sábado, 23 de agosto de 2008

É uma bossa, mora!



Olá, amigos.

Roberto Carlos e Caetano Veloso: É, SÓ TINHA DE SER COM VOCÊS.

As emoções das estradas desses dois ícones da Música Popular Brasileira aterraram ontem no Rio de Janeiro, terra do Galeão, de Ipanema e do Corcovado tão cantados por este artista que pintou os vários tons do Rio de Janeiro. Só que as atenções musicais deste 22 de agosto que entrou para o registro musical do país se direcionaram para uma casa de espetáculos: o Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Em meio às festas pelos 50 anos da Bossa Nova, esse movimento que fez um país inteiro aprender a ser desafinado, foi promovido o encontro entre Roberto Carlos e Caetano Veloso para apresentarem seus pontos de vista sobre a obra de Antônio Carlos Jobim, o maestro soberano de tantos serviços prestados à nossa música. E o caminho de pedra até a chegada definitiva ao local do show devia ser seguido à risca.

Do táxi tomado em Copacabana (por precaução de não pegar o metrô até lá, vai que um cambista mais ousado me assalta ao me ver mais engomadinho rumo ao teatro), passando pelo trânsito de sexta-feira que cruzou a cidade do Rio de Janeiro até a frente do Municipal, foram cerca de 20 minutos. Eram 20h quando abriram as portas do local. Ao chegar no salão, pensei: "sim, vou ver o show".

Feito um Mazzaroppi na cidade grande, passei o tempo todo andando e olhando pra cima, pros lados, conhecendo cada detalhe de um teatro tão monumental que eu no máximo tinha visto na TV. Só que era pra ver duas pessoas que eu já conhecia de muitos, outros carnavais e cinzas. Como era de se esperar, o show marcado pras 21h, mas esta foi a hora usada pro público adentrar no recinto.

Burbúrios, rumores, cumprimentos entre as pessoas de todas as histórias, que de todas as maneiras conseguiram estar lá naquele lugar tão disputado via bilheteria, Internet e telefone. Curiosamente, não demorou mais do que meia hora para chegar o terceiro sinal. Antecedido por Nelson Motta, que falou sobre a iniciativa do Itaú Brasil em propor este encontro, este feito para a história da nossa música. Depois as luzes se apagaram, e Nelson tentou ir para um dos cantos do teatro, mas descobriu que por onde ia sair não tinha saída. Até alguém ajudá-lo com uma lanterna, demoraram alguns instantes, mas nada que atrapalhasse o que iria acontecer.

Com o pano fechado, veio um registro musical no qual Tom cantava descontraidamente falando de seus amigos João Gilberto e Vinícius de Moraes. E logo em seguida da gravação terminada, o pano abriu e ganhamos a imagem de Caetano e Roberto lado a lado, ambos sentados em banquinhos e apresentando pra nós a Garota de Ipanema que Tom e Vinícius trouxeram aos olhares do mundo.

Começava a bossa de Caetano e Roberto, num cenário que trazia ao fundo uma foto de Tom quando era jovem, olhando, zelando por aqueles artistas que tinham influência dele e da Bossa Nova, e agora voltavam ao ponto de partida de sua trajetória para dizerem da onda que se ergueu no mar. Sim, Wave foi a segunda música, na noite das estrelas com as quais contamos ontem para relembrar Tom Jobim.

Em seguida, os dois deixaram a orquestra de Jacques Morelembaum acompanhada de Daniel Jobim, a presença "jobiniana" na noite. Num momento de retorno às raízes da família, o neto de Tom deu voz às Águas de março, que trouxeram promessa de vida para os corações das 2.300 pessoas que estavam lá.

Caetano retornou ao palco, relendo Tom através de uma peculiaridade que faz parte de ambos os repertórios: o intimismo. No ar introspectivo do baiano, vieram seus pontos de vista para Por toda minha vida, Meditação e Inútil paisagem. Mas entre os tantos intimismos, Caetano nos reservou uma suave interpretação para Ela é carioca, uma das muitas mulheres que passaram pelos versos de Tom. Nos dois últimos números de sua parte, vieram os ápices de sua interpretação.

Primeiro, ao resgatar do LP Canção do amor demais (lançado por Elizeth Cardoso e considerado por muitos o "marco zero" da Bossa Nova) a forte Caminho de pedra, recriada num arranjo divino, tão divino quanto a "divina" Elizeth e quanto a música permite e pede. Depois de fascinar a platéia com esta música menos conhecida, ele encerra sua participação com O que tinha de ser - que, apesar da mudança de sexo da gravação mais conhecida ("porque já eras meu (...) porque és o meu homem e eu tua mulher" viraram "porque já eras minha (...) porque sou o teu homem e tu minha mulher), mostrando que esta maravilha foi, de fato, escrita para os irmãos Viana Teles Veloso cantarem.

