quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - AMOR COM AMOR SE PAGA



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos continua a mostrar participações de RC como cantor e compositor em obras da teledramaturgia. E, assim como na postagem anterior, mais uma vez sua música aparece numa novela das 18h.

Entretanto, o panorama do horário era diferente agora, quatro anos depois de Marina. A novela das seis deixou de ficar restrita a adaptações de obras literárias, mas manteve o tom açucarado de suas histórias. E entre 19 de março e 15 de setembro de 1984, a faixa de horário ficou ocupada por AMOR COM AMOR SE PAGA.



Na cidade de Monte Santo, o avarento Nonô Corrêa (vivido por Ary Fontoura) mora com seus filhos Elisa e Tomaz (respectivamente, Bia Nunnes e Edson Celulari), e faz de tudo para que não haja desperdício em sua casa. Geladeiras são trancadas a cadeado, não se usa luz em alguns dias da semana e, inclusive, os filhos não podem repetir pratos nas refeições. Em sua casa, também vive a empregada Frosina (papel de Berta Loran), que trabalha há 20 anos e convive com a mesquinhez do patrão.

Mas, mesmo com os filhos passando necessidades, Nonô na verdade é dono de diversos imóveis e tem uma fortuna escondida em casa. Este segredo é compartilhado apenas com seu amigo Anselmo (interpretado por Carlos Kroeber), que tem um amor platônico pela filha de Nonô, Elisa.

À cidade chega o misterioso Tio Romão (papel de Fernando Torres), que é gentil, amigo e oferece chazinhos para todos. No entanto, seus chás de "camomila e bem-me-quer" fazem também as pessoas revelarem algumas verdades, que fazem pairar a ideia de que ele se trata de um feiticeiro.

Monte Santo também traz personagens interessantes, como Maria das Graças (interpretada por Yoná Magalhães), mulher apaixonada por cinema americano que só admite ser chamada de Grace. O doutor Vinícius (papel de Adriano Reys), médico que coloca o bem-estar de seus pacientes acima até da parte financeira da profissão. O demagogo prefeito Barreto (vivido por Milton Moraes), viúvo que se envolve com Silvia (papel de Arlete Sales) e, por este envolvimento, acaba fazendo com que ela sofra nas mãos da caçula Camilinha (vivida por Giovanna Pieck).

O grande conflito amoroso de Amor com amor se paga acontece quando Nonô começa a cortejar a jovem Mariana (vivida por Cláudia Ohana), que aceita em troca do perdão à dívida de seus pais. Mas Tomaz também disputa o amor dela com seu pai.



Para fazer esta novela das 18h da TV Globo, Ivani Ribeiro utilizou as tramas de um sucesso de audiência que ela escrevera em 1972 - Camomila e Bem-Me-Quer (exibida no horário das 18h30 da TV Tupi). E, graças ao personagem Nonô Corrêa, com o qual até hoje Ary Fontoura é lembrado, e às cenas hilárias dele com a empregada Frosina, Amor com amor se paga tornou-se um grande sucesso da emissora.




A obra de Roberto e Erasmo esteve presente num momento marcante para a atriz Cláudia Ohana. Na voz de Fafá de Belém, a dupla de compositores embalou sua primeira personagem numa novela.

Segue a letra! Na foto, Cláudia Ohana e Edson Celulari, em cena final da novela.

Abraços a todos, Vinícius.

VOCÊ EM MINHA VIDA - Roberto e Erasmo

Você foi a melhor coisa que eu tive
Mas o pior também em minha vida
Você foi o amanhecer cheio de luz e de calor
Em compensação o anoitecer, a tempestade e a dor
Você foi o meu sorriso de chegada
E a minha lágrima de adeus

Aquele grande amor que nós tivemos,
E todas as loucuras que fizemos,
Foi o sonho mais bonito que um dia alguém sonhou
E a realidade triste quando tudo se acabou
Você foi o meu sorriso de chegada
Tudo e nada e adeus

Você me mostrou o amanhecer de um lindo dia
Me fez feliz, me fez viver
Num mundo cheio de amor e de alegria
E me deixou no anoitecer

E agora todas as coisas do passado
Não passam de recordações presentes
De momentos que por muito tempo ainda vão estar
Na alegria ou na tristeza
Toda vez que eu me lembrar
Que você foi o meu sorriso de chegada
E a minha lágrima de adeus

