sábado, 13 de setembro de 2008

Panoramas ecológicos - 2


Olá, amigos.

A série Panoramas ecológicos chega ao seu segundo post, apresentando as canções que falam sobre ecologia na safra assinada por Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Trata-se de uma homenagem do blogue ao Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no último dia 5.

A partir de hoje, este blogue passa a mostrar a safra do repertório de Roberto Carlos sobre as questões ambientais. Roberto e Erasmo foram praticamente pioneiros ao colocarem a ecologia em suas canções (assim como o maestro Antônio Carlos Jobim, um defensor incansável da natureza), e a mostrarem algumas visões críticas sobre os panoramas ecológicos de cada época da sua música.

O primeiro momento da safra ecológica data de 1976. Em seu lançamento daquele ano, Roberto interpretou uma música que questionava o preço das conseqüências do tão falado "progresso". Em seu Roberto Carlos Especial, RC apresentou a música com as seguintes palavras:

"O que me motivou a fazer essa música foram as baleias. Eu sou um homem do mar e as baleias me apaixonam de forma especial. E Erasmo Carlos, porque ama a natureza de forma especial. E me entristece o fato de que as baleias estão morrendo, desaparecendo e enchendo o mar de sangue. E me entristece ainda mais que o progresso é culpado de tudo isso. Mais culpado ainda, o maior depredador que nós conhecemos: O HOMEM".

E na terceira faixa do lado A de seu LP de 1976, Roberto Carlos enumerava as tristezas que o homem fazia com que ele falasse ao abordar a questão da ecologia. E, depois da reflexão da letra, desabafava a vontade de ser civilizado como os animais.

Segue a letra! Na foto, Roberto Carlos apresentando a versão em espanhol da canção (batizada de El progreso) num programa do exterior.

Abraços a todos, Vinícius.

O PROGRESSO - Roberto e Erasmo

Eu queria poder afagar uma fera terrível
Eu queria poder transformar tanta coisa impossível
Eu queria dizer tanta coisa
Que pudesse fazer eu ficar bem comigo
Eu queria poder abraçar meu maior inimigo

Eu queria não ver tantas nuvens escuras nos ares
Navegar sem achar tantas manchas de óleo nos mares
E as baleias desaparecendo
Por falta de escrúpulos comercias
Eu queria ser civilizado como os animais...

Eu queria ser civilizado como os animais...

Eu queria não ver todo o verde da terra morrendo
E das águas dos rios os peixes desaparecendo
Eu queria gritar que esse tal de ouro negro
Não passa de um negro veneno
E sabemos que por tudo isso vivemos bem menos

Eu não posso aceitar certas coisas que eu não entendo
O comércio das armas de guerra da morte vivendo
Eu queria falar de alegria
Ao invés de tristeza mas não sou capaz
Eu queria ser civilizado como os animais...

Não sou contra o progresso
Mas apelo pro bom senso
Um erro não conserta o outro
Isso é o que eu penso...

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Panoramas ecológicos - 1


Olá, amigos.

Este blogue hoje inicia mais uma série temática envolvendo as canções da safra de Roberto Carlos e Erasmo Carlos. No mês em que se celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de setembro), a partir de hoje passamos a lembrar um tema recorrente no cancioneiro da dupla: as canções ecológicas.

A ECOLOGIA é uma parte da biologia destinada ao estudo das relações entre os seres vivos e o meio ambiente no qual vivem - abordando suas conseqüentes adaptações e as mudanças que traz para o lugar em que está vivendo. Roberto e Erasmo iniciaram suas abordagens musicais sobre o tema na década de 1970, trazendo visões muito críticas sobre a relação do homem com a natureza - conforme serão apresentadas as letras dos posts seguintes.

A série se chama Panoramas ecológicos, e tem seu título inspirado em uma canção emblemática feita por Roberto e Erasmo. Na faixa de abertura de seu LP Pelas esquinas de Ipanema, de 1978, Erasmo Carlos se baseou nos estudos de Botânica que a esposa Narinha estava fazendo para compor com Roberto uma música sobre ecologia.