Num momento instrumental brasileiro, veio Surfboard, na competente feitura de Jacques Morelembaum e tendo espaço para a orquestra formada por cordas, banda e por Daniel Jobim. Depois, desceu um telão e apareceu a imagem de Tom jovem, dedilhando ao piano, ao som de Estrada do sol. Enquanto isso, nos bastidores, se via (apesar da pouca luz) a mudança dos músicos. Era a senha para o retorno de Roberto Carlos ao palco. Ao finzinho da apresentação do telão, já se podia ver o foco trazendo RC vestido de azul, de novo indo cantar músicas do artista feito de azul.

Sobe o telão. Roberto rapidamente falou sobre o "atrevimento" que em 1997 o fez colocar sua marca em uma canção de Tom e Vinícius. E sua parte teve início com a Insensatez em castelhano. As caras mudaram nas posições da banda (entraram Wanderley no piano, Dedé na percussão, Norival na bateria, Darcio no baixo, Paulinho na guitarra e Eduardo Lages agora era o maestro). A insensatez que em qualquer idioma tem a sua poesia agora chegava aos palcos.

Tom apareceu mais uma vez no segundo número "solo" de Roberto. No telão, ele tocou Lígia, e apareceu o primeiro trecho do encontro dos dois gravado para o Roberto Carlos Especial de 1978, presente no disco e no DVD Duetos. Da segunda estrofe em diante, Roberto cantou sozinho as desilusões da mulher que deu título a esta canção.

As canções do amor demais da safra de Tom Jobim tiveram espaço para outra compositora na voz de RC. Era Dolores Duran, com toda a ânsia amorosa que suas letras trouxeram para a discografia brasileira. E o Roberto, que décadas atrás contou e cantou sobre as flores do jardim da nossa casa, agora dedicava sua voz às flores da janela que sorriam e cantavam, nos versos de Por causa de você.

E o capixaba que adotou o Rio de Janeiro como uma de suas cidades do coração trouxe para o Municipal suas versões para os cartões postais desta Cidade Maravilhosa. Num arranjo fenomenal feito pelo maestro Eduardo Lages (que estava também ao piano neste momento) veio o cantinho e o violão de Corcovado - para este que vos escreve e que tem o privilégio de ver o Redentor pela janela, agora tenho uma nova visão da beleza do Corcovado. Não satisfeito com a beleza do primeiro arranjo, o maestro ainda faz a proeza de emendar com Samba do avião, para o cantor que interpreta com a alma cantar através da letra de Tom como é ver o Rio de Janeiro, com o Cristo de braços abertos sobre a Guanabara enquanto o avião aterra no Galeão.

A parte de RC encerrou com Eu sei que vou te amar. Esta canção definitiva que Tom e Vinícius fizeram para todos os apaixonados que têm tanto para falar e com palavras não sabem dizer. E não só o momento lindo teve a bela interpretação de RC como o apresentou declamando o Soneto da fidelidade durante a parte instrumental - recordando não só uma das gravações, que trouxe o Vinícius lendo este poema, como também trazendo Roberto declamando ótimo texto (em números típicos de seus grandes shows).

Roberto chamou Caetano de volta, e os dois cantaram mais uma mulher de Tom. No jeito maroto que só Roberto Carlos sabe colocar nas suas interpretações, ele disse: "Caetano, arranjei um amor no Leblon...". E a Tereza da praia gravada originalmente por Dick Farney e Lúcio Alves renasceu na voz de grandes discípulos da bossa de Tom Jobim.

Veio a reta final do show. Os dois cantaram Chega de saudade, mas a saudade já ia chegando com o iminente fim daquele show histórico, daquela apresentação impecável de dois grandes artistas se curvando diante da maestria de Tom Jobim. Veio A felicidade, aquela que diz que "tristeza não tem fim, felicidade sim". Um paradoxo (ao menos para este que vos escreve) estes versos, afinal, felicidades como esta jamais acabam.

Fechou o pano, em meio ao coro de aplausos de 2.300 felizardos que conseguiram o privilégio de estar lá na noite de ontem. Aos poucos surgiram os pedidos de "bis", devidamente atendidos para uma música que, segundo o Roberto, eles cantariam diretamente para o Tom. Se todos fossem iguais a você na voz de dois cantores que fazem existir a verdade, a verdade de que a boa Música Popular Brasileira se renova a cada encontro como o que acontecera neste 22 de agosto de 2008.

A emoção era tanta que os dois voltaram para mais um bis. E Chega de saudade foi a escolhida pela segunda vez, desta vez amparada pelo coro que cantava a vontade de que aquele momento não se tornasse mais uma boa saudade.

Mas felicidade, sim, tinha fim até nos palcos. O show já terminava, e todos nós voltávamos à realidade. Este que vos escreve ficou mais um pouco, não com esperança de falar com o Roberto (tarefa tranqüila apenas para quem tem pulseira azul, não fitinha azul do Senhor do Bonfim como o meu pulso tem). Eu precisava dar um abraço no maestro que tenho a felicidade de conhecer e de acompanhar tanto como maestro de Roberto Carlos quanto como o pianista, arranjador e produtor Eduardo Lages.

