quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - EXPLODE CORAÇÃO




Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos apresenta hoje mais um episódio da ligação da obra de RC com a teledramaturgia brasileira. Desta vez, para uma trama do horário das 20h30.



No ar a partir de 6 de dezembro de 1995, EXPLODE CORAÇÃO. causou muita polêmica nos bastidores. Glória Perez mostrou o povo cigano, de onde vinha Dara (vivida por Tereza Seiblitz), que quebrava uma tradição secular ao negar se casar com seu noivo prometido - Igor (atuação lamentável de Ricardo Macchi). Sua família tinha reações
diferentes à atitude de Dara: os pais dela, Lola e Jairo (memoráveis atuações de Eliane Giardini e Paulo José), enquanto a irmã Ianca (interpretada por Leandra Leal) achava o cenário ideal para lutar pelo amor do rapaz.





Pioneira em narrar o amor em tempos cibernéticos, a autora colocou Dara em contato com o empresário Júlio Falcão (papel de Edson Celulari). Sedutor e mesquinho, Júlio vivia um casamento de aparências com Vera (vivida por Maria Luiza Mendonça) e tinha um caso com a prima dela, Eugênia (feita por Françoise Fourton). Uma cena de amor dos
protagonistas levou uma advogada cigana a entrar na Justiça contra a emissora: ela dizia que a novela depreciava seu povo e suas tradições (dentre elas, a que impõe virgindade a todas as mulheres solteiras). Ela conseguiu uma liminar para impedir a exibição da cena, mas a Rede Globo recorreu e pôde passá-la sem cortes.



O amor entre pessoas que se conheciam através da Internet (então pouco difundida no país) também foi tema dos personagens Ione e Edu (respectivamente, Deborah Evelyn e Cássio Gabus Mendes). Em seu papel de estreia, o ator Floriano Peixoto se destacou como o homossexual Sarita Witt, mas seu personagem foi alvo de protestos de grupos gays, que não aceitavam o fato de não estar definido o seu "comportamento" -
não era específico se ele se tratava de um travesti, um transformista ou um transexual.

O núcleo pobre trouxe personagens memoráveis. Rogério Cardoso e Regina Dourado tiveram atuações hilárias como a dupla Salgadinho e Lucineide. Alguns meses depois do fim de Explode coração (seu fim foi ao ar em 4 de março de 1996), Rogério se candidatou a vereador com o nome de Salgadinho. Guilherme Karan também esteve ótimo no papel de Bebeto "A jato", um fã e cover de Elvis Presley.

Glória Perez usou outra personagem do núcleo pobre para fazer a campanha social desta novela. O filho de Odaísa (vivida por Isadora Ribeiro), Gugu (o menino Luiz Cláudio Júnior), desaparecia. Ela então ia para o bairro da Cinelândia e se juntava a mães que buscavam notícias de crianças desaparecidas. No decorrer dos capítulos apareciam inserções de mães da vida real (as Mães da Cinelândia) fazendo apelos por seus filhos, e a cada encerramento de capítulo eram apresentadas fotos de crianças que tinham desaparecido. As estatísticas afirmam que no período de exibição da novela foram localizadas 64 crianças que estavam desaparecidas.

Ao final da novela, Gugu era achado. Geraldo (papel de Gracindo Júnior), homem que havia se envolvido com Odaísa, havia raptado o menino para vendê-lo a um casal de alemães.



Foi na voz de Simone que a música de Roberto e Erasmo esteve presente em Explode coração. Lançada por RC originalmente em seu LP de 1982, ela foi tema da Eugênia de Françoise Fourton, a amante obcecada por Júlio Falcão.

Segue a letra! Na foto, o povo cigano da novela.

Abraços a todos, Vinícius.

PENSAMENTOS - Roberto e Erasmo

Pensamentos que me afligem
Sentimentos que me dizem
Dos motivos escondidos
Na razão de estar aqui

As perguntas que me faço
São levadas ao espaço
E de lá eu tenho todas
As respostas que eu pedi

Quem me dera que as pessoas que se encontram
Se abraçassem como velhos conhecidos
Descobrissem que se amam
E se unissem na verdade dos amigos

E no topo do universo uma bandeira
Estaria no infinito iluminada
Pela força desse amor, luz verdadeira
Dessa paz tão desejada

Pensamentos que me afligem
Sentimentos que me dizem
Dos motivos escondidos
Na razão de estar aqui

E eu penso nas razões da existência
Contemplando a natureza nesse mundo
Onde às vezes aparentes coincidências
Têm motivos mais profundos

Se as cores se misturam pelos campos
É que flores diferentes vivem juntas
E a voz dos ventos na canção de Deus
Responde todas as perguntas

Pensamentos que me afligem
Sentimentos que me dizem...

