sábado, 29 de maio de 2010

O bofe - MAPA DO TESOURO



Olá, amigos.

A série com canções da trilha da novela O bofe chega ao seu capítulo final. Foram 12 postagens para contar curiosidades, tramas e mostrar as letras das músicas de Roberto e Erasmo para a novela.

O bofe, infelizmente, caiu no esquecimento no acervo da TV Globo e suas imagens não são reapresentadas no arquivo da emissora. Ela se tornou mais uma das muitas novelas que tentaram inovar nos padrões da teledramaturgia mas não foram bem aceitas pelo público. Assim como tentaram novelas como O grito, O dono do mundo, Bang bang e a atual novela das 19h da TV Globo, Tempos modernos.



O elenco incluiu também a atriz Eloísa Mafalda, que fazia a macumbeira Gonzaguinha, e tinha José Wilker como Bandeira, um hippie que saqueava apartamentos. Wilker foi responsável por uma situação curiosa. Em solidariedade à demissão de Bráulio Pedroso, ele pediu para sair da novela. Seu personagem morreu. De tanto rir.

O último capítulo de O bofe foi exibido em 23 de janeiro de 1973. Nesta época, Bráulio Pedroso já estava afastado da novela, e a trama estava sendo contada por Lauro César Muniz. Este seria o primeiro trabalho na TV Globo do dramaturgo.

Mais tarde, Lauro foi responsável por histórias de sucesso na telenovela brasileira, como O casarão, Escalada e Roda de fogo, todas na TV Globo. Mas, em meio à sua trajetória, o dramaturgo entrou para a lista de autores de novelas que tentaram ser inovadoras mas foram mal recebidas pelo público - com Espelho mágico, novela que mostrava os bastidores da vida artística.

Daniel Filho falou sobre a novela em seu livro Antes que me esqueçam:

"Lembro-me que no primeiro capítulo de O bofe havia uma sequência toda feita na praia de Ramos, onde as pessoas se comportavam como se estivessem na Côte d’Azur, com namoros e brincadeiras. A novela contava a história de dois viúvos, Jardel Filho e Betty Faria. Todo mundo trambicava todo mundo, e até os mais ricos acabavam sendo grandes trambiqueiros.

A coisa mais engraçada que havia naquela novela inteiramente dedicada ao deboche era o Ziembinski, que fazia uma velha: foi o primeiro travesti da história da telenovela. A ideia era do próprio Ziembinski, um ator sempre muito ávido, com muita vontade de trabalhar e de criar novas propostas.

Nós dedicávamos o horário das dez da noite às experiências, modificações, ousadias. A novela não foi bem de público: na verdade, foi mal recebida, não tinha popularidade. Mas nós gostávamos muito".

Não há outros detalhes sobre o final da novela. O autor do livro Memória da telenovela brasileira, Ismael Fernandes, diz apenas que Lauro deu continuidade à história absurda, mas impregnando uma certa lógica.

A canção que encerra o LP com a trilha da novela O bofe coincidiu de ser justamente para um tema que seria afetado pelas mudanças nos bastidores da novela. Num dos posts anteriores, contamos uma história que envolvia a personagem Carlota, vivida por Zilka Salaberry.

Novamente, há uma música que envolve a milionária. Sua fortuna era alvo de seu sobrinho Maneco (vivido por Cláudio Cavalcanti) e do amigo dele, Bandeira (interpretado por José Wilker). A trama foi mudada com a morte de Bandeira.

A última faixa do disco trouxe Roberto e Erasmo contando em letra e música a história de Maneco e Bandeira. Na voz de CLÁUDIO FAISSAL, a dupla encerrou sua participação na trilha da novela questionando sobre a existência de um mapa do tesouro.

Segue a letra! Na foto, Cláudio Cavalcanti.

Abraços a todos e obrigado pela audiência, Vinícius.