Você me mostrou o amanhecer de um lindo dia
Me fez feliz, me fez viver
Num mundo cheio de amor e de alegria
E me deixou no anoitecer

Você me mostrou o amanhecer de um lindo dia
Me fez feliz, me fez viver
Num mundo cheio de amor e de alegria
E me deixou no anoitecer

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - MARINA



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos chega à década de 1980, contando cada capítulo da ligação de RC com as obras da teledramaturgia brasileira. Desta vez, embalando uma novela baseada em obra literária - nos primeiros anos em que dedicou sua faixa das 18h à dramaturgia, a TV Globo dedicava o horário a adaptações da literatura.

Assim, o romance Marina, Marina, de Carlos Heitor Cony e Sulema Mendes, se tornou MARINA, e foi ao ar entre 26 de maio de e 8 de novembro de 1980. A personagem-título da novela, vivida por Denise Dummont, que mora numa ilha com seu pai, o famoso escritor Estevão (papel de Carlos Zara). Desde que começaram suposições de que a causa da morte de sua mulher, Rosa, não tinha sido evidenciada corretamente, Estevão levou a filha para ficar distante do mundo.



Lá, ela passou a infância em contato com a natureza e criada com liberdade. Mas, depois de Marina chegar à adolescência, ele percebe que não há mais nada de interessante que ela possa aprender, e a manda estudar no Rio de Janeiro, na casa dos padrinhos Otávio e Anita (respectivamente, Antônio Patiño e Beatriz Lyra).

No Rio, ela sente saudades da ilha e ainda sofre com as adaptações à cidade grande, tanto em relação aos filhos de seus padrinhos, Adriana, Luís e Soninha (na ordem, Tetê Pritzl, Haroldo Blotta e Monique Curi) quanto na escola em que estuda. Além de se tornar amiga de Lelena (papel de Íris Nascimento), uma menina negra e pobre em uma escola de ricos, ela se aproxima do mimado Marcelo (vivido por Lauro Corona) e é perseguida pela ex-namorada dele, Vera (interpretada por Élida L'Astorina).

Com a novela escrita por Wilson Aguiar Filho, a TV Globo tentou aproveitar o sucesso que Água viva (trama de Gilberto Braga que ia ao ar no horário das 20h) e ambientou sua trama das seis também nas praias do Rio de Janeiro. Entretanto, a ideia não foi bem aceita, em especial porque, por mais que estivesse travestida de moderna, Marina trazia personagens confrontados de maneira maniqueísta - ricos e esnobes contra pobres e sofredores. Além disto, a emissora ainda não tinha a noção de que os públicos das 18h e das 20h têm perfis diferentes.



Roberto Carlos e Erasmo Carlos apareciam como compositores lançando uma estrela no mercado musical. Na voz de Kátia, afilhada musical de RC, a personagem Marlene (primeiro papel de Glauce Graieb na TV Globo), guardava suas lembranças.

Segue a letra! Na foto, Denise Dummont e Lauro Corona em Marina.

Abraços a todos, Vinícius.

LEMBRANÇAS - Roberto e Erasmo

Já faz tanto tempo que eu deixei
De ser importante pra você
Já faz tanto tempo que eu não sou
O que na verdade eu nem cheguei a ser

E quando parti, deixei ficar
Meus sonhos jogados pelo chão
Palavras perdidas pelo ar
Lembranças contidas nesta solidão

Eu já nem me lembro quanto tempo faz
Mas eu não me esqueço que te amei demais
Pois nem mesmo o tempo conseguiu fazer esquecer
Você

Não...

Fomos tudo aquilo que se pode ser
Meu amor foi mais do que se pode crer
E nem mesmo o tempo conseguiu fazer esquecer
Você

Tentei ser feliz ao lado seu
Fiz tudo que pude mas não deu
E aqueles momentos que guardei
Me fazem lembrar o muito que eu te amei

E hoje o silêncio que ficou
Eu sinto a tristeza que restou
Há sempre um vazio em minha vida
Quando relembro nossa despedida

Eu já nem me lembro quanto tempo faz
Mas eu não me esqueço que te amei demais
Pois nem mesmo o tempo conseguiu fazer esquecer
Você

Não...

