quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Blogue em recesso




Olá, amigos.

Este blogue entrará em recesso. Teremos novos posts a partir do dia 6 de outubro.

Abraços a todos, Vinícius.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Panoramas ecológicos - 7



Olá, amigos.

Com este post, a série Panoramas ecológicos chega ao seu final. Nesta série, apresentamos as canções da discografia de Roberto Carlos que abordaram questões ecológicas - a exceção foi para a música de abertura da série, a canção Panorama ecológico (que deu título a este repertório), gravada por Erasmo Carlos para seu LP Pelas esquinas de Ipanema, de 1978.

A música de encerramento não é exclusivamente feita sobre ecologia. Na verdade, trata-se de um momento de reflexão de Roberto Carlos com relação a várias "culpas" que o Ser Humano carrega em suas costas há bastante tempo.

No ano de seu lançamento (ela abriu a faixa de seu disco de 2002, como um "bônus" da compilação de fim de ano, que reuniu também 11 números de show realizado no Aterro do Flamengo e versões remix das gravações de Se você pensa e O calhambeque), a grande polêmica foi no viés religioso. Católico declarado, RC cantava nesta música que as religiões serviam como "apoio" e via isto como busca da verdade em suposições, além de pregar um ecumenismo, que englobava católicos, judeus, espíritas e ateus. No mesmo disco, em trecho retirado de seu show no Rio de Janeiro, Roberto "explicava" esta questão: "a fé cada vez maior, independente até mesmo das igrejas e das religiões".

Entretanto, as mudanças de panorama não ficaram restritos à religiosidade. O panorama ecológico teve uma alteração significativa. Se as canções anteriores desta série falavam sobre as mazelas que o homem trouxe para a natureza, RC via com bons olhos as coisas que o Ser Humano fez e conseguiu durante estes séculos. Ele enumerou invenções como o rádio, a televisão, o computador, além dos progressos da ciência como argumento para valorizar o homem.

Em entrevista à jornalista Glória Maria para o Roberto Carlos Especial daquele ano (os trechos desta entrevista entremeavam um show gravado em São Paulo), Roberto afirmou que esta canção mostrava um novo ponto de vista em relação a coisas que ele ouvira durante toda a vida. E em relação à ecologia, declarava que na verdade a esta altura não é mais um ecológico apaixonado, e sim enxerga de maneira racional as situações que vêm acontecendo (na gravação de seu Roberto Carlos Especial de 2003, que este que vos escreve assistiu no ginásio do Maracanãzinho, RC questionou até mesmo o "pecado original": "ora, o Ser Humano não é pecador, um pecadinho ou outro não é problema, mas maldade não está no coração da maioria!").

Como um Ser Humano, Roberto Carlos mostrava um novo ponto de vista. E como artista, se apresentava em um novo estilo de música para seu repertório - o rap. Tudo para dizer a seu público que quer a vida mais linda, mesmo que nós ainda não sejamos perfeitos. Ainda.

Segue a letra! Na foto, o registro para o interior do livreto de Pra sempre, disco no qual a música seria lançada originalmente. Este disco seria para o ano de 2002, mas o perfeccionista Roberto Carlos preferiu lançar no ano seguinte. Com isto, a canção abaixo saiu em dois anos seguidos. Um dado curioso sobre a foto: esta parte interna só entrou a partir da segunda prensagem - os primeiros compradores não têm esta foto em seu livreto.

Abraços a todos, Vinícius.

SERES HUMANOS - Roberto e Erasmo

Que negócio é esse de que somos culpados
De tudo que há de errado sobre a face da terra

Que negócio é esse de que nós não temos
Os devidos cuidados com o mundo em que vivemos
Fazemos quase tudo por necessidade
Vivemos em busca da felicidade

Somos Seres Humanos
Só queremos a vida mais linda
Não somos perfeitos
Ainda

Afinal nem sabemos porque aqui estamos
E mesmo sem saber seguindo em frente vamos
Vencemos obstáculos todos os dias
Em busca do pão e de alguma alegria

