sábado, 1 de novembro de 2008

Roberto Carlos, intérprete - NEGÓCIO DA CHINA



Olá, amigos.

Este blogue apresenta mais um momento no qual a safra de canções que Roberto Carlos interpretou faz parte da trilha musical de um produto de teledramaturgia da TV Globo. Por uma nova coincidência, músicas gravadas originalmente por RC estão nas três faixas de horário noturno que a emissora dedica à dramaturgia (uma delas já foi mostrada alguns meses atrás - A favorita, novela também acompanhada por RC no horário das 21h).

A novela mostrada hoje na faixa temática Roberto Carlos, intérprete ocupa um horário muito delicado na programação global. O horário das 18h, no qual convencionava-se apresentar tramas destinadas a donas de casa, estava recorrendo às chamadas "novelas de época" (histórias ambientadas no início do século XX ou no fim do século XIX) devido ao sucesso de novelas como O cravo e a rosa e Alma gêmea - curiosamente, ambas assinadas por Walcyr Carrasco.

Entretanto, as tramas de época não vinham mais repetindo os sucessos de tempos anteriores - em novelas como Eterna magia, Desejo proibido e Ciranda de pedra. Alguns analistas de programação atribuíram estes sucessivos fracassos do horário a um erro de visão da emissora - as tramas do início da noite eram precedidas por Malhação, novela infanto-juvenil que está no ar há mais de uma década, e o público que acompanha a novelinha não se interessava pela trama seguinte por terem tramas longe do seu cotidiano, além de, nas palavras de Alcides Nogueira (responsável pela atual adaptação para a TV do livro Ciranda de pedra, de Lygia Fagundes Telles), "a TV atualmente tem fortes concorrentes como a Internet e o MSN".

A solução da cúpula global foi tomar uma medida drástica. A emissora pegou uma trama prevista para estrear no horário das 19h, na intenção de deixar a "novela das seis" mais contemporânea. E contou com mais um chamariz: a trama é escrita por Miguel Falabella, que, além de um consagrado ator (no ar também atualmente no humorístico Toma lá, dá cá, exibido às terças na programação da TV Globo), foi responsável por duas ótimas experiências de teledramaturgia - Salsa e merengue (no ar entre 1996 e 1997) e A lua me disse (de 2005), ambas em parceria com Maria Carmem Barbosa.

E em 6 de outubro a faixa das 18h chegou ao início de século XXI, com uma trama bem rocambolesca trazendo boas doses de romance aliados à irreverência do texto que consagrou Miguel Falabella primeiro no teatro e depois na televisão. Assim, surgiu aos olhos do público Negócio da China, que tem início em território chinês, quando Liu (vivido por Jiu Huang) consegue realizar um roubo de um bilhão de dólares num cassino.

Ele esconde as informações da conta num pen drive que está escondido em um colar e, por acaso do destino, o dinheiro vai parar no Brasil através da bagagem do português João (papel do português Ricardo Pereira), que vai para o Brasil trabalhar na padaria de seu tio. No avião que sai de Portugal rumo a terras brasileiras, ele conhece Lívia (interpretada por Grazi Massafera), uma mulher batalhadora que retorna ao país depois de fracassar sua vida em Portugal.

No Brasil, Lívia reencontra Heitor (vivido por Fábio Assunção), seu ex-marido e pai de seu filho Théo (o menino Eike Duarte), e tentam recomeçar o relacionamento apesar das discordâncias das sogras controladoras Luli (mãe de Heitor, feita por Eliane Martins) e Aurora (mãe de Lívia, vivida por Yoná Magalhães). Eles vivem no bairro carioca do Parque das Nações (local fictício que remete ao subúrbio do Rio), no qual vivem outras pessoas que serão "afetadas" pela chegada do misterioso dinheiro.

É o caso de Maralanis (papel de Leona Cavalli), dona de uma casa de shows que não sabe cantar, que durante anos esperou o marido Edmar (participação especial de Ney Latorraca), um refém das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas que conseguiu escapar do poder das FARC. O cenário do bar traz no elenco atores que se destacam também como cantores nos musicais apresentados no Rio de Janeiro - Cláudia Netto, Sandro Christopher e Isabela Bicalho, num núcleo que promete ter muita música.