Pensamentos que me afligem
Sentimentos que me dizem...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - IRMÃOS CORAGEM




Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos prossegue, comprovando o quanto RC começou a ficar presente nas obras de teledramaturgia a partir da década de 1990. A obra de hoje foi a sucessora de Tropicaliente, citada anteriormente nesta série.



Em 2 de janeiro de 1995, a TV Globo começou a comemoração dos seus 30 anos reeditando a saga dos IRMÃOS CORAGEM, contada por Janete Clair em 1970. Os irmãos, que tinham sido interpretados na primeira versão por Tarcísio Meira, Cláudio Marzo e Cláudio Cavalcanti, foram vividos por Marcos Palmeira (João), Marcos Winter (Duda) e Ilya São Paulo (Jerônimo).

Ambientada na fictícia Coroado (em 1970, era localizada em Goiás, e na segunda versão foi mudada para interior de Minas Gerais), a novela contava a história do garimpeiro João. João Coragem encontrava um diamante valioso, mas era roubado de suas mãos pelo coronel Pedro Barros (numa participação afetiva de Cláudio Marzo, 25 anos depois), o homem mais poderoso da região.



No entanto, ele conhecia e se apaixonava pela filha do coronel, a tímida Lara (interpretada por Letícia Sabatella), que desenvolve outras duas personalidades: Diana, seu extremo oposto, e Márcia, um meio termo entre Lara e Diana.



O irmão Jerônimo entrava na briga contra Pedro Barros através da política, no partido de esquerda. Ele tinha uma paixão reprimida por sua irmã de criação, a índia Potira (estreia de Dira Paes na emissora), e para fugir deste amor se envolvia com Lídia (vivida por Isabela Garcia), filha de um político de esquerda.

O outro filho de Sinhana (papel de Laura Cardoso), Duda, era um famoso jogador do Flamengo. Ao retornar a Coroado, ele reencontrava sua paixão de juventude - Ritinha (na primeira versão, foi feita por Regina Duarte, e nesta segunda, a filha dela, Gabriela, ficou com o papel). O artilheiro estava envolvido com outra mulher - Paula (feita por Rita Guedes) - mas acabava tendo uma noite de amor com Ritinha e era obrigado a casar-se com ela.

Escrita originalmente para o horário das 20h, esta reedição no início da tarde não teve a menor repercussão. O tamanho da novela também foi reduzido - a versão original teve 328 capítulos (mais de um ano no ar), e esta (que terminou em primeiro de julho de 1995) teve 155. O viúvo de Janete Clair, Dias Gomes, que adaptava a novela, acusou o diretor que iniciou a novela - Luiz Fernando Carvalho - de alterar o ritmo e a linguagem da história com as polêmicas linguagens cinematográficas que ele coloca nas tramas que dirige - Os Maias, Renascer, Hoje é dia de Maria e Capitu.


A escalação do elenco teve algumas participações afetivas: assim como Cláudio Marzo, Suzana Faini e Emiliano Queiroz também participaram da primeira versão de Irmãos Coragem. Maurício Gonçalves interpretou Brás Canoeiro, que seu pai Milton fez na novela de 1970.

Alguns finais dos personagens foram alterados em relação ao texto de Janete Clair. O casal Jerônimo e Potira, que morria num tiroteio, desta vez teve um final ambíguo. Na última cena, apareciam os dois num veleiro em alto-mar. O coronel Pedro Barros, que morria depois de atear fogo em todas as casas da cidade, desta vez colocou fogo apenas em sua própria casa, matando o delegado Lozada (Flávio Galvão foi escalado às pressas para a novela, porque o ator Jackson Antunes, que interpretava o delegado Diogo Falcão, teve uma trombose no decorrer da novela, e foi afastado).