Não podemos ser julgados pela minoria
Nós somos do bem e o bem é a maioria

Somos Seres Humanos
Só queremos a vida mais linda
Não somos perfeitos
Ainda


Só quero a verdade
Nada mais que a verdade
Não adianta me dizer
Coisas que não fazem sentido
Que tal olhar as coisas que a gente tem conseguido

E o mundo hoje é bem melhor
Do que há muito tempo atrás
E as mudanças desse mundo
O Ser Humano é que faz

Estamos sempre em busca de uma solução
Queríamos voar, fizemos o avião

O telefone, o rádio, a luz elétrica
A televisão, o computador, progressos na engenharia genética
Maravilhas da ciência prolongando a vida
Nós temos amor, ninguém duvida

Somos Seres Humanos
Só queremos a vida mais linda
Não somos perfeitos
Ainda

Mas que negócio é esse de que somos culpados
De tudo que há de errado sobre a face da terra
Buscamos apoio nas religiões
E procuramos verdades em suposições

Católicos, judeus, espíritas e ateus
Somos maravilhosos
Afinal somos filhos de Deus

Somos Seres Humanos
Só queremos a vida mais linda
Não somos perfeitos
Ainda

Só quero a verdade
Nada mais que a verdad

domingo, 21 de setembro de 2008

Panoramas ecológicos - 6



Olá, amigos.

Em seu penúltimo post, a série Panoramas ecológicos mostra mais um momento no qual a safra de Roberto Carlos e Erasmo Carlos se abordou questões ecológicas. A canção de hoje dá vez a falar sobre um problema ecológico que permanece dando dor de cabeça para todos os que se preocupam com o meio ambiente.

No ano de 1989, Roberto colocou os olhos de sua música sobre um terreno muito delicado da natureza mundial. A AMAZÔNIA. É assim que é denominada a região que é definida pela bacia hidrográfica do Rio Amazonas (o rio mais volumoso do mundo, que nasce na Cordilheira dos Andes e passa por nove países) e traz grande parte de seu território formado por florestas tropicais.

A floresta amazônica traz sete milhões de quilômetros quadrados numa região que é considerada por especialistas como "o pulmão do mundo". Por ser a maior floresta tropical do mundo, ela traz muita vegetação, e ajuda a melhorar o ar que nós respiramos. Em seu território são 11 ecossistemas, distribuídos em 23 eco-regiões, que abrangem terras dos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima, além de trechos dos estados do Maranhão, Tocantins e Mato Grosso.

Embora seu solo seja pobre, a floresta amazônica vem sendo alvo de muita exploração - e algumas vezes desenfreada. No período colonial, os exploradores voltaram suas atenções para as "drogas do sertão" - cravo, pimenta, canela, castanha, urucum e baunilha. No início do século XX, as atenções foram voltadas para a exploração do látex, por empresas nacionais e multinacionais, em virtude do período definido na história como "o ciclo da borracha" - interrompido depois que a borracha asiática tornou-se mais barata que a da região amazônica.

Em meados do século XX, o governo voltou as atenções pra Amazônia, com uma série de medidas que buscam integrar o território ao comércio mundial, como experiências de agricultura e criação de reservas extrativistas. Desde 1967 funciona a Zona Franca de Manaus, modelo de desenvolvimento para estímulo da industrialização de Manaus (capital do estado do Amazonas). A região se caracteriza por ser uma área de livre comércio, com isenção alfandegária para produtos adquiridos do exterior. Isto contribuiu para a ascensão da área - que tem pólos comerciais, agropecuário e industrial.

Entretanto, a ambição financeira traz malefícios para a Amazônia. Os números de desmatamento são alarmantes: 70% da terra anteriormente coberta por florestas é usada (em especial para a criação de soja), e desde 1970 usam 91% desta área para pastagem. Atualmente, a Amazônia é delimitada por uma área chamada "Amazônia Legal", como foi definida a partir de 1966 pela Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (o SUDAM), e recebe o apoio do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) para que sua região não seja totalmente devastada. Há no lugar unidades de uso sustentável, oito reservas biológicas e dez parques nacionais. Uma forma de amenizar as tolices fatais que o lugar vem recebendo durante todos esses anos.