No show que virou seu disco e DVD Erasmo Carlos ao vivo, ele falou sobre sua canção. "No fim dos anos 70, Roberto Carlos e eu fizemos algumas canções falando sobre ecologia. Bem antes do Sting se vestir de índio ou do Juruna. E dentre todas, As baleias, O ano passado, O progresso, essa eu considero a definitiva". E com ela tem início a série Panoramas ecológicos, que mostra o ponto de vista de Roberto e Erasmo para as questões ambientais.

Segue a letra! Na foto, Erasmo e Roberto no Roberto Carlos Especial de 1984.

Abraços a todos, Vinícius.

PANORAMA ECOLÓGICO - Roberto e Erasmo

Lá vem a temporada de flores
Trazendo begônias aflitas
Petúnias cansadas
Rosas malditas

Prímulas despetaladas
Margaridas sem miolo
Sempre-vivas quase mortas
E cravinas tortas
Odoratas com defeitos
E homens perfeitos

Lá vem a temporada de pássaros
Trazendo águias rasteiras
Graúnas malvadas
Pombas guerreiras

Canários pelados
Andorinhas de rapina
Sanhaços morgados
E pardais viciados
Curiós desafinados
E homens imaculados

Lá vem a temporada de peixes
Trazendo garoupas suadas
Piranhas dormentes
Sardinhas inchadas

Trutas desiludidas
Tainhas abrutalhadas
Baleias entupidas
E lagostas afogadas
Barracudas deprimentes
E homens inteligentes...

terça-feira, 9 de setembro de 2008

A favorita de Roberto Carlos



Olá, amigos.

Hoje, este blogue dedica espaço a um campeão de audiência também aos olhos de Roberto Carlos. Já tem algum tempo que RC declarou seu fascínio pela teledramaturgia. Eem entrevistas como a que concedeu à jornalista Glória Maria para seu Roberto Carlos Especial de 2002 e no ano passado, quando, além de utilizar o bordão "catiguria" da personagem Bebel, de Paraíso tropical - novela de Gilberto Braga - convidou Camila Pitanga, atriz que a interpretava, para seu programa de fim de ano.

Recentemente, foi revelado ao público que seus ensaios para o histórico dueto com Caetano Veloso nos shows em homenagem a Tom Jobim apresentados no Rio de Janeiro e em São Paulo (e que, em breve, irá ao ar como especial da TV Globo) eram interrompidos apenas em determinado momento do dia. Quando a novela das 21h da TV Globo começa, Roberto faz como milhões de brasileiros e acompanha a saga das rivais Flora (interpretada por Patrícia Pillar) e Donatela (vivida por Cláudia Raia), em A favorita.

A favorita é a primeira novela das 21h assinada pelo autor João Emanuel Carneiro. Ele veio do cinema (é um dos roteiristas do fantástico Central do Brasil, filme de Walter Salles) para escrever teledramaturgia no horário das 19h. Sua primeira incursão na dramaturgia global foi em Da cor do pecado, trama que agradou tanto o público que, três anos após sua exibição original em 2004, já era reapresentada na faixa vespertina do Vale a pena ver de novo. No ano de 2006 veio sua segunda experiência - Cobras & lagartos - que, além de receber o agrado do público, conseguiu recuperar a audiência da TV Globo no horário das 19h (que tinha despencado em virtude do fracasso de Bang bang, a novela que a antecedeu).

Diante de tantas possibilidades de sucesso, a partir de 2 de junho de 2008, a TV Globo apostou no emergente autor "da faixa das sete" para ter uma trama que ocupasse seu horário das 21h - provavelmente na tentativa de colocar uma nova geração de autores nesta faixa de programação, já que os autores que desfilam tramas das 21h (Aguinaldo Silva, Silvio de Abreu, Glória Perez, Gilberto Braga...) não tinham sucessores. E João Emanuel ousou, ao criar uma novela que viveria sob júdice - e, curiosamente, de início se chamaria Juízo final.