A outra mudança significativa foi em relação ao personagem Duda. Em 1970, Janete Clair foi obrigada a retirar os personagens Duda e Ritinha da novela, porque os atores Cláudio Marzo e Regina Duarte tinham sido escalados para outra novela da emissora - Minha doce namorada. O jogador ia atuar no futebol paulista e os dois saíam da trama.

Na versão de 1995, Duda ficou até o final. Além do Flamengo, ele também jogaria no Corínthians. Numa de suas idas a Coroado, ele levava um tiro na perna. Seu sogro, o Doutor Maciel (vivido por Emiliano Queiroz), errava na cirurgia, e ele corria o risco de ficar sem atuar. Para aliviar as dores, Duda tomava injeções na perna - prática muito frequente no futebol brasileiro, inclusive no craque Garrincha. Ao fim da trama, Duda se recuperava e era vendido para o futebol espanhol - e levava Ritinha com ele para a Espanha.

Foi tema do casal a música de Roberto e Erasmo presente em Irmãos Coragem. Presente originalmente no LP de RC de 1971, a voz delicada de Evinha cantou a história de um casal que se perdia de tanto amor.



Segue a letra! Na foto, Marcos Winter e Gabriela Duarte.

Abraços a todos, Vinícius.

DE TANTO AMOR - Roberto e Erasmo

Ah, eu vim aqui amor só pra me despedir
E as últimas palavras
Desse nosso amor
Você vai ter que ouvir

Me perdi de tanto amor
Ah, eu enlouqueci
Ninguém podia amar assim e eu amei
E devo confessar, aí foi que eu errei

Vou te olhar mais uma vez
Na hora de dizer adeus
Vou chorar mais uma vez
Quando olhar nos olhos seus, nos olhos seus

A saudade vai chegar, e por favor meu bem
Me deixe pelo menos só te ver passar
Eu nada vou dizer
Perdoa se eu chorar

sábado, 9 de outubro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - PÁTRIA MINHA



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos continua a enumerar momentos da teledramaturgia nos quais a obra de RC apareceu como campeã de audiência. E hoje, é a vez da sucessora de Fera ferida.



Com estreia marcada para 18 de julho de 1994 - um dia depois da decisão da Copa do Mundo daquele ano, vencida pela Seleção Brasileira nos pênaltis por 3 a 2, após empate em 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação - Gilberto Braga encerrou uma trilogia temática de suas obras da novela das 20h30. Assim como Vale tudo (de 1989) e O dono do mundo (de 1991, citada nesta série), PÁTRIA MINHA questionava se valia a pena ser honesto no Brasil.

A trama começa quando Alice (papel de Cláudia Abreu) testemunhaum atropelamento causado pelo empresário Raul Pelegrine (vivido por Tarcísio Meira). Ela épressionada a depor em favor de Raul, mas não aceita as tentativas de suborno do empresário. O atrito entre Alice e Raul continua quando ela se alia a Pedro (interpretado por José Mayer), que liderava uma revolta contra o empresário, por este haver ordenado a desocupação da favela onde os pais de Pedro estavam morando.

Em Pátria minha havia também Lídia Laport (feita por Vera Fischer), mulher que abominava pobreza e, para ascender socialmente se casando com Raul Pelegrine, se aproximava da esposa dele, Teresa (papel de Eva Wilma), com a intenção de desfazer o casamento deles de 39 anos. Entretanto, o retorno de Pedro ao Brasil fazia Lídia balançar entre o amor dele e a segurança do relacionamento com Raul.

Em mais um trama bem elaborada, com diálogos e cenas marcantes, Gilberto Braga abordou questões fundamentais, que permanecem atuais no Brasil. Moradia, racismo (graças a uma cena fantástica em que Raul Pelegrine humilha seu empregado Kennedy, feito por Alexandre Moreno, houve o primeiro embate de uma emissora de TV com o movimento SOS Racismo), brasileiros que vivem nos Estados Unidos, dentre outros. Entretanto, um incidente de bastidores fez com que o autor desse um novo rumo à trama.



Numa briga com seu então marido Felipe Camargo (que interpretava Inácio na mesma novela), Vera Fischer quebrou o antebraço. O motivo seriam ciúmes dela em relação às cenas de Felipe com Isadora Ribeiro (que vivia Cilene, par romântico de Inácio). Houve um afastamento temporário de Vera, e Gilberto teve de reescrever boa parte de suas cenas - os "capítulos de frente" (espaço entre os capítulos que estão sendo gravados e os que estão indo ao ar) caíram de oito para dois.