Depois de algumas informações, descobri que os músicos saíam pelos fundos do Municipal. Esbaforido, fui para lá, e todo ansioso perguntei a um sujeito que, pelas roupas, era cover de Roberto Carlos: "vem cá, o Eduardo já foi embora?". Ele respondeu, espantado: "Que Eduardo?". Eu respondi: "O Eduardo Lages, porra! Você é cover do Roberto e não conhece os músicos do cara, bicho?". Mais surreal que esta conversa, foi ver os repórteres Vesgo e Wellington Muniz (o imitador do Silvio Santos) do programa Pânico da TV vestidos de terno branco e camisa azul clara - e o Wellington ainda usando uma peruca com cabelo parecido com o de Roberto Carlos.

Desceu o Eduardo, com sua esposa Mércia. Logo que os cumprimentei, ele perguntou: "Vinícius, vem cá, é seu aniversário?". Eu disse que, sim, depois da meia-noite seria, pois o aniversário é dia 23. O primeiro abraço pelos meus 25 anos veio das mãos de um maestro - do maestro Eduardo Lages, responsável pela trilha de muitos dos tantos anos que tenho de vida. Em seguida, recebi o carinho da Mércia, essa mulher tão simpática que tive o prazer de conhecer graças à família Lages.

Conseguimos um táxi, e fomos do Municipal a Copacabana conversando - sobre o show de ontem, sobre o disco dele que está prestes a ser lançado... Os dois me deixaram na porta de casa, e eles iam a Ipanema, para a casa de Caetano Veloso, para saber as fofocas da apresentação do Municipal.

Certamente, teriam somente coisas positivas por receber e por dizer. Das muitas emoções vividas nas águas de março que chegaram ao final de agosto - e em tempo do meu aniversário. Este que vos escreve gostaria de dizer mais coisas, mas com palavras só sabe exclamar:

É UMA BOSSA, MORA!

E, ansiando para que estes momentos não se tornem mera saudade, o post de hoje encerra com a canção que foi interpretada duas vezes no show de ontem. Afinal, chega de saudade, pois Tom Jobim sempre deve ser reverenciado - ainda mais em momentos como o de ontem.

Segue a letra! Na foto, um registro modesto feito por este que vos escreve.

Abraços a todos, Vinícius.

CHEGA DE SAUDADE - Tom e Vinícius

Vai minha tristeza,
E diz a ela que
Sem ela não pode ser

Diz-lhe, numa prece
Que ela regresse
Porque eu não posso
Mais sofrer

Chega de saudade
a realidade é que
Sem ela não há paz

não há beleza
É só tristeza
E a melancolia que não sai de mim
Não sai de mim, não sai

Mas se ela voltar, se ela voltar,
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei na sua boca

Dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos, e carinhos sem ter fim

Que é pra acabar com esse negócio
De você viver sem mim
Não quero mais esse negócio
De você longe de mim...

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Roberto Carlos e Caetano Veloso - Rio, 22 de agosto de 2008



Olá, amigos.

Hoje se escreve mais um capítulo antológico da história da Música Popular Brasileira. Dentro de algumas horas, ROBERTO CARLOS e CAETANO VELOSO chegarão ao palco do Theatro Municipal, no Rio de Janeiro, unidos por uma celebração musical.

Por algumas horas, os pés de Roberto e Caetano irão tocar nas areias brancas do universo musical de TOM JOBIM, e vão molhar seus cabelos na água azul do mar das águas de março fechando o verão. Janelas e portas vão se abrir pra eles interpretarem e cantarem somente o que não pode mais se calar. Noutras palavras, uma reunião de artistas muito românticos e unidos por essa força estranha no ar. Os vários tons com as muitas facetas do repertório de Tom.

Tom da certeza de um amor que supera as ausências e desventuras para viver "por toda a minha vida". Da insensatez que se arrasta, na saudade das flores da janela que sorriam e cantavam "por causa de você". Do pedido de reconciliação, que vem entre peixinhos e beijinhos ou do singelo pedido para que dê a mão e os dois saiam para seguir essa estrada de sol - afinal, só tinha de ser com você...

Tom do Rio, de um Rio visto da janela do avião, contando e cantando as horas de estar no Galeão e ver a Cidade Maravilhosa, seja num cantinho e num violão para ver o Corcovado, seja para ver as curvas das mulheres. E em meio a tantas, eis que ele e Vinícius de Moraes enxergaram uma garota de Ipanema. Ela é carioca, ela é carioca, basta o jeitinho dela andar. Mas ele andou por várias outras, Lígia, Ana Luiza, Luiza, Ângela, e novamente viu uma garota - e as vozes de Dick Farney com Lúcio Alves louvaram a beleza de Tereza, a Tereza da praia que não é de ninguém a não ser da Música Popular Brasileira.

Tom do Brasil, Tom Brasileiro, que hoje reúne dois artistas considerados por estudiosos do cancioneiro tupiniquim como outros tons dos mil tons geniais de nossa música. De um lado, Roberto Carlos, o menino de Cachoeiro que começou a ter destaque quando aqueceu a brasa da Jovem Guarda. Do outro, Caetano Veloso, o menino de Santo Amaro que um nos apresentou a Tropicália e um dia nos disse "é proibido proibir".

