quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Roberto Carlos e Caetano Veloso - E a música de Tom Jobim



Olá, amigos.

A algumas horas da gravação de parte do Roberto Carlos Especial que a TV Globo exibirá no dia 25 de dezembro de 2008, este blogue volta suas atenções para um histórico momento que RC nos proporcionou no ano que vai chegando ao fim. Na semana passada, chegou às lojas o disco Roberto Carlos e Caetano Veloso - E a música de Tom Jobim.

Trata-se do registro histórico de um baiano e de um capixaba interpretando o repertório carioquíssimo do maestro Antônio Carlos Jobim, artista que tornou o Rio de Janeiro e a música brasileira universais aos olhos do mundo. O encontro foi promovido pelo Itaú Brasil, como parte das homenagens aos 50 anos do surgimento da Bossa Nova, e resultou em três shows. O disco traz registros dos dois shows realizados no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, nos dias 25 e 26 de agosto (no Rio, o show aconteceu no dia 22, no Theatro Municipal).

Outros detalhes sobre o encontro estão nos seguintes posts deste Emoções de Roberto Carlos:

http://emocoesrc.blogspot.com/2008/08/roberto-carlos-e-caetano-veloso-rio-22.html

http://emocoesrc.blogspot.com/2008/08/uma-bossa-mora.html

Pela primeira vez em quase meio século de carreira, Roberto divide seu trabalho de fim de ano com outro artista - e ninguém menos do que Caetano Veloso, homem que outrora proclamou que "teve coragem de entrar em todas as estruturas e sair de todas elas". O baiano responsável pela revolução musical chamada Tropicália se uniu ao símbolo do movimento de nome Jovem Guarda para ambos cantarem a Bossa Nova, aquele movimento que fez o Brasil "ser desafinado".

Com muita afinação, chegou às lojas de disco este encontro das três trajetórias da Música Popular Brasileira, que comprovam que pra se trazer boa música "é impossível ser feliz sozinho". Pra fazer feliz a quem se ama, nada melhor do que Roberto Carlos e Caetano Veloso - E a música de Tom Jobim". A análise deste trabalho virá de maneira mais completa em breve, logo depois da saída do DVD - este sim, terá o show na íntegra, com suas 20 canções.

Caetano Veloso é um dos convidados do show a ser gravado na HSBC Arena Multiuso, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Mas, ao contrário dos demais convidados (Zezé di Camargo & Luciano, Rita Lee, Neguinho da Beija-Flor e a banda da Beija-Flor de Nilópolis), Caetano aparecerá um pouco mais no programa do dia 25. Foi gravada uma conversa reunindo Roberto e Caetano, mediada pelo múltiplo Nelson Motta - o sujeito simpático que está na foto comigo, mas, infelizmente, ainda não deu notícias se lê o Emoções de Roberto Carlos.

Com tamanha participação no programa, este que vos escreve acredita que ninguém vai dizer "chega de saudade" ao ver o encontro de Roberto Carlos e Caetano Veloso. Mas, certamente, o público vai querer que eles cantem a canção de Tom Jobim e Vinícius de Moraes que encerra o disco-tributo à obra de Tom Jobim.

Segue a letra! Na foto, a capa do disco e do DVD.

Abraços a todos, Vinícius.

CHEGA DE SAUDADE - Tom e Vinícius

Vai, minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer

Chega de saudade, a realidade é que
Sem ela não há paz
Não há beleza, é só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai

Mas se ela voltar, se ela voltar
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que darei na sua boca

Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim

Que é pra acabar com esse negócio de você viver sem mim
Não quero mais esse negócio de você longe de mim
Vamos deixar esse negócio de você viver sem mim...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 18



Olá, amigos.

Com este post, encerramos a série Roberto Carlos e o cinema. Como apresentamos em todos estes posts, RC tem uma larga contribuição para o cinema nacional (e também para filmes estrangeiros), e estas são apenas algumas produções que conseguimos destacar. Roberto participou como figurante de dois filmes em seu início de carreira: Agüenta o rojão e Minha sogra é da polícia, além de participar dos documentários Som alucinante e Saravá, Brasil dos mil espíritos.