Depois de algum tempo, a personagem Lídia retornou à trama. No entanto, os atrasos dela e o clima com Felipe Camargo fizeram com que os dois atores fossem afastados. Gilberto Braga criou um incêndio num hotel de propriedade de Raul Pelegrine, no qual os personagens Lídia e Inácio morriam.

Para o personagem Pedro, de José Mayer, surgiu um novo par romântico. Escalada às pressas, a atriz Luiza Tomé (que havia feito a novela anterior no horário, Fera ferida - também já citada na série Roberto Carlos em capítulos) entrou como Isabel, mulher que havia perdido o filho de 10 anos no incêndio do hotel.



Houve algumas mudanças de trajetória dos personagens, e a maior delas foi com Raul Pelegrine. De inescrupuloso, ele se tornou um homem bom, disposto a desfazer todo o mal que causou às pessoas que o cercavam. A vilania ficou a cargo da grande atuação de Marieta Severo, no papel de Loreta.



Roberto Carlos esteve presente como autor em dois temas de Pátria minha. Você, na voz de Maria Bethânia, o tema de Alice e Rodrigo (este personagem foi vivido por Fábio Assunção). Ela disputava o rapaz com Beatriz, mas a gravidez da atriz Carolina Ferraz começou a aparecer, e a solução foi trocar o "triângulo" para a personagem Bárbara, feita por Deborah Evelyn.

A outra canção da dupla serviu perfeitamente para o contexto do personagem Pedro. No início da novela, ele voltava ao Brasil com a esposa Natália (papel de Renata Sorrah) depois de anos morando nos Estados Unidos. Assim como o homenageado original desta música (Caetano Veloso, que a canta na trilha de Pátria minha), Pedro voltava de seu "exílio".



Seguem as letras! Na foto, Renata Sorrah e José Mayer.

Abraços a todos, Vinícius.

VOCÊ - Roberto e Erasmo

Você, que tanto tempo faz
Você, que eu não conheço mais
Você, que um dia eu amei
Demais

Você, que ontem me sufocou
De amor e de felicidade
Hoje me sufoca
De saudade

Você, que já não diz pra mim
As coisas que eu preciso ouvir
Você, que até hoje eu
Não me esqueci

Você, que eu tento me enganar
Dizendo que tudo passou
Na realidade, aqui em mim
Você ficou

Você, que eu não encontro mais
Os beijos que já não lhe dou
Fui tanto pra você
E hoje nada sou...

*****

DEBAIXO DOS CARACÓIS DOS SEUS CABELOS - Roberto e Erasmo

Um dia a areia branca seus pés irão tocar
E vai molhar seus cabelos a água azul do mar
Janelas e portas vão se abrir pra ver você chegar
E ao se sentir em casa sorrindo vai chorar

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar de um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade de ficar mais um instante

As luzes e o colorido que você vê agora
Nas ruas por onde anda, na casa onde mora
Você olha tudo e nada lhe faz ficar contente
Você só deseja agora voltar pra sua gente

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar de um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade de ficar mais um instante

Você anda pela tarde e o seu olhar tristonho
Deixa sangrar no peito uma saudade, um sonho
Um dia vou ver você chegando num sorriso
Pisando a areia branca que é seu paraíso

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar de um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade de ficar mais um instante...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - TROPICALIENTE



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos continua a recordar as participações de RC - como cantor e compositor - nas obras de teledramaturgia do país. E a trama de hoje é assinada pelo mesmo dramaturgo que escreve Araguaia, atual novela das seis da TV Globo.



Walter Negrão assinou a novela TROPICALIENTE, que foi exibida na faixa das 18h da TV Globo entre 16 de maio e 31 de dezembro de 1994. Ambientada nas praias de Fortaleza, a trama conta a história de Ramiro (vivido por Herson Capri), um pescador que vive com sua esposa Serena (papel de Regina Dourado) e seus filhos Açucena e Cassiano (respectivamente, Carolina Dieckmann e Márcio Garcia) numa aldeia.



