1970 que tiveram como "mote" a violência e a ação de bandidos - além dele, vieram produções como Terror e êxtase (também de Antônio Calmon), Ódio (de Carlo Mossy) e O caso Cláudia (de Miguel Borges). Tratam-se de precursores do atual panorama do cinema brasileiro - que voltou a apresentar filmes que abordam o universo criminal, como Cidade de Deus, Carandiru, Tropa de elite, Era uma vez e Última parada 174.

Roberto Carlos aparece em Eu matei Lúcio Flávio num momento muito chocante, que mostra que nem sempre canções dele, de Erasmo e de outros artistas da nossa música. Os policiais botam o LP de 1978 para tocar enquanto Mariel Maryscott e um de seus comparsas de Esquadrão da Morte (feito por Anselmo Vasconcellos) torturam um criminoso. Afinal, segundo o lema do grupo de extermínio, "marginal tem que morrer". E o crime mostrado no filme acontecia no mesmo momento em que o som do ambiente tocava a homenagem que Roberto fez para sua mãe no ano anterior ao lançamento do filme.

Segue a letra! Na foto, Jece Valadão e Monique Lafond em uma das cenas mais bonitas de Eu matei Lúcio Flávio: Mariel carrega nos braços a amante Margarida Maria até encontrar um cemitério.

Abraços a todos, Vinícius.

LADY LAURA - Roberto e Erasmo

Tenho às vezes vontade de ser
Novamente um menino
E na hora do meu desespero
Gritar por você

Te pedir que me abrace
E me leve de volta pra casa
Que me conte uma história bonita
E me faça dormir

Só queria ouvir sua voz
Me dizendo sorrindo:
Aproveite o seu tempo
Você ainda é um menino

Apesar da distância e do tempo
Eu não posso esconder
Tudo isso eu às vezes preciso
Escutar de você

Lady Laura, me leve pra casa
Lady Laura, me conte uma história
Lady Laura, me faça dormir
Lady Laura

Lady Laura, me leve pra casa
Lady Laura, me abrace forte
Lady Laura, me faça dormir
Lady Laura

Quantas vezes me sinto perdido
No meio da noite
Com problemas e angústias
Que só gente grande é que tem

Me afagando os cabelos
Você certamente diria:
Amanhã de manhã
Você vai se sair muito bem

Quando eu era criança
Podia chorar nos seus braços
E ouvir tanta coisa bonita
Na minha aflição

Nos momentos alegres
Sentado ao seu lado sorria
E nas horas difíceis podia
Apertar sua mão

Lady Laura, me leve pra casa
Lady Laura, me conte uma história
Lady Laura, me faça dormir
Lady Laura

Lady Laura, me leve pra casa
Lady Laura, me abrace forte
Lady Laura, me faça dormir
Lady Laura

Tenho às vezes vontade
De ser novamente um menino
Muito embora você sempre ache
Que eu ainda sou

Toda vez que te abraço
E te beijo sem nada dizer
Você diz tudo que eu preciso
Escutar de você

Lady Laura, me leve pra casa
Lady Laura, me conte uma história
Lady Laura, me faça dormir
Lady Laura

Lady Laura, me abrace forte
Lady Laura, me faça dormir
Lady Laura, me beije outra vez
Lady Laura

Lady Laura, Lady Laura, Lady Laura...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 7


Olá, amigos.

A série Roberto Carlos e o cinema traz hoje mais um momento no qual a obra de RC rasgou as telas do cinema - e apresenta uma canção menos conhecida da dupla, mas que é uma verdadeira preciosidade. Assim como Os 7 gatinhos e Os machões, esta música foi escrita por Roberto e Erasmo especialmente para o filme.

Lançado em 1974, O marginal conta a história de Vavá (vivido por Tarcísio Meira), um ex-detento que, ao sair da prisão, tenta refazer sua vida longe do crime. O filme surpreende por trazer diálogos muito fortes e por um roteiro, infelizmente, muito próximo da realidade de criminosos. Manga estava cercado por pessoas competentes para fazer O marginal - o argumento foi elaborado por Dias Gomes, os diálogos e as cenas adicionais foram escritos por Lauro César Muniz e o elenco traz, além de Tarcísio Meira, os nomes de Darlene Glória, Vera Gimenez, Francisco Di Franco, Edney Giovenazzi e Anselmo Duarte.

Este é o único filme policial dirigido por Carlos Manga. No cinema, ele se destaca como diretor das chanchadas da Atlântida e, mais tarde, por filmes do grupo Os Trapalhões - além de ter sido diretor do programa Jovem Guarda, na TV Record. Manga também tem uma carreira sólida na TV, na direção de programas humorísticos, como Chico Anysio Show.