A favorita contou a história de Donatela e Flora, que formavam a dupla sertaneja Faísca & Espoleta . A carreira era interrompida quando Flora se casava com Dodi (papel de Murilo Benício), enquanto Donatela tornava-se mulher de Marcelo, filho dos poderosos Gonçalo e Irene Fontini (respectivamente, Mauro Mendonça e Glória Menezes). Entretanto, ambos os casamentos não davam certo. Flora e Dodi se separavam, e ela vivia um caso com o marido de Donatela. Desta relação, nascia Lara (que na fase adulta é vivida por Mariana Ximenes). Já o filho de Donatela e Marcelo, Mateus, era seqüestrado e, até o momento da trama, jamais encontrado.

No ápice da crise entre Flora, Marcelo e Donatela, Marcelo era assassinado. A culpa do crime caía nas costas de Flora, presa em flagrante e condenada a 18 anos de prisão. Enquanto isto, Donatela criava Lara no rancho dos Fontini, como se fosse sua própria filha.

A novela tem início quando Flora sai da prisão, disposta a recuperar o amor da filha e a se vingar de Donatela. Donatela começa a fazer artimanhas para evitar que a ex-presidiária entre em contato com Lara, mas, aos poucos, a outra vai conseguindo a simpatia dos Fontini, em especial através da comoção que passa a Irene. Por mais um acaso da teledramaturgia, as duas se envolvem com o mesmo homem: o jornalista Zé Bob (primeiro protagonista de Carmo Dalla Vechia).

João Emanuel surpreendeu o público em alguns pontos desta sua primeira novela das 21h. A primeira, foi de fazer uma novela com poucos personagens - em média, as novelas têm 50 personagens, enquanto A favorita traz apenas 35. A outra, foi de revelar o grande mistério inicial da novela cerca de dois meses depois do início da trama. No capítulo 56, foi revelado o segredo de quem era a verdadeira assassina de Marcelo Fontini. Flora havia matado o filho de Gonçalo e Irene, e, da boazinha que parecia no início da trama, se revelava uma assassina a sangue frio, que desencadeará várias situações até o fim da novela. Um dado curioso: o personagem Marcelo apareceu somente no capítulo da revelação, e foi vivido pelo ator Flávio Tolezani.

A favorita traz outros personagens muito bem desenhados. O operário Copola (vivido por Tarcísio Meira), que é proprietário de um bar com música e é casado com Iolanda (destaque para Suzana Faini) e pai de três filhas: Catarina, Lorena e Cida (Lília Cabral, Gisele Fróes e Cláudia Ohana). Catarina convive com a violência doméstica do marido Léo (na forte interpretação de Jackson Antunes), que além de bruto é mulherengo. O neto de Copola, Cassiano (vivido por Thiago Rodrigues), se destaca também como cantor sertanejo, além de disputar o amor de Lara com o malandro Halley (papel de Cauã Reymond). Halley é filho de Cilene (papel de Elisângela), ex-manicure que foi testemunha do assassinato de Marcelo e agora agencia garotas de programa - dentre elas, Maria do Céu (interpretada por Deborah Secco), que tenta dar o golpe do baú ao se casar com o homossexual Orlandinho (a cargo de Iran Malfitano).

Ainda no "cenário musical" da novela, há o roqueiro Augusto César (ótima atuação de José Mayer), um ufólogo que crê que a esposa, Rosana (na verdade, Diva, vivida por Giulia Gam) foi abduzida por extraterrestres.

A trama também circula no cenário político. Há o personagem Elias (feito pelo grande ator Leonardo Medeiros), um homem honesto que consegue chegar ao cargo de prefeito da fictícia Triunfo, mesmo com os achaques do deputado Romildo (papel à altura de Milton Gonçalves). Romildo tenta se desvirtuar das acusações feitas pela filha Alicia (papel de Taís Araújo) e, em especial, das feitas pelo jornalista Zé Bob. O deputado tem como carta na manga a menina Camila (papel de estréia de Hanna Domazzi), fruto da relação do jornalista com Rita (vivida por Christine Fernandes), atual namorada de seu filho Didu (papel de estréia de Fabrício Boliveira).