Lá, vive um casal de amigos de Ramiro - o pescador Samuel e sua esposa Ester (Stênio Garcia e Ana Rosa), que têm os filhos Dalila e Davi (Carla Marins e Delano Avelar). Enquanto Dalila namora com Cassiano, Davi renega os pais, por sua origem humilde.


Ramiro reencontra a milionária Letícia Velasquez (personagem de Silvia Pfeifer), sua paixão da juventude, que agora está viúva, e tem problemas com seus filhos Vitor e Amanda (respectivamente, Selton Mello e Paloma Duarte). Os dois se reaproximam, e o relacionamento volta a mexer com os dois, gerando conflitos afetivos - como a pressão de François (vivido por Vitor Fasano), que é apaixonado por Letícia, e a aproximação dos filhos de Ramiro e Letícia, Açucena e Vitor.

A novela de Walter Negrão não despertou interesse do público, e ainda teve de ser esticada para que a sua sucessora, a segunda versão de Irmãos coragem. A ideia era que a estreia nos primeiros dias de 1995 dessem um tom de que estava iniciada da comemoração dos 30 anos da TV Globo.

Um dado curioso: Mesmo com a pouca repercussão no Brasil, Tropicaliente teve um grande sucesso na Rússia. No país, a novela recebeu o nome de Tropikanka.



Em Tropicaliente, Roberto Carlos interpretou o tema da doce Açucena, e do romance dela com Vitor, rapaz com sérios problemas psicológicos.

Segue a letra! Na foto, Carolina Dieckmann em uma cena da novela.

Abraços a todos, Vinícius.

TANTA SOLIDÃO - Mauro Motta, Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle

Você não sabe
Quanta saudade você me deixou
Lindos momentos
Coisas que o tempo jamais apagou
Foi tanta emoção, amor
Tanta coisa que ficou
Foi tanta paixão
Tanta coisa pra um só coração

Sinto saudade
Daquele tempo que a gente sonhou
Mas no meu peito
A realidade é que nada mudou

Quanta solidão, amor
Quanta solidão, amor
E a recordação
É demais para um só coração

São coisas que eu não sei como dizer
Mas eu sei que o meu silêncio você sabe compreender
Se você está tão longe, tão distante pra voltar
Saiba que eu estou tão perto sem saber como chegar

Talvez sejam lembranças, nada mais
E eu não sei dizer se os nossos sentimentos são iguais
Já tentei, já fiz de tudo e não consigo te esquecer
Às vezes penso que os meus sonhos não existem sem você

Você não sabe
Quanta saudade você me deixou
Sinto vontade
De te buscar e dizer como estou

Foi tanta emoção, amor
Tanta coisa que ficou
Tanta solidão
É demais para um só coração

Talvez sejam lembranças, nada mais
E eu nem sei dizer se os nossos sentimentos são iguais
Já tentei, já fiz de tudo e não consigo te esquecer
Às vezes penso que os meus sonhos não existem sem você

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - FERA FERIDA



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos traz hoje um momento interessante da ligação de RC com a teledramaturgia. Trata-se do momento em que uma novela tomou emprestado o título de uma canção de Roberto Carlos e Erasmo Carlos.



Em FERA FERIDA, exibida de 15 de novembro de 1993 a 16 de julho de 1994, Aguinaldo Silva se inspirou no universo ficcional de Lima Barreto (através de contos como O homem que sabia javanês e Clara dos Anjos), para criar Tubiacanga. O misterioso Raimundo Flamel (vivido por Edson Celulari) voltava à sua cidade natal, para vingar a morte dos pais.

O pai de Flamel, o então prefeito Feliciano (participação de Tarcísio Meira) convenceu o povo de Tubiacanga sobre a existência de ouro. No entanto, a mulher e o filho foram expulsos da cidade quando se descobriu que a pepita de ouro encontrada era falsa.



Dotado de poderes científicos, como transformar ossos em ouro, Flamel planeja destruir os poderosos de Tubiacanga, um por um - o prefeito Demóstenes (personagem de José Wilker) e o ambicioso Major Bentes (papel de Lima Duarte). Mas, por um acaso do destino, Flamel se envolve com a filha de Demóstenes, a batalhadora Linda Inês (interpretada por Giulia Gam).