MAPA DO TESOURO - Roberto e Erasmo

Quem na minha idade
Sabe da verdade
Existe um mapa
Do tesouro

Só que é amor
Em vez de ouro

Quem nasce
Como eu
Deita, aproveita e dorme
Acorda e não se arrependeu

Sonhou
Gastou
Mas não viveu

Vivo me olhando
E vejo
Meu nome
E nada mais

Meu resto
Que eu nunca vi
Anda perdido
Por aí

Não sei que dia é hoje
Se o tempo
É guerra ou paz
Ou de encontros cordiais
Se somos gente
Ou animais

P.S.: o tesouro desta trilha está disponível em lojas de disco. A Som Livre lançou a coleção Som Livre Masters, com trilhas de novelas e de seriados antigos no formato de CD. Uma das novelas é O bofe.

Na saideira da série, mais um vídeo com chamada da novela O bofe. Raridade de You Tube...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O bofe - GREGO SÓ



Olá, amigos.

A série de músicas que Roberto Carlos e Erasmo Carlos fizeram para a trilha da novela O bofe chega ao seu penúltimo post. Este foi o único produto de teledramaturgia que teve músicas feitas exclusivamente por Roberto e Erasmo para sua trama, uma tentativa que Bráulio Pedroso teve de fugir dos padrões da novela brasileira naquele momento.

Em seu início, a teledramaturgia seguia os padrões estipulados por Glória Magadan, uma escritora cubana que viveu nos Estados Unidos e que, lá, teria aprendido as maneiras de se prender o espectador em frente à telinha. Uma delas foi em relação aos atores serem escalados sempre para fazer o mesmo tipo de papel.

As novelas escritas ou supervisionadas por Glória traziam tramas maniqueístas numa realidade distante do cotidiano brasileiro. Os personagens eram condes, duquesas, reis, e as novelas eram passadas em países da Arábia ou do Leste Europeu.



O caso mais emblemático desta época vem de Anastácia, a mulher sem destino. Escrita por Emiliano Queiroz, a novela cada vez mais ficava cara, tanto pela produção se ambientar num lugar distante da realidade nacional quanto por o autor ter muitos amigos. Ele via seus amigos, também atores, desempregados, e chamava eles para fazerem parte da novela.

Abarrotada de personagens, a novela ficava confusa e arrastada a cada capítulo. Emiliano Queiroz foi afastado e caiu nas mãos da autora de radionovelas Janete Clair o "abacaxi" (termo usado por Glória Magadan) de dar um jeito em Anastácia, a mulher sem destino. Após uma noite em claro, seu marido, Dias Gomes, encontrou a solução: como se passava numa ilha, havia grande chance de acontecer um terremoto.

Houve um terremoto devastador, que matou boa parte do elenco da novela, deixando apenas sete personagens para contar a história. Passaram-se 20 anos, surgiram novos personagens, novas tramas e um momento de consagração para Leila Diniz (na foto, em cena da novela), que fez papel de mãe e de filha ao mesmo tempo.



O panorama de novelas de época e fora da realidade começou a mudar na TV Tupi, com as novelas Antônio Maria e Beto Rockefeller e teria seu decisivo capítulo em 1969. Janete Clair assinou Véu de noiva, a primeira da TV Globo a contar uma história sobre a realidade brasileira. Na foto, Cláudio Marzo e Regina Duarte em cena da novela.



Marzo se tornaria um dos galãs da emissora. Seus dois personagens seguintes seriam "bons moços". Em Irmãos Coragem (de Janete Clair, em 1970) fez o papel de Duda, um jogador de futebol do Flamengo e em Minha doce namorada (de Vicente Sesso, no ar em 1971) fez o protagonista Renato. Coincidência ou não, em todas as novelas citadas anteriormente, Cláudio Marzo fazia papel de par romântico da personagem interpretada por Regina Duarte. Na novela Minha doce namorada, Regina chegou ao posto de "namoradinha do Brasil".

Entretanto, Bráulio Pedroso deu a Cláudio Marzo um papel bem diferente. Em vez de um mocinho com aparência de herói, o ator foi escalado para o papel de Demétrius, o Grego, um mecânico que era artista plástico nas horas vagas. O Grego tinha seu talento descoberto por um marchand, e se tornava um artista famoso.