Em seu Roberto Carlos Especial de 1989, este panorama ecológico foi apresentado logo nos primeiros minutos. Com imagens da floresta amazônica, RC falou sobre a crença num país melhor:

"Daqui de uma dessas artérias desse imenso coração, eu repito meu amor pelo Brasil. Um amor antigo e e apaixonado. Diante do índio, testemunha de tanta devastação, eu aindo grito a minha fé nesse país".

O programa dirigido por Augusto César Vannucci apresentou uma forma simbólica de ver os problemas da natureza, ao colocar lado a lado imagens de bichos que habitam a Amazônia tendo o áudio de canto de passarinhos com retratos do desmatamento que a floresta sofre, deixando a região em silêncio. Era para mostrar ao país uma certeza falada por RC:

"Essa sinfonia orquestrada por Deus é nossa! Quanto mais a natureza é agredida pelo homem, mais ela responde com a paz da beleza".

E em seu LP de 1989, Roberto Carlos cantou a insônia do mundo que estava (e ainda está) perdendo a paz das belezas que a natureza traz na Floresta Amazônica. Um dado curioso: em alguns discos, fitas ou CDs, esta música aparece como segunda faixa do lado A - a canção que abre seu trabalho daquele ano é Tolo. Mas nas prensagens seguintes, a reflexão do panorama ecológico da Amazônia é o primeiro momento de seu disco. Posando com a pena que ganhou de um índio americano, Roberto cantou o alerta para a selva viver.

Segue a letra! Na foto, Roberto Carlos no registro fotográfico que foi usado na parte interna de seu LP de 1989.

AMAZÔNIA - Roberto e Erasmo

Tanto amor perdido no mundo
Verdadeira selva de enganos
A visão cruel e deserta
De um futuro de poucos anos

Sangue verde derramado
O solo manchado
Feridas na selva
A lei do machado

Avalanches de desatinos
Numa ambição desmedida
Absurdos contra os destinos
De tantas fontes de vida

Quanta falta de juízo
Tolices fatais
Quem desmata, mata
Não sabe o que faz

Como dormir e sonhar
Quando a fumaça no ar
Arde nos olhos
De quem pode ver

Terríveis sinais
De alerta
Desperta
Pra selva viver

Amazônia, insônia do mundo...
Amazônia, insônia do mundo...

Todos os gigantes tombados
Deram suas folhas ao vento
Folhas são bilhetes deixados
Aos homens do nosso tempo

Quantos anjos queridos
Guerreiros de fato
De morte feridos
Caídos no mato

Como dormir e sonhar
Quando a fumaça no ar
Arde nos olhos
De quem pode ver

Terríveis sinais
De alerta
Desperta
Pra selva viver

Amazônia, insônia do mundo...
Amazônia, insônia do mundo...

P.S.: esta canção faria parte de um outro trabalho de RC - o disco e o DVD Duetos, numa faixa em que RC dividiu os vocais com a dupla Chitãozinho & Xororó (no Roberto Carlos Especial exibido ao final de 1991).

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Panoramas ecológicos - 5



Olá, amigos.

Prosseguindo a série Panoramas ecológicos, este blogue hoje traz mais uma canção na qual Roberto Carlos falou sobre questões ecológicas. De acordo com seu parceiro Erasmo Carlos, a dupla abordou este tema "bem antes do Sting se vestir de índio" (de maneira irreverente, o "Tremendão" usou este exemplo para falar que os dois falavam sobre ecologia bem antes deste assunto ganhar o modismo da mídia).

Depois de cantar sobre as baleias em seu LP de 1981, RC dedicou seu repertório a falar sobre as graves conseqüências que os "progressos" e as mudanças causadas pela civilização traziam para os índios brasileiros. Ao contrário do que muito se afirma sobre Roberto (definido como "alienado" por parte maldosa da crítica), ele costuma colocar seu ponto de vista sobre assuntos que estão em voga nas discussões sociais do país.

Não foi diferente com esta canção de 1987. Após séculos, em meados desta década o país viu pela primeira vez um homem com etnia indígena ocupar um cargo federal no Brasil. No ano de 1983, o cacique Mário Juruna se elegeu deputado federal pela cidade do Rio de Janeiro.

