quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 11


Olá, amigos.

Depois de mostrar nos últimos posts canções de Roberto e Erasmo Carlos presentes em filmes marcados pela violência e pelo drama (Pedro Diabo ama Rosa Meia-Noite, República dos assassinos, Eu matei Lúcio Flávio, O marginal), este blogue traz hoje uma comédia na qual a voz de RC esteve presente. E ainda mais ao lado de grandes comediantes brasileiros.

Jesus Cristo, eu estou aqui traz Costinha contracenando com nada menos que Zé Trindade, Colé, Sônia Mamede e Rodolfo Arena. Costinha vivia um padre que tentava se dar bem e armava várias presepadas numa cidade interiorana.

Lançado em 1971, Jesus Cristo, eu estou aqui surpreende pelo anacronismo. Trata-se de uma chanchada, na qual o elenco de humoristas e uma série de piadas e situações ingênuas pautam o filme. Isto duas décadas depois do gênero (que foi mais bem sucedido na Atlântida, com nomes como Oscarito e Grande Otelo) se desgastar, com a ascensão de um grupo que realizava filmes engajados que inspirariam o Cinema Novo, e numa época em que o cinema brasileiro caminhava para o apelo rasteiro das comédias eróticas - as célebres pornochanchadas.

O filme tem a direção de Mozael Silveira, que, mais tarde, também direcionou sua carreira como ator e diretor de cinema para as comédias eróticas (que são inocentes aos olhos da sociedade do século XXI). Ele assina a direção de "pérolas" como O erótico virgem, Sete mulheres para um homem só, Secas e molhadas e Seu Florindo e suas duas mulheres.

Bem, como vocês podem perceber, além de trazerem um repertório que passeia pelos vários estilos da música brasileira, Roberto e Erasmo Carlos também embalaram trilhas diferentes que o cinema do Brasil tomou. Não é necessário dar muitas explicações sobre a canção que fez parte deste filme - o título dele foi retirado do refrão da música lançada no LP de 1970.

Segue a letra! Na foto (infelizmente não há registro fotográfico do filme), o comediante Costinha.

Abraços a todos, Vinícius.

JESUS CRISTO - Roberto e Erasmo

Jesus Cristo, Jesus Cristo
Jesus Cristo, eu estou aqui...

Olho pro céu e vejo
Uma nuvem branca que vai passando
Olho na terra e vejo
Uma multidão que vai caminhando
Como essa nuvem branca
Essa gente não sabe aonde vai
Quem poderá dizer o caminho certo
É Você meu Pai

Jesus Cristo, Jesus Cristo
Jesus Cristo, eu estou aqui...

Toda essa multidão
Tem no peito amor e procura a paz
E apesar de tudo
A esperança não se desfaz
Olhando a flor que nasce
No chão daquele que tem amor
Olho pro céu e sinto
Crescer a fé no meu Salvador

Jesus Cristo, Jesus Cristo
Jesus Cristo, eu estou aqui...

Em cada esquina eu vejo
O olhar perdido de um irmão
Em busca do mesmo bem
Nessa direção caminhando vem

É meu desejo ver
Aumentando sempre essa procissão
Para que todos cantem
Na mesma voz essa oração

Jesus Cristo, Jesus Cristo
Jesus Cristo, eu estou aqui...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 10


Olá, amigos.

A série Roberto Carlos e o cinema apresenta mais uma vez uma ligação de RC com o cinema nacional - numa pesquisa que vem trazendo de volta até mesmo filmes que atualmente não são tão lembrados na cinemateca brasileira. É o caso do filme que mostramos hoje.

Com direção de Miguel Faria Jr. (mesmo diretor do filme que mostramos anteriormente aqui - República dos assassinos), Pedro Diabo ama Rosa Meia-Noite é mais uma trama de amor bandido retratada no cinema nacional. Pedro Diabo (interpretado por Paulo César Peréio) é um homem sem perspectivas financeiras ou sociais que se envolve com uma mulher misteriosa de nome Rosa Meia-Noite (vivida por Susana Moraes). Os dois então começam um amor bandido, num roteiro muito bem feito escrito por Miguel Faria Jr. em parceria com Armando Costa - conhecido do grande público por, ao lado de Oduvaldo Vianna Filho, ter criado a primeira versão do programa A grande família (este programa estará aqui na nossa série, num dos próximos posts). No elenco ainda estão os atores Roberto Bonfim, Mário Lago, Isabella e Wilson Grey.