Mais uma vez, Aguinaldo Silva ratificou seu talento em criar personagens marcantes. Suzana Vieira encarnou a fogosa Rubra Rosa, e seus encontros amorosos com Demóstenes eram tão quentes que inflamavam tudo ao redor. Cláudia Ohana vivia Camila, que entrava em sono profundo e dormia por anos, e o coveiro Orestes (papel de Cláudio Marzo), que através de conversas com os mortos sabia tudo sobre as famílias de Tubiacanga.

Mas sua imaginação não ficou restrita a personagens exóticos. Houve também um grande espaço para o realismo fantástico. O céu de Tubiacanga foi palco de uma chuva de ouro e da "Aurora Boreal", e Raimundo Flamel recebeu o "toque de Midas" - rei que recebeu o poder de tudo o que ele tocar transformar-se em ouro.



Cássia Kiss também teve grande destaque, no papel de Ilka Tibiriçá, uma mulher que se vestia ao estilo dos anos 60 e era apaixonada pelo filme O candelabro italiano. As tentativas de Ilka em curar a impotência do ex-jogador de futebol Ataliba (grande atuação de Paulo Gorgulho) também foram um caso à parte.

Outros destaques da trama foram o Professor Praxedes (intelectual vivido por Juca de Oliveira) e seu filho Etevaldo (papel de Pedro Vasconcelos), "o homem que sabia javanês". A exuberante Cláudia Alencar) e sua fiel companheira, a astróloga Vania Marina (quem não se lembra do `alô além` de Rosane Gofman?). O amor entre Zigfride e Áureo Poente (respectivamente, Deborah Evelyn e Cláudio Fontana). O romântico Fabrício (primeiro papel de Murilo Benício), e o bêbado Afonso Henriques (ótima interpretação de Otávio Augusto).



Desta vez, Roberto e Erasmo tiveram o privilégio de abrir uma novela global. Pela voz de Maria Bethânia em uma grandiosa interpretação, a dupla mostrou a amargura e o desejo de vingança do protagonista Raimundo Flamel, que acabou com tudo e escapou com vida.

Segue a letra! Na foto, Edson Celulari, como o cientista Raimundo Flamel.

Abraços a todos, Vinícius.

FERA FERIDA - Roberto e Erasmo

Acabei com tudo
Escapei com vida
Tive as roupas e os sonhos
Rasgados na minha saída
Mas saí ferido
Sufocando meu gemido
Fui o alvo perfeito
Muitas vezes no peito atingido

Animal arisco
Domesticado esquece o risco
Me deixei enganar
E até me levar por você

Eu sei quanta tristeza eu tive
Mas mesmo assim se vive
Morrendo aos poucos por amor

Eu sei, o coração perdoa
Mas não esquece à toa
E eu não me esqueci

Eu andei demais
Não olhei pra trás
Era solto em meus passos
Bicho livre, sem rumo, sem laços

Me senti sozinho
Tropeçando em meu caminho
À procura de abrigo
Uma ajuda, um lugar, um amigo

Animal ferido
Por instinto decidido
Os meus rastros desfiz
Tentativa infeliz de esquecer

Eu sei que flores existiram
Mas que não resistiram
A vendavais constantes

Eu sei que as cicatrizes falam
Mas as palavras calam
O que eu não me esqueci

Não vou mudar
Esse caso não tem solução
Sou fera ferida
No corpo, na alma e no coração

Não vou mudar
Esse caso não tem solução
Sou fera ferida
No corpo, na alma e no coração

domingo, 3 de outubro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - RENASCER



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos chega hoje a mais uma saga exibida no horário nobre da TV Globo. Esta sequência de canções mostra participações de RC como cantor e compositor na teledramaturgia brasileira.

Após o sucesso retumbante com a qual ela teve que conviver no início da década - Pantanal, projeto que foi engavetado na TV Globo e acabou sendo o grande sucesso da história da TV Manchete - a emissora global conseguiu contratar novamente o autor Benedito Ruy Barbosa. Como prêmio, ele, que fazia muitas novelas rurais no horário das 18h, migrou para o horário das 20h30, com a certeza de que ele faria uma grande novela.



E o resultado foi sensacional. Em 8 de março de 1993, estreou RENASCER, novela com ares de superprodução, graças à requintada direção de Luiz Fernando Carvalho - artista que é conhecido por colocar um tom cinematográfico em suas obras para televisão.