Um dado curioso: quando estava em circuito, mesmo com O marginal fazendo um número considerável de público, os grupos de cinema decidiram tirá-lo de cartaz para darem destaque ao filme O exorcista. Diante daquela situação ("preferiram dar espaço pra aquela menina que vomitava verde"), Carlos Manga decidiu abandonar de vez a direção de cinema, e passou a se dedicar exclusivamente à televisão.

A música-tema do filme é interpretada por Wilson Miranda - cantor que aparecia muito nas trilhas de novelas lançadas pela Som Livre na década de 1970. É através da voz dele que Roberto e Erasmo contam um pouco da triste história do marginal Vavá.

Segue a letra! Na foto, Tarcísio Meira em cena de O marginal.

Abraços a todos, Vinícius.


O MARGINAL - Roberto e Erasmo

Quando ele acordou
Pela janela pôde ver
Tudo diferente
Do que um dia ele quis

Tantos sonhos coloridos
Se modificaram
Tantas esperanças
Que nunca se encontraram

A solidão maior
Doeu naquela hora
Presa no seu peito
Como marcas do passado

Nessa longa estrada
Procurando o que era seu
Toda sua vida
No caminho se perdeu

Dor nas mãos
Sua cabeça dolorida
Pela paz que foi perdida
Como alguém que não viveu

Pra que nasceu
Se não viveu?
Pra que nasceu
Se não viveu...

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 6



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos e o cinema recorda hoje um registro cinematográfico no qual Roberto ajudou a fazer a trilha do parceiro Erasmo Carlos como ator. E numa situação na qual o Tremendão adora: com muito, mas muito bom humor.

Dirigido por Reginaldo Faria, a comédia Os machões entrou em cartaz no ano de 1972, colocando em evidência um trio de amigos (vividos por Reginaldo Faria, Flávio Migliaccio e Erasmo Carlos) que, além de terem pouco dinheiro, também estão em busca de mulheres. Depois de numa das noitadas encontrarem um travesti, os três decidem fingir que são homossexuais para ficarem mais próximos de belas mulheres. Entretanto, no decorrer do filme eles começam a ter dúvidas sobre suas opções sexuais. No elenco, ainda estão Mário Benevenutto, Tânia Scher e Elke Maravilha

Em um primeiro momento, o filme receberia o nome de Os bonecas, mas a censura vetou, e o título acabou sendo Os machões. Numa época em que o cinema brasileiro era feito sem grandes recursos, havia mais espaço para filmes despretensiosos como estes - casos de Pra quem fica, tchau e Os paqueras. Atualmente, Os machões é exibido na programação do Canal Brasil (número 66 da NET/Sky), geralmente na parte da madrugada (ele é considerado uma comédia erótica).

Roberto e Erasmo aparecem como compositores nesta comédia de Reginaldo Faria. É através da canção deles que aparece a situação deste grupo de "machões" no mundo cão. Interpretada por Erasmo Carlos (que, como ator, recebeu a Coruja de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante), a música foi lançada no LP Sonhos e memórias 1941/1972, mas apareceu no filme com arranjo diferente (feito por Chiquinho de Moraes) do disco.

Segue a letra! Na foto, uma cena do filme Os machões.

Abraços a todos, Vinícius.

MUNDO CÃO - Roberto e Erasmo

Companheiro, seu mundo perfeito não foi feito
Que diria o criador se aqui chegasse e não entrasse
Nesse mundo cão
Eu não fico não

Quando você não morre dormindo
Pode ir se despedindo
Sua festa já acabou e você não brincou
Nesse mundo cão
Eu não fico não

Dizem que a morte agora é sorte
O castigo é pra quem sua vida encerra
E continua aqui na terra
Nesse mundo cão
Eu não fico não

Povos jogam pedras, outros não se dão a mão
Nesse mundo cão
Eu não fico não

Isso pode acontecer com todo mundo
Pode acontecer comigo, como castigo
Não que eu tenha medo do perigo
Mas disso eu tenho medo
Muito medo, meu amigo...

sábado, 15 de novembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 5



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos e o cinema traz hoje mais um momento cinematográfico no qual a obra de RC esteve próxima da safra de Nelson Rodrigues. O universo "rodrigueano" já foi adaptado muitas vezes para o cinema (e, no ano que vem, estará nas telas novamente, com a filmagem de uma adaptação da peça Bonitinha, mas ordinária, feita por Moacyr Góes), e o filme que mostramos hoje foi um dos que mais teve repercussão internacional para a obra do "anjo pornográfico".