De acordo com Miguel Falabella, outro núcleo que vai dar o que falar é o trio formado por Débora Olivieri, Maria Gladys e Josie Antonello (Aldira, Lucivone e Lausane), definida como "um Sex and the city do subúrbio" nas palavras do autor. Mas Parque das Nações traz outras histórias.

Lá também há a padaria do seu Belarmino (o ator português Joaquim Monchique), pai da jovem Celeste (feita por Juliana Didone), moça que sonha ser top-model. Ela é namorada do jovem Diego (vivido por Thiago Fragoso), praticante de kung-fu e filho de Júlia (papel de Natália do Valle). No dia em que seu pai Ernesto (participação especial de Antônio Fagundes), é revelado a ele um segredo: ele nasceu através de inseminação artificial. A partir daí, Diego decide ir a São Paulo em busca de seu pai verdadeiro - e lá conhece Antonella (a cargo de Fernanda de Freitas), filha de Joelma e Mauro (respectivamente, Vera Zimmermann e Oscar Magrini). Por um acaso da teledramaturgia, Mauro mantém uma relação extraconjugal com Denise (papel de Luciana Braga), tia de Diego.

Aos poucos, Diego vai chegando perto da revelação de quem é seu pai biológico - o empresário Adriano Fontanera (papel de Herson Capri), filho do doutor Evandro Fontanera (personagem feito por Francisco Cuoco). Entretanto, algumas pessoas tendem a evitar a descoberta, como Mauro e Joelma, que querem que a filha Antonella continue herdeira da fortuna dos Fontanera, e a perua Abigail (vivida por Xuxa Lopes), que quer a qualquer custo reatar seu casamento com Adriano.

E é na trama de Adriano que a participação do intérprete Roberto Carlos aparece na novela Negócio da China. O empresário solitário que aos poucos começa a intuir que tem um filho (gerado por inseminação artificial, pois ele doou sêmen quando recebeu trote na faculdade) tem como tema uma belíssima canção de Sílvio César gravada por RC para seu LP de 1973. Agora na voz de Tony Platão, a música que teve destaque na voz de Roberto recebe nova leitura para contar a história do moço velho Adriano, que está prestes a deixar de lado a frustração que carrega por nunca ter conseguido um filho.

Segue a letra! Na foto, o logotipo de Negócio da China.

Abraços a todos, Vinícius.

O MOÇO VELHO - Sílvio César

Eu sou um livro aberto sem histórias
Um sonho incerto sem memórias
Do meu passado que ficou

Eu sou um porto amigo sem navios
Um mar, abrigo a muitos rios
Eu sou apenas o que sou

Eu sou um moço velho
Que já viveu muito
Que já sofreu tudo
E já morreu cedo

Eu sou um velho moço
Que não viveu cedo
Que não sofreu muito
Mas não morreu tudo

Eu sou alguém livre
Não sou escravo e nunca fui senhor
Eu simplesmente sou um homem
Que ainda crê no amor

Eu sou um moço velho
Que já viveu muito
Que já sofreu tudo
E já morreu cedo

Eu sou um velho, um velho moço
Que não viveu cedo
Que não sofreu muito
Mas não morreu tudo

Eu sou alguém livre
Não sou escravo e nunca fui senhor
Eu simplesmente sou um homem
Que ainda crê no amor

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A aquarela de Roberto Carlos




Olá, amigos.

Hoje, este blogue apresenta a canção que motivou a série E Roberto Carlos cantou..., publicada originalmente no fotolog rei_rc e reapresentada aqui no blogue Emoções de Roberto Carlos. A idéia partiu de Everaldo Farias, que achou interessante apresentar alguns números musicais que RC apresentou somente nos palcos.

A música de hoje ainda é apresentada pelo Roberto, mas ele atualmente a canta quando está distante de terras brasileiras. Como todo brasileiro que está no exterior, recorre a uma canção muito conhecida no nosso cancioneiro popular para emocionar seu público de outras línguas. No Roberto Carlos Especial de 1992 (ano no qual realizou muitos shows no exterior), ele comentou sobre seu país de origem:

"Essa é a minha canção preferida lá fora. Eu fico muito tempo lá fora, e de repente começo a cantar trechos dessa canção, frases, em diferentes lugares. É... a saudade bate forte... E a grande conclusão que a gente chega sempre que a gente canta fora, principalmente depois de tanto tempo, é que nenhum lugar, apesar de tudo, apesar de todos os problemas, apesar de todas as coisas que a gente tem vivido, principalmente esse ano [NOTA: no qual as denúncias de corrupção culminaram no impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello], é que nenhum lugar é melhor pra um brasileiro viver... que o Brasil! Que o Brasil...".