Renascer contou a saga de Zé Inocêncio (Leonardo Vieira na primeira fase e Antônio Fagundes na segunda), um fazendeiro da zona cacaueira de Ilhéus, na Bahia. Pai de quatro filhos - José Augusto (primeiro papel de Marco Ricca), José Bento (vivido por Tarcísio Filho), José Venâncio (interpretado por Taumaturgo Ferreira) e João Pedro (papel de Marcos Palmeira)- ele nutre ódio por João.

Quando seu filho caçula nasceu, Maria Santa (feita por Patrícia França) morreu por causa das complicações no parto. As desavenças entre Zé Inocêncio e João Pedro se acentuam quando os dois disputam a jovem Mariana (vivida por Adriana Esteves). Além deste conflito, Inocêncio briga com Teodoro (personagem de Herson Capri) pela posse das terras.

Benedito ainda abordaria temas polêmicos, como o hermafroditismo de Buba (grande atuação da então estreante Maria Luiza Mendonça), o celibato religioso, com o Padre Lívio (personagem de Jackson Costa) se apaixonando por Joaninha (papel de Tereza Seiblitz) e os meninos de rua - com Teca (primeiro papel de Paloma Duarte).



Apesar de toda a trama ter sido bem-sucedida aos olhos do público - que a tornou um grande sucesso de audiência até seu último capítulo, em 13 de novembro - o maior destaque foi à primeira fase da novela. Além do trabalho de Luiz Fernando Carvalho, houve a luxuosa participação de Fernanda Montenegro e a excelente interpretação dos atores Leonardo Vieira e Patrícia França. O casal faria par romântico na novela Sonho meu. Na segunda fase, os atores Jackson Antunes, Isabel Fillardis e Leila Lopes também tiveram atuações de destaque.



Mas nem tudo foram flores nos bastidores da novela. Osmar Prado, que fazia o papel de Tião Galinha, personagem que era marido de Joaninha, se desentendeu com a TV Globo e saiu da novela. Benedito Ruy Barbosa teve de matar seu personagem. A atuação de Adriana Esteves como Mariana recebeu fortes críticas, a ponto dela cair em depressão após a trama acabar.

Aconteceu um dado curioso em relação ao último capítulo da novela: em virtude da transmissão de uma partida de futebol, uma parte do capítulo final foi ao ar no sábado. No domingo seguinte, a TV Globo reprisou o desfecho de Renascer, depois do Fantástico, mas desta vez na íntegra.

Roberto Carlos participou da trilha sonora de Renascer como intérprete. Sua voz cantou a submissão da esposa de Teodoro, depreciada pelo apelido de Dona Patroa, numa bela canção de Altay Velloso lançada por RC no disco de 1992.



Segue a letra! Na foto, Eliane Giardini, a Dona Patroa, com o marido Teodoro, vivido por Herson Carpri.

Abraços a todos, Vinícius

DITO E FEITO - Altay Veloso

Tô sem jeito até pra pensar
Já não sei o que faço
Quando deito cadê sua ternura
Cadê seus abraços
Se é defeito amar com loucura
Quem sabe com as juras
De amor te estraguei
Ou então eu jamais fui amado como eu te amei

Fechei meus olhos para os seus erros
Abri meu coração
Não dei ouvidos
Quando um amigo disse: "Cuidado!"

Quem se aventura com tal loucura
Se arrisca a sofrer
Foi dito e feito
Pois desse jeito perdi você

Toma jeito, diz a minha razão
Isso é coisa da vida
Dá-se um jeito nesse coração
Vá em frente, prossiga

Não tem jeito
Eu passei da medida
E agora sozinho só resta saber
De que jeito eu encontro a saída pra te esquecer

Fechei meus olhos para os seus erros
Abri meu coração
Não dei ouvidos
Quando um amigo disse:"Cuidado!"

Quem se aventura com tal loucura
Se arrisca a sofrer
Foi dito e feito
Pois desse jeito perdi você

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - DE CORPO E ALMA



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos apresenta hoje mais um episódio da ligação de RC com a teledramaturgia, como cantor e como compositor. E em mais uma obra exibida no horário nobre da TV Globo.