E hoje apresentamos um filme no qual Roberto Carlos não só aparece na trilha como no final o cineasta Vicente Amorim faz questão de escrever: "Este filme é dedicado a Roberto Carlos". Lançado em 2003, O caminho das nuvens conta a trajetória de uma família que sai do Nordeste do país em busca de um lugar onde tenham melhores condições financeiras e de trabalho pra viverem.

Romão (vivido por Wagner Moura) faz com que a esposa Rose (interpretada por Cláudia Abreu) e seus filhos partirem pela estrada, sonhando que o último paradeiro deles será num lugar onde ele possa arranjar "um emprego de mil real". Nesta estrada, eles passam por várias situações, confusões e encontram tipos muito curiosos - como a dançarina Sereia (papel de Carol Castro) e o explorador de mulheres Panamá (interpretado por Sidney Magal).

Roberto Carlos segue nessa estrada junto com a família, acompanhando durante todo o filme as venturas e desventuras de Romão, Rose e seus filhos. Ele aparece na voz dos personagens (com Se você pensa, Eu sou terrível e Nossa Senhora), aparece também nas trilhas incidentais em cena (Detalhes e Jesus Cristo) e também no rádio - numa cena emocionante, a família inteira cantarola Amor sem limite junto com a gravação do Roberto.

Em certa altura do filme, RC aparece também. Mas na televisão. Um dos personagens vê na TV Roberto Carlos interpretando As curvas da Estrada de Santos em um número de seu Roberto Carlos Especial.

Mas, certamente, o momento mais bonito de O caminho das nuvens é quando a música de Roberto Carlos sai da boca da personagem Rose, com sotaque forte nordestino. Na época do lançamento do filme, a atriz Cláudia Abreu foi ao programa Altas horas, da TV Globo, e o apresentador Serginho Groisman pediu para que ela cantasse esta música. Cláudia só conseguiu interpretá-la ao vivo quando usou o sotaque nordestino de sua personagem. O que tornou ainda mais delicado o momento musical em que ela, como Rose, cantou a segunda canção do lado A de Roberto Carlos em ritmo de aventura, de 1967, em O caminho das nuvens.

Segue a letra! Na foto, o cartaz de O caminho das nuvens, filme com o qual encerramos a série Roberto Carlos e o cinema.

Abraços a todos, Vinícius.

COMO É GRANDE O MEU AMOR POR VOCÊ - Roberto Carlos

Eu tenho tanto pra lhe falar
Mas com palavras não sei dizer
Como é grande o meu amor por você

E não ha nada pra comparar
Para poder lhe explicar
Como é grande o meu amor por você

Nem mesmo o céu, nem as estrelas
Nem mesmo o mar e o infinito
Não é maior que o meu amor, nem mais bonito

Me desespero a procurar
Alguma forma de lhe falar
Como é grande o meu amor por você

Nunca se esqueça nem um segundo
Que eu tenho o amor maior do mundo
Como é grande o meu amor por você

Nunca se esqueça nem um segundo
Que eu tenho o amor maior do mundo
Como é grande o meu amor por você

Mas como é grande o meu amor por você...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 17



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos e o cinema chega ao seu penúltimo post, trazendo uma inédita ligação entre RC e sua terra natal nas telas cinematográficas. Embora haja festivais de destaque em cidades fora do eixo Rio-São Paulo - como os de Brasília, Recife, Ouro Preto e Gramado (o evento mais "cobiçado" no cinema nacional) - infelizmente os outros locais do país ainda não se caracterizam por terem uma produção constante de longas-metragens (exceção ao Rio Grande do Sul, que apresenta ótimos filmes como Cão sem dono e o recente Ainda orangotangos).