Fomos tudo aquilo que se pode ser
Meu amor foi mais do que se pode crer
E nem mesmo o tempo conseguiu fazer esquecer
Você...

*****

ELENCO DE MARINA

Denise Dummont, Carlos Zara, Lauro Corona, Norma Blum, Oswaldo Loureiro, Glauce Graieb, Beth Goulart, Élida L'Astorina, Antônio Patiño, Beatriz Lyra, Milton Moraes, Suely Franco, Edson Celulari, Fábio Junqueira, Zaira Zambelli, Castro Gonzaga, Maria Pompeu, Monique Cury, Tetê Pritzl, Fábio Massimo, Haroldo Blotta, Íris Nascimento, Léa Garcia, Roberto de Cleto, Célia Biar, Mônica Torres, Ísis Koshdoski, Élcio Romar, Lúcia Veríssimo, Lourdes Mayer, Germano Filho, Rosana Penna, Luca de Castro, Fernando José, Ankito e Paulo Pinheiro.

sábado, 11 de setembro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - MALU MULHER



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos hoje abre uma exceção. A sequência de novelas hoje é interrompida para falar de um seriado que marcou época na TV Globo no final da década de 1970.

Em 24 de março de 1979, estreou MALU MULHER, criação de Daniel Filho, Armando Costa, Euclydes Marinho, Renata Pallotini e Letícia Plonczynska. Regina Duarte foi a atriz que protagonizou a personagem-título da série.



A história de Malu tem início quando ela descobre que o marido Pedro Henrique (vivido por Dennis Carvalho) tem relacionamentos extraconjugais. Ela decide então se separar, atitude muito polêmica na época. Com Acabou-se o que era doce, tinha início uma sequência de episódios pioneiros em relação ao papel da mulher na sociedade.

Os episódios abordaram os problemas de uma mulher madura, divorciada e mãe de adolescente (Elisa, personagem de Narjara Turetta), diante da sociedade e da família. No elenco fixo do programa ainda estavam Antônio Petrin, Natália do Valle, Sônia Guedes e Ricardo Petraglia, mas tiveram participações de outros atores, como Lucélia Santos, Ney Latorraca, Fábio Júnior e Ângela Leal.

O seriado ficou no ar até 22 de dezembro de 1980, e foi vendido para 55 países. Foram 43 episódios, muitos deles polêmicos e que tiveram problemas com a censura - casos de A amiga, em que uma amiga de Malu se apaixonava por ela, Até sangrar, que abordava perda de virgindade, e Ainda não é hora, que teve como tema o aborto. No fim de 2006, foi lançado um DVD trazendo alguns episódios do seriado.



A trilha de Malu mulher tem uma peculiaridade: todas as faixas são interpretadas por CANTORAS. Na capa do disco, Regina Duarte posou ao lado de todas as intérpretes do disco - Gal Costa, Elis Regina, Marina, Zezé Motta, Quarteto em Cy, dentre outras. A trilha do seriado foi relançada em CD em 2006, na série Som Livre Masters. O disco também rendeu o especial Mulher 80, lançado em DVD três anos atrás.

Ficou a cargo de Joanna uma música assinada por Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Presente originalmente no LP de RC em 1975, esta canção faria parte anos depois de outro produto de teledramaturgia da TV Globo. Mas isto é um assunto para um dos próximos posts.

Segue a letra! Na foto, uma cena de Malu mulher com Regina Duarte e Narjara Turetta.

Abraços a todos, Vinícius.

SEU CORPO - Roberto e Erasmo

No seu corpo é que eu encontro
Depois do amor o descanso e essa paz infinita
No seu corpo minhas mãos
Se deslizam e se firmam numa curva mais bonita

No seu corpo o meu momento é mais perfeito
E eu sinto no seu peito o meu coração bater
E no meio desse abraço é que eu me amasso
E me entrego pra você

E continua a viagem no meio dessa paisagem
Onde tudo me fascina
E me deixo ser levado por um caminho encantado
Que a natureza me ensina

E embora eu já conheça bem os seus caminhos
Me envolvo e sou tragado pelos seus carinhos
E só me encontro
Se me perco no seu corpo...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - OS GIGANTES



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos apresenta hoje mais um momento no qual a obra de RC fez parte da trilha de um produto da teledramaturgia brasileira. Com a postagem de hoje, nossa sequência de músicas encerra a década de 1970, em mais um momento traumático da TV Globo.