A palavra "bofe" do título da novela era em alusão a Demétrius, pois esta gíria significava na época exatamente o que ele era - um homem feio, mal arrumado e desengonçado. E o personagem foi tema de uma das músicas da novela.

A quinta faixa do lado B do LP descreve em letra a figura do Grego e em música traz o quanto ele é caótico, numa das faixas mais interessantes do disco. A dupla "jovem-guardista" OS VIPS canta a forma como Roberto Carlos e Erasmo Carlos definiram o personagem interpretado por Cláudio Marzo.

Segue a letra! Na foto, Cláudio Marzo como Demétrius, o Grego..

Abraços a todos, Vinícius.

GREGO SÓ - Roberto e Erasmo

Contando histórias
Que ele mesmo inventou
Que a ressaca
Lhe deixou

Apaixonado
Pela deusa que ganhou
E que o mundo
Lhe levou

Quem lhe viu
Grego só
Já sentiu
Seu valor
Muita paz
Seu amor

Mascando a vida
Que a sucata
Lhe inspirou
Já sofreu
E não gostou

Veio pra Terra
Com saudades
Do seu povo
Mas já nasceu
De novo

Quem lhe viu
Grego só
Já sentiu
Seu valor
Muita paz
Seu amor...

terça-feira, 25 de maio de 2010

O bofe - MOÇO



Olá, amigos.

A série de canções da novela O bofe continua a mostrar, faixa a faixa, todas as canções que Roberto Carlos e Erasmo Carlos escreveram para a novela de Bráulio Pedroso. Ela foi exibida às 22h, horário que a emissora hoje deixa para humorísticos, seriados, filmes e futebol.

A canção de hoje é a única que ultrapassou a tela da novela O bofe. E, curiosamente, reapareceu ligada à teledramaturgia.

Novela de Alcione Araújo, escrita com a ajuda de Regina Braga, A idade da loba foi a tentativa da Rede Bandeirantes de Televisão retornar a investir em telenovelas. Exibida entre julho de 1995 e janeiro de 1996, a novela foi realizada por uma produtora independente, a TV Plus.

No final da década de 1990, as demais emissoras recorreram a produtoras independentes para ter um horário de teledramaturgia em suas programações. À frente destas produtoras estavam diretores bem sucedidos na TV Globo que tentavam outros caminhos.

O SBT exibiu novelas feitas pela JPO Produções, de Roberto Talma, como Colégio Brasil e Dona Anja. Além de A idade da loba, a TV Bandeirantes também exibiu O campeão feita pela TV Plus.

A idade da loba teve direção geral de Jayme Monjardim, e entre seus diretores estava Marcos Schetmann (que foi diretor geral de novelas de Glória Perez desde o desentendimento dela com Jayme durante América). A novela contou a história de Valquíria (vivida por Betty Faria) que, após a morte do marido, decide sair da pequena cidade de São José do Barreiro para se realizar profissionalmente em São Paulo. Sua melhor amiga, Irene (papel de Ângela Vieira) a acompanha.

Valquíria e Irene reencontram um amor em comum de três décadas antes - Montenegro (interpretado por Adriano Reys), e a personagem vivida por Betty Faria enfrenta vários desencontros até ficar com Montenegro - o maior deles é sua filha Suzana (papel de Iracema Starling) descobrir que Montenegro é seu verdadeiro pai. A novela também deu destaque aos moradores da pensão de Piconês (vivido por Antônio Abujamra) e foi o último trabalho do ator Luiz Carlos Arutim, morto num incêndio no fim de 1995.

Em A idade da loba, Erasmo Carlos recorreu a uma das músicas da novela O bofe para contar em letra e música a vida de um dos personagens. Na gravação pra novela de Bráulio Pedroso, o ritmo que a música recebeu foi mais ligada ao pop, enquanto a gravação do "Tremendão" (que está disponibilizada no CD de Raridades da caixa Mesmo que seja eu lançada pela Universal) é cantada em ritmo de salsa.