Outro dado curioso: a atriz Susana Moraes é filha do "poetinha" Vinícius de Moraes e foi casada com o cineasta Miguel Faria Jr. Décadas mais tarde, os dois assinariam a direção do filme Vinícius, documentário sobre o pai de Susana.

Roberto Carlos embala o romance conturbado de Pedro Diabo e Rosa Meia-Noite - que traz também muitas cenas de ciúme. Ciúme como naquela canção que RC interpretou em seu LP O inimitável.

Segue a letra! Na foto, Paulo César Peréio (não temos registro do filme original).

Abraços a todos, Vinícius.

CIÚME DE VOCÊ - Luiz Ayrão

Se você demora mais um pouco
Eu fico louco esperando por você
E digo que não me preocupa
Procuro uma desculpa, mas que todo mundo vê
Que é ciúme, ciúme de você
Ciúme de você, ciúme de você

Se você põe aquele seu vestido
Lindo e alguém olha pra você
Eu digo que já não gosto dele
Que você não vê que ele está ficando “demodé”
Mas é ciúme, ciúme de você
Ciúme de você, ciúme de você

Esse telefone que não pára de tocar
Está sempre ocupado
Quando eu penso em lhe falar
Quero então saber logo quem lhe telefonou
Que disse, o que queria e o que você falou
Só de ciúme, ciúme de você
Ciúme de você, ciúme de você

Se você me diz que vai sair
Sozinha eu não deixo você ir
Entenda que o meu coração
Tem amor demais, meu bem, e essa é a razão
Do meu ciúme, ciúme de você
Ciúme de você, ciúme de você

Do meu ciúme, ciúme de você, ciúme de você
Do meu ciúme, ciúme de você...

domingo, 23 de novembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 9



Olá, amigos.

Dando prosseguimento à série Roberto Carlos e o cinema, hoje este blogue apresenta mais um momento do cinema nacional que teve trilha de RC. Através destes posts, o blogue Emoções de Roberto Carlos busca mostrar a ligação de Roberto Carlos com o cinema e também colocar em evidência filmes brasileiros que merecem ser assistidos.

É o caso do filme de hoje. Com direção de Miguel Faria Jr., República dos assassinos foi lançado em 1979, na versão cinematográfica do livro A república dos assassinos, de Aguinaldo Silva. O autor (mais conhecido por seu trabalho como escritor de telenovelas) ajudou Miguel Faria Jr. e Leopoldo Serran na adaptação de sua história para o cinema.

A "república dos assassinos" que aparece no título é a chamada "Os Homens de Aço", um bando de policiais corruptos liderados por Mateus Romeiro (papel de Tarcísio Meira), e que traz também Erasmo, Gringo, Alcino e Lacerda (respectivamente, Paulo Vilaça, Milton Moraes, Vinícius Salvatori e Ivan de Almeida). O travesti Eloína (ótima atuação de Anselmo Vasconcellos), que tem um envolvimento amoroso com o puxador de carros Carlinhos (vivido por Tonico Pereira), e a cantora Marlene Santos (papel de Sandra Bréa), ex-namorada de Mateus Romeiro, aparecem em alguns momentos recordando as ações deste esquadrão da morte, e contam também as histórias que ficaram ao redor dele: a imprensa corrupta de Gilberto Martins (feito por José Lewgoy), dono do jornal O Diário Carioca, e a filha dele, Regina (interpretada por Sylvia Bandeira).

Com um roteiro muito bem estruturado e atuações primorosas - em especial a de Anselmo Vasconcellos, que faz do travesti Eloína um dos grandes personagens do cinema brasileiro, República dos assassinos é, certamente, um registro fantástico do "cinema criminal" feito no Brasil. Corrupção, cinismo e marginalidade aparecem no filme de Miguel Faria Jr. sem preocupação com pudores ou com caricaturas.

Aliado a isto, o filme traz uma trilha sob medida - o compositor Chico Buarque fez especialmente para esta produção as canções Sob medida e Não sonho mais. E também trouxe Roberto Carlos em seu repertório musical.