Em 1997, o Espírito Santo finalmente conseguiu furar este bloqueio dos pólos de cinema, e apresentou ao grande público o filme O amor está no ar. A trama tem início nos bastidores do programa sentimental de rádio feito por Lora Berger (interpretada por Eliane Giardini). Um dos rapazes que escrevem para o programa em busca de uma pretendente - Carlos Henrique (papel de Marcos Palmeira) - acaba se envolvendo amorosamente com Lora, e desencadeia uma série de temas abordados no filme.

O que salta primeiro aos olhos é a diferença de idade deste casal que se forma (ela, já na casa dos 40, e ele por volta dos 25 anos). Em seguida, vem a diferença de classes e a tentativa dela em transformar a vida do sujeito simples e atrasado trazendo uma série de regalias - que ele utiliza num primeiro momento, mas depois deixa de lado para se entregar a diversões baratas.

O filme leva também ao público um pouco das belezas de terras capixabas, como o Convento da Penha, e dá destaque à dança folclórica do Espírito Santo - numa das cenas, o personagem de Marcos Palmeira participa de uma festa típica do estado na região conhecida como Barra do Jucu. O elenco ainda traz Suzana Faini, Rosi Campos, Ênio Gonçalves, André Barros, Margareth Galvão e as participações especiais de Ernani Moraes e Paulo Betti (na época, casado com Eliane Giardini). E também tem a memorável atuação de Jacyra Silva, como empregada de Lora - Jacyra faleceria pouco tempo depois do início das filmagens, que tiveram início em 1994.

Assim como Jacyra, o diretor Amylton de Almeida não viu O amor está no ar estrear nos cinemas. Infelizmente, sua saúde foi superada pela burocracia do cinema nacional - e do descaso do resto do país com produções que não sejam do eixo Rio-São Paulo. Descaso que continuou quando o filme passou por estes centros, já que a repercussão foi mínima (e negativa). Nem mesmo o prêmio de Melhor Atriz para Eliane Giardini no Festival de Gramado fez com que o público prestasse atenção nesta, até o momento, única manifestação bem sucedida de longa-metragem feita totalmente no Espírito Santo.

E nada melhor para um filme capixaba do que ter em sua trilha a presença de um dos filhos mais ilustres de sua terra. Roberto Carlos aparece em O amor está no ar com uma música presente no LP de 1972 e que ilustra bem a situação de Lora no filme.

Segue a letra! Na foto, Eliane Giardini e Marcos Palmeira em O amor está no ar.

Abraços a todos, Vinícius.

POR AMOR - Roberto e Erasmo

Eu ouvi dizer que você falou
Que está pensando em voltar pra mim
E se entristece ao saber como eu estou

Mas você precisa saber que eu
Ainda tenho um pouco de orgulho em mim
E embora quase morto eu tenho aquele amor
Mas eu não vou deixar você me ver assim

Minha vida se modificou
Do que eu era nada mais eu sou
Eu me perdi

E no submundo onde estou
Sobrevivo sem saber se vou
Ainda crer no amor
Mesmo sem ter você

Mas se um dia
Se um dia você voltar
Então eu vou ter chance de me levantar

Pois só você me pode
Estender a mão
Mas se não for por amor
Me deixe aqui no chão

Me deixe aqui no chão
Me deixe aqui no chão...

domingo, 7 de dezembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 16


Olá, amigos.

Em seu antpenúltimo post, a série Roberto Carlos e o cinema apresenta mais uma produção cinematográfica estrangeira que teve RC participando de sua trilha musical. E eis que a dupla Roberto Carlos e Erasmo Carlos aportou no cinema de Hollywood!

Com direção de Steven Soderbergh, Doze homens e outro segredo foi lançado em 2004, como continuação do bem sucedido filme Onze homens e um segredo, que fora para as telas do cinema dois anos antes. O filme tem em seu elenco os nomes de Brad Pitt, George Clooney, Catherine Zetha-Jones, Andy Garcia, Matt Damon e Julia Roberts num enredo no qual um grupo de bandidos decide praticar um assalto. Em meio aos desencontros do bando, eles acabam indo parar na Itália, onde vão arriscar um roubo muito mais ousado.