A ambição da TV Globo no horário das 20h ficou explícita até no nome da novela que estreou em 20 de agosto de 1979. Com OS GIGANTES, de Lauro César Muniz, a emissora celebrava o encontro de seus maiores atores em uma obra só - Dina Sfat, Francisco Cuoco, Tarcísio Meira, Suzana Vieira e Vera Fischer.



Dina Sfat interpretou Paloma Gurgel, uma jornalista que voltava do exterior (onde trabalhava como correspondente internacional) à sua cidade natal, Pilar, por causa de problemas familiares. Seu irmão gêmeo Fred (a cargo de Roberto de Cleto) estava em coma profundo depois de uma cirurgia no cérebro.

Não conseguindo suportar ver o irmão respirando com a ajuda de aparelhos, Paloma desligava um dos aparelhos, ocasionando sua morte. Sua cunhada, Veridiana (vivida por Suzana Vieira), entrava na justiça, acusando a jornalista de ter feito eutanásia.

Neste retorno à cidade, Paloma reencontrou dois ex-namorados: o fazendeiro Fernando Lucas (papel de Tarcísio Meira), em crise no seu casamento com Vânia (interpretada por Joana Fomm), e Francisco Rubião (papel de Francisco Cuoco), que tinha acabado de romper seu noivado com Helena (vivida por Vera Fischer).



Assim como sua novela anterior (Espelho mágico, exibida em 1977 na TV Globo, que mostrou os bastidores do teatro e da televisão), Lauro César Muniz escreveu mais uma vez uma página polêmica para a telenovela brasileira. Além de abordar a eutanásia (com direito a muitas cenas de hospital), a novela promoveu um ataque direto às empresas multinacionais - o que causou uma rejeição dentro da própria emissora. A insinuação ao homossexualismo entre Paloma e Renata (papel de Lídia Brondi) também foi polêmica diante do público.

Dor, doença, tensão, hospital. O clima excessivamente passional logo nos primeiros capítulos afastou o público e, nos últimos meses, fez com que o autor fosse afastado por estresse. Maria Adelaide Amaral conduziu a trama, que, segundo ela, foram os 18 capítulos mais difíceis que escreveu em sua carreira: "A trama não era boa e eu não acreditava na história".

Em 2004, Lauro César Muniz,numa palestra sobre teledramaturgia no CCBB, contou uma situação tragicômica de bastidores. Por várias vezes a atriz Dina Sfat pisava nos scripts da novela, dizendo que não agüentava mais gravar. O dramaturgo Walter George Durst escreveu o último capítulo (e manteve o clima pesado - com direito a caixão indo para o cemitério), exibido em 2 de fevereiro de 1980.

A vertente de Roberto Carlos também apareceu nesta trilha sonora. No ano seguinte à sua gravação de Força estranha, apareceu uma releitura da música de Caetano Veloso, feita por Gal Costa.



A gravação da música de Roberto Carlos e Erasmo Carlos que esteve na trilha de Os gigantes tem um dado inusitado. Cerca de dez anos depois de RC ter dado a ele o prêmio do Festival de San Remo com a interpretação de sua canção Canzone per te, Sergio Endrigo retribuiu ao gravar uma canção presente no LP lançado por Roberto Carlos em 1978.

Segue a letra! Na foto, Dina Sfat e Francisco Cuoco em cena da novela.

CAFÉ DA MANHÃ - Roberto e Erasmo

Amanhã de manhã
Vou pedir o café pra nós dois
Te fazer um carinho e depois
Te envolver em meus braços

E em meus abraços
Na desordem do quarto esperar
Lentamente você despertar
E te amar na manhã

Amanhã de manhã
Nossa chama outra vez tão acesa
E o café esfriando na mesa
Esquecemos de tudo

Sem me importar
Com o tempo correndo lá fora
Amanhã nosso amor não tem hora
Vou ficar por aqui

Pensando bem
Amanhã eu nem vou trabalhar
Além do mais
Temos tantas razões pra ficar

Amanhã de amanhã
Eu não quero nenhum compromisso
Tanto tempo esperamos por isso
Desfrutemos de tudo

Quando mais tarde
Nos lembrarmos de abrir a cortina
Já é noite e o dia termina
Vou pedir o jantar...