Ambos cedem espaço em suas carreiras, para relerem em cena aberta toda a Bossa, a fossa e a "nossa" safra criada por Antônio Carlos Jobim. Caetano não cantará sozinho suas jóias nem Roberto cantará as mulheres que não ousa dizer o nome. Hoje, 22 de agosto de 2008, é a vez de contemplarmos no Municipal as tantas pérolas criadas em alto e bom tom na Música Popular Brasileira. E dizermos que agora já sabemos da onda que se ergueu no mar e das estrelas que esquecemos de contar. Como já disse uma canção do artista que Roberto Carlos e Caetano Veloso reverenciam hoje.

Segue a letra! Na foto, Roberto Carlos e Caetano Veloso no Estúdio Amigo, em dia de ensaio para o show que ocorrerá logo mais (e que terá novo post especial escrito por este que vos escreve).

Abraços a todos, Vinícius.

WAVE - Tom Jobim

Vou te contar
Os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor
É impossível ser feliz sozinho

O resto é mar
É tudo que não sei contar
São coisas lindas que eu tenho pra te dar
Vem de mansinho à brisa e me diz
É impossível ser feliz sozinho

Da primeira vez era a cidade
Da segunda, o cais e a eternidade

Agora eu já sei
Da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar
O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver...

P.S.: um dado curioso. De comum acordo, Roberto Carlos e Caetano Veloso vestirão roupa azul no show. Um tom condizente com um artista que é feito de azul...

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Canciones en vivo - CONCAVO Y CONVEXO




Olá, amigos.

A série Canciones en vivo prossegue a enumerar as faixas do mais recente trabalho que Roberto Carlos lançou para o mercado brasileiro. Ao final do mês passado, chegou às lojas Roberto Carlos en vivo, registro fonográfico do show que RC apresentou na casa de espetáculos Opera House, em Miami, em maio de 2007. Ontem, chegou ao mercado latino-americano o DVD com o registro audiovisual desta apresentação - e está previsto para 2 de setembro que o novo DVD de RC aporte em terras brasileiras.

No décimo-segundo número da noite, RC novamente cantou uma música de alta dose de sensualidade que há um bocado de tempo não inclui em sua safra interpretada no Brasil - e ela traz um jeito mais malemolente de falar sobre o amor (bem como Cama e mesa, ou Cama y mesa, mostrada no terceiro post da série Canciones en vivo). Ao encerrar Propuesta, Roberto falou ao público latino-americano: "O primeiro passo já havia sido dado. O segundo foi um pouco mais fácil...".

10 anos depois, RC traria a seu público detalhes de um amor que em formas e carícias têm uma coincidência total, como se fosse um encaixe entre o côncavo e o convexo. Lançada originalmente em seu LP de 1983, esta música foi apresentada ao mercado latino-americano em meados do ano de 1984. E, em Roberto Carlos en vivo, RC mostrou ao público que a proposta (ou la propuesta) de um amor até o amanhecer teria fantásticas conseqüências na década seguinte.

Segue a letra! Na foto, um dos registros para o ensaio fotográfico de seu LP de 1983 - e que chegou ao mercado latino em castelhano no início de 1984.

CONCAVO Y CONVEXO (O côncavo e o convexo) - Roberto e Erasmo (versão de Buddy & Mary McCluskley)

Nuestro amor es así
Y al hacerlo tu y yo
Todo es más bonito

Y en él se nos da
Todo eso que está
Y lo que no se há escrito

Cuando nos abrazamos
Tantas cosas sentimos
No hace falta ni hablar

Un encuentro perfecto
Entre el tuyo y mi pecho
Nuestra ropa no va

Nuestro amor es así
Para tí, para mí
Como una receta

Nuestras curvas se hallan
Nuestras formas entallan
En medida perfecta

Este amor de los dos
Es locura que trae
Éste sueño de paz
Bonito por demás

Y cuando nos besamos
Al amar olvidamos
La vida allá afuera

Cada parte de tí
Tiene forma ideal
Y si estás junto a mí

Coincidencia total
De cóncavo y convexo
Así es nuestro amor
En el sexo...

P.S.: nos próximos posts, este blogue se dedicará a falar sobre o show histórico. Sobre o grande momento da Música Popular Brasileira que Roberto Carlos e Caetano Veloso nos proporcionarão daqui a dois dias. Quando os dois ícones da nossa música farão a reverência musical ao maestro soberano Tom Jobim. E este que vos escreve terá o privilégio de assistir ao show, no Teatro Municipal, no dia 22 de agosto (coincidentemente, véspera do meu aniversário). Aguardem as cenas dos próximos capítulos...

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Canciones en vivo - PROPUESTA



Olá, amigos.

A série Canciones en vivo retorna suas atividades, trazendo faixa por faixa as canções apresentadas no disco Roberto Carlos en vivo, novo trabalho de Roberto Carlos que chegou às lojas no mês passado. Agora está previsto para o início do mês que vem um desdobramento deste lançamento - a partir de 2 de setembro, o mercado brasileiro receberá o DVD com o registro audiovisual do show que RC fez em Miami em maio de 2007.