Tanto que em seu show em maio para o público de Miami, ele novamente incluiu uma aquarela belíssima assinada por Ary Barroso. Uma canção que, infelizmente, há algum tempo ele não inclui em seu repertório cantado nos shows brasileiros. O espectador de seus especiais na TV Globo teve o privilégio de ouvi-lo cantando esta música em dois encontros musicais - em 1986, num dueto com Gal Costa, e em 1996, ano no qual ele e Martinho da Vila cantaram este "sambão". No show apresentado após o Globo Repórter feito em homenagem a RC no ano em que completou 50 anos, Roberto também a interpretou - lembrança do amigo deste blogue Everaldo Farias, responsável por outro grande blogue, o Música do Brasil, um dos favoritos da nossa página.

E depois de momentos internacionais, nada melhor do que novamente colocar Roberto Carlos cantando o Brasil. Cantando o verde e amarelo da camisa que ele sempre vestiu em sua carreira hoje universal.

Segue a letra! Na foto, RC no especial de 1992, ano em que cantou a aquarela de todos os brasileiros, o hino assinado por Ary Barroso em 1939.

Abraços a todos, Vinícius.

AQUARELA DO BRASIL - Ary Barroso

Brasil, meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos

O Brasil
Samba que dá
Bamboleio
Que faz gingar

O Brasil
Do meu amor
Terra de
Nosso Senhor

Brasil, pra mim...
Brasil, pra mim...

Ô...
Abre a cortina do passado
Tira a Mãe Preta do cerrado
Bota Rei Congo no congado

Brasil, pra mim...
Pra mim, Brasil...

Ô..
Ô e essas fontes murmurantes
Aonde eu mato a minha sede
E onde a lua vem brincar

Ô...
Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro

Brasil, pra mim...
Pra mim, Brasil...

P.S.: quando interpreta a música, Roberto suprime duas estrofes da letra original:

Brasil...
Terra boa e gostosa
Da morena cestrosa
De olhar indiscreto

Ô...
Esse coqueiro que dá coco
Onde eu amarro a minha rede
Nas noites claras de luar

Talvez porque dentre as inúmeras gravações desta música, há uma variação na letra dela. Os versos acima são da interpretação de Gal Costa, mas Elis Regina gravou substituindo as palavras "cestrosa" e "indiscreto" por "senhora" e "indiferente". Coisas do Brasil brasileiro...

terça-feira, 28 de outubro de 2008

E Roberto Carlos cantou... - 12


Olá, amigos.

Com o post de hoje, este blogue encerra a série E Roberto Carlos cantou.... A série surgiu a partir de uma idéia do amigo Everaldo Farias, que disse ser interessante mostrar algumas canções que RC interpretou somente nos palcos (a série, publicada originalmente no fotolog /rei_rc, agora volta a ser publicada a partir da série O meu coração é como um palco, criada no Blog Roberto Carlos Braga, por James Lima). Para isto, foram pesquisadas listas de repertórios de seus shows a partir de 1970 (ano de A 200 km por hora, seu primeiro grande espetáculo na casa de shows Canecão) - bem, ao menos os inícios de temporadas de cada uma de suas empreitadas novas no palco.

A última música deste repertório mostra que já faz um tempo considerável que Roberto Carlos não inclui em seu cronograma musical canções que antes já não gravara anteriormente em estúdio - a exceção é restrita a apresentações realizadas no exterior, nas quais ele interpreta Aquarela do Brasil. Nos shows brasileiros, a última visita de RC a outros repertórios data do show Luz, de 1994.

Naquele início de ano (período no qual, inclusive, seus shows passaram a ser patrocinados pela cerveja Brahma - que se referia a Roberto como "Ele - o número 1"), RC decidiu cantar uma música que não era de seu repertório porque ela havia emocionado o público ao final do ano anterior. Em seu Roberto Carlos Especial de 1993, houve a luxuosíssima participação de Chico Buarque, e uma fantástica interpretação de uma das letras feitas para O que será? (o tema foi feito por Chico originalmente para o filme Dona Flor e seus dois maridos, dirigido por Bruno Barreto, e a partir da melodia, foram escritas três letras diferentes, com a intenção de pontuar a história baseada no livro de Jorge Amado).