*****

ELENCO DA NOVELA OS GIGANTES

Dina Sfat, Francisco Cuoco, Tarcísio Meira, Suzana Vieira, Vera Fischer, Joana Fomm, Mário Lago, Lídia Brondi, Lauro Corona, Jonas Mello, Rogério Fróes, Castro Gonzaga, Flora Geny, Myriam Pires, Norah Fontes, Cleyde Blota, Perry Sales, Mayara Norbin, Lúcia Alves, Nofran Fernandes, Denny Perrier, Carlos Gregório, Ênio Santos, Solange Teodoro, Átila Iório, Esther Mellinger, Juciléia Telles, Marcos Weinberg, Milton Villar, Ivan de Almeida, Borges de Barros, Lilian Fernandes, Aguinaldo Rocha, Gilda Sarmento, Ana Maria Sagres, Nardel Ramos, Francisco Monteiro, Otávio Augusto, Waldir Santana, Hemílcio Fróes, Luís Orione, João Batista Vieira, Monique Cury, Maurício M. Quintas, Luís Felipe de Lima e Roberto Cleto.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - SINAL DE ALERTA



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos apresenta mais um episódio desta sequência de canções de RC que fizeram parte da teledramaturgia brasileira. Após a postagem anterior falarmos de Janete Clair, hoje é a vez de uma obra escrita por seu marido.

É de Dias Gomes a novela SINAL DE ALERTA, que estreou em 31 de julho de 1978 e ficou emblemática por ser a última novela exibida no horário das 22h da TV Globo. Ao final dela, exibido em 26 de janeiro de 1979, a emissora passou a deixar esta faixa à disposição de filmes, seriados e transmissões de jogos de futebol. Somente por duas vezes a Globo tentaria usar novamente o espaço para novelas - em 1983, com Eu prometo, de Janete Clair com a colaboração de Glória Perez, e em 1991, com Araponga, de Dias Gomes, Lauro César Muniz e Ferreira Gullar.



Em Sinal de alerta, Dias Gomes abordou um assunto muito presente na obra de Roberto Carlos e Erasmo Carlos - a ecologia. A trama central girou em torno do empresário Tião Borges (interpretado por Paulo Gracindo), que queria se casar com a jovem Sulamita Montenegro (vivida por Vera Fischer), mas era impedido pela jornalista Talita (papel de Yoná Magalhães), de quem estava separado há cinco anos, mas que não aceitava conceder o divórcio.

Proprietária do jornal "Folha do Rio", Talita fez uma campanha forte contra a Fertilit, empresa de Tião produtora de fertilizantes e inseticidas, alertando que ela era a causadora da poluição do bairro em que estava localizada. Liderados por Consuelo (papel de Isabel Ribeiro) e Nilo (papel de estréia de Eduardo Conde), os operários se reuniam em passeatas contra a fábrica. Casado com Vera (papel de Bete Mendes), uma química da Fertilit, Nilo se envolvia com Selma (vivida por Renata Sorrah), uma mulher da burguesia que resolveu abraçar a causa dos operários.

Apesar do enredo tão engajado, a novela não teve destaque na programação. O grande inconveniente foi transmissão do Horário Eleitoral Gratuito, que fazia com que ela fosse ao ar apenas às 23h. A TV Globo ainda fez uma tentativa desesperada por audiência, ao exibir um compacto de 10 capítulos para sintetizar os 70 capítulos iniciais, mas não foi bem-sucedida.

Mesmo tendo recebido apoio público de personalidades como o arquiteto Oscar Niemeyer e Ruth Christie (então presidente da Campanha Popular em Defesa da Natureza) sobre a questão ecológica, Dias teve seu texto rejeitado por empresários que se identificaram com Tião Borges, dono da fábrica da novela. De acordo com o pesquisador de telenovelas Ismael Fernandes, outro erros de Sinal de alerta foi ambientar a fábrica Fertilit no Rio de Janeiro. Para ele, a história ficaria mais apropriada se acontecesse no ABC paulista.