Neste show em que mostrou ao público as várias facetas de sua carreira, Roberto abriu espaço também para apresentar um pouco da sensualidade de sua obra. O público presente no Opera House ouviu a "confissão" de que depois do fim da Jovem Guarda a ingenuidade (que já não existia tanto na época do movimento) agora deixava de existir também nas canções que assinava com Erasmo Carlos.

E "el primer paso" seria uma música lançada originalmente no Brasil em 1973, mas que chegaria ao exterior nos primeiros meses de 1974, através do LP El día que me quieras. A partir daquele instante, Roberto Carlos abria ao universo latino o leque de canciones mais sensuais, com versos que trouxeram palavras cuidadosamente escolhidas numa canção de amor. De acordo com o maestro Eduardo Lages, esta é uma das canções mais aplaudidas nos shows que Roberto Carlos faz no exterior.

Segue a letra! Na foto, Roberto Carlos na década de 1970.

Abraços a todos, Vinícius.

PROPUESTA (Proposta) - Roberto e Erasmo (versão de Buddy & Mary McCluskley)

Yo te propongo
Que nos amemos
Nos entreguemos
Y en el momento
Que el tiempo afuera
No corra más

Yo te propongo
Darte mi cuerpo
Después de amar y mucho abrigo
Y más que todo
Despues de todo
Brindarte a ti mi paz

Yo te propongo
De madrugada
Si estás cansada
Darte mis brazos
Y en un abrazo
Hacerte a ti dormir

Yo te propongo
No hablar de nada
Seguir muy juntos
La misma senda
Y continuar
Después de amar
Al amanecer

Al amanecer...

sábado, 16 de agosto de 2008

Post especial - DORIVAL CAYMMI, 94 anos



Olá, amigos.

Este blogue dedica hoje um post especial ao compositor que durante toda sua trajetória na Música Popular Brasileira apresentou ao Brasil o que é que a Bahia tem em letra e música. Às 6h de hoje, DORIVAL CAYMMI encerrou sua carreira aqui na Terra depois de 94 anos bem vividos e de belos serviços prestados ao nosso cancioneiro.

Nascido em 1914, Caymmi começou sua carreira aos 19 anos, participando de programas da Rádio Clube da Bahia. Os temas de suas músicas chamaram atenção do radialista Gilberto Martins, que cedeu ao compositor e cantor o programa Caymmi e suas canções praieiras.

Anos mais tarde, viria o primeiro grande sucesso - O que é que a baiana tem? - que seria uma das canções mais associadas à estonteante Carmem Miranda e percorreria o mundo graças à "Pequena Notável". Outra canção que chegaria ao exterior seria Você já foi à Bahia?. Ela fez parte de um filme dos estúdios Walt Disney, com direito a ser "interpretada" pelo Pato Donald.

Com sua malemolência tipicamente brasileira, Caymmi cantou O samba da minha terra, e declarou que quem não gosta de samba ou é ruim da cabeça ou doente do pé - e, certamente, bom sujeito não é. Seu samba ganharia a homenagem de artistas de vários movimentos e de vários estilos - como o ícone da Bossa Nova João Gilberto (que gravou o Samba da minha terra)e a tropicalista Gal Costa, responsável pelo primoroso tributo Gal canta Caymmi. Nos anos 60, viria um encontro marcante dos gênios da nossa música: o LP Vinícius e Caymmi no Zum Zum - e mais tarde o conjunto Quarteto em Cy nos presentearia interpretando canções de Vinícius de Moraes e Dorival Caymmi.

Graças a ele, nós conhecemos o genioso João Valentão e ficamos de mal com a Marina (e descobrimos que quando zangamos não sabemos perdoar). Com ele passamos a ter Saudades da Bahia (mesmo que nunca tenhamos ido lá) e de outras partes (a Praia de Itapoã, com a letra de Saudade de Itapoã), de figuras que passam por terras baianas (como a Mãe Menininha do Gantois, através da letra de Oração de Mãe Menininha) e de comidas típicas de sua terra (Vatapá).

Caymmi também enxergou musicalidade na literatura de seu conterrâneo, o saudoso Jorge Amado, e na adaptação de Gabriela para a novela da TV Globo, o país cantou Modinha para Gabriela sempre que via a personagem homônima protagonizada por Sônia Braga em 1975 - para a qual também escreveria as canções Horas e Adeus. O passeio musical pelo universo de Jorge Amado se repetiria no ano de 2001 - quando, em parceria com o filho Danilo Caymmi, escreveu Caminhos do mar. Interpretada por Gal Costa (que cantou também a "modinha" de 1975), a canção foi tema da novela Porto dos milagres, livre adaptação de Aguinaldo Silva para os livros Mar Morto e A descoberta da América pelos turcos.