Além destas tramas muito bem amarradas, há outros cenários da novela - a cidade de Triunfo, com personagens como Dedina (papel de Helena Ranaldi) e Stela (vivida por Paula Burlamaqui), a fábrica de Copola (onde trabalha Damião, vivido por Malvino Salvador, e tem o executivo Norton, papel de Alexandre Schumacher), o jornal O paulistano, no qual fica a chefe de redação Tuca (interpretada por Rosi Campos). No jornal também trabalhava a personagem Maíra, grande amiga de Zé Bob. No entanto, sua intérprete, a atriz Juliana Paes, foi escalada para Caminho das índias, novela que sucederá A favorita, e Carneiro teve de matar a personagem.

Em A favorita, quem vem se destacando é o ator Ary Fontoura, como o misterioso Silveirinha. Ex-mordomo e confidente de Donatela, ele se revela um mau caráter e aliado de Flora depois dela sair da prisão e se revelar a serial killer.

Ainda há muitas tramas a serem definidas na novela de João Emanuel Carneiro, e outras ainda devem vir no decorrer dos capítulos. Mas, certamente, pode-se dizer que, mesmo depois do baque das primeiras semanas (nas quais a audiência patinou nos 35 pontos), A favorita sobreviveu e agora segue tendo bons índices de audiência.

E um de seus telespectadores mais assíduos é Roberto Carlos, que, segundo Caetano Veloso declarou numa entrevista ao Fantástico, "sabe tudo de Flora e Donatela". Há um dado curioso em relação a RC e a atual novela das 21h: na trilha da novela há a gravação de uma música que está no repertório de Roberto Carlos. O cantor Zé Renato (também capixaba, e conhecido também por sua carreira com o conjunto Boca Livre) deu sua leitura para uma música de Getúlio Côrtes e Paulo César Barros gravada por RC em 1968. Diretamente do disco O inimitável, a canção retorna 40 anos depois para fazer parte de um produto de teledramaturgia. Ela é tema de Rita, papel de Christine Fernandes, que, além de conviver com a raiva porque Zé Bob não conheceu a própria filha, tem de aturar a mesquinhez da mãe, Dulce (feita por Selma Egrei). Ela se envolve com o ex-alcóolatra Didu, na esperança de que o tempo vá apagar suas amarguras.

Segue a letra! Na foto, o logotipo da novela que é a favorita de Roberto Carlos.

Abraços a todos, Vinícius.

O TEMPO VAI APAGAR - Getúlio Côrtes e Paulo César Barros

Sempre quando eu venho aqui
Só escuto de você
Frases tão vazias
Que pretendem dizer

Que já não preciso mais
Seu carinho procurar
Que não adiantará
Pedir, nem ficar

Se assim for seu desejo
Não vejo motivo pra contestar
Não sofrerei, pois bem sei, isso passa
E o tempo vai apagar

Só, só levo comigo
A certeza que você
Muito mais que eu terá
Que esperar pra esquecer...

domingo, 7 de setembro de 2008

Eduardo Lages, INESQUECÍVEL...



Olá, amigos.

Hoje este blogue orgulhosamente apresenta o mais recente trabalho do nosso maestro EDUARDO LAGES. Este artista que muitos de nós conhecemos primeiro como "o maestro do Roberto Carlos" e que, desde 2005 (com seu disco Emoções), passamos a ver seu trabalho como músico, arranjador e produtor nos trabalhos do disco Cenário (de 2006) e do disco e DVD Com amor (do ano passado).

Ao completar seus 30 anos de parceria com o artista que ele define como "o maior cantor popular do Brasil", Eduardo Lages novamente faz reverência à obra de Roberto Carlos. Uma reverência vinda em 12 faixas, em 12 momentos tão bonitos que ainda neste mês chegarão às prateleiras das boas casas do ramo da boa música.