Nascido em 1942 numa aldeia localizada em Barra das Garças, no estado do Mato Grosso, Juruna teve seu primeiro contato com a civilização durante a década de 1970, quando a tribo em que vivia conheceu o expedicionário Chico Mendes. Desde então, constantemente viajava a Brasília, para ir à Fundação Nacional do Índio (FUNAI) lutar pela demarcação dos territórios xavantes.

Eleito pelo PDT, o cacique se caracterizou por andar sempre com um gravador debaixo do braço - segundo ele, era "para registrar tudo o que o branco diz". A presença de Mário Juruna teve grande repercussão mundial, e tornou possível o reconhecimento formal dos problemas indígenas, em especial pela criação da Comissão Permanente do Índio.

Seu mandato terminou em 1987, e a ligação com políticos de caráter duvidoso fizeram com que não conseguisse sua reeleição ao cargo de deputado federal. Sem conseguir permanência na Câmara dos Deputados e abandonado pelos integrantes de sua tribo de origem, Juruna faleceria em 2002, em decorrência de problemas diabéticos.

Coincidentemente, no ano de 1987 a dupla Roberto e Erasmo Carlos voltou suas atenções para as situações dos índios, e ajudou os indígenas a receberem as atenções da população. A terceira faixa do lado A deste LP lançado por RC foi usada numa campanha da FUNAI. Com a ajuda de Roberto Carlos, era mostrado ao povo civilizado que todo índio sabe viver com a natureza sempre ao seu lado - e, diante das coisas que aconteciam no asfalto, muitos indígenas sonhavam viver velozes como a águia dourada da imensidão.

Segue a letra! Na foto, Roberto Carlos na parte interna de seu LP do ano da música abaixo.

Abraços a todos, Vinícius.

ÁGUIA DOURADA - Roberto e Erasmo

Águia bonita que voa no espaço
Aqui da Terra vejo passar
Riscando o azul, dourado traço
Linha ascendente no ar

Eu sou um índio e aqui do asfalto
Olho no alto caminhos seus
Meus pensamentos sempre te encontram
Voando perto de Deus

Rápido como um raio
Repentino como um trovão
Veloz como a águia dourada
Na imensidão

Mostra a esse povo civilizado
Que todo índio sabe viver
Com a natureza sempre a seu lado
E olhando o céu pode ver

Que o vento sopra e a chuva cai
As nuvens passam e você vai
Asas abertas, força e coragem
Vão nesse rumo de paz

Rápido com um raio
Repentino como um trovão
Veloz como a águia dourada
Na imensidão

Natureza que reclama
Flores, folhas, verde vida
Rios, mares se derramam pela terra tão ferida
Ventos pedem, choram e chamam

Águia, me mostra no meu caminho
Como se pousa longe do espinho
Como se luta por esse mundo
Como se salva esse ninho

Rápido com um raio
Repentino como um trovão
Veloz como a águia dourada
Na imensidão...

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Panoramas ecológicos - 4



Olá, amigos.

A série Panoramas ecológicos segue apresentando canções da safra de Roberto Carlos e Erasmo Carlos que trazem como tema a ecologia. Este tema apareceu pela primeira vez no repertório de RC no ano de 1976, através da música O progresso, e viria em letra e música em alguns discos do cancioneiro de RC.

A canção de hoje explicita uma preocupação constante quando Roberto aborda a ecologia. Nas duas canções gravadas por ele mostradas anteriormente nesta série (O progresso e O ano passado), a espécie das baleias surge em meio às inquietações ecológicas cantadas por RC. Na primeira, ele denuncia que as baleias estão "desaparecendo por falta de escrúpulos comerciais". Já na de 1979, ele lamenta sobre "quantas baleias queriam nadar como antes?".

Em Panorama ecológico, música que abriu a série - lançada em 1978, no LP Pelas esquinas de Ipanema - Erasmo Carlos também incluiu as baleias neste panorama negativo para a natureza. Ao falar sobre a "temporada de peixes", o parceiro de Roberto encontrou "baleias entupidas".