E foi no mar que ele enxergou límpidas águas musicais. O compositor que trouxe a simples comprovação de que o mar "quando quebra na praia é bonito" também encontrou nos mares canções como Canoeiro, Marcha dos pescadores, Suíte dos pescadores e, nos versos de O bem do mar, afirmou que o pescador tem "dois amô", um na terra e um no mar.

Mais tarde, seus filhos também o acompanhariam neste barco - Danilo, Nana e Dori - e sua neta Stella Caymmi escreveria como "assim se conta na beira do cais" a biografia de Dorival Caymmi, intitulada O mar e o tempo. Era a literatura contando a história do artista que pegou um ita no Norte e veio pro Rio morar (como diz a letra de Peguei um ita no norte). O artista que um dia escreveu É doce morrer no mar sai de cena sob os aplausos para sua música que mexe com o juízo do homem que vai trabalhar (tanto quanto a vizinha que passa com seu vestido grená, apontada na letra de A vizinha quando passa, recentemente muito bem relida na voz de Roberta Sá), e tem como última morada justamente o bairro no qual reside uma das mais belas praias de terras brasileiras: Copacabana - para quem ele dedicou (em parceria com Carlos Guinle) a música Sábado em Copacabana. E, por um acaso do destino, ele nos deixa hoje, aos 94 anos, em pleno sábado de Copacabana.

Roberto Carlos adentrou no universo de Dorival Caymmi em 1972. Em seu LP daquele ano, o então recente pai de família RC recriou a seu modo uma canção de ninar com toda a doçura do universo de Caymmi - este baiano que tanto conseguiu nos passar os encantos de suas músicas tão simples e tão apaixonantes. No acalanto de Caymmi, hoje este blogue recorda a homenagem de Roberto ao artista de "insensato" coração - que Dorival nos apresentou nos versos de Só louco, uma das canções interpretadas por RC no número "O coração dos compositores" (ao lado das músicas Carinhoso, de Pixinguinha e João de Barro, Coração vagabundo, de Caetano Veloso, e Explode coração, de Gonzaguinha), presente no show Coração.

Segue a letra! Na foto, um registro do Roberto Carlos Especial de 1975, no qual RC recebeu Silvio Caldas e Dorival Caymmi - e, na frente do autor, Roberto interpretou a canção abaixo.

Abraços a todos, Vinícius.

ACALANTO - Dorival Caymmi

É tão tarde, a manhã já vem
Todos dormem, a noite também
Só eu velo por você, meu bem
Dorme anjo, o boi pega neném

Lá no céu deixam de cantar
Os anjinhos foram se deitar
Mamãezinha precisa descansar
Dorme anjo, papai vai lhe ninar

Boi, boi, boi
Boi da cara preta
Pega essa menina
Que tem medo de careta

Boi, boi, boi
Boi da cara preta
Pega esse menino
Que tem medo de careta

Boi, boi, boi...

P.S.: este blogue retorna no dia 18 a série Canciones en vivo.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Canciones en vivo - ACRÓSTICO




Olá, amigos.

Retomando a série Canciones en vivo, hoje este blogue apresenta mais um breve momento que, em meio ao repertório cantado em espanhol, traz uma nuance interpretada em português na safra que Roberto Carlos apresentou em seu show de maio do ano passado, no Opera House, em Miami. Trata-se de uma música que até o lançamento de Roberto Carlos en vivo ainda era inédita em discos lançados no exterior por RC.

Desde 1997 sem fazer a rotina que marcou sua discografia - lançar um disco no final de ano para o Brasil e no ano seguinte chegar ao mercado latino com versões em espanhol destas canções - Roberto ainda chega aos poucos no exterior, através da importação de seus discos e também de fãs latinos que baixam suas músicas pela Internet. Por isso, uma música que foi apresentada ao público brasileiro em 2003 ainda permanece inédita em shows e em registro fonográfico.

Mas agora o mercado latino tem o privilégio de escutar uma canção mais recente da safra que Roberto Carlos assinou. Uma parte do repertório que fala detalhes de seu amor sem limite, um amor taxado como "pra sempre". Uma canção que não tem tradução para seu sentimento, e que foi interpretada no palco americano em português, assim como na faixa do disco Pra sempre, de 2003.

Este momento, que fez com que Roberto fosse ovacionado pelo público latino, foi antecedido por uma explicação sobre a música. Este post encerra com a declaração que RC fez antes da canção (naturalmente traduzida do espanhol para o português):

"Eu tenho o privilégio de dizer que conheço realmente o que é um grande amor. Um amor verdadeiro, infinito. E o privilégio de saber a diferença entre a paixão e o amor. A paixão é uma reação física, uma reação química, com direito a adrenalina e todo. Já amor, não. O amor é um sentimento, uma força, uma energia, capaz de fazer esse sentimento ser eterno. Não há dúvida que estou falando de Maria Rita".

Segue a letra! Na foto, Roberto Carlos apresentando a canção mostrada hoje no show realizado na casa de espetáculos Canecão em 12 de junho de 2007. A foto foi tirada por este que vos escreve.

Abraços a todos, Vinícius.