RC "participa" de uma cena que causou polêmica na época. A penúltima faixa do lado B de seu LP de 1977 seria o fundo musical do beijo na boca entre os personagens Carlinhos e Eloína - a letra de Isolda ajudava o travesti a se lembrar da saudade que ela gostava de ter de seu amante puxador de carros.

Segue a letra! Na foto, Anselmo Vasconcellos e Tonico Pereira em República dos assassinos.

Abraços a todos, Vinícius.

OUTRA VEZ - Isolda

Você foi o maior dos meus casos
De todos os abraços o que eu nunca esqueci
Você foi dos amores que eu tive
O mais complicado e o mais simples pra mim

Você foi o melhor dos meus erros
A mais estranha história que alguém já escreveu
E é por essas e outras
Que a minha saudade faz lembrar de tudo outra vez

Você foi a mentira sincera
Brincadeira mais séria que me aconteceu
Você foi o caso mais antigo
O amor mais amigo que me apareceu

Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim
Outra vez

Esqueci de tentar te esquecer
Resolvi te querer por querer
Decidi te lembrar quantas vezes
Eu tenha vontade, sem nada perder

Ah... você foi toda a felicidade
Você foi a maldade que só me fez bem
Você foi o melhor dos meus planos
E o maior dos enganos que eu pude fazer

Das lembranças que trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim
Outra vez...

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 8


Olá, amigos.

A série Roberto Carlos e o cinema traz mais um filme no qual o repertório de RC apareceu em sua trilha musical. E desta vez, Roberto Carlos apareceu nas telas num contexto de submundo do crime - cenário que até hoje é fonte constante da cinematografia brasileira.

Dirigido por Antônio Calmon (que se tornou mais tarde um autor de novelas - atualmente escreve a novela da faixa das 19h da programação global, Três irmãs), Eu matei Lúcio Flávio entrou em circuito no ano de 1979 e se revelou uma grata surpresa para os cinéfilos nacionais. Em função do título, parecia que Calmon somente estaria se aproveitando de outro grande sucesso de bilheteria policial - Lúcio Flávio, passageiro da agonia, dirigido por Hector Babenco e lançado dois anos antes - para conseguir ser bem sucedido diante do público.

Entretanto, as semelhanças entre os filmes de Antônio Calmon e Hector Babenco ficam restritas a ter em seus respectivos títulos o nome de um dos criminosos mais famosos dos anos 70 - o carioca Lúcio Flávio, que aterrorizou o Rio de Janeiro com uma onda de crimes. Enquanto o filme de 1977 fala sobre o próprio criminoso (baseado no livro de José Louzeiro), Eu matei Lúcio Flávio tem como protagonista um policial que estava inserido num grupo da polícia famoso no Rio de Janeiro.

Baseado em fatos reais, o filme conta a história de Mariel Maryscott (vivido por Jece Valadão), um ex-salva vidas e ex-guarda-costas que passa a integrar o grupo de extermínio conhecido como "Esquadrão da Morte". A história deste "personagem da vida real" se divide entre sua ação no grupo dos "Homens de ouro" do esquadrão - e daí vem o título do filme, pois Lúcio Flávio (interpretado por Paulo Ramos) é o bandido que Mariel mais deseja capturar - e um relacionamento conturbado com a prostituta Margarida Maria (papel de Monique Lafond).

Eu matei Lúcio Flávio
é mais um dos muitos filmes da década de 1970 que tiveram como "mote" a violência e a ação de bandidos - além dele, vieram produções como Terror e êxtase (também de Antônio Calmon), Ódio (de Carlo Mossy) e O caso Cláudia (de Miguel Borges). Tratam-se de precursores do atual panorama do cinema brasileiro - que voltou a apresentar filmes que abordam o universo criminal, como Cidade de Deus, Carandiru, Tropa de elite, Era uma vez e Última parada 174.

Roberto Carlos aparece em Eu matei Lúcio Flávio num momento muito chocante, que mostra que nem sempre canções dele, de Erasmo e de outros artistas da nossa música. Os policiais botam o LP de 1978 para tocar enquanto Mariel Maryscott e um de seus comparsas de Esquadrão da Morte (feito por Anselmo Vasconcellos) torturam um criminoso. Afinal, segundo o lema do grupo de extermínio, "marginal tem que morrer". E o crime mostrado no filme acontecia no mesmo momento em que o som do ambiente tocava a homenagem que Roberto fez para sua mãe no ano anterior ao lançamento do filme.