Roberto Carlos aparece em uma das cenas rodadas em terras italianas para Doze homens e outro segredo. Ele aparece através da voz de Ornella Vannoni (cantora que não só gravou várias canções de RC como já interpretou músicas de Toquinho e Vinícius neste idioma), que interpreta a versão italiana de um grande sucesso de Roberto e Erasmo - lançado originalmente por Erasmo em seu LP Erasmo Carlos e Os Tremendões e depois gravado pelos autores da canção no disco Erasmo Carlos convida..., de 1980.

Segue a letra! Na foto, o cartaz de Doze homens e outro segredo.

Abraços a todos, Vinícius.

L'APPUNTAMENTO (Sentado à beira do caminho) - Roberto e Erasmo (versão de Fiorello)

Ho sbagliato tante volte ormai che lo so già
Che oggi quasi certamente
Sto sbagliando su di te ma una volta in più
Che cosa può cambiare nella vita mia...

Accettare questo strano appuntamento
È stata una pazzia!
Sono triste tra la gente
che mi sta passando accanto

ma la nostalgia di rivedere te
È forte più del pianto:
Questo sole accende sul mio volto
Un segno di speranza...

Sto aspettando quando ad un tratto
Ti vedrò spuntare in lontananza!
Amore, fai presto, io non resisto...
Se tu non arrivi non esisto
Non esisto, non esisto...

E cambiato il tempo e sta piovendo
Ma resto ad aspettare
Non m'importa cosa il mondo può pensare
Io non me ne voglio andare.

Io mi guardo dentro e mi domando
Ma non sento niente
Sono solo un resto di speranza
Perduta tra la gente

Amore è già tardi e non resisto...
Se tu non arrivi non esisto
Non esisto, non esisto...

Luci, macchine, vetrine, strade
Tutto quanto si confonde nella mente
La mia ombra si è stancata di seguirmi
Il giorno muore lentamente

Non mi resta che tornare a casa mia
Alla mia triste vita
Questa vita che volevo dare a te
L' hai sbriciolata tra le dita.
Amore perdono ma non resisto...

Adesso per sempre non esisto
Non esisto, non esisto...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 15


Olá, amigos.

A série Roberto Carlos e o cinema traz neste e no próximo post produções estrangeiras que tiveram a participação de Roberto e Erasmo em suas trilhas. Hoje é a vez de mostrarmos uma canção da dupla presente em uma co-produção entre Itália e França.

Datado de 1974, Violência e paixão (título em português para Gruppo di famiglia in un interno, na foto) é o penúltimo filme do cineasta Luchino Visconti, considerado um dos maiores realizadores do cinema italiano. Diretor de Morte em Veneza, Visconti se caracterizava por seu perfeccionismo, em filmes que propunham amplas discussões.

É o caso de Violência e paixão, na qual um professor de ciências (papel de Burt Lancaster) solitário e recluso vê sua tranqüilidade ser abalada com a chegada de um inquilino misterioso para morar no andar de cima. O vizinho rebelde tem um grupo de amigos, que incluem uma marquesa e sua filha (e ambas têm envolvimento sexual com ele) e um rapaz ligado ao marxismo.

Estas pessoas vivem sob o mesmo teto, embora se odeiem mutuamente, e os constantes atritos cada vez mais invadem a privacidade do professor. Através deste enredo, Luchino Visconti coloca na tela conflitos sociais e morais, como os choques entre o tradicional e o novo, a tecnologia em oposição à modernidade, embate entre esquerda e direita. O filme também mostra a dificuldade dos homens se relacionarem pacificamente, frivolidades da aristocracia, solidão e relações familiares.