Além de termos o privilégio de conhecer seu trabalho como músico (e não somente por sua ligação com RC), estes anos mais recentes fizeram com que muitos dos que acompanham sua carreira agora tenhamos o privilégio de estar em contato com ele. De ver, passo a passo, seu disco acontecendo. E acontecendo em meio às turbulências, aos detalhes de uma vida atribulada.

Em meio a apresentações com Roberto Carlos no Brasil e no exterior, do histórico show de RC com Caetano Veloso em homenagem a Tom Jobim, dos arranjos para o mais recente disco do grupo KLB, Eduardo Lages achou um espaço para emitir novos acordes para a música instrumental brasileira. Trazendo novas leituras para sucessos do repertório de Roberto Carlos, sob a ótica de um maestro que recria formas de arranjar as canções que RC fez pra nós. E que, a partir do lançamento de seu disco, serão "as canções que Eduardo Lages trouxe pra nós".

Conforme adiantou em seu blogue, seu disco traz as seguintes faixas:

1)Detalhes
2)Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
3)Vista a roupa, meu bem
4)Por isso corro demais
5)Você em minha vida
6)E por isso estou aqui
7)O calhambeque
8)Eu preciso de você
9)Costumes
10)Perdoa
11)Jovens tardes de domingo
12)Jesus Cristo

Um repertório bem estudado, analisado em parceria com os leitores de seu blogue (inclusive, este modesto fã que vos escreve), que durante meses fizeram sugestões para esta nova viagem em 12 etapas pela safra de Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Num trabalho que, além da habitual minúcia musical de Eduardo Lages, traz uma lista cuidadosamente escolhida, passeando por várias nuances de RC, deste artista do qual há décadas Eduardo Lages é o arauto. Afinal, se Roberto Carlos é o "Rei", o monarca precisa de um arauto para anunciar sua chegada. Bem parecido com o que o maestro faz em suas aberturas instrumentais...

O disco abre com Detalhes, considerada por muitos a mais bela canção de Roberto e Erasmo. Depois, desfilam as várias maquiagens da obra de RC, com o show de suas canções que nunca terminam em nossos aparelhos de som, e que cada artista redescobre e nos faz redescobrir com suas novas leituras.

Ali está a safra da Jovem Guarda, e as saborosas melodias de Por isso corro demais, O calhambeque e E por isso estou aqui (com direito à tardia nostalgia de Jovens tardes de domingo). A homenagem ao "mano" Caetano Veloso (com o qual Eduardo também trabalhou, tanto no dueto de Roberto com ele para o Roberto Carlos Especial de 1992 quanto para o recente tributo a Tom Jobim feito pelos dois), em Debaixo dos caracóis dos seus cabelos. A irreverência de um Roberto da década de 1970, com Vista a roupa, meu bem.

E depois surgem outros achados, momentos tão bonitos que só mesmo quem garimpa a discografia de um artista é capaz de encontrar. Afinal, infelizmente não são todas as canções que são associadas a determinados artistas (algumas são "sacrificadas" no caminho, para que outras recebam a glória do sucesso de público). E, enfim, Eduardo Lages faz justiça a algumas músicas de Roberto - da doçura de Eu preciso de você (encontrada na safra de 1981), passando pela manha após uma discussão amorosa de Perdoa (pérola do disco de 1983) e nas resignações amorosas - mais brandas (como Costumes, de 1979) ou mais atrozes (Você em minha vida, de 1976).

Para não perder o hábito, a reverência a Roberto Carlos termina com Jesus Cristo, esta definitiva mensagem religiosa que transpôs décadas e que agora vem com leitura instrumental. Tanta grandiosidade reunida em um só nome, uma só palavra. Uma só certeza, que o maestro Eduardo Lages vem nos dizer:

"INESQUECÍVEL

... é o jeito de fazer arranjo do maestro Glenn Miller a quem humildemente reverencio na gravação de O CALHAMBEQUE.

... é o ritmo dançante de Ray Conniff e sua orquestra no qual me inspirei ao gravar VISTA A ROUPA, MEU BEM.

... é a minha história nesses ultimos 30 anos E POR ISSO ESTOU AQUI.