Segue a letra! Na foto, Jece Valadão e Monique Lafond em uma das cenas mais bonitas de Eu matei Lúcio Flávio: Mariel carrega nos braços a amante Margarida Maria até encontrar um cemitério.

Abraços a todos, Vinícius.

LADY LAURA - Roberto e Erasmo

Tenho às vezes vontade de ser
Novamente um menino
E na hora do meu desespero
Gritar por você

Te pedir que me abrace
E me leve de volta pra casa
Que me conte uma história bonita
E me faça dormir

Só queria ouvir sua voz
Me dizendo sorrindo:
Aproveite o seu tempo
Você ainda é um menino

Apesar da distância e do tempo
Eu não posso esconder
Tudo isso eu às vezes preciso
Escutar de você

Lady Laura, me leve pra casa
Lady Laura, me conte uma história
Lady Laura, me faça dormir
Lady Laura

Lady Laura, me leve pra casa
Lady Laura, me abrace forte
Lady Laura, me faça dormir
Lady Laura

Quantas vezes me sinto perdido
No meio da noite
Com problemas e angústias
Que só gente grande é que tem

Me afagando os cabelos
Você certamente diria:
Amanhã de manhã
Você vai se sair muito bem

Quando eu era criança
Podia chorar nos seus braços
E ouvir tanta coisa bonita
Na minha aflição

Nos momentos alegres
Sentado ao seu lado sorria
E nas horas difíceis podia
Apertar sua mão

Lady Laura, me leve pra casa
Lady Laura, me conte uma história
Lady Laura, me faça dormir
Lady Laura

Lady Laura, me leve pra casa
Lady Laura, me abrace forte
Lady Laura, me faça dormir
Lady Laura

Tenho às vezes vontade
De ser novamente um menino
Muito embora você sempre ache
Que eu ainda sou

Toda vez que te abraço
E te beijo sem nada dizer
Você diz tudo que eu preciso
Escutar de você

Lady Laura, me leve pra casa
Lady Laura, me conte uma história
Lady Laura, me faça dormir
Lady Laura

Lady Laura, me abrace forte
Lady Laura, me faça dormir
Lady Laura, me beije outra vez
Lady Laura

Lady Laura, Lady Laura, Lady Laura...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 7


Olá, amigos.

A série Roberto Carlos e o cinema traz hoje mais um momento no qual a obra de RC rasgou as telas do cinema - e apresenta uma canção menos conhecida da dupla, mas que é uma verdadeira preciosidade. Assim como Os 7 gatinhos e Os machões, esta música foi escrita por Roberto e Erasmo especialmente para o filme.

Lançado em 1974, O marginal conta a história de Vavá (vivido por Tarcísio Meira), um ex-detento que, ao sair da prisão, tenta refazer sua vida longe do crime. O filme surpreende por trazer diálogos muito fortes e por um roteiro, infelizmente, muito próximo da realidade de criminosos. Manga estava cercado por pessoas competentes para fazer O marginal - o argumento foi elaborado por Dias Gomes, os diálogos e as cenas adicionais foram escritos por Lauro César Muniz e o elenco traz, além de Tarcísio Meira, os nomes de Darlene Glória, Vera Gimenez, Francisco Di Franco, Edney Giovenazzi e Anselmo Duarte.

Este é o único filme policial dirigido por Carlos Manga. No cinema, ele se destaca como diretor das chanchadas da Atlântida e, mais tarde, por filmes do grupo Os Trapalhões - além de ter sido diretor do programa Jovem Guarda, na TV Record. Manga também tem uma carreira sólida na TV, na direção de programas humorísticos, como Chico Anysio Show.

Um dado curioso: quando estava em circuito, mesmo com O marginal fazendo um número considerável de público, os grupos de cinema decidiram tirá-lo de cartaz para darem destaque ao filme O exorcista. Diante daquela situação ("preferiram dar espaço pra aquela menina que vomitava verde"), Carlos Manga decidiu abandonar de vez a direção de cinema, e passou a se dedicar exclusivamente à televisão.