O filme também impressiona pela delicadez de sua trilha, toda assinada por Franco Mannino. E é um privilégio ter uma canção de Roberto e Erasmo Carlos na música desta produção.

Testarda io, versão em italiano para a canção À distância, lançada no LP de Roberto Carlos no ano de 1972, é interpretada pela cantora Iva Zanicchi. Ela embala uma cena bonita e ousada, na qual o professor observa por uma porta entreaberta um casal trocando carícias.

Segue a letra!

Abraços a todos, Vinícius.

TESTARDA IO (À distância) - Roberto e Erasmo (versão de C. Malgioglio)

Non so mai perchè ti dico sempre si
Testarda Io che ti sento più de così
E intanto porto i segni dentro me
Per le tue strane follie
Per la mia gelosia
La mia solitudine sei tu
La mia rabbia vera sei sempre tu
Ora non mi chiedere perchè
Se a testa bassa vado via
Per ripicca senza te

Io per orgoglio Io no ti salverei
E dei tuoi miti cosa ne farei
E intanto porto i segni dentro me
Di un amore che oramai
Vive solo dentro me

La mia solitudine sei tu
La mia rabbia vera sei sempre tu
Ora non mi chiedere perchè
Se a testa bassa vado via
Per ripicca senza te

Ti manderei all'inferno questo si
Testarda Io che ti sento più di così
E intanto porto i segni dentro me
Per le tue efedità
Per la mia fatalità

La mia solitudine sei tu
La mia rabbia vera sei sempre tu
Ora non mi chiedere perchè
Se a testa bassa vado via
Per ripicca senza te

La mia solitudine sei tu
La tu l'unico mio appiglio sei sempre tu
Ora non mi chiedere perchè
Se a testa bassa vado Io
Per ripicca senza te...

P.S.: JÁ CHEGOU! No Rio de Janeiro chegou o disco de Roberto Carlos e Caetano Veloso interpretando a música de Tom Jobim. Um show fantástico, em homenagem aos 50 anos de Bossa Nova através da safra do maestro soberano.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 14


Olá, amigos.

Hoje, este blogue mostra mais um momento em que a obra de Roberto Carlos e Erasmo Carlos tem seu elo com o cinema. Em especial, porque este filme foi o escolhido como representante do Brasil na disputa pelo Oscar, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, no ano de 2007.

Lançado em 2006, O ano em que meus pais saíram de férias tem direção de Cao Hamburguer (em seu segundo longa-metragem), e usa o título inocente para "camuflar" as condições nas quais algumas pessoas tiravam férias durante os lamentáveis "anos de chumbo". Só que, ao contrário dos muitos e excelentes filmes anteriores sobre recortes do período militar (Pra frente, Brasil, de Roberto Farias, e O que é isso, companheiro?, de Bruno Barreto), este filme é visto sob a ótica de uma criança.

O menino Mauro (papel de Michael Joelsas) se vê aos 12 anos distante dos pais, perseguidos pela repressão militar, e tendo de se acostumar a uma nova vida, trocando Belo Horizonte por São Paulo. Apesar do universo cinza na política brasileira, é o universo verde e amarelo que passa diante do olhar de Mauro - os jogos da Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo de 1970, e a vontade do garoto em crescer e se tornar um goleiro. E também durante o torneio de futebol, o menino anseia pela volta dos pais que "saíram de férias".

Conhecido por ser durante anos diretor do programa infantil Castelo Rá-Tim-Bum (e diretor do longa-metragem baseado no programa), exibido na TV Cultura, Cao Hamburguer transpõe com sensibilidade para a tela o recorte de uma criança sendo inserida num universo de adultos. No elenco do filme ainda estão Caio Blat, Liliana Castro, Simone Spoladore, Paulo Autran (em uma participação especial) e Germano Haiut - no papel do judeu Shlomo, um judeu que ensina muita coisa a Mauro.