Em homenagem ao artista que RC afirma ser "um dos maiores, senão o maior compositor de todos os tempos", a turnê Luz teve entre seus fachos o brilho de Francisco Buarque de Hollanda. No entanto, a música não durou muito tempo no repertório do show. Na época, Roberto disse que se perdia muito na letra, e que a solução foi sacrificá-la alguns shows depois da inclusão.

Uma pena, pois a magia da letra de Chico fica ainda mais extensa na voz de Roberto. E, nesta música, certamente, ocorre um magistral momento de encontro entre compositor e intérprete, mas que prossegue inédito em estúdio.

Segue a letra! Na foto, Roberto e Chico no Roberto Carlos Especial de 1993.

Abraços a todos, Vinícius.

O QUE SERÁ? (À FLOR DA PELE) - Chico Buarque

O que será que me dá?
Que me bole por dentro, será que me dá?
Que brota à flor da pele, será que me dá?
E que me sobe as faces e me faz corar...

E que me salta os olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar

O que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita...

O que será, que será
Que dá dentro da gente que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardante que não sacia

Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia

E nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite...

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar

Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar

E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo...

domingo, 26 de outubro de 2008

E Roberto Carlos cantou... - 11


Olá, amigos.

Nos últimos posts da série E Roberto Carlos cantou..., feita a partir da sugestão do amigo Everaldo Farias ainda na época do fotolog /rei_rc (e agora republicada neste blogue), chegamos à temporada intitulada Coração. Para saber outros detalhes deste e de outros shows, acesse o Blog Roberto Carlos Braga (criado por James Lima e que está dentre nossos links favoritos à direita) e veja a série O meu coração é como um palco.

Nesta série que resgata canções que Roberto interpretou apenas no palco, hoje este blogue novamente traz um pout-pourri criado com a ajuda da indefectível dupla Miéle & Bôscoli. E, como cantor de alma e coração na voz, RC ousou reconhecer em letra e música os corações de outros compositores que fazem a Música Popular Brasileira.

Em um momento de intérprete entremeado por textos que falavam alguns detalhes dos compositores ali homenageados em sua voz, Roberto abriu seu coração para escancarar outros corações que, sofrem (ou não) como ele - do mesmo "mal de amor". Das emoções de Pixinguinha e de João de Barro, do coração de criança de Caetano Veloso, da insensatez de Dorival Caymmi e da explosão de Gonzaguinha, RC mostrou que há muito tempo o coração faz parte do cancioneiro brasileiro.

Segue a letra destas releituras, ou melhor, destas análises do coração dos compositores feita por RC. Na foto, Roberto Carlos em Coração.

Abraços a todos, Vinícius.

O CORAÇÃO DOS COMPOSITORES

Canções interpretadas:

CARINHOSO - Pixinguinha e Braguinha
CORAÇÃO VAGABUNDO - Caetano Veloso
SÓ LOUCO - Dorival Caymmi
EXPLODE, CORAÇÃO - Gonzaguinha

Meu coração
Não sei por que
Bate feliz
Quando te vê

E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas, vão te seguindo
Mas mesmo assim
Foges de mim...

"Pixinguinha e Braguinha fizeram de "Carinhoso" o coração mais famoso do Brasil, sem dúvida alguma. Mas como será que pulsam os corações dos nossos outros amigos compositores? Como será, por exemplo, o coração de Caetano Veloso?".

Meu coração não se cansa
De ter esperança
De um dia
Ser tudo que quer

Meu coração de criança
Não é só a lembrança
De um vulto
Feliz de mulher

Que passou por meus sonhos
Sem dizer adeus
E fez dos olhos meus
Um chorar mais sem fim

Meu coração vagabundo
Quer guardar o mundo em mim
Meu coração vagabundo
Quer guardar o mundo em mim...

"E o Caymmi... o grande Dorival Caymmi! De coração tão grande que acaba onde a vista não pode alcançar...".