No ano de 1973, o cineasta Arnaldo Jabor (atualmente conhecido por seu trabalho como cronista político na televisão e na imprensa) levou para as telas os personagens de Toda nudez será castigada, com todas as neuroses e obsessões comuns dos tipos criados por Nelson Rodrigues. Para muitos, Jabor foi responsável por uma das melhores visões cinematográficas da obra do dramaturgo - anos mais tarde, ele adaptaria Nelson Rodrigues novamente para o cinema (O casamento, baseado no romance homônimo do dramaturgo).

Em Toda nudez será castigada há a figura de Herculano (interpretado por Paulo Porto), um homem tradicionalista que, ao ficar viúvo, prometeu a seu filho Serginho (papel de Paulo Sacks) que nunca mais teria outra mulher. Entretanto, o irmão Patrício (vivido por Paulo César Peréio), homem que vive às custas de Herculano, decide interceder para que sua única fonte de renda não se perca - afinal, Herculano permanece muito abalado por sua viuvez.

Patrício mostra a ele uma foto de Geni (feita por Darlene Glória), uma prostituta e cantora de bordel, e um dia, totalmente embriagado, Herculano passa a noite com ela. Com o tempo, Geni e Herculano se envolvem cada vez mais, o que desencadeia uma série de situações na família tradicional - dentre elas, a oposição das tias e de Serginho com este segundo casamento de Herculano. No elenco, ainda estão os atores Isabel Ribeiro, Elza Gomes e Sérgio Mamberti.

Através deste filme, Darlene Glória passou a ter seu talento reconhecido no mundo todo - sua interpretação fascinante para a prostituta Geni rendeu a ela o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim, na Alemanha. Toda nudez será castigada também recebeu os prêmios de Melhor Filme e de Melhor Atriz (novamente para Darlene Glória) no Festival de Gramado.

No entanto, houve uma situação muito curiosa para esta adaptação cinematográfica da obra de Nelson Rodrigues. No mesmo período em que o filme fazia sucesso no mercado internacional, em terras brasileiras o país não podia assistí-lo. O chefe da censura considerou o filme "imoral" e o proibiu de ser exibido nas telas do país - e só voltaria a ser liberado diante do tamanho sucesso no exterior.

A trilha de Toda nudez será castigada recebeu menção honrosa no Festival de Gramado - em especial pelas composições de Astor Piazzolla. E, em meio a esta parte musical, novamente estava uma canção da safra de Roberto Carlos.

Na cena em que Patrício tenta convencer Geni a se envolver com Herculano, ao fundo do ambiente da boate está uma das canções mais cultuadas da obra de Roberto e Erasmo. A música, que abre o LP de 1971, foi mais um ótimo detalhe deste filme muito grande e inesquecível da cinematografia nacional.

Segue a letra! Na foto, o cartaz de Toda nudez será castigada.

Abraços a todos, Vinícius.

DETALHES - Roberto e Erasmo

Não adianta nem tentar me esquecer
Durante muito tempo em sua vida, eu vou viver
Detalhes tão pequenos de nós dois
São coisas muito grandes pra esquecer
E toda hora vão estar presentes, você vai ver

Se um outro cabeludo aparecer na sua rua
E isso lhe trouxer saudades minhas, a culpa é sua
O ronco barulhento do seu carro
A velha calça desbotada ou coisa assim
Imediatamente você vai lembrar de mim

Eu sei que um outro deve estar falando ao seu ouvido
Palavras de amor como eu falei mas eu duvido
Duvido que ele tenha tanto amor
E até os erros do meu português ruim
E nessa hora você vai lembrar de mim

À noite envolvida no silêncio do seu quarto
Antes de dormir você procura o meu retrato
Mas na moldura não sou eu quem lhe sorri
Mas você vê o meu sorriso mesmo assim
E tudo isso vai fazer você lembrar de mim

Se alguém tocar seu corpo como eu não diga nada
Não vá dizer meu nome sem querer à pessoa errada
Pensando ter amor nesse momento
Desesperada você tenta até o fim
E até nesse momento você vai lembrar de mim

Eu sei que esses detalhes vão sumir na longa estrada
Do tempo que transforma todo o amor em quase nada
Mas quase também é mais um detalhe
Um grande amor não vai morrer assim
Por isso, de vez em quando, você vai, vai lembrar de mim

Não adianta nem tentar me esquecer
Durante muito, muito tempo em sua vida eu vou viver
Não, não adianta nem tentar me esquecer...