O ano em que meus pais saíram de férias tem em sua trilha musical - assinada por Beto Villares - a participação de Roberto Carlos como cantor. De acordo com Hamburguer, o filme foi exibido ao próprio Roberto que, sensibilizado com a temática e com a história contada no longa-metragem, aceitou liberá-la.

Embora o título do filme seja parecido com uma canção que RC gravou em seu LP de 1972 - Quando as crianças saírem de férias - a música de seu repertório escolhida é a que abre o disco Roberto Carlos em ritmo de aventura, de 1967. E contribui para que a cena seja pontual no longa dirigido por Cao Hamburguer.

Segue a letra! Na foto, o cartaz do filme, que tentou levar RC rumo ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Abraços a todos, Vinícius.

EU SOU TERRÍVEL - Roberto e Erasmo

Eu sou terrível
E é bom parar
De desse jeito
Me provocar

Você não sabe
De onde eu venho
O que eu sou
E o que tenho

Eu sou terrível
Vou lhe dizer
Que ponho mesmo
Pra derreter

Estou com a razão no que digo
Não tenho medo nem do perigo
Minha caranga é máquina quente

Eu sou terrível
E é bom parar
Porque agora
Vou decolar

Não é preciso
Nem avião
Eu vôo mesmo
Aqui do chão

Eu sou terrível
Vou lhe contar
Não vai ser mole
Me acompanhar

Garota que andar do meu lado
Vai ver que eu ando mesmo apressado
Minha caranga é máquina quente
Eu sou terrível, eu sou terrível

Eu sou terrível...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Roberto Carlos e o cinema - 13



Olá, amigos.

Este blogue prestigia hoje o encontro de Roberto Carlos com um grande seriado da televisão brasileira, que ocorreu graças à magia do cinema. No ano passado estreou A grande família - o filme, versão cinematográfica envolvendo a família Silva presente todas as quintas-feiras na TV Globo. A história acontece quando Lineu (papel de Marco Nanini) está prestes a saber se tem um problema de saúde que pode levá-lo à morte, e começa a refletir sobre como viveu e como cuidou de sua família - a esposa Nenê, os filhos Tuco e Bebel e o genro Agostinho (respectivamente, Marieta Severo, Lúcio Mauro Filho, Guta Stresser e Pedro Cardoso).

Além de ter também a participação dos personagens fixos no seriado - a cabelereira Marilda (interpretada por Andréa Beltrão), o chefe da repartição de Lineu, Mendonça (a cargo de Tonico Pereira) e o dono de pastelaria Beiçola (vivido por Marcos Oliveira) - o filme tem Paulo Betti como Carlinhos e Dira Paes como Marina. Uma homenagem a um programa de televisão que, depois de 35 anos de sua primeira vez na TV, chegou ao cinema.

Criado por Oduvaldo Vianna Filho e Armando Costa, A grande família estreou em 26 de outubro de 1972, tendo no elenco Jorge Dória (Lineu), Eloísa Mafalda (dona Nenê), Brandão Filho (seu Flor), Luiz Armando Queiroz (Tuco), Djenane Machado (Bebel), Paulo Araújo (Agostinho) e Osmar Prado (Júnior). Inicialmente, o seriado era uma adaptação do humorístico americano Tudo em família, mas a rejeição do público fez com que os autores reformulassem para "abrasileirar" a 'grande família'.

Em época de Ditadura Militar, Vianinha colocou o personagem Júnior para fazer críticas sociais e políticas. Quase sempre suas falas eram censuradas, assim como alguns episódios. No segundo ano da série, a atriz Djenane Machado pediu para sair, alegando ter "receio de ficar marcada pela personagem". Maria Cristina Nunes entrou em seu lugar no papel de Bebel.

Depois de 112 episódios, A grande família foi ao ar pela última vez em 27 de março de 1975. Alguns meses antes, Vianinha tinha falecido em função de um câncer no pulmão. Paulo Pontes chegou a substituí-lo como redator principal, mas desistiu por não se sentir em condições psicológicas.