Oh, insensato coração
Por que me fizeste sofrer?
Porque, de amor, para entender
É preciso amar
Porque... só louco

"Amigo é pra gente guardar do lado esquerdo do peito, como diz o Mílton, mas a canção do nosso querido e inesquecível Gonzaguinha diz também coisas incríveis...".

Feito louco, alucinado e criança
Sentir o meu amor se derramando
Não dá mais pra segurar
Explode, coração

Vem, vem sentir o calor
Dos lábios meus
À procura dos teus

Vem matar essa paixão
Que me devora o coração
E só assim então
Serei feliz, bem feliz

Meu coração...

P.S.: no decorrer da temporada de Coração, Roberto Carlos deu espaço também para cantar um coração de um modismo que apareceu com muita força na segunda metade de 1990. Trata-se da música Agüenta coração, assinada por Prêndice, Ed Wilson e Paulo Sérgio Valle. Ela ganhou as rádios na voz de José Augusto, depois que se tornou a música-tema da novela Barriga de aluguel, então exibida às 18h na TV Globo (no ano de sucesso da música, José Augusto foi ao Roberto Carlos Especial, e os dois cantaram juntos a canção Fera ferida).

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

E Roberto Carlos cantou... - 10


Olá, amigos.

A série E Roberto Carlos cantou... mostra novamente um momento peculiar que RC brindou aos que acompanharam sua turnê Detalhes. Um show interessantíssimo produzido pela dupla Miéle & Bôscoli duas décadas atrás, e na qual, além de Frank Sinatra e John Lennon, RC abriu espaço para um pout-pourri em homenagem a um artista brasileiro até no nome e que foi capaz de universalizar e imortalizar a Música Popular Brasileira.

Num momento que foi possível resgatar não só graças a este DVD cedido pelo amigo Ramon Duccini, mas também por um áudio que foi disponibilizado na Internet, tivemos acesso não só à interpretação das canções como ao texto de introdução para a seqüência musical. Roberto apresentava o homenageado em questão da seguinte forma:

"Eu sempre admirei a obra desse cara. Além do mais, ele tem uma postura fantástica diante da vida, diante da natureza. Eu tô falando de Tom. Tom Brasileiro de Almeida Jobim, o grande Tom..."

Nisso, a orquestra começava a tocar incidentalmente a canção "Garota de Ipanema", como fundo musical da apresentação de RC, que prosseguia:

"O Tom é tudo que resta de verde em tudo o que resta do coração do Brasil. O Tom é de Ipanema, e eu sou de Cachoeiro, e isso naturalmente explica o nosso comportamento diante das mulheres que temos retratado. A minha fantasia cria mulheres que eu jamais ousei dizer os nomes. Bem, o Tom não, o Tom ousa mesmo, já vai dizendo tudo - nome, cor dos cabelos, altura, idade, essas coisas todas. Mas, com todo respeito, eu canto aqui algumas mulheres do Tom. Umas mais cantadas, outras menos, outras mais famosas, outras menos famosas. De repente as menos famosas por serem menos cantadas, quem sabe?".

E, neste registro de intérprete que ficou restrito à temporada intitulada Detalhes, Roberto cantou três mulheres que fazem parte do cancioneiro de Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim. Por ordem de entrada em cena, Ana Luiza, Lígia e Ângela passearam pela voz de RC.

Segue a letra de mais um momento da série E Roberto Carlos cantou...! A foto, também da turnê "Detalhes", se tornou a capa interna do LP Roberto Carlos ao vivo (lamentavelmente, o número em homenagem a Tom não foi incluído no disco), lançado em junho de 1988.

Abraços a todos, Vinícius.

POUT-POURRI:

ANA LUIZA / LÍGIA / ÂNGELA - todas de Tom Jobim

Ana Luiza
Eu fiz essa canção só pra você
Que pergunta, precisa saber
Onde anda Luiza
Luiza, Luiza...

E quando eu lhe telefonei
Desliguei, foi engano
O seu nome não sei
E esqueci no piano as bobagens de amor
Que eu iria dizer
Lígia, Lígia...

Ângela
Por que tão triste assim agora
E tudo quanto existe chora
Teu rosto na janela daquele avião

Lá embaixo
A terra é um mapa
Que agora uma nuvem tapa
Não tentes evitar a dor

Misteriosamente
Está tão diferente, Ângela
A face singular de Ângela
Enquanto nos surpreende o amor

Oh, Ângela...