Em O bofe, o intérprete desta canção é BETINHO, mais um dos cantores que só tiveram destaque nas gravações de trilhas da Som Livre. Seu repertório é extenso, e inclui participações em discos das novelas Bandeira 2, Minha doce namorada, Corrida do ouro, Fogo sobre terra e Cuca legal. Ele também está na trilha de duas outras novelas escritas por Bráulio Pedroso na TV Globo - O cafona e O rebu.

A canção de Roberto e Erasmo que ocupa a quarta faixa do lado B do LP da novela O bofe traz o conselho a um moço. Em letra e música, a dupla avisa a um rapaz para não marcar bobeira e procurar um amor.

Segue a letra!

Abraços a todos, Vinícius.

MOÇO - Roberto e Erasmo

Moço
Vê se larga o osso
Com a vida no bolso
Procure um amor
Não tem

Moço
Já é madrugada
Com a vida parada
Seja como for
Não falo mais nada
Procure um amor

Em vez de aí ficar
Curtindo esse sereno
É sempre bom lembrar
O que o moço está perdendo

A vida como tá
Não tá de brincadeira
E o moço aí parado
Marcando uma bobeira

Não é que eu seja contra
Ver a nova madrugada
Mas com uma namorada
O novo dia vai pintar melhor

domingo, 23 de maio de 2010

O bofe - SÓ DE BRINCADEIRA




Olá, amigos.

A série de músicas de Roberto Carlos e Erasmo Carlos para a novela O bofe chega a mais uma postagem. Nos posts mais recentes, a gente está contando histórias e curiosidades da novela de Bráulio Pedroso exibida em 1972 pela TV Globo que teve trilha totalmente escrita pela dupla.

A foto de hoje mostra um núcleo da novela. Com relação a Suzana Vieira, sabemos apenas o nome da personagem que ela interpretou - Marilena. Infelizmente, não há nenhum dado sobre seu papel em O bofe.

Abraçado a Betty Faria, há um artista que é a marca do pioneirismo e da genialidade na arte brasileira: o polonês Zigbinew Ziembisnki. Ator de grande destaque na Polônia, ele se refugiou da guerra no Brasil em 1941.

Dois anos depois, realizou com o grupo Os Comediantes a maior ousadia na época do teatro brasileiro. O ano de 1943 tornou-se o marco do teatro brasileiro com a montagem de Vestido de noiva, peça de Nelson Rodrigues, que colocava em cena a ação em três planos diferentes - a ação atual, a memória e a imaginação. Com 132 efeitos de luz e 20 refletores - sendo dois deles "emprestados sem aviso prévio" do jardim do Palácio Guanabara, Ziembinski pôs no palco o moderno teatro brasileiro.



E com a novela O bofe, mais uma vez "Zimba" foi pioneiro. Ele interpretou o primeiro personagem travestido da história da telenovela. Seu papel era o da velha Stanislava Grotoviska, que se embebedava com xarope para sonhar com um príncipe trapezista (papel também de Jardel Filho).

A música que é a terceira faixa do lado B do LP da novela é tema da personagem vivida por Betty Faria. Ela interpreta Guiomar, filha de Stanislava. Guiomar é uma viúva moradora do subúrbio que vai paquerar em Copacabana e acaba se apaixonando pelo mecânico Dorival (papel de Jardel Filho e primeiro post da série).

Esta canção é interpretada por Sandra, outra cantora que aparecia exclusivamente nas faixas de trilhas de novela da Som Livre. Sua voz ressalta ainda mais a forma como Roberto e Erasmo contaram a história de Guiomar, uma mulher que vivia "só de brincadeira".

Segue a letra!

Abraços a todos, Vinícius.

SÓ DE BRINCADEIRA - Roberto e Erasmo

Vou seguir
Esse caminho
Pra ver aonde é
Que ele vai

Só espero
Encontrar você
Nas esquinas
Que ele faz

Vou seguir
De brincadeira
Seguindo os rastros
Que você deixou

Num leilão
De quem me queira
Eu não valho
Nada mais

Mas sigo
Só de brincadeira
Pra ver o que
O amor me faz

Mas sigo
Só de brincadeira
Pra ver o que
O amor me faz...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O bofe - QUEM MANDOU?



Olá, amigos.