E no ano de 1981, Roberto Carlos novamente voltou a falar das baleias (que ele tanto preza, pois, como já se definiu, é "um homem do mar"), dando destaque a elas na terceira faixa do lado A de seu LP. Em versos questionadores, Roberto e Erasmo procuraram mobilizar os predadores das baleias, que, pouco a pouco, eram impedidas de cruzar os oceanos - e, em breve, ficariam restritas a velhos livros, a filmes ou a programas vespertinos de televisão.

Segue a letra! Na foto, Roberto Carlos no clipe da música que segue, exibido no Roberto Carlos Especial de 1981.

Abraços a todos, Vinícius.

AS BALEIAS - Roberto e Erasmo

Não é possível que você suporte a barra
De olhar nos olhos do que morre em suas mãos
E ver no mar se debater em sofrimento
E até sentir-se um vencedor nesse momento

Não é possível que no fundo do seu peito
Seu coração não tenha lágrimas guardadas
Pra derramar sobre o vermelho derramado
No azul das águas que você deixou manchadas

Seus netos vão te perguntar em poucos anos
Pelas baleias que cruzavam oceanos
Que eles viram em velhos livros ou nos filmes dos arquivos
Dos programas vespertinos de televisão

O gosto amargo do silêncio em sua boca
Vai te levar de volta ao mar e à fúria louca
De uma cauda exposta aos ventos em seus últimos momentos
Relembrada num troféu em forma de arpão

Como é possível que você tenha coragem
De não deixar nascer a vida que se faz
Em outra vida que sem ter lugar seguro
Te pede a chance de existência no futuro

Mudar seu rumo e procurar seus sentimentos
Vai te fazer um verdadeiro vencedor
Ainda é tempo de ouvir a voz dos ventos
Numa canção que fala muito mais de amor

Seus netos vão te perguntar em poucos anos
Pelas baleias que cruzavam oceanos
Que eles viram em velhos livros ou nos filmes dos arquivos
Dos programas vespertinos de televisão

E o gosto amargo do silêncio em sua boca
Vai te levar de volta ao mar e à fúria louca
De uma cauda exposta aos ventos em seus últimos momentos
Relembrada num troféu em forma de arpão

Não é possível que você suporte a barra...

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Panoramas ecológicos - 3



Olá, amigos.

A série Panoramas ecológicos chega ao seu terceiro post, apresentando mais uma canção da safra de Roberto Carlos a falar sobre as questões ecológicas. Esta é a forma encontrada para o blogue lembrar o Dia Mundial do Meio Ambiente, que é lembrado no dia 5 de setembro.

Após os protestos de O progresso e a constatação de que "queria ser civilizado como os animais", Roberto Carlos voltaria a incluir em seu repertório uma canção ecológica no ano de 1979. Em seu Roberto Carlos Especial daquele fim de ano, RC trazia à tona algumas discussões sobre o que seria do futuro que se fazia (e que, ao vermos a letra de Roberto e Erasmo, o "futuro" ainda hoje se faz):

"Quantas árvores foram assassinadas em nome do progresso? Quantas flores foram esmagadas pelos tratores? Seu filho já viu um passarinho colorido fora da gaiola? Um peixe de prata saltando num mar azul? E tudo isso em nome do progresso? Não. Positivamente, eu não me convenço. Sou contra, e vou continuar sendo e combatendo. Minha arma é meu canto".

E assim os anos se passam, e a realidade desta fascinante música que Roberto e Erasmo fizeram para a terceira faixa do lado A do LP de RC lançado em 1979 continua atual na contundência de suas palavras e nas certezas que, infelizmente, os homens ratificam ano a ano, diante do dito "progresso". No refrão desta relíquia da obra de Roberto Carlos, vem a pergunta até o momento não respondida: o que será do futuro que hoje se faz à natureza, às crianças e aos animais?

Segue a letra! Na foto, Roberto Carlos em fins da década de 1970.

Abraços a todos, Vinícius.