P.S.: o Blog Roberto Carlos Braga do meu amigo James Lima hoje conta um pouco da história da canção Lígia, tanto para homenagear a turnê Detalhes quanto para lembrar que o evento dos 50 anos de Bossa Nova - o show com Caetano Veloso - em breve estará nas lojas no formato de CD e de DVD.

P.S.2: em seu blogue Rey Roberto Carlos, o meu amigo Felipe Moura está fazendo uma brincadeira musical muito interessante. A de criar um repertório novo para o próximo show de Roberto Carlos. Recomendo a todos para colocarem lá suas listas musicais - o endereço está aí nos favoritos do blogue, basta clicar e ver o post.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

E Roberto Carlos cantou... - 9




Olá, amigos.

Prosseguindo com a série E Roberto Carlos cantou..., que traz algumas das canções que RC interpretou apenas em seus espetáculos, hoje chegamos a um show que virou disco. Foi a temporada intitulada Detalhes, que teve início em 1987 e se tornou base de Roberto Carlos ao vivo, LP lançado em meados de 1988 - e em uma das faixas há uma leitura para Imagine, de autoria de John Lennon, na companhia da então cantora mirim Gabriella.

Num show em que letra, música e até mesmo o figurino trouxeram detalhes tão pequenos mas que são coisas muito grandes diante de sua carreira, Roberto relembrou um momento lindo de sua carreira no exterior. Naquela época, não havia estrutura para RC levar toda sua orquestra em apresentações no exterior, o maestro Eduardo Lages e ele ficavam encarregados de contratar músicos das localidades nas quais iam tocar. E, justamente para uma apresentação no Madison Square Garden, coincidiu de os músicos que foram contratados serem os mesmos que tinham se apresentado com ninguém menos que Frank Sinatra em um show no Brasil. Uma emoção para o cantor e para o arranjador, que, anos depois, ao contar a história disse que, ao vê-los acompanhando Sinatra, sonhava um dia poder regê-los.

Aliás, nesta temporada de Detalhes, Roberto contou ao público uma história muito interessante. Pode-se até parodiar a fala de RC em O calhambeque e dizer que é uma história que só acontece ao Sinatra (no show, ele fez questão de ressaltar que o episódio foi contado a ele pelo Eduardo Lages).

"Ele viu o Frank Sinatra saindo do toalete todo molhado. É, molhado do que vocês estão pensando, mas não exatamente onde estão pensando, né? O Sinatra estava molhado aqui [e RC apontou para a coxa esquerda]. E a gente fica se perguntando: não, como é que pode? Tem alguma coisa errada, né, porque geralmente é aqui, né? [e apontou para a altura da cintura]. Mas aí ele me explicou "não, não tem nada de mais". É que, logicamente, todo mundo sabe que todo mundo é fã do Sinatra e em todo lugar que o Sinatra entra, tem sempre um fã. E, logicamente, quando ele entra num toalete, tem um cara aqui, com a mão tradicional aqui [na parede], e quando pressente que o Sinatra tá aqui do lado dele, ah, não tem jeito: FRANK SINATRA! [e faz o movimento de quem vira-se de lado e, sem querer, molha a calça do cantor] É... aí, molha...".

Ainda brincando com esse tipo de situação, Roberto disse a resposta que deu a um amigo que havia perguntado se nunca aconteceu de um fã dar uma... molhadinha. Ele disse: "não, bicho, nunca, porque quando eu entro num toalete já abro a porta cantando "quando eu estou aqui, eu vivo esse momento lindo", pois já sabe o alcance dessas coisas e já faz isso pra se defender".

Esta piada, que antecedia a apresentação dos músicos, encerrava com um momento surpreendente para os espectadores. "E quando a gente tem uma banda como essa, a gente tem sempre vontade de dar uma canja, e tem sempre vontade de dar uma canja noutra praia. Na praia de um Sinatra, por exemplo...".

E quem assistiu ao show Detalhes teve o privilégio de ver Roberto cantando um pouquinho de uma canção da "praia" de Frank Sinatra. Uma canção que foi escrita há mais de 70 anos, originalmente, para o musical Babes in arms, e, mais tarde, recebeu leituras também de Ella Fitzgerald e Shirley Bassey.