A série de canções que Roberto Carlos e Erasmo Carlos fizeram para a trilha da novela O bofe chega a mais uma postagem. A cada post, apresentamos também curiosidades e histórias deste insucesso de Bráulio Pedroso que passou pela tela da TV Globo.

Lamentavelmente, não há informações exatas sobre a carreira do intérprete da música de hoje. Em relação a DJALMA DIAS, foram encontrados registros de várias participações em gravações de trilhas de novela.

Isto é também um dado curioso do período em que predominavam as "trilhas sonoras originais". A Som Livre tinha vários intérpretes que emprestavam sua voz apenas para cantar os temas das novelas. No início da década de 1970, há registros de gravações de Tim Maia, por exemplo, para os discos de Assim na terra como no céu e Irmãos Coragem (curiosamente, ambas escritas por Janete Clair). É por isso que os cantores da novela O bofe (exceto Elza Soares e a dupla Os Vips, além de Nelson Motta, que não tem destaque como cantor) não é conhecida do grande público.

Djalma Dias fez parte como intérprete das trilhas que embalaram tramas como de Uma rosa com amor, O semideus, Os ossos do barão, O espigão e Super Manoela. A canção interpretada por ele que mais repercutiu foi Capitão de indústria, feita por Marcos Valle para a novela Selva de pedra. Mais tarde, ela gravada por Erasmo Carlos e pelo grupo Os Paralamas do Sucesso.

A canção que Djalma Dias interpreta faz parte de um dos temas recorrentes à obra da dupla - o homem lamenta um amor perdido. Trata-se de um samba gostoso, nos moldes de Coqueiro verde, no qual o sujeito fala agora "quem mandou?".

Segue a letra! Na foto, o logotipo que a TV Globo adotou desde sua fundação em 1965 até o ano de 1974.

Abraços a todos, Vinícius.

QUEM MANDOU? - Roberto e Erasmo

Quem mandou
Botar tanto verde
No mar

Quem mandou
Botar tanta canela
Nos olhos dela

Nos olhos dela
Nos olhos dela...

Mas se eu soubesse
Que era assim
Queria o verde
Só pra mim
E mais canela
Pra botar
Nos olhos dela

Me dê uma longa vida
Meu Senhor
Quem sabe
Eu ganhe
Seu amor

Quem mandou?
Quem mandou?
Quem mandou?...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O bofe - PERDIDO NO MUNDO



Olá, amigos.

A série que traz um pouco de histórias, curiosidades e, em especial, as letras de Roberto e Erasmo para a trilha da novela O bofe segue hoje, começando o lado B do LP original. E o primeiro nome é justamente o do produtor musical desta trilha.

Durante a década de 1970, o nome de EUSTÁQUIO SENA foi associado à produção musical da Som Livre. Ele trouxe som para novelas como Selva de pedra (quem não se lembra de Rock'n roll lullaby como tema do casal Cristiano e Simone?) e Carinhoso (que produziu ao lado de Aloysio de Oliveira). Sena também assinou a produção musical do LP Acabou chorare, lançado pelo grupo Novos Baianos na gravadora.

Entretanto, ele também participou de algumas trilhas como cantor. Além de O bofe, ele cantou temas de novelas marcantes, como O primeiro amor, Os ossos do barão, Corrida do ouro e Super Manoela, cantando sempre músicas compostas especialmente para as novelas.

Apenas em 1980 lançaria seu primeiro (e único) LP, pela gravadora Epic. Cauromi trouxe canções de sua autoria (dentre elas, a faixa-título) e participações de músicos como Jorge Mautner, Robertinho de Recife, além de Robson Jorge e Lincoln Olivetti - músicos que constantemente apareceram nas gravações e como compositores de canções gravadas por Roberto Carlos.

A canção que abre o segundo lado de O bofe coloca em letra e música a confusão de um dos personagens escritos por Bráulio Pedroso. Ela é tema de Inocêncio (papel de Paulo Gonçalves), um vigarista que se passa por padre para ficar com a fortuna da milionária Carlota (vivida pela saudosa Zilka Salaberry).