A novela teve impacto também por sua abertura. Em vez de trazer uma canção, o tema trazia vários ruídos típicos das grandes cidades:



A música de Roberto e Erasmo presente na trilha de Sinal de alerta foi definida por Erasmo da seguinte maneira:

"Nos anos 70, Roberto Carlos e eu fizemos muitas músicas sobre ecologia - O progresso, As baleias, O ano passado... Bem antes do Sting se vestir de índio e do Juruna. Mas esta é definitiva...".

Interpretada por Erasmo, a canção mostra o panorama ecológico de um mundo que vivia em "sinal de alerta" já em 1978 (ano da novela e do lançamento da música, que abre o LP Pelas esquinas de Ipanema), mas que continua extremamente atual.

Segue a letra! Na foto, uma cena da passeata dos operários que faziam parte da fictícia fábrica Fertilit, criada por Dias Gomes em Sinal de alerta.

Abraços a todos, Vinícius.



PANORAMA ECOLÓGICO - Roberto e Erasmo

Lá vem a temporada de flores
Trazendo begônias aflitas
Petúnias cansadas
Rosas malditas

Prímulas despetaladas
Margaridas sem miolo
Sempre-vivas quase mortas
E cravinas tortas
Odoratas com defeitos
E homens perfeitos

Lá vem a temporada de pássaros
Trazendo águias rasteiras
Graúnas malvadas
Pombas guerreiras

Canários pelados
Andorinhas de rapina
Sanhaços morgados
E pardais viciados
Curiós desafinados
E homens imaculados

Lá vem a temporada de peixes
Trazendo garoupas suadas
Piranhas dormentes
Sardinhas inchadas

Trutas desiludidas
Tainhas abrutalhadas
Baleias entupidas
E lagostas afogadas
Barracudas deprimentes
E homens inteligentes...

*****

ELENCO DE SINAL DE ALERTA

Paulo Gracindo, Vera Fischer, Yoná Magalhães, Jardel Filho, Carlos Eduardo Dolabella, Renata Sorrah, Eduardo Conde, Bete Mendes, Isabel Ribeiro, Elza Gomes, José Augusto Branco, Milton Gonçalves, Ruy Rezende, Paulo Conçalves, Ana Ariel, Sônia Regina, Mara Rubem, Carmem Silva, Ruth de Souza, Dorinha Duval, Luiz Armando Queiroz, Nelson Caruso, Tony Ferreira, Dary Reis, Augusto Limpo, Leila Cravo, Tamara Taxman, Jorge Botelho, Antônio Ganzarolli, Clementino Kelê, Samir de Montemor, Betina Vianny, Roberto Silveira Filho, Dulce Conforto, Fernando Eiras, Nena Anhorem, Arthur Costa Filho, Roberto Murtinho, Germano Filho, Angelina Muniz, Manfredo Colassanti, Rofran Fernandes, Neila Tavares, Mário Petraglia, Léa Alves, Cecília Simões e Murilo Nery.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - O ASTRO



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos apresenta hoje mais um capítulo da ligação entre Roberto Carlos e a teledramaturgia. E hoje está em destaque uma das novelas mais marcantes da história da TV Globo.

Em 6 de dezembro de 1977, a novela O ASTRO estreou no horário das 20h. Janete Clair contou a história de Herculano Quintanilha (vivido por Francisco Cuoco), homem que foi preso quando descobriram que ele, ao lado de Neco (interpretado por Flávio Migliaccio), tinha dado o golpe numa paróquia de uma cidade do interior. Anos depois, ele sai da prisão e passa a trabalhar como vidente numa churrascaria. Lá, ele reencontra o ex-cúmplice, e começa a persegui-lo para tentar destruir a vida de Neco.

Herculano também conhece Márcio (papel de Tony Ramos), um dos herdeiros de Salomão Hayala (o saudoso Dionísio Azevedo). Após abdicar da fortuna de seu pai - numa cena impactante, na qual ele se desfaz até de suas roupas para viver como seu santo de devoção, São Francisco de Assis (cena considerada o "primeiro nu frontal da teledramaturgia brasileira") - Márcio é convencido por Herculano a voltar-se para os negócios da família, e ao assumir a empresa leva o ex-guru para trabalharem juntos.