... é um momento vivido ao som dessas músicas no coração dos românticos".

Às vésperas de Inesquecível chegar às lojas, Eduardo já disponibilizou em seu blogue um link com trecho de uma das interpretações que virão em seu novo trabalho. Trata-se da terceira faixa de seu disco, uma sátira criada por RC em homenagem aos cantores "da antiga" (Roberto alterou a voz para parecer que ela saía meio distorcida, como se seu som estivesse saindo dos gramofones). Um dado curioso: assim como no disco de Eduardo Lages, esta canção também foi a terceira faixa do LP que Roberto Carlos gravou em 1970 (com uma ressalva: terceira faixa do lado A, pois na época ainda era vinil).

Nos moldes de Ray Conniff, Eduardo Lages coloca um arranjo dançante para esta canção, mais uma pérola achada no repertório de Roberto Carlos. Este blogue parafraseia a letra que segue, para dar um conselho aos que, em breve, ouvirão esta trabalho tão inesquecível quanto o seu título: acreditem nele e em seu amor também, pois certamente vem por aí um novo disco fantástico para escutarmos.

Segue a letra! Na foto, a capa de Inesquecível, apresentando Eduardo Lages com ares de "maestro de baile". A foto é de Markos Fortes.

Abraços a todos, Vinícius.

VISTA A ROUPA, MEU BEM - Roberto e Erasmo

Vista a roupa, meu bem
Vista a roupa, meu bem
Acredite em mim
E no meu amor também

Vista a roupa, meu bem
Vista a roupa, meu bem
Isto está muito bom mas temos que ir embora
Vista a roupa e vem

Vista a roupa, meu bem
Vista a roupa, meu bem
Você não se decide
E isto assim não fica bem

Esta praia está boa
Mas você me magoa
Insistindo em ficar

Vista a roupa, meu bem
Vista a roupa, meu bem
E vamos nos casar

Vamos nos casar...
Vamos nos casar...

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Canciones en vivo - YO SOLO QUIERO



Olá, amigos.

A série Canciones en vivo chega ao seu último post, nesta série que enumerou as 17 canções presentes no mais recente disco lançado por Roberto Carlos (há uma faixa a mais, trazendo um trecho da abertura instrumental). Roberto Carlos en vivo apresentou o primeiro registro fonográfico de um show realizado no exterior - completo graças ao lançamento do DVD com os momentos gravados no show realizado no Opera House, em Miami.

Roberto Carlos encerra seu show com mais uma canção sua vertida para o espanhol que, curiosamente, há um bom tempo não interpreta em suas apresentações aqui no Brasil. Trata-se da primeira faixa do lado B de seu LP de 1974 - e que foi lançada com versão em castelhano em meados de 1975.

Com esta música, RC mostrou aos espectadores presentes na casa norte-americana que o seu desejo de ter "um milhão de amigos" se propagou e ultrapassou a barreira do idioma, para chegar claramente aos ouvidos do público basicamente formado por latinos. E com ela, Roberto encerrou mais um grande momento de palco, no qual apresentara que bem mais forte podia cantar para públicos de todas as nacionalidades.

Um dado curioso: embora ele costume encerrar seus shows com a canção mostrada hoje, o "momento das rosas" reserva outra melodia. Na hora em que as pessoas se aglomeram ansiosas pelas rosas vermelhas e brancas, a banda do maestro Eduardo Lages apresenta o instrumental de Amigo. Um show perfeito para RC, este artista que leva seu canto amigo a todos os cantos do mundo.

Segue a letra! Na foto, a capa do DVD Roberto Carlos en vivo, em breve em todas as lojas do país.

Abraços a todos, Vinícius.