No entanto, a censura deixou o personagem e a história dele ainda mais confusos. Os censores não aceitaram esta "contravenção" da novela e impuseram ao autor que ele ficasse apenas como padre até o final da trama.

Bem, esta situação torna ainda mais intensa a sensação de Inocêncio, um personagem "perdido no mundo" da telenovela.

Segue a letra! Na foto, a capa do LP internacional de O bofe. Um dado curioso: esta trilha tem MacArthur Park, música que Roberto Carlos interpretou em seu show A 200 km por hora, três anos antes da novela ir ao ar. Mas no disco ela está na voz de Dione Warwick.

Abraços a todos, Vinícius.

PERDIDO NO MUNDO - Roberto e Erasmo

Às vezes não sei
Nem mais o que sou
Por fora da vida
Não sei onde estou

Às vezes pergunto
Por culpa de quem?
Eu ando perdido
No mundo também

A força que eu faço
Até pra viver
É um esforço tão grande
Que eu não sei dizer

Às vezes pergunto
Por que eu vivi?
Se amor verdadeiro
Eu nunca senti

Please, help me
Please, please, help me
Please, help me
Help, help, help me...

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O bofe - MÚSICA DE ABERTURA


Olá, amigos.

Com este post, nossa série encerra o lado A do LP da novela O bofe. E a foto traz a capa original do LP com canções feitas só por Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Na parte gráfica, há alguns fatos interessantes se compararmos com as atuais capas de trilhas de novelas.

A primeira é o termo "trilha sonora original", que, com o tempo perdeu a função, pois as trilhas hoje são tomadas por temas aleatoriamente escolhidos pela produção, e que, às vezes, influem nas próprias novelas. O caso mais emblemático é de uma novela escrita por Manoel Carlos em 1981 (já tendo uma Helena entre os personagens!) que contou a história de dois gêmeos idênticos que não sabiam da existência um do outro. A novela se chamava Baila comigo, por causa de uma música cantada por Rita Lee.

A segunda é com relação às fotos. O destaque é para o título da novela, e há a foto de três personagens importantes para a trama - Dorival (papel de Jardel Filho e assunto do primeiro post), Suzana Leopoldina (vivida por Ilka Soares e assunto no post anterior) e Demétrius, o Grego (interpretado por Cláudio Marzo e um dos temas dos próximos posts). Atualmente, o título aparece no canto da capa e o destaque é para uma foto posada de algum ator presente na novela - não necessariamente o protagonista.

A cargo de curiosidade, é legal ver como as logomarcas da Som Livre e da Rede Globo mudaram com relação aos dias de hoje. Na Som Livre, o que não mudou foi o nome de João Araújo, que na época já estava a cargo da coordenação geral da trilha.

A canção que encerra o lado A é o tema de abertura da novela. Por se tratar de um estilo de obra com uma variedade de tramas e de personagens, Roberto Carlos e Erasmo Carlos tentaram sintetizar em versos os temas que Bráulio Pedroso colocou em O bofe. Boa vida, procura, obrigações sociais indicam o que a novela das 22h mostrava, de maneira caricatural, aos espectadores.

Como foi adiantado no post sobre Porcelana, vidro e louça, a música de hoje também tem o maestro Osmar Milito. Mas, desta vez, eles acompanham o grupo Quarteto Forma. Um dado curioso: em uma de suas muitas formações, o Quarteto Forma teve entre seus membros o maestro Eduardo Lages.

A canção foi sampleada pelo rapper Cabal em 2006, quando ele fez o rap Viver bem. A gravação ficou interessantíssima.

Segue a letra!

Abraços a todos, Vinícius.

O BOFE - Roberto e Erasmo

Quem a boa vida escolheu
Vai morrendo sem encontrar
Se não for de um jeito
É de outro
Não se cansa de procurar

Pra ganhar a vida no sol
Vai molhar seu corpo no mar
Por obrigações sociais
Vai morar em qualquer lugar

E o sol, o sol, o sol, o sol
Não queima tanto
E o mar, o mar, o mar, o mar
Esconde o pranto

E os carros
Pela rua
Buzinam e a vida
Continua, ua, ua, ua...