Herculano apaixona-se por Amanda (vivida por Dina Sfat), jovem herdeira da família Mello Assunção, que vive em crise no seu casamento com Samir (papel de Rubens de Falco). Herculano e Amanda se apaixonam, e ela nem desconfia que ele deixou na cidade do interior a mulher Doralice (interpretada por Cleyde Blota) e o filho Alan (vivido na primeira fase pelo menino Luis Carlos Niño, e mais tarde por Stepan Nercessian). Enquanto isto, o personagem de Tony Ramos se envolve com a humilde Lili (papel de Elizabeth Savalla), irmã de Neco. O elenco ainda trouxe Eloísa Mafalda, Ida Gomes, Heloísa Helena, Paulo Gonçalves, dentre outros.

Com esta trama principal, O astro tornou-se uma das novelas mais envolventes de Janete Clair. O Brasil parava para acompanhar ascensão repentina de Herculano Quintanilha, a disputa pelos negócios da família Hayala, e, principalmente, para solucionar o mistério da trama: "Quem matou Salomão Hayala?".



O personagem de Dionísio Azevedo morria no capítulo 42, e a investigação do crime durou até o último capítulo, exibido em 8 de julho de 1978. O assassino era Felipe Cerqueira (vivido por Edwin Luisi), o amante de Clô (papel de Tereza Rachel), ex-mulher de Salmomão. Felipe era viciado em drogas, e tinha sido humilhado pelo patriarca da família Hayala. Com a ajuda do cabeleireiro Henri (vivido por José Luiz Rodi), ele matou Salomão com uma coronhada. Janete Clair inspirou-se no caso de Cláudia Lessin Rodrigues. A jovem foi encontrada morta no mar do Leblon, e havia indícios de drogas e de abuso sexual. Os acusados pelo crime eram um toxicômano e um cabeleireiro.

A comoção popular com O astro foi tanta que trouxe dados curiosos. A cantora Maria Bethânia, que fazia uma temporada no Canecão, exigiu que em seu camarim tivesse uma televisão. Numa recepção em Brasília, oferecida pelo então Ministro das Relações Exteriores, Azeredo da Silveira, ao ex-Secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger, durante a hora da novela o salão ficou vazio porque os convidados estavam assistindo a ela. E, no dia em que esteve na capital representando a classe artística, o diretor da novela, Daniel Filho, recebeu do presidente a pergunta "Quem matou Salomão Hayala?". Como resposta, Geisel ouviu: "Isso é segredo de Estado, e disso sei que vocês entendem".

A audiência da novela foi superior à das partidas da Seleção Brasileira na Copa do Mundo da Argentina - estima-se que teve média de 80% dos aparelhos ligados a cada capítulo. Dimensão que só mesmo a "Nossa Senhora das Oito" Janete Clair era capaz de trazer.

A trilha de O astro apresentou duas vertentes da obra de RC. De seu lado intérprete, a música Um jeito estúpido de te amar, na voz de Maria Bethânia. E de seu lado compositor, Marília Barbosa (que fazia o papel de Mara Célia na novela) fez sua leitura de uma canção lançada por Roberto Carlos três anos antes.

Segue a letra! Na foto, a capa do LP nacional de O astro.

Abraços a todos, Vinícius.

OLHA - Roberto e Erasmo

Olha, você tem todas as coisas
Que um dia eu sonhei pra mim
A cabeça cheia de problemas
Não me importo, eu gosto mesmo assim

Tem os olhos cheios de esperança
De uma cor que mais ninguém possui
Me traz meu passado e as lembranças
Coisas que eu quis ser e não fui

Olha, você vive tão distante
Muito além do que eu posso ter
Eu que sempre fui tão inconstante
Te juro, meu amor, agora é pra valer

Olha, vem comigo aonde eu for
Seja minha amante e meu amor
Vem seguir comigo o meu caminho
E viver a vida só de amor

Olha, você vive tão distante
Muito além do que eu posso ter
Eu que sempre fui tão inconstante
Te juro, meu amor, agora é pra valer

Olha, vem comigo aonde eu for
Seja minha amante e meu amor
Vem seguir comigo o meu caminho
E viver a vida só de amor

Olha, vem comigo, vem comigo aonde eu for
Seja minha amada, minha amante e meu amor

sábado, 4 de setembro de 2010

Roberto Carlos em capítulos - EDITORA MAYO, BOM DIA



Olá, amigos.