Quase três décadas depois, A grande família voltou, tendo dentre seus redatores Cláudio Paiva, Adriana Falcão e Bernardo Guilherme. O personagem Júnior não voltou nesta reedição, e os personagens foram inseridos na atualidade pós-século XXI. Originalmente, ela ia ao ar no horário das 23h das quintas-feiras, depois do policial Linha direta. Só mesmo quando, em função dos horários da Copa do Mundo de 2002, o seriado foi exibido na primeira linha da TV Globo (termo designado para o horário de depois da novela das 21h) às quartas-feiras, a emissora decidiu inverter o horário de quinta: primeiro, A grande família e depois, Linha direta.

A grande família sofreu um outro baque. Em 24 de julho de 2003, o ator Rogério Cardoso, que interpretava seu Flor, o pai de Nenê, faleceu aos 66 anos. No primeiro episódio sem o ator, a cena inicial trouxe Nenê colocando os pratos na mesa chamando os nomes da família e, ao final, ela suspirava dizendo não se acostumar a ficar sem o pai. Felizmente, o seriado manteve o bom nível, graças ao ótimo elenco e à qualidade do texto. E agora em 2007 chegou aos cinemas, e só na primeira semana chegou a 300 mil espectadores.

Roberto Carlos está presente em A grande família - o filme com três músicas. Uma como autor, com Gatinha manhosa, interpretada pelo outro autor da canção - Erasmo Carlos, e nas outras duas como intérprete. Uma delas é Esqueça, gravação de seu LP de 1966. A outra tem o privilégio de ser o tema de dona Nenê em seus encontros e desencontros na "grande família". A faixa fez parte do LP de RC no ano de 1977.

Seguem as letras! Na foto, o pôster de A grande família - o filme.

Abraços a todos, Vinícius.

GATINHA MANHOSA - Roberto e Erasmo

Meu bem
Já não precisa
Falar comigo
Dengosa assim...

Briga, para depois
Ganhar mil carinhos de mim
Se eu aumento a voz
Você faz beicinho
E chora baixinho
E diz que a emoção
Dói seu coração...

Já, não acredito
Se você chora
Dizendo me amar
Eu sei que na verdade
Carinhos você quer ganhar...

Um dia gatinha manhosa
Eu prendo você
No meu coração
Quero ver você
Fazer manha então
Presa no meu coração
Quero ver você..

*****

ESQUEÇA - Mark Anthony (versão de Roberto Côrte Real)

Esqueça, se ele não te ama
Esqueça, se ele não te quer
Não chore mais, não sofra assim
Porque posso te dar amor sem fim

Ele não pensa em querer-te
Te faz sofrer e até chorar, oh, oh,
Não chore mais, vem pra mim, vem
Não sofra, não pense, não chore mais, meu bem

Esqueça! Esqueça! Não chore mais, esqueça!

Ele não pensa em querer-te
Te faz sofrer e até chorar, oh, oh,
Não chore mais, vem pra mim, vem
Não sofra, não pense, não chore mais, meu bem

Não chore mais, meu bem...

*****

OUTRA VEZ - Isolda

Você foi o maior dos meus casos
De todos os abraços o que eu nunca esqueci
Você foi dos amores que eu tive
O mais complicado e o mais simples pra mim

Você foi o melhor dos meus erros
A mais estranha história que alguém já escreveu
E é por essas e outras
Que a minha saudade faz lembrar de tudo outra vez

Você foi a mentira sincera
Brincadeira mais séria que me aconteceu
Você foi o caso mais antigo
O amor mais amigo que me apareceu

Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim
Outra vez

Esqueci de tentar te esquecer
Resolvi te querer por querer
Decidi te lembrar quantas vezes
Eu tenha vontade sem nada perder

Ah... você foi toda a felicidade
Você foi a maldade que só me fez bem
Você foi o melhor dos meus planos
E o maior dos enganos que eu pude fazer

Das lembranças que trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim
Outra vez...