ACRÓSTICO - Roberto Carlos

Mais que a minha própria vida
Além do que eu sonhei pra mim
Raio de luz
Inspiração
Amor, você é assim

Rima dos versos que eu canto
Imenso amor que eu falo tanto
Tudo pra mim
Amo você assim

Meu coração
Eternamente
Um dia te entreguei

Amo você
Mais do que tudo, eu sei
O sol
Raiou pra mim quando eu te encontrei

P.S.:

BOAS NOVAS!

O DVD Roberto Carlos en vivo já está pra chegar. Nos Estados Unidos o registro audiovisual do show que Roberto Carlos realizou em Miami no ano passado adentrará nas lojas no dia 19 de agosto.

E o DVD aportará em terras brasileiras a partir de 2 DE SETEMBRO. Mais um produto trazendo muitas emoções, independente do idioma que RC esteja cantando.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Post especial - ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO



Olá, amigos.

Este blogue hoje dedica um post especial ao retorno na telas brasileiras de um dos personagens mais emblemáticos do nosso cinema. Trata-se de ZÉ DO CAIXÃO, o coveiro que se veste com roupas pretas e aterroriza com suas maldades desde 1964 (ano em que chegou ao cinema o primeiro filme no qual sua figura pitoresca apareceu).

O personagem surgiu por obra de José Mojica Marins, um descendente de espanhóis criado em São Paulo e que desde menino tinha interesse em trabalhar no universo cinematográfico - em seu início, fazendo filmes inspirados nos bangue-bangues ou voltados para o público infantil. Até que um sonho o fez despertar para um crucial rumo de sua trajetória no cinema.

Numa noite, ele era arrastado por um homem de preto cujo rosto ele não via. O homem o levava até o cemitério, e terminava o trajeto em frente a um túmulo onde estava o nome e a data de nascimento de Mojica. Ao se aproximar, José via que o homem que o segurara tinha seu próprio rosto.

Mojica então decidiu levar seu sonho abominável para as telas. Seu único terno preto, uma capa de Exu e uma cartola alugada da Casa do Artista, surgia então o personagem Zé do Caixão.

À meia-noite levarei sua alma apresentou ao cinema brasileiro, em 1964, a figura de Josefel Zanatas, o agente funerário que anseia por achar a mulher ideal, a mulher superior com a qual irá gerar um filho perfeito. Com cenas rodadas numa sinagoga abandonada, o filme teve grande sucesso financeiro e proporcionou a divisão da crítica - uns achavam ridículo, outros o achavam genial.

Dois anos depois, Zé do Caixão sobreviveu à batalha de À meia-noite levarei sua alma, e sua batalha prosseguiu em Esta noite encarnarei no teu cadáver. Naquela altura, a figura de José Mojica Marins passou a ser "confundida" com a de Zé do Caixão, e ele começou a ser conhecido em São Paulo por seus testes "macabros" nos estúdios. Voluntários que queriam participar de seus filmes passavam por torturas físicas e psicológicas, em desafios dos mais variados, como deitar em lugares cheios de aranhas e de cobras e comer baratas vivas.

Zé do Caixão chegou ao universo televisivo através de dois programas da TV Bandeirantes - Além, muito além do além e O estranho mundo de Zé do Caixão. Este último se tornaria título do terceiro filme no qual apareceria seu personagem - dividido em três episódios, e em um deles apresentando a figura do elegante professor Oaxiac Odéz (este que vos escreve recomenda que os leitores leiam este nome de trás para frente, a título de curiosidade). A censura, que já o perseguia desde os primeiros filmes, liberou O estranho mundo de Zé do Caixão com 20 minutos de corte.

No ano de 1969, Mojica realizou um novo filme - O ritual dos sádicos. Entretanto, a censura o interditou por completo, e ele só deixaria de ficar no ineditismo 16 anos depois - dessa vez com novo título: O despertar da besta. José Mojica Marins ainda realizaria outros filmes no estilo de terror que tanto o consagrara - Finis hominis e o curiosíssimo Delírios de um anormal (no qual um homem tinha delírios de que a mulher amada era objeto de desejo de Zé do Caixão - pretexto para Mojica apresentar várias cenas que antes foram vetadas pela censura).

Após passar alguns anos participando como ator de filmes de outros diretores, seu retorno à direção aconteceu em 1974. O produtor Anibal Massaini Neto decidiu fazer uma "versão brasileira" do terror americano O exorcista - até hoje um dos mais cultuados filmes sobre tiradores de demônio. E em Exorcismo negro, criador e criatura tiveram seu embate: José Mojica Marins ficou frente a frente com o diabólico Zé do Caixão. O filme foi um dos mais bem realizados da safra de Mojica (que desde suas primeiras realizações acostumou-se a fazer filmes com baixo orçamento), e tem em seu elenco atores de destaque na época, como Jofre Soares, Marcelo Picchi e Alcione Mazzeo.