A série Roberto Carlos em capítulos chega ao seu segundo capítulo, porque vale a pena ver de novo toda a colaboração da música de RC na história da teledramaturgia brasileira. E hoje é a vez de uma novela que foi ao ar numa emissora extremamente importante na carreira de Roberto Carlos.

Emissora que ficou marcada por seus números musicais, a TV Record se destacou também por seu núcleo de teledramaturgia. Na década de 1970, novelas como O espantalho, de Ivani Ribeiro, e Os deuses estão mortos, de Lauro César Muniz, foram alguns dos destaques da emissora.

Outro novelista de destaque que fez parte da teledramaturgia da TV Record foi o paulista Walter Negrão. Paulista de Avaré, Negrão se destacou nos últimos anos em tramas exibidas no horário das 18h da TV Globo, como Despedida de solteiro, Anjo de mim, Era uma vez... e Como uma onda.

No ano de 1971, Negrão foi o responsável pelo texto da novela que ocupou o horário das 19h da TV Record entre 12 de abril e 7 de agosto. Editora Mayo, bom dia mostrou o dia-a-dia no trabalho de uma editora, na qual muitos mistérios estavam no ar.

As tramas mais importantes envolviam o copeiro Chicão, papel de Fernando Baleroni, e sua filha Jô, interpretada por Débora Duarte, além da figura misteriosa de Ray, vivido por Luiz Gustavo. Apesar de sua larga cultura, ele também trabalhava também como copeiro. Dirigida por Carlos Manga, a novela teve em seu elenco outros grandes nomes, como Nathália Timberg, Rodolfo Mayer, Mauro Mendonça e Geraldo Del Rey.

No elenco de Editora Mayo, bom dia constou o nome de Silvio de Abreu, que anos mais tarde se tornaria um dos mais consagrados autores de novela - de sucessos como Guerra dos sexos, Rainha da sucata, Belíssima e da atual novela das 21h, Passione. Silvio, que iniciou sua carreira artística como ator, fazia o Subdelegado Damasceno, personagem que Negrão que já havia feito parte de outra trama de sua autoria - A próxima atração, citada no primeiro capítulo desta série.

Embora tenha passado despercebida, pois concorreu no horário com as tramas bem sucedidas de Minha doce namorada, assinada por Vicente Sesso na TV Globo, e A fábrica, de Geraldo Vietri na TV Tupi", Editora Mayo, bom dia tem um privilégio. O tema de abertura foi assinado por Roberto Carlos e Erasmo Carlos, feito especialmente para a novela de Walter Negrão.

Na interpretação de O Grupo, Roberto e Erasmo narraram os mistérios, a correria e os interesses presentes na Editora Mayo, uma editora que não foge dos padrões de ontem, hoje e sempre no jornalismo.

Segue a letra! Na foto, a logomarca da novela da TV Record.

Abraços a todos, Vinícius.

EDITORA MAYO, BOM DIA - Roberto e Erasmo

Honestidade, vai embora daqui
Nós não falamos com você nem a pau
Criamos fatos da imaginação
Onde a verdade não existe em geral

Mas agora roda que eu quero ver
A manchete da capa vai ser pra valer
Se alguém vai sofrer não queremos saber
O que interessa é a mentira que o povo vai ler

Esse é o nosso mundo cão
Festival de opinião

E a tiragem aumentando...

A vida amansa com problemas totais
E a conseqüência é a imensa falta do céu
No fim do dia, balanço geral
Não sobrou nada que não fosse papel

Mas agora roda que eu quero ver
A manchete da capa vai ser pra valer
Se alguém vai sofrer não queremos saber
O que interessa é a mentira que o povo vai ler

Esse é o nosso mundo cão
Festival de opinião

E a tiragem vai aumentando...

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ELENCO

Luiz Gustavo, Débora Duarte, Fernando Baleroni, Nathalia Timberg, Rodolfo Mayer, Geraldo Del Rey, Mauro Mendonça, Karin Rodrigues, Adriano Stuart, Ademir Rocha, Lídia Costa, Pepita Rodrigues, Flora Geny, Célia Coutinho, Célia Helena, Sílvio de Abreu, Edmundo Lopes, Heraldo Galvão, Perry Sales, Sebastião Campos, Wladimir Nikolaieff e Rubens Moral.