Segue a letra (do trecho cantado por RC no espetáculo)! Na foto, a capa do programa do show Detalhes (na época em que os espetáculos de RC traziam programas, com fotos e letras das músicas).

Abraços a todos, Vinícius.

THE LADY IS A TRAMP - Richard Rogers e Lorenz Hart

Hates California
It's so cold and so damp
That's why the lady
That's why the lady
That's why the lady is a tramp

P.S.: obrigado ao amigo Ramon Duccini por achar um registro em DVD de um show da turnê "Detalhes" na íntegra. Se não fosse por ele, não teríamos mais um detalhe pra contar nesta série.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

E Roberto Carlos cantou... - 8


Olá, amigos.

Continuando a série E Roberto Carlos cantou..., que, a partir dos roteiros dos espetáculos que RC realizou desde seu primeiro show produzido por Miéle & Bôscoli na casa de shows Canecão (A 200 km por hora, de 1970), hoje este fotolog chega a um dos mais cultuados shows que Roberto Carlos protagonizou. Momentos que, com a ajuda de uma idéia do amigo Everaldo Farias, vieram para o espaço aqui dedicado a RC - e agora são republicados inspirados na série O meu coração é como um palco, do Blog Roberto Carlos Braga, criado por James Lima.

Em dezembro de 1978, estreou o show conhecido como Palhaço - no qual o artista da música mais popular do "circo chamado Brasil" se vestiu como os artistas do picadeiro. Este espetáculo já foi mostrado em dois posts do fotolog /rei_rc, que estão nos links abaixo. O primeiro, da série Roberto Carlos - o show nunca termina, que traz o repertório e alguns detalhes de como foi a turnê de RC. O segundo, em homenagem ao falecimento do palhaço Carequinha, mostra o texto de Ronaldo Bôscoli que Roberto falava enquanto tirava sua maquiagem de palhaço para, em seguida, interpretar um trecho da música (dele e de Erasmo) O show já terminou:

http://www1.fotolog.com/rei_rc/13243240

http://www1.fotolog.com/rei_rc/10647766

E num show que, dentre seu repertório de sucessos da década de 1970, que já vinha chegando ao seu fim, trouxe espaço para duas poesias de Fernando Pessoa (O guardador de rebanhos e Todas as cartas de amor são ridículas), foi incluída também uma canção que, ao menos até o momento, ainda não tivemos o privilégio de não ouvi-la em uma gravação de Roberto Carlos. Novamente, uma música de safra internacional, que só foi abrilhantada na voz do cantor e no arranjo do maestro Eduardo Lages - em seu primeiro show como arranjador e regente dos espetáculos de RC (e, por sinal, Lages contou que, ao lado de Os seus botões, a música de hoje fez parte de seu "teste" para ser o novo maestro da banda de RC, logo depois da saída em definitivo do arranjador Chiquinho de Moraes deste posto).

Esta canção, lançada originalmente em 1967, tem dentre seus intérpretes nomes consideráveis da música internacional, como Frank Sinatra, Tony Benett, Ella Fitzgerald e Stevie Wonder. Roberto a cantou em dois especiais consecutivos - nos anos de 1978 (com a participação, ao piano, de Freddy Cole) e de 1979. No cruzeiro de 2007 do Projeto Emoções em alto mar, RC, em um momento de descontração, cantou a música acompanhado do Sexteto de Jô Soares.

Segue a letra! Na foto, Roberto Carlos caracterizado como palhaço, no show em que interpretou mais uma das canções desta série na qual enumeramos seu repertório que ficou exclusivo ao palco de suas apresentações.

Abraços a todos, Vinícius.

FOR ONCE IN MY LIFE - Ron Miller e Orlando Murden

For once in my life
I have someone who needs me
Someone I've needed so long

For once unafraid
I can go where life leads me
And somehow I know I'll be strong

For once I can touch
What my heart used to dream of
Long before I knew
Someone warm like you
Could make my dreams come true

For once in my life
I won't let sorrow hurt me
Not like it's hurt me before, oh
For once I've got someone
I know won't desert me
'Cause I'm not alone anymore

For once I can say
This is mine, you can't take it
As long as I've got love I know I can make it
For once in my life
I've got someone who needs me