A música-tema do filme é interpretada por Wilson Miranda - cantor que aparecia muito nas trilhas de novelas lançadas pela Som Livre na década de 1970. É através da voz dele que Roberto e Erasmo contam um pouco da triste história do marginal Vavá.

Segue a letra! Na foto, Tarcísio Meira em cena de O marginal.

Abraços a todos, Vinícius.


O MARGINAL - Roberto e Erasmo

Quando ele acordou
Pela janela pôde ver
Tudo diferente
Do que um dia ele quis

Tantos sonhos coloridos
Se modificaram
Tantas esperanças
Que nunca se encontraram

A solidão maior
Doeu naquela hora
Presa no seu peito
Como marcas do passado

Nessa longa estrada
Procurando o que era seu
Toda sua vida
No caminho se perdeu

Dor nas mãos
Sua cabeça dolorida
Pela paz que foi perdida
Como alguém que não viveu

Pra que nasceu
Se não viveu?
Pra que nasceu
Se não viveu...

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 6



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos e o cinema recorda hoje um registro cinematográfico no qual Roberto ajudou a fazer a trilha do parceiro Erasmo Carlos como ator. E numa situação na qual o Tremendão adora: com muito, mas muito bom humor.

Dirigido por Reginaldo Faria, a comédia Os machões entrou em cartaz no ano de 1972, colocando em evidência um trio de amigos (vividos por Reginaldo Faria, Flávio Migliaccio e Erasmo Carlos) que, além de terem pouco dinheiro, também estão em busca de mulheres. Depois de numa das noitadas encontrarem um travesti, os três decidem fingir que são homossexuais para ficarem mais próximos de belas mulheres. Entretanto, no decorrer do filme eles começam a ter dúvidas sobre suas opções sexuais. No elenco, ainda estão Mário Benevenutto, Tânia Scher e Elke Maravilha

Em um primeiro momento, o filme receberia o nome de Os bonecas, mas a censura vetou, e o título acabou sendo Os machões. Numa época em que o cinema brasileiro era feito sem grandes recursos, havia mais espaço para filmes despretensiosos como estes - casos de Pra quem fica, tchau e Os paqueras. Atualmente, Os machões é exibido na programação do Canal Brasil (número 66 da NET/Sky), geralmente na parte da madrugada (ele é considerado uma comédia erótica).

Roberto e Erasmo aparecem como compositores nesta comédia de Reginaldo Faria. É através da canção deles que aparece a situação deste grupo de "machões" no mundo cão. Interpretada por Erasmo Carlos (que, como ator, recebeu a Coruja de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante), a música foi lançada no LP Sonhos e memórias 1941/1972, mas apareceu no filme com arranjo diferente (feito por Chiquinho de Moraes) do disco.

Segue a letra! Na foto, uma cena do filme Os machões.

Abraços a todos, Vinícius.

MUNDO CÃO - Roberto e Erasmo

Companheiro, seu mundo perfeito não foi feito
Que diria o criador se aqui chegasse e não entrasse
Nesse mundo cão
Eu não fico não

Quando você não morre dormindo
Pode ir se despedindo
Sua festa já acabou e você não brincou
Nesse mundo cão
Eu não fico não

Dizem que a morte agora é sorte
O castigo é pra quem sua vida encerra
E continua aqui na terra
Nesse mundo cão
Eu não fico não

Povos jogam pedras, outros não se dão a mão
Nesse mundo cão
Eu não fico não

Isso pode acontecer com todo mundo
Pode acontecer comigo, como castigo
Não que eu tenha medo do perigo
Mas disso eu tenho medo
Muito medo, meu amigo...

sábado, 15 de novembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 5



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos e o cinema traz hoje mais um momento cinematográfico no qual a obra de RC esteve próxima da safra de Nelson Rodrigues. O universo "rodrigueano" já foi adaptado muitas vezes para o cinema (e, no ano que vem, estará nas telas novamente, com a filmagem de uma adaptação da peça Bonitinha, mas ordinária, feita por Moacyr Góes), e o filme que mostramos hoje foi um dos que mais teve repercussão internacional para a obra do "anjo pornográfico".