O ANO PASSADO - Roberto e Erasmo

O ouro no ano passado subiu sem parar
Os gritos na bolsa falaram de outros valores
Corpos estranhos no ar
Silenciosos voadores
Quem sabe olhando o futuro do ano passado

O mar quase morre de sede no ano passado
Os rios ficaram doentes com tanto veneno
Diante da economia
Quem pensa em ecologia
Se o dólar é verde, é mais forte que o verde que havia

O que será o futuro que hoje se faz
A natureza, as crianças e os animais

Quantas baleias queriam nadar como antes
Quem inventou o fuzil pra matar elefantes
Quem padeceu de insônia
Com a sorte da Amazônia
Na lei do machado mais forte do ano passado

Não adianta soprar a fumaça do ar
As chaminés do progresso não podem parar
Quem sabe um museu no futuro
Vai guardar em lugar seguro
Um pouco de ar puro, relíquia do ano passado

O que será o futuro que hoje se faz
A natureza, as crianças e os animais...

Os campos risonhos um dia tiveram mais flores
E os bosques tiveram mais vida e até mais amores
Quem briga com a natureza
Envenena a própria mesa
Contra a força de Deus não existe defesa

O que será o futuro que hoje se faz
A natureza, as crianças e os animais...

sábado, 13 de setembro de 2008

Panoramas ecológicos - 2


Olá, amigos.

A série Panoramas ecológicos chega ao seu segundo post, apresentando as canções que falam sobre ecologia na safra assinada por Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Trata-se de uma homenagem do blogue ao Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no último dia 5.

A partir de hoje, este blogue passa a mostrar a safra do repertório de Roberto Carlos sobre as questões ambientais. Roberto e Erasmo foram praticamente pioneiros ao colocarem a ecologia em suas canções (assim como o maestro Antônio Carlos Jobim, um defensor incansável da natureza), e a mostrarem algumas visões críticas sobre os panoramas ecológicos de cada época da sua música.

O primeiro momento da safra ecológica data de 1976. Em seu lançamento daquele ano, Roberto interpretou uma música que questionava o preço das conseqüências do tão falado "progresso". Em seu Roberto Carlos Especial, RC apresentou a música com as seguintes palavras:

"O que me motivou a fazer essa música foram as baleias. Eu sou um homem do mar e as baleias me apaixonam de forma especial. E Erasmo Carlos, porque ama a natureza de forma especial. E me entristece o fato de que as baleias estão morrendo, desaparecendo e enchendo o mar de sangue. E me entristece ainda mais que o progresso é culpado de tudo isso. Mais culpado ainda, o maior depredador que nós conhecemos: O HOMEM".

E na terceira faixa do lado A de seu LP de 1976, Roberto Carlos enumerava as tristezas que o homem fazia com que ele falasse ao abordar a questão da ecologia. E, depois da reflexão da letra, desabafava a vontade de ser civilizado como os animais.

Segue a letra! Na foto, Roberto Carlos apresentando a versão em espanhol da canção (batizada de El progreso) num programa do exterior.

Abraços a todos, Vinícius.

O PROGRESSO - Roberto e Erasmo

Eu queria poder afagar uma fera terrível
Eu queria poder transformar tanta coisa impossível
Eu queria dizer tanta coisa
Que pudesse fazer eu ficar bem comigo
Eu queria poder abraçar meu maior inimigo

Eu queria não ver tantas nuvens escuras nos ares
Navegar sem achar tantas manchas de óleo nos mares
E as baleias desaparecendo
Por falta de escrúpulos comercias
Eu queria ser civilizado como os animais...

Eu queria ser civilizado como os animais...

Eu queria não ver todo o verde da terra morrendo
E das águas dos rios os peixes desaparecendo
Eu queria gritar que esse tal de ouro negro
Não passa de um negro veneno
E sabemos que por tudo isso vivemos bem menos

Eu não posso aceitar certas coisas que eu não entendo
O comércio das armas de guerra da morte vivendo
Eu queria falar de alegria
Ao invés de tristeza mas não sou capaz
Eu queria ser civilizado como os animais...

Não sou contra o progresso
Mas apelo pro bom senso
Um erro não conserta o outro
Isso é o que eu penso...