YO SÓLO QUIERO (Eu quero apenas)- Roberto e Erasmo (versão de Buddy & Mary McCluskley)

Yo sólo quiero mirar los campos
Yo sólo quiero cantar mi canto
Pero no quiero cantar solito
Yo quiero un coro de pajaritos

Quiero llevar este canto amigo
A Quien lo pudiera necesitar
Yo quiero tener un millón de amigos
Y así más fuerte poder cantar
Yo quiero tener un millón de amigos
Y así más fuerte poder cantar

Yo sólo quiero un viento fuerte
Llevar mi barco con rumbo norte
Y en el trayecto voy a pescar
Para dividir luego al arrivar

Quiero llevar este canto amigo
A quien lo pudiera necesitar
Yo quiero tener un millón de amigos
Y así más fuerte poder cantar
Yo quiero tener un millón de amigos
Y así más fuerte poder cantar

Yo quiero creer la paz del futuro
Quiero tener un hogar sin muro
Quiero a mi hijo pisando fuerte
Cantando alto, sonriendo libre

Quiero llevar este canto amigo
A quien lo pudiera necesitar
Yo quiero tener un millón de amigos
Y así más fuerte poder cantar
Yo quiero tener un millón de amigos
Y así más fuerte poder cantar

Yo quiero amor siempre en esta vida
Sentir calor de una mano amiga
Quiero a mi hermano sonrisa al viento
Verlo llorar pero de contento

Quiero llevar este canto amigo
A quien lo pudiera necesitar
Yo quiero tener un millón de amigos
Y así más fuerte poder cantar
Yo quiero tener un millón de amigos
Y así más fuerte poder cantar

Venga conmigo a ver los campos
Cante conmigo también mi canto
Pero no quiero cantar solito
Yo quiero un coro de pajaritos

Quiero llevar este canto amigo
A quien lo pudiera necesitar
Yo quiero tener un millón de amigos
Y así más fuerte poder cantar
Yo quiero tener un millón de amigos
Y así más fuerte poder cantar

Yo quiero tener un millón de amigos
Y así más fuerte poder cantar...

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Canciones en vivo - UN GATO EN LA OSCURIDAD



Olá, amigos.

Em seu penúltimo post, a série Canciones en vivo vai chegando à reta final do show que Roberto Carlos realizou em maio de 2007 na casa de espetáculos Opera House, em Miami. A apresentação de RC nos Estados Unidos se tornou o disco Roberto Carlos en vivo, lançado em julho passado, e que, a partir desta semana, chegará ao mercado brasileiro também no formato de DVD.

A canção de hoje tem um dado curioso. Na lista de músicas interpretadas por RC para o público presente nos dias da gravação, esta música não faz parte do bis. Na ordem presente no disco (que não traz alguns números em português do show original, como Cavalgada e Aquarela do Brasil), ela antecede a canção La distancia, antes mesmo da apresentação dos músicos.

Nada que desmereça a excelente versão ao vivo que Roberto Carlos apresenta exclusivamente para o público latino-americano, nesta canção que fez mais sucesso em castelhano do que em seu idioma original. No Festival de San Remo de 1972, Roberto defendeu a música Un gatto nel blu, de autoria de Toto Savio, e nesta época gravou a música também com letra em espanhol.

Embora ele não tenha conseguido a vitória, o compacto com a canção fez sucesso na Itália e também no Brasil - onde, mais tarde, sairia como uma das faixas da compilação San Remo 68. Mas, em paralelo ao sucesso italiano, veio o êxito da canção vertida pela dupla Buddy & Mary McCluskley no mercado de língua hispânica. E lá fez tanto sucesso que ganhou a mesma importância de El día que me quieras - o da canção que jamais pode ser excluída de seus shows no exterior. E Un gatto nel blu chegou ao mercado latino com dois títulos diferentes - El gato que está triste y azul e o mostrado no título deste post.

Segue a letra! Na foto, Roberto Carlos em uma apresentação da canção abaixo em uma de suas apresentações na televisão, num número presente no DVD Antologia, somente lançado para o mercado estrangeiro.

Abraços a todos, Vinícius.