No dia 3 de agosto de 1992, estreava a novela De corpo e alma, nova obra na qual Glória Perez debatia temas polêmicos às 20h30. A novela contou a história do juiz Diogo (vivido por Tarcísio Meira), que tinha seu casamento com Antônia (papel de Betty Faria) ameaçado depois de se apaixonar por Betina (interpretada por Bruna Lombardi). Diogo abandonava a amante, que morria num acidente de carro.



O coração de Betina era transferido para Paloma (estreia na TV Globo de Cristiana Oliveira, depois de algumas participações em tramas da TV Manchaete), de quem Diogo se aproximava acreditando estar perto da amada. Paloma acabava se apaixonando por ele, sem saber do envolvimento com a doadora do coração, e deixava de lado o seu marido, Juca (interpretado por Victor Fasano), um strip-teaser que trabalhava no Clube das Mulheres. Juca se tornava protegido do dono do clube, o misterioso Vidal (vivido por Carlos Vereza), e se envolvia com a rica Stella (papel de Beatriz Segall).

Além de abordar o tema de transplante de coração (o que fez com que na primeira semana de exibição da novela o Instituto do Coração recebesse nove órgãos, depois de dois meses sem doação) e as boates de striptease masculino (proporcionando o surgimento de vários "clubes" deste tipo), Glória Perez ainda achou espaço para outras polêmicas. Casos de Simone (vivida por Vera Holtz), que era casada mas era amante do stripper Gino (papel de Guilherme Leme), que escondia dos pais a profissão.



A troca de crianças na maternidade - o casal Caíque e Bia (respectivamente, José Mayer e Maria Zilda Berthlem) que cuidavam de Júnior (o menino Aaron Hassan), na verdade filhos de Terê e Vado (respectivamente, Neuza Borges e Tonico Pereira), que cuidaram durante anos do filho deles, Pinguim (o menino Eduardo Caldas) - foi outra trama que agradou ao público. O ator Eri Johnson também chamou atenção por conta do visual gótico de seu personagem Reginaldo.



A canção de Roberto e Erasmo que fez parte de De corpo e alma acabou sendo trilha de uma história que não teve um final feliz. Na noite de 28 de dezembro de 1992, a filha de Glória, Daniella Perez, foi brutalmente assassinada pelo seu colega de elenco, Guilherme de Pádua, e a esposa dele, Paula Thomaz. Daniella e Guilherme eram o par romântico Yasmin e Bira. Cinco dias antes do crime ter acontecido, Daniella Perez apareceu no "Roberto Carlos Especial", interpretando Maria numa encenação da vida e da morte de Jesus Cristo narrada por Roberto Carlos.

Depois de sete capítulos assinados por Gilberto Braga e Leonor Bassères, Glória Perez voltou a escrever De corpo e alma até o final, que foi ao ar em 6 de março de 1993. Os autores interinos justificaram a saída da dançarina Yasmin com um viagem de estudos. Já Bira deixou de existir sem maiores explicações.



Em seu retorno ao comando de De corpo e alma, Glória Perez incluiu os temas da morosidade da Justiça e da inadequação do Código Penal. O primeiro capítulo sem Daniella Perez encerrou com depoimentos dos atores e do diretor Fábio Sabag.

Interpretada por Erasmo Carlos (e título do seu LP de 1992), a canção de Roberto Carlos e Erasmo Carlos era justamente o tema de Yasmin e Bira. Depois do que aconteceu, o próprio Erasmo decidiu retirar a música de seu show. Coisas da teledramaturgia que acabam influenciando no repertório musical...

Segue a letra! Na foto, Daniella Perez e Guilherme de Pádua, como Yasmin e Bira.

Abraços a todos, Vinícius.

HOMEM DE RUA - Roberto e Erasmo

Foi na febre da solidão
Que eu conheci você
A cura mais bonita
Que um homem pode ter

Já no toque da sua mão
Senti minha salvação
Do sal eu provei o mel
Da terra eu peguei no céu

Eu andava mal
Nas portas do inferno
Sem o fogo amigo
Do inverno

Quanto mais atalhos
Mais longe o meu caminho
O estádio cheio
E eu sozinho

Mas atolado na areia movediça
Eu conheci você
Desfiz o nó da corda do meu pescoço
E seu amor me trouxe do fundo do poço

Te amo...
Te amo...

Parece até que o sol
Encontrou a lua
Despoluída e nua
Meu bem, você salvou a vida
De um homem de rua...