No ano de 1973, o cineasta Arnaldo Jabor (atualmente conhecido por seu trabalho como cronista político na televisão e na imprensa) levou para as telas os personagens de Toda nudez será castigada, com todas as neuroses e obsessões comuns dos tipos criados por Nelson Rodrigues. Para muitos, Jabor foi responsável por uma das melhores visões cinematográficas da obra do dramaturgo - anos mais tarde, ele adaptaria Nelson Rodrigues novamente para o cinema (O casamento, baseado no romance homônimo do dramaturgo).

Em Toda nudez será castigada há a figura de Herculano (interpretado por Paulo Porto), um homem tradicionalista que, ao ficar viúvo, prometeu a seu filho Serginho (papel de Paulo Sacks) que nunca mais teria outra mulher. Entretanto, o irmão Patrício (vivido por Paulo César Peréio), homem que vive às custas de Herculano, decide interceder para que sua única fonte de renda não se perca - afinal, Herculano permanece muito abalado por sua viuvez.

Patrício mostra a ele uma foto de Geni (feita por Darlene Glória), uma prostituta e cantora de bordel, e um dia, totalmente embriagado, Herculano passa a noite com ela. Com o tempo, Geni e Herculano se envolvem cada vez mais, o que desencadeia uma série de situações na família tradicional - dentre elas, a oposição das tias e de Serginho com este segundo casamento de Herculano. No elenco, ainda estão os atores Isabel Ribeiro, Elza Gomes e Sérgio Mamberti.

Através deste filme, Darlene Glória passou a ter seu talento reconhecido no mundo todo - sua interpretação fascinante para a prostituta Geni rendeu a ela o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim, na Alemanha. Toda nudez será castigada também recebeu os prêmios de Melhor Filme e de Melhor Atriz (novamente para Darlene Glória) no Festival de Gramado.

No entanto, houve uma situação muito curiosa para esta adaptação cinematográfica da obra de Nelson Rodrigues. No mesmo período em que o filme fazia sucesso no mercado internacional, em terras brasileiras o país não podia assistí-lo. O chefe da censura considerou o filme "imoral" e o proibiu de ser exibido nas telas do país - e só voltaria a ser liberado diante do tamanho sucesso no exterior.

A trilha de Toda nudez será castigada recebeu menção honrosa no Festival de Gramado - em especial pelas composições de Astor Piazzolla. E, em meio a esta parte musical, novamente estava uma canção da safra de Roberto Carlos.

Na cena em que Patrício tenta convencer Geni a se envolver com Herculano, ao fundo do ambiente da boate está uma das canções mais cultuadas da obra de Roberto e Erasmo. A música, que abre o LP de 1971, foi mais um ótimo detalhe deste filme muito grande e inesquecível da cinematografia nacional.

Segue a letra! Na foto, o cartaz de Toda nudez será castigada.

Abraços a todos, Vinícius.

DETALHES - Roberto e Erasmo

Não adianta nem tentar me esquecer
Durante muito tempo em sua vida, eu vou viver
Detalhes tão pequenos de nós dois
São coisas muito grandes pra esquecer
E toda hora vão estar presentes, você vai ver

Se um outro cabeludo aparecer na sua rua
E isso lhe trouxer saudades minhas, a culpa é sua
O ronco barulhento do seu carro
A velha calça desbotada ou coisa assim
Imediatamente você vai lembrar de mim

Eu sei que um outro deve estar falando ao seu ouvido
Palavras de amor como eu falei mas eu duvido
Duvido que ele tenha tanto amor
E até os erros do meu português ruim
E nessa hora você vai lembrar de mim

À noite envolvida no silêncio do seu quarto
Antes de dormir você procura o meu retrato
Mas na moldura não sou eu quem lhe sorri
Mas você vê o meu sorriso mesmo assim
E tudo isso vai fazer você lembrar de mim

Se alguém tocar seu corpo como eu não diga nada
Não vá dizer meu nome sem querer à pessoa errada
Pensando ter amor nesse momento
Desesperada você tenta até o fim
E até nesse momento você vai lembrar de mim

Eu sei que esses detalhes vão sumir na longa estrada
Do tempo que transforma todo o amor em quase nada
Mas quase também é mais um detalhe
Um grande amor não vai morrer assim
Por isso, de vez em quando, você vai, vai lembrar de mim

Não adianta nem tentar me esquecer
Durante muito, muito tempo em sua vida eu vou viver
Não, não adianta nem tentar me esquecer...