Nos anos seguintes, Mojica deixou de lado Zé do Caixão e apresentou outra vertente de sua cinematografia - a pornochanchada e os filmes de sexo explícito, nos quais ele assinava a direção sob o pseudônimo de J.Avelar. Somente a partir de 1993 seu trabalho voltaria a ter o devido reconhecimento, quando seus filmes foram reexibidos nos Estados Unidos. Zé do Caixão virou "Coffin Joe" e passou a ter adeptos no país norte-americano e em alguns países europeus.

Em 1993, Mojica retornou à televisão como apresentador do Cine trash, um programa que exibia filmes de terror na TV Bandeirantes (mais tarde passado para as noites da emissora, devido a "recomendações" do horário). Além de realizar oficinas de filmes trash (caracterizados por terem temática de terror e por, propositalmente, não usarem grandes efeitos especiais), ele fez algumas participações em programas de televisão, clipes musicais e até no cinema - uma delas foi no filme Ed Mort, de Alain Fresnot, lançado em 1997. Atualmente, Mojica apresenta o programa de entrevistas O estranho mundo de Zé do Caixão, no Canal Brasil (na TV por assinatura NET).

E agora, cerca de 40 anos depois do início cinematográfico de Zé do Caixão, José Mojica Marins conseguiu, enfim, realizar o que considera o último e decisivo filme da trilogia iniciada com À meia-noite levarei sua alma e continuada com Esta noite encarnarei no teu cadáver. Depois de conviver com tropeços financeiros e com as várias mudanças do panorama do cinema brasileiro, chegou às telas na semana passada o derradeiro filme da saga de Josefel Zanatas - o homem que praticou atrocidades e não mediu esforços para encontrar a "mulher superior" que, assim como ele, não tem medos nem crenças, e é digna de gerar seu filho.

Desta vez, José Mojica Marins recebeu um orçamento à altura de seu fantástico cinema (cerca de R$ 2 milhões) para levar ao cinema Encarnação do demônio. O filme traz a volta de Zé do Caixão, que sai da cadeia depois de 40 anos encarcerado, cada vez mais sedento por sua obsessão - e não medindo esforços para encontrar seu objeto de desejo. O personagem retorna em grande estilo, com fortes cenas de rituais sádicos e até práticas como a autofagia. No elenco, Mojica tem as participações de Jece Valadão (em seu último trabalho), Adriano Stuart, Cristina Aché, Rui Rezende e Milhem Cortaz e as participações de Luís Melo e a impagável atuação do diretor José Celso Martinez Correia - além de trazer uma série de mulheres bonitas que acompanham e servem Zé do Caixão.

Tendo direito a efeitos maiores que seus filmes anteriores, Mojica reapresenta cenas de seus filmes anteriores, para relembrar os demônios que acompanharam Zé do Caixão em todos esses anos de carceragem. Lamentavelmente, nesta primeira semana de Encernação do demônio, Zé do Caixão teve um público bem aquém do que o bom cinema de terror brasileiro merece - foram cerca de seis mil espectadores. Espera-se que ainda haja tempo de um sucesso de público.

Poucos devem se lembrar, mas em 1969 Roberto Carlos teve um encontro inusitado com esta grande figura da cena artística brasileira. Ele foi a um dos programas de José Mojica Marins, e foi sabatinado pelo criador de Zé do Caixão. Para relembrar este encontro e louvar o retorno cinematográfico de um ícone mundial do terror, este blogue traz a letra de uma das faixas cantadas por RC em seu LP Roberto Carlos canta para a juventude. É nossa forma de registrar esse momento que vai além - muito além do além.

Segue a letra! Na foto, o registro do "hipnotismo" que Roberto Carlos sofreu de José Mojica Marins. Esta foto aparece no livro Maldito - a vida e o cinema de José Mojica Marins, biografia do criador de Zé do Caixão (que volta às telas com Encarnação do demônio), feita por André Barcinski e Ivan Finotti.

Abraços a todos, Vinícius.

NOITE DE TERROR - Getúlio Côrtes

Fazia noite fria eu logo fui dormir
Soprava um vento frote eu não pude mais sair
Pensei com meus botões: um bom livro eu vou ler
E um trago de uísque que é para me aquecer

Mas uma coisa vejam
Me aconteceu
Uma mão gelada
Em meu ombro bateu

Gritar eu quis, porém
A voz não me saiu
E o livro que eu lia até de minha mão sumiu
Tremi de cima abaixo sem sair do lugar
Quando de repente eu ouvi alguém falar
Bem junto de mim esse alguém me falou bem assim
Eu sou o Frankestein

Tomou conta de mim tamanha tremedeira
Mas nada quis ouvir, pois corri pela ladeira
Mas de repente então mudou-se o panorama
Quando dei por mim eu estava em minha cama

Alguém bate na porte
Vou logo ver quem é
Deve ser meu broto
Pois fantasma não dá pé

Mas quando a porta abri fiquei logo a tremer
Senti por todo corpo um frio percorrer
Fiquei no chão colado com cabelo arrepiado
Maior foi o meu pavor pois não era o meu amor

E esse alguém que eu vi
Me falou novamente assim:

Voltei...

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No próximo post, este blogue retoma a série Canciones en vivo, falando sobre a música Acróstico.