UN GATO EN LA OSCURIDAD (Un gatto nel blu) - Toto Savio (versão de Buddy & Mary McCluskley)

Cuando era un chiquillo, qué alegría
Jugando a la guerra noche y día
Saltando una verja, verte a ti
Y así en tus ojos algo nuevo descubrir

Las rosas decían que eras mía
Y un gato me hacía conpañía
Desde que me dejaste yo no sé
Porqué la ventana es más grande sin tu amor

El gato que está en nuestro cielo
No va a volver a casa si no estás
No sabes mi amor que noche bella
Presiento que tú estás en esa estrella

El gato que está triste y azul
Nunca se olvida que fuiste mía
Mas sé que sabrá de mi sufrir
Porque en mis ojos una lágrima hay

Querida, querida vida mía
Reflejo de luna que reía
Si amar es errado, culpa mía
Te amé en el fondo que es la vida no lo sé

El gato que está en nuestro cielo
No va a volver a casa si no estás
No sabes mi amor que noche bella
Presiento que tú estás en esa estrella

El gato que está triste y azul
Nunca se olvida que fuiste mía
Mas siempre serás en mi mirar
Lágrima clara de primavera
El gato que está en la oscuridad
Sabe que en mi alma
Una lágrima hay

La, la, la, la, la...
La, la, la, la...

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Canciones en vivo - AMADA AMANTE



Olá, amigos.

A série Canciones en vivo chega ao seu antepenúltimo post, na enumeração das canções presentes no mais recente disco lançado por Roberto Carlos. Em julho passado, o disco Roberto Carlos en vivo chegou às lojas, trazendo um registro fonográfico de show feito por RC no Opera House, em Miami, no mês de maio de 2007.

De acordo com a página eletrônica oficial de Roberto Carlos, a partir de amanhã as lojas apresentarão uma extensão deste primeiro trabalho gravado ao vivo no exterior. Está previsto para 2 de setembro o lançamento no Brasil do DVD Roberto Carlos en vivo - ele chegou anteriormente no mercado latino, no dia 19 de agosto deste ano.

Bom, como foi antecipado no post anterior, este trabalho mostra uma peculiaridade dos shows que Roberto Carlos apresenta fora do país. No exterior, ele apresenta um "bis" ao público, dando um sabor a mais para os espectadores de lá. Geralmente, ao final da canção que teoricamente seria a última do show, a orquestra começa a tocar o instrumental de Amigo. Depois acontecem os primeiros acordes da música que ele irá interpretar, e, sim, ele retorna ao palco.

A canção mostrada no disco Roberto Carlos en vivo é outra música muito bem sucedida em terras latino-americanas. Última faixa do lado B de seu LP de 1971, ela recebeu um arranjo belíssimo feito pelo maestro Eduardo Lages - e que, 10 anos depois de vir em uma das faixas ao vivo do disco de fim de ano de 1998, reaparece num registro ao vivo de Roberto Carlos, agora interpretada em castelhano.

Segue a letra! Na foto, Roberto Carlos em show na década de 1970. Este show foi realizado em outro palco do exterior - o Madison Square Garden, também nos Estados Unidos.

Abraços a todos, Vinícius.

AMADA AMANTE - Roberto e Erasmo (versão de Buddy & Mary McCluskley)

Este amor que tú me has dado
Amor que no esperaba
Es aquel que yo soñé

Va creciendo como el fuego
La verdad es que a tú lado
Es hermoso dar amor

Y es que tú, amada amante
Das la vida en un instante
Sin pedir ningún favor

Este amor siempre sincero
Sin saber lo que es el miedo
No parece ser real

Que me importa haber sufrido
Si ya tengo lo más bello
Y me da felicidad

En un mundo tan ingrato
Sólo tu amada amante
Lo das todo por amor

Amada amante...
Amada amante...
Amada amante...
Amada amante...

Y es que tú, amada amante
Das la vida en un instante
Sin pedir ningún favor

Este amor siempre sincero
Sin saber lo que es el miedo
No parece ser real

Que me importa haber sufrido
Si ya tengo lo más bello
Y me da felicidad

En un mundo tan ingrato
Solo tú, amada amante
Lo das todo por amor

Amada amante
Amada amante...

Amada, amada